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ABRA Impedida de Aceder ao Canil Municipal de Braga (actualizado)

A Associação foi proibida, Sábado, de aceder ás instalações do Canil Municipal de Braga, como fazia diariamente há 6 anos. As condições de higiene, alimentação e cuidados veterinários dos animais, segundo a Associação, deixam de estar assegurados.

ABRA Proibida de Entrar no Canil

A ABRA – Associação Bracarense dos Amigos dos Animais – revelou em comunicado difundido no seu site oficial no passado Sábado, dia 20 de Agosto, ter sido proibida pela AGERE, a partir desse mesmo dia, de entrar no Canil Municipal de Braga.

Referindo que o canil ficou completamente cheio, a Associação revela a sua preocupação com a falta de cuidados que os animais terão, em termos de alimentação, higiene, cuidados veterinários, separação de machos e fêmeas, atenção com os mais assustados, entre outros. De seguida segue o comunicado na íntegra:

É com um grande pesar que informamos que a ABRA foi hoje proibida, pela AGERE, de entrar no Canil Municipal de Braga. Após seis anos de deslocações diárias ao canil para assegurar as condições fundamentais de higiene, alimentação e assistência médico-veterinária, hoje [20 de Agosto] fomos impedidos de aceder às instalações do Canil Municipal para prestar os cuidados habituais aos animais que lá se encontram depositados.

Os passeios diários, os cuidados com a alimentação, os cuidados médico-veterinários, os mimos que muitos deles nunca sentiram em toda a sua vida, deixam de estar assegurados.

Ontem [19 de Agosto] o canil ficou completamente cheio, com 33 cães (para um total de 24 boxes) e 3 gatos (para um total de 10 boxes). Hoje desconhecemos em que condições se encontram os animais que lá permanecem. Sabemos, contudo, que ao fim-de-semana a AGERE não disponibiliza nenhum funcionário para o canil, pelo que é certo que os animais não terão, sequer, acesso a comida e a água, o que poderá ser letal, tendo em conta as altas temperaturas previstas para o fim-de-semana na região de Braga.

A partir de Segunda-feira [22 de Agosto] os animais que entrarem no canil não terão direito aos cuidados que a ABRA se empenha em proporcionar. Em muitos casos, ter ração disponível  não significa serem alimentados, pois muitos animais entram no canil completamente apavorados e não comem por iniciativa própria. Para esses casos, os voluntários levavam arroz com frango para tentar que não sucumbissem a doenças por falta de alimento. O mesmo era feito para os cachorros, que muitas vezes entram sem progenitores e nos próximos dias não vão ter quem os ensine a comer. Os cuidados médico-veterinários básicos deixarão de existir. Não estará também garantida a separação, dentro do canil, de machos e fêmeas ou de animais que não se dêem bem, evitando assim eventuais acasalamentos e lutas. Os animais deixarão de poder ser divulgados pela ABRA, uma vez que não será possível tirar fotografias. Deixarão, portanto, de ter um nome e um rosto, passando a meras estatísticas num país que ainda escolhe o abate como prática para diminuir a sobrepopulação de animais errantes.

Lamentos que, os/as fomentadores/as das inúmeras polémicas criadas nas redes sociais não tenham ponderado as consequências das suas acções. Não foi a ABRA que perdeu: foram os animais que perderam a alimentação, os cuidados de higiene, o mimo e a atenção diários. Foram eles que perderam a oportunidade de serem divulgados para passarem a estar condenados a um abate certo depois de uma estadia no canil que será, em muitos casos, penosa e sem dignidade.

Porque conhecemos a dura realidade do Canil de Braga antes da existência da ABRA, estamos conscientes do sofrimento diário que a nossa ausência provocará a todos os animais que lá se encontram e a todos os que tiverem o infortúnio de dar entrada no canil no futuro.

Ignoramos, de momento, até quando se manterá a proibição e/ou se a mesma será permanente, uma vez que a AGERE protelou, para o decurso da próxima semana, a decisão final sobre a permanência da ABRA no canil.

Sabemos apenas que, pelos animais, não desistiremos.

Já foi igualmente criada uma petição online, relembrando o protocolo que a AGERE tinha assinado com a ABRA para o acesso e tratamento dos animais no canil – ver petição.

* Actualização 22/08/2011 18h40

O administrador da AGERE, Nuno Ribeiro, reagiu à notícia e ao comunicado da ABRA referindo que assume “todas as responsabilidades desta decisão”.

Segundo Nuno Ribeiro, a AGERE tem recebido “queixas constantes” sendo que a situação de rotura terá sido originada por um desentendimento em relação a um cão: “No passado dia 12, uma senhora levou um cão para o canil por causa de um conflito no condomínio, o animal foi recolhido. Mas no dia seguinte a senhora foi buscar o cão, admitindo que a situação estaria resolvida. Mas o cão tinha desaparecido, a ABRA tinha retirado o animal do canil e levado para um canil particular, porque supostamente estava debilitado” acrescentando que “primeiro o canil é gerido pela AGERE e não é da ABRA e, em segundo, se o cão tinha problemas, a AGERE paga religiosamente a um veterinário que faz a gestão médica dos animais. Esta situação não é legal, não é cordial, nem razoável (…) foi a terceira vez que aconteceu alguma coisa estranha com a ABRA. Não tenho nada contra a ABRA, o trabalho deles é de louvar, mas há regras para cumprir”.

Entretanto a ABRA reagiu de imediato num segundo comunicado esclarecendo que “de acordo com a informação prestada na altura, por funcionários da AGERE, o cão de raça Pug teria sido entregue por alguém, que não o seu dono, que o havia encontrado na via pública junto da fábrica onde trabalhava” acrescentando que o cão “saiu, nesse mesmo dia, para hotel, como aliás sucede com frequência com animais que dão entrada no canil.”

Sobre a confusão da devolução do cão, a ABRA explica: “As pessoas que se deslocaram ao canil não dispunham de nenhum elemento que pudesse comprovar que eram os donos do canídeo em questão. Não dispunham, designadamente do boletim de vacinas, de um documento da Junta de Freguesia, do número de identificação electrónico, nem sequer de fotos (…) A ABRA já teve a oportunidade de esclarecer, junto do dono do cão, toda esta situação, sendo certo que não subsistem, por parte do mesmo, quaisquer dúvidas ou mal entendidos quanto à actuação da ABRA”.

Salientando que “o diálogo é imprescindível para o correcto funcionamento de qualquer relação, seja ela pessoal, profissional ou de mera colaboração”, a ABRA salienta que pretende “repor a verdade dos factos, pois só desse modo poderá ser assegurada a continuidade da relação existente entre a ABRA e a entidade responsável pela Gestão do Canil de Braga.”

* Actualização 24/08/2011 19h30

A reunião entre a AGERE e a ABRA foi marcada para amanhã, dia 25 de Agosto, pelas 10h30, após a qual será emitido um comunicado a informar da decisão sobre a continuidade ou não da ABRA no Canil, bem como as novas condições e conceitos a imperar na gestão do Canil Municipal de Braga doravante.

* Actualização 25/08/2011 19h52

ABRA Regressa ao Canil de Braga


356 artigos no Mundo dos Animais

Co-fundador e administrador do Mundo dos Animais desde 2005. Em casa reinam os mamíferos exóticos (ratazanas, gerbos e afins), embora a grande paixão sejam os gatos, animais com os quais convive desde que nasceu.

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5 Respostas
  1. Já assinei a petição e divulguei aos meus contactos!!

  2. Já assinei a petição. Continuem a lutar pela defesa dos animais.Bem Hajam, pelo bem que lhes fazem. Em memória do meu Sky, estarei sempre ao lado deles.

  3. Amanhã de manhã será a reunião decisiva entre a ABRA e a AGERE, esperemos que corra tudo pelo melhor à ABRA e, sobretudo, pelos animais que estão no Canil de Braga, que não tem culpa nenhuma das divergências entre as pessoas e das campanhas de difamação que alguns insistem em fomentar.
    Boa sorte à ABRA!

  4. Depois de Ler, posso dizer que o Carlos pôs por palavras aquilo que muitas vezes tento fazer entender a certos “Amigos dos Animais” principalmente no que respeita ao consumo de carne e até mesmo às touradas, em que eu apesar de não ser aficionada, nem tão pouco assistir, sei que deixando de existir touradas, para os criadores de Touros de Lide este negócio, porque é isto que é realmente, deixará de ser rentável e inevitavelmente a criação destes animais acaba e com ela também esta espécie de animais acabará por se EXTINGUIR…. sempre que tentei expor esta infeliz realidade, acabei sempre sendo ofendida e acusada de não gostar de Animais. Vivemos num T1 dois humanos e três Felinas, as minhas princesas, todas elas adotadas, e se não tenho mais é porque o espaço não o permite, tento sempre segundo as nossas possibilidades ajudar no que for possível nem que seja assinando petições desde género. Obrigado pelo texto.

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