icon Twitter icon Facebook icon RSS

Extinção K-Pg

Todas as criaturas acabam por morrer, e 90% de todos os seres que já habitaram a Terra, estão hoje extintos.
O que a história da Terra nos conta, é que existem períodos calmos, com maior ou menor duração, que terminam bruscamente com uma extinção em massa. A maior extinção de todas ocorreu há 251 (+/- 0,7) milhões de anos, alguns milhões de anos antes do aparecimento dos primeiros dinossauros. Esta extinção varreu 95% das espécies vivas, numa data em que a vida na Terra praticamente deixou de existir. Existem diversas teorias, apesar da mais consensual ser a da existência de um agente mortífero, tão letal e devastador que aniquilou praticamente todos os seres vivos. A teoria do agente mortífero ganha consistência na duração desta extinção – foram 15 ou 20 milhões de anos – o que à partida coloca de parte a actividade vulcânica ou algum cometa que tivesse caído.

Apesar dessa extinção ter sido a mais devastadora, é o desaparecimento dos dinossauros, há 65,5 (+/- 0,3) milhões de anos, a mais popular e que mais atrai na história da Terra. Esta extinção é conhecida como K-Pg, onde K é a abreviatura de Cretáceo e Pg a abreviatura de Paleogeno. Tratou-se de algum evento que, “subitamente”, aniquilou toda uma dinastia de criaturas, extremamente diversificada, apta a diversos tipos de habitats e com dietas alimentares distintas.

São conhecidas cerca de 80 teorias que tentam explicar este desaparecimento, onde até se incluem ataques extraterrestres. É complicado explicar o desaparecimento de todos os dinossauros sem excepção, quando vários outros animais que com eles habitavam sobreviveram, aparentemente, sem problemas, tais como lagartos, rãs, tartarugas, salamandras, diversas espécies marinhas, crocodilos e vários tipos de mamíferos e artrópodes. Aquilo que as pesquisas em campo nos revelam, é que (pelo menos) 3 forças actuaram e tornaram a vida difícil naquele período: uma colisão de asteróides, actividade vulcânica maciça e contínua, bem como chuvas muito ácidas. Após o impacto, o planeta muito provavelmente arrefeceu, uma vez que os detritos formariam uma camada na atmosfera bloqueando a luz solar. As substâncias tóxicas poderiam ter envenenado os embriões dentro dos ovos.

A teoria da colisão com um asteróide foi pela primeira vez proposta por Luís Walter Alvarez (prémio Nobel da Física em 1968) e pelo seu filho Walter Alvarez. Tiveram por base uma camada de irídio – elemento raro na superfície da Terra – que estava presente em quantidades consideráveis nas rochas que marcaram o fim do período Cretáceo. Este elemento é encontrado com frequência em corpos celestes como asteróides e cometas. Foram também encontradas algumas crateras na superfície do nosso planeta, mas cuja datação aparenta coloca-las umas centenas de milhares de anos antes da extinção, e por isso não haverá uma relação entre os eventos. Porém, a descoberta da cratera de Montagnais, em 1987, uma cratera submarina no Canadá, trouxe a hipótese de o verdadeiro causador da extinção ter sido um impacto no oceano. A cratera mede uns espantosos 45km de diâmetro, tamanho suficiente para desencadear uma série de tsunamis que teriam varrido a superfície terrestre. A datação desta cratera bate certo com os 65,5 milhões de anos da extinção dos dinossauros.

É possível, contudo, que nenhum destes impactos tenha sido a causa da extinção. Há registos paleontológicos de uma intensa actividade vulcânica, e a ter ocorrido, poderia explicar algumas das pistas: apesar do irídio ser raro na superfície da Terra, esse elemento existe no interior e é expelido pelos vulcões, pelo que uma actividade vulcânica longa explicaria a camada de irídio que hoje encontramos nos estratos. Também explica uma condensação de gases na atmosfera, que teriam causado um arrefecimento e posteriormente um efeito de estufa. Hoje em dia podemos ver que um só vulcão, em erupção, expele uma grande coluna de fumo para a atmosfera. Se em vez de um vulcão fosse uma grande quantidade deles, por todo o globo, dá para imaginar o resultado e o inferno que não teria sido o mundo naquela época.

Dada a consistência destas hipóteses, aquilo que mais se aceita actualmente na comunidade cientifica, é um misto das teorias: os impactos ocorridos no planeta terem desencadeado os fenómenos seguintes, como a intensa actividade vulcânica, chuvas ácidas, arrefecimento global e posterior efeito de estufa.

No entanto, e independentemente dos fenómenos que se tivessem verificado no final do Cretáceo, algo de muito errado já se passava com os dinossauros ao nível da sua diversidade, antes de qualquer impacto ou erupção. Nos últimos dois milhões de anos, a Terra era claramente dominada pelos dinossauros, mas que pertenciam basicamente ao grupo dos Hadrossauros e dos Ceratopsídeos, com alguns Terópodes à mistura. Os saurópodes, estegossauros e outros grupos outrora muito diversificados, eram por aquela altura relativamente raros. Esta fraca diversidade pode ter ocorrido devido a uma falha na evolução e uma variabilidade genética empobrecida. As alterações do ecossistema ao nível da alimentação dos herbívoros podem ter sido uma das causas, uma vez que as plantas angiospérmicas surgiram em força e muitos dinossauros não estavam adaptados a esse tipo de alimento, e tudo o que afectava os herbívoros, também afectava naturalmente os carnívoros que deles se alimentavam.

Este assunto permanecerá um mistério, dado não ser plausível pensarmos que será possível viajar no tempo ou recriar de forma exacta o nosso planeta há dezenas ou centenas de milhões de anos atrás. O que o registo fóssil nos trás pela linha desta extinção em massa, é que os dinossauros dominavam o mundo e eram encontrados em grandes quantidades, sendo que após essa linha não foi encontrado qualquer vestígio da sua presença. Restam as aves actuais, como uma ténue memória da dinastia de animais mais poderosa que alguma vez pisou o nosso mundo.


Imagens
: BBC Worldwide Ltd | Wikimédia Commons


816 artigos no Mundo dos Animais

Co-fundador e administrador do Mundo dos Animais desde 2005. Convive com animais praticamente desde que nasceu e tem particular admiração por gatos e felinos em geral.

Deixa um comentário

O email não será publicado. Campos requeridos marcados com um *

*
*