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Reprodução assistida

Nem toda a égua que é coberta fica gestante e nem toda a égua que fica gestante chega a parir um poldro. A falha de concepção, as perdas embrionárias e os abortos são uma realidade na reprodução equina. Por este motivo as éguas, especialmente aquelas que já tiveram problemas, devem ser devidamente preparadas para a época reprodutiva que se segue.
Antes de abordar o tema convém fazer uma revisão sumária do aparelho reprodutor da égua e do seu ciclo reprodutivo
O aparelho reprodutor da égua é constituído por ovários, oviductos ( ou trompas de Falópio), útero, cérvix, vagina e vulva.

Qual a função destas estruturas?

Os ovários são as estruturas nas quais se desenvolvem os folículos, e vesículas que contêm cada uma um óvulo em desenvolvimento. Quando o óvulo atinge o ponto máximo de maturação ele é libertado pelo folículo num processo a que se chama de ovulação, e é capturado pelo infundíbulo e transportado depois até ao oviducto. É aqui, no oviducto que o óvulo será (ou não) fertilizado. No caso de ser fecundado o óvulo tranforma-se em embrião e viaja até ao útero onde se vai implantar e gerar um poldro. Se não for fecundado acaba por degenerar. O útero é portanto a estrutura na qual se desenvolve o embrião e dai se pode ver a importância desta estrutura se encontrar nas melhoes condições e livre de infecções.
O cérvix é uma estrutura que funciona como uma barreira entre o útero e a vagina, e está aberto na fase em que a égua está em cio (receptiva) para permitir a entrada de espermatozóides, e fechado na fase de diestro (não receptiva) ou no caso de gestação.

Como funciona o ciclo reprodutivo da égua?

O ciclo reprodutivo da égua é constituído por duas épocas. Uma época reprodutiva na qual a égua tem vários ciclos, e uma época não reprodutiva.
O fim do Verão e o Inverno são conhecidos como anestro ou época não reprodutiva, enquanto que a Primavera e o Verão geralmente constituem a época reprodutiva, sendo a luz o factor chave para o inicio da época reprodutiva.
Cada ciclo dura em média 21 a 23 dias, e tem duas fases:
– A fase de estro (cio) em que a égua está receptiva ao garanhão (e na qual pode ficar gestante) e que dura 5 a 7 dias. Nesta fase o folículo que está no ovário desenvolve-se devido ao estimulo provocado por hormonas (que são produzidas no cérebro e ovários da égua) e depois ovula.
– A fase de diestro é a fase em que a égua não está receptiva ao garanhão e que dura 12 a 14 dias. Nesta fase o folículo que deixou de existir transforma se numa estrutura a que se chama de corpo lúteo ou corpo amarelo. Esta estrutura tem a função de produzir uma outra hormona (a progesterona).

Qual o momento exacto para a égua ser coberta?

A égua deve ser coberta o mais junto da ovulação possível. Mas para isso é necessário saber quando vai a égua ovular, e tal apenas é possível se for acompanhada ecograficamente. Quando não é possível o acompanhamento da égua ela deve ser coberta de 48 em 48 horas (dia sim dia não) após o inicio do cio, ou seja, a partir do momento em que se encontra receptiva ao cavalo, até o rejeitar. Quando a égua é acompanhada por ecografia é então possivel acompanhar o desenvolvimento dos folículos nos ovários e prever o momento da ovulação. A ovulação ocorre geralmente no fim do cio e por isso é o ultimo salto que vai ser determinante para a égua ficar gestante.
No caso da cobrição natural o acompanhamento ecográfico é desejável, embora não seja indispensável, mas no caso da inseminação artificial com sémen refrigerado e especialmente o congelado torna-se uma necessidade absoluta. O acompanhamento da égua não permite apenas determinar o momento da ovulação e a melhor altura para ser coberta, mas também detectar problemas que possam surgir durante esta fase.

Em que consiste a reprodução assistida?

A reprodução assistida consiste no acompanhamento veterinário da égua durante a época reprodutiva. Este acompanhamento começa por um exame reprodutivo de rotina.
Este exame inclui uma avaliação completa do estado de saúde da égua e da sua história reprodutiva, um exame físico geral para identificar algum problema físico evidente ou não, um exame de conformação perineal da égua (da vulva), palpação rectal, ecografia, vaginoscopia (exame á vagina através de um espéculo) e exame manual da vagina e cérvix , citologia e cultura uterina (consiste numa análise ao útero para avaliar a presença ou não de inflamação ou infecção).
Independentemente dos problemas que a égua tenha, é muito importante a sua história reprodutiva completa e detalhada para planear o curso de acção a seguir. É importante saber por exemplo se é a primeira vez que a égua é coberta, se de todas as vezes que foi coberta ficou gestante e se todas as vezes que ficou gestante teve um poldro, se os partos foram normais, etc.
Examinar as datas em que a égua foi coberta no ano anterior é extremamente útil. Assim ficamos a conhecer mehor o ciclo reprodutivo da égua.
Também igualmente importante é a informação sobre a fertilidade do garahão que cobriu a égua, independentemente de ser cobrição natural ou inseminação com sémen fesco, refrigerado ou congelado.
Estes exames devem ser feitos idealmente antes do inicio da época reprodutiva de modo a poderem ser corrigidos alguns problemas que possam aparecer e deste modo o animal se apressentar á cobrição na melhor condição possível.
Após concluído este exame inicial e depois de feita a avaliação do estado reprodutivo, a égua é então acompanhada ecograficamente ao longo do seu ciclo de modo a ser possível identificar e resolver eventuais problemas que possam surgir.

Mesmo assim a égua pode não ficar gestante?

Mesmo após todos os exames, tratamentos e ajustes de maneio, algumas éguas não ficam gestantes e outras não conseguem levar a gestação até ao seu termo.
Devemos ter em conta que do lado da égua, os ovários e o útero não são os únicos “jogadores”. Uma poldra fêmea já nasce com todos os seus óvulos para a vida inteira, ou seja, uma égua com 18 anos de idade tem óvulos com 18 anos de idade! Com o envelhecimento podem ocorrer alterações nestes óvulos que resultam numa morte embrionária precoce ou falha de concepção.
Também não podemos esquecer o papel do garanhão. O uso de um garanhão muito fértil irá aumentar as probabilidades de gestação. O momento da cobrição bem como o método da mesma (natural ou por inseminação) .
O uso de sémen refrigerado ou congelado tem a vantagem de estar disponível no momento ideal, contudo tem em geral taxas de concepção por ciclo mais baixas do que o sémen fresco.

Bibliografia: Dr João Paulo Marques, in revista Equitação.

Tópicos: Animais de Quinta, Cavalos, Saúde Animal

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