
A comunicação dos cavalos baseia-se sobretudo em gestos e expressões. Aprender a entender o cavalo, melhora muito o relacionamento entre cavalo e cavaleiro. Além disso, pode salvar-nos de um mal maior, como por exemplo um coice!
A comunicação é feita através de movimentos delicados, como o rodar das orelhas, a compressão dos músculos do focinho, os movimentos da cauda, etc. Se por alguma razão o cavaleiro não captar esses sinais, o cavalo vai expressar a sua dor, irritação ou desconforto de uma maneira mais perceptível, que pode ser em forma de coice ou dentada. Para que isso não aconteça, o cavaleiro deve ter especial atenção às expressões do cavalo para evitar que ele recorra à agressão.
- Orelhas para os lados
O cavalo encontra-se num estado relaxado. Pode também verificar-se a “queda” do lábio inferior. - Orelhas para a frente
O cavalo está atento a algo que lhe despertou interesse. Os cavalos cumprimentam-se também com as orelhas neste sentido. Pode significar também alerta de perigo e nesse caso, o cavalo ergue o pescoço e cheira o ar. - Orelhas para trás
Podem ter diversos significados. Durante a monte, pode significar que o cavalo está atento ao cavaleiro e às suas ordens. Quando está prestes a atacar, as orelhas estão quase “coladas” à cabeça, pois assim evitam que durante um confronto possam ser mordidos. Em caso de ataque, os cavalos expõem também o branco do olho, contraem os cantos dos lábios e abanam a cabeça. - Olhos semi-cerrados e lábios contraídos
Mau-humor, dor ou aborrecimento. - Dentes expostos
Podem significar que o cavalo vai morder. - Cauda
O abanar da cauda é sinal de irritação. Quando o cavalo “cola” a cauda entre as pernas, é um aviso de um possível coice. Se abanarem a cauda em grupo, pode ser sinal de amizade entre eles. Utilizam-na também para afastar as moscas e os insectos. Se galoparem com a cauda erguida, é sinal de prazer e alegria. - Cabeça
Abanar a cabeça pode significar divertimento e brincadeira, se estiverem soltos no campo. Durante a monte, pode ser sinal de desconforto.
Como Abordar um Cavalo
Não há dois cavalos iguais mas todos são mais ou menos medrosos. Assim sendo, há que preveni-los da nossa chegada, falando-lhes calmamente para evitar surpreendê-los. Por uma questão de hábito, é preferível aproximarmo-nos pelo lado esquerdo. Sobretudo é importante mantermo-nos calmos e nunca inquietarmos os animais gritando ou gesticulando.
Conforme os casos há que ter os seguintes cuidados:
- Abordar um cavalo preso
Quando preso, quer à manjedoura quer a uma parede, há que chama-lo pelo nome ou com uma expressão amigável, entrando pela esquerda sem nunca ficarmos atrás dele nem nos deixarmos apertar contra a baía ou parede, para que não o tenhamos de empurrar, sem violência, para nos deixar passar. - Abordar um cavalo na boxe
Devemos abrir a porta avisando da nossa entrada e dirigindo-nos à sua cabeça de modo a não nos deixarmos encurralar a um canto. A porta não deve ficar escancarada num convite à fuga, nem fechada de modo que nos seja difícil abri-la em caso de problema. - Abordar um cavalo solto (na pastagem)
Há que avançar calmamente para ele, e, quando estivermos muito próximos, falar-lhe e estender-lhe a mão baixa para que cheire ou, eventualmente, dar-lhe uma guloseima. Convém aproximarmo-nos da espádua (e não da cabeça) para, numa primeira fase, lhe passarmos um braço ou uma corda de prisão à volta do pescoço, pondo-lhe, logo a seguir, a cabeçada. Correr atrás dele é a maneira segura de nunca mais o agarrar. - Apanhar um cavalo fugido num picadeiro ou num campo de treino
As pessoas disponíveis devem, calmamente, estabelecer uma linha que vai avançando para encurralar o cavalo a um canto. Após o cavalo parado o seu tratador avança para o prender. Quem estiver a cavalo pára e espera que o cavalo seja apanhado.
Pelagens Simples: unicolores
Tratando-se das principais, ou básicas, em que os pelos do corpo são de uma só cor, de simples não tem nada, pelo que houve, desde logo, que dividi-las em dois sub-grupos: unicolores e com crinas de cor diferente da pelagem.
Branco
pelagem não evolutiva muito rara, na medida em que, desde o nascimento, não existe pigmento nem nos pêlos (completamente brancos, sem qualquer espécie de malhas) nem na pele (cor-de-rosa), mas os olhos são escuros, geralmente castanhos. A raça dinamarquesa Frederiksborg teve uma linha de cavalos brancos extinta no século XIX.
Um cavalo branco possui obrigatoriamente um progenitor branco e diferencia-se:
- Do Isabel, porque este tem crinas creme-marfim e os olhos claros, geralmente azuis, alem de poder apresentar malhas;
- Do Ruço, por mais branco que pareça (pela idade avançada ou pelo embranquecimento precoce) porque este apresenta sempre pele pigmentada escura e pode apresentar malhas.
Preto
Pelagem não evolutiva, embora os poldros nasçam castanhos (este pêlo cai, não evolui) e, no Verão, os pelos mais expostos à radiação solar possam adquirir um tom acastanhado. O pigmento preto dominante pode ser mais ou menos contrariado pelo pigmento vermelho e daí poderem resultar lazões ou pelagens diluídas como, por exemplo, palominos, do acasalamento entre pretos.
Existem as variedades Azeviche (na foto, cor intensa e brilhante) e Pezenho (cor desbotada e baça nas faces, axilas, flancos, bragadas e ventre).
Diferencia-se do Castanho Pezenho, porque neste as faces, axilas, flancos, bragadas e ventre são mais claros (vermelho-acobreado) e, no Preto o focinho nunca adquire aquele tom acobreado. É uma cor que ocorre com alguma frequência, sendo característica de algumas raças como a Fúcia e havendo criadores que seleccionam linhas desta cor, como a Coudelaria Ortigão Costa, em Portugal.
Lazão
Pelagem não evolutiva, apresenta pêlos avermelhados sobre pele escura em todo o corpo, com crinas (nunca pretas) do mesmo tom ou mais claras ou mais escuras que o corpo cujos cabos são obrigatoriamente avermelhados, (excepto quando calçados) e os olhos escuros.
Existem as variedades Claro (cor aberta), Comum (cor de canela) e Torrado (cor de café torrado). É uma cor muito frequente e característica de algumas raças como a Frederiksborg e a Suffolk.
Pelagens Simples: Crinas de cor diferente
Castanho
Pelagem não evolutiva de pêlos castanhos (tons variáveis até ao avermelhado), com crinas e cabos pretos e olhos escuros. Muito frequente, é a segunda mais observada na raça Lusitana e é característica de outras como a Garrana e a Cleveland Bay.
Existem três variedades: Claro (desbotado, amarelado), Comum (cor de castanha madura) e Pezenho que é um castanho muito escuro com o focinho, faces, axilas, flancos, bragadas e ventre mais claros (vermelho-acobreado). Distingue-se do Preto Pezenho porque este não só tem as faces, axilas, flancos, bragadas e ventre mais escuro, como nunca apresenta o focinho vermelho-acobreado.
Pelagens Compostas
Ruço
Pelagem evolutiva em que se incluem não só as que tem uma cor-base preta (grande parte dos Lusitanos ruços) mas também as de cores-bases castanhas e lazã (grande parte dos Puro Sangue Árabes ruços) e nas quais, ao longo do tempo, os pelos escuros vão sendo substituídos por pêlos brancos.
Difícil de identificar antes da primeira muda de pêlo (pêlo da mama, por volta dos 6 meses), na fase seguinte os pêlos brancos e escuros apresentam-se mais ou menos, na mesma proporção e com a idade os pêlos podem ficar totalmente brancos mas, a pele apresenta sempre a pigmentação escura.
Resumindo: pele escura; olhos escuros; pêlos brancos e escuros (pretos ou vermelhos), progressivamente brancos; crinas e cabos escuros (pretos ou vermelhos) progressivamente brancos podendo, algumas vezes as crinas não acompanhar o progresso de embranquecimento. Podem existir malhas (brancas).
Existem duas variedades: comum, pêlos escuros (geralmente pretos) e brancos e sabino/ avinhado, pêlos vermelhos disseminados entre os pêlos pretos e brancos. Destes diz-se batardo quando os pêlos vermelhos estão aglomerados em malhinhas, lembrando a pelagem da abetarda (Otis tarda).
Regras de Segurança
Ao pôr ou tirar um cavalo de uma boxe
Deve abrir-se completamente a porta e passar por ela à frente do cavalo, para evitar ser-se entalado ou encurralado a um canto.
Ter cuidado com disputas e reacções dos cavalos uns com os outros
Mesmo um cavalo dócil pode ser muito agressivo com os outros, sobretudo durante a distribuição de ração.
Nunca efectuar correrias ou algazarras na proximidade de cavalos
Dentro de cavalariças, picadeiro ou campo de treino, pois são animais que necessitam de ambiente tranquilo para não se enervarem e poderem ser facilmente tratados ou trabalharem bem.
Nunca entrar num picadeiro sem antes parar e pedir autorização
Não só como norma de cortesia tradicional como por razões de segurança dos cavaleiros que nele evoluem e do próprio que pode ser atropelado, por nao ter sido visto no exacto momento da entrada.
A circulação dentro de um picadeiro ou campo de treino
Em Portugal, tal como nas estradas e caminhos, faz-se pela direita, pelo que a pista da parede (teia) pertence a quem trabalha para a mão esquerda e a interior a quem o faz para a mão direita, observando-se ainda as seguintes regras:
- quem trabalha em círculo deve dar prioridade a quem se aproxima na pista, independentemente do lado por onde se desloca;
- quem trabalha ou descansa a passo, não tem direito a ocupar pista;
- em Portugal, o cavaleiro que circula para a mão direita, cede a pista ao que se apresenta pela frente e que vai cruzar-se com ele, circulando para a mão esquerda. As ultrapassagens, de resto a evitar o mais possível, fazem-se sempre por dentro e não entre o ultrapassado e a parede (teia);
- quando evoluem duas escolas ou vários cavaleiros em trabalho individual convém que os trabalhos em círculo sejam repartidos pelos dois topos do picadeiro, num deles para a mão esquerda e no outro para a mão direita;
- deve haver a preocupação permanente de deixar a pista livre para quem trabalha, nunca parando nela ou, por qualquer forma, cortando a circulação sem a prévia anuência dos demais cavaleiros, por exemplo, para colocar um obstáculo, ajustar a cilha ou os estribos, atender o telemóvel, etc.
Uma escola nunca deve formar-se “em fila”
Para evitar querelas e coices entre os cavalos, nem ao longo da parede (teia), sobre a pista, impedindo a circulação, mas sempre lado a lado e sobre a linha do meio do picadeiro.
Depois de montar há que manter a imobilidade até ser recebida a ordem de avançar.
Uma vez em movimento é importante não deixar alcançar o cavalo da frente, para evitar as consequências, muitas vezes graves, de coices de reacção. No exterior, o intervalo recomendado é de cerca de um comprimento de cavalo.
Nenhum aluno pode montar sem protecção de cabeça
E as pernas também protegidas com botas ou polainas, além de não dever usar calçado sem tacões porque o pé pode enfiar-se perigosamente no estribo.

