Principais Doenças em Cães

Este artigo é co-autorado por Sara Bastos e Ana Sousa

Existem algumas doenças que afectam especialmente os cães. Depende da raça, da idade e de alguns factores ambientais. Neste artigo, vou fazer uma breve apresentação acerca de algumas doenças nos cães, que podem por em causa a saúde e bem-estar do seu melhor amigo.

No que toca à saúde dos nossos cãezinhos, os cuidados nunca são demais. Assim sendo, aqui fica uma lista das principais doenças em cães e dos sintomas a elas associados, de forma a conhecer um pouco melhor os problemas que podem afectar o seu amigo de quatro patas.

Lembre-se que deve consultar sempre o seu veterinário assistente caso note que o seu cão apresenta algum destes (ou outros) sintomas, bem como para esclarecer qualquer dúvida acerca da saúde do seu animal de estimação. A detecção precoce de determinadas doenças pode ser fundamental para um tratamento eficaz, não esquecendo que algumas destas doenças podem ser prevenidas através de vacinação adequada.

Doenças em cães / sintomas

Cinomose – Trata-se de uma doença viral multi-sistémica. Esta é altamente contagiosa, mas não para as pessoas. Alguns dos sintomas são febre, bronquite, pneumonia, alterações no sistema nervoso e gastroenterite. A cinomose é particularmente grave se o cão tiver um sistema imunológico debilitado, pois além da disseminação do vírus, o animal pode sofrer de infecções secundárias causadas por bactérias oportunistas, podendo levar à morte.

Coronavírus – Esta é uma doença contagiosa aguda, geralmente obtida através do contacto com fezes e outras excreções de animais infectados. O principal sintoma é a diarreia, podendo ocorrer também vómitos e falta de apetite. Tenha especial atenção à presença de sangue nos vómitos e nas fezes, pois podem ser um forte indicador da presença do coronavírus.

Dermatofitose – Doença provocada por fungos, que provoca lesões redondas com peladas no corpo do cão. Uma boa alimentação e uma boa secagem do pêlo do cão após cada banho ou molha, ajuda a prevenir o aparecimento desta doença.

Dirofilariose – É conhecida como a “lombriga do coração”. O agente etiológico é um nematode, denominado por Dirofilaria immitis, cuja forma adulta reside no interior do coração. O parasita adulto vai produzindo larvas ou filárias, que por serem tão pequenas, se denominam por microfilárias e conseguem transitar na corrente sanguínea. A transmissão da doença é também levada a cabo por um insecto vector, sugador, que transmite as microfilárias a um ou outro cão. A persistência de vermes adultos no interior do coração conduz rapidamente a insuficiência cardíaca, cansaço permanente e, eventualmente à morte do animal. O diagnóstico é feito com base em análises serológicas de rotina, sendo possível o tratamento. A dirofilariose é uma patologia parasitária que também pode atingir os gatos, embora tal situação seja mais rara nestes do que nos cães.

Esgana – Esta doença infecciosa, provocada por um vírus, atinge principalmente os pulmões, o tracto intestinal e o sistema nervoso dos cães, apresentando uma taxa de mortalidade muito elevada (apenas a raiva tem uma taxa de mortalidade superior). A febre é o primeiro sintoma e o quadro clínico piora quando o animal sofre infecções secundárias provocadas por bactérias que aproveitam a situação de fragilidade do animal, originando sintomas variados como perda de apetite, febre, pneumonia e diarreia. Cerca de metade dos animais infectados vem a sofrer também de problemas nervosos, como ataques epilépticos, convulsões, perda de coordenação e paralisia. Tratando-se de um vírus, não existem antibióticos ou outros fármacos capazes de travar a progressão da doença, pelo que o único método eficaz de evitar a esgana é através da vacinação.

Giardíase – Esta doença, causada por parasitas que atingem o estômago e os intestinos, causa má absorção e digestão. Os seus principais sintomas são a desidratação, diarreia, perda de peso, dor abdominal, flatulência, perda de apetite e vómitos. É necessário o cachorro tomar medicação anti-parasitária prescrita pelo médico veterinário.

Hepatite viral canina – Esta doença atinge principalmente os rins e o fígado dos cachorros. Alguns dos sintomas clínicos incluem febre, diarreia, apatia, vómitos e em alguns casos dá-se também a alteração na cor dos olhos (geralmente reversível). O risco de mortalidade não é elevado.

Insuficiência Renal – Esta doença está directamente ligada com os rins, ou melhor dizendo, com o seu mau funcionamento. Alguns dos sintomas são a perde de apetite e de peso, beber muita água, xixi muito claro e frequente, vómitos e diarreia.

Leishmaniose – Doença infecciosa grave, que se pode revelar fatal. É causada por um protozoário chamado leishmania, transmitido aos cães (e a outros mamíferos, como o Homem), através da picada de mosquitos. As lesões nos cães iniciam-se na pele e depois espalham-se pelos órgãos internos, originando peladas, perda de apetite, emagrecimento, vómitos, diarreia, hemorragias nasais, feridas no corpo, aumento da sede e da urina. O tratamento consiste em tentar controlar a doença, proporcionando ao animal a melhor qualidade de vida possível e tentando evitar recaídas, pois assim que adquirida, torna-se uma doença crónica.

Leptospirose – Trata-se de uma doença provocada por uma bactéria, transmitida através da urina e que pode infectar os cães através de feridas abertas, bem como de comida ou bebida contaminada por urina infectada. Inicialmente o cão apresenta febre, perda de apetite e letargia, mas num estágio mais avançado podem surgir úlceras na boca e na língua, vómitos e diarreia. A leptospirose requer tratamento urgente no veterinário e pode ser transmitida para seres humanos.

Obesidade – Esta é uma doença que afecta cada vez mais os animais, devido a uma alimentação desadequada. Não existem sintomas concretos. Basta olhar para o seu amiguinho. Uma dieta equilibrada e saudável resolve o problema.

Otite – Também conhecida como inflamação de ouvido. Os sintomas mais comuns desta doença são o seu cão balançar muito a cabeça e coçar demasiado as orelhas. Manter os ouvidos do cão limpos, protegê-los durante o banho e tentar evitar o contacto com outros cães que tenham o problema são importantes medidas de prevenção desta doença.

Parvovirose – A parvovirose é uma doença relativamente recente, tendo surgido os primeiros casos no ano de 1978 na Austrália. É uma doença provocada por um vírus da família Parvoviridae. Constitui uma patologia de curso muito rápido e agudo, caracterizado por uma gastroenterite hemorrágica e uma miocardite aguda. Frequente nos jovens, apresenta-se com mortalidade alta e atinge fundamentalmente os cachorros de seis a doze semanas, apresentando a forma cardíaca uma incidência numa classe etária mais elevada — um a dois meses de idade. O contágio é feito de forma directa e indirecta, sendo que os materiais mais contaminantes são as fezes dos animais infectados. O vírus entra no organismo através da via oral ou nasal. A gravidade depende do grau de imunidade do cão, do seu estado nutricional, da existência ou não de outros processos patológicos e da dose ou carga viral. As medidas profilácticas fazem todo o sentido nesta patologia, como sejam a quarentena, o conforto, a higiene e a desinfecção dos locais, por exemplo com lixívia. Como podemos calcular torna-se muito importante o vazio sanitário, de forma a garantir que novos animais não sejam contaminados, até porque este vírus é muito resistente no meio ambiente.

Piroplasmose – A Piroplasmose é uma doença provocada por um ser unicelular, um protozoário a que se dá o nome de Babesia canis. Este protozoário precisa, para cumprir o seu ciclo de vida, de um hospedeiro intermediário, designadamente de uma carraça fêmea. A Babesia canis instala-se nos glóbulos vermelhos, destruindo-os, na medida em que degrada a hemoglobina, provocando grande nível de anemia. As carraças alimentam-se de um animal infectado e portanto ingerem glóbulos vermelhos infectados. Uma vez ingeridos, os glóbulos vermelhos são destruídos no tracto digestivo da carraça e a Babesia canis continua o seu ciclo biológico no seu interior, passando para o seu aparelho reprodutor e, portanto, para as gerações seguintes. As novas carraças, ao se alimentarem inoculam os agentes etiológicos num outro cão. Quando a doença surge, e após um curto período de incubação de dois dias a duas semanas, ocorre um quadro de hipertermia acentuada e de uma anemia intensa, ao que se segue uma situação de hemoglobinúria e a urina evidencia uma coloração acastanhada característica.

Raiva – A raiva é uma das doenças mais conhecidas e temidas pelas pessoas, bem como mais frequentes nos cães (podendo atingir todos os mamíferos). Como zoonose que é, transmite-se à espécie humana e tem um prognóstico muito grave ou mesmo fatal, sendo por isso considerada uma enfermidade infecto-contagiosa aguda. A doença é provocada por um vírus da familia Rhabdoviridae, e tem uma grande afinidade por tecidos do sistema nervoso. A sintomatologia é sempre marcadamente nervosa, caracterizada por espasmos intensos da musculatura, e é também caracterizada por uma alteração anormal do tipo de comportamento do animal. O vírus é introduzido no organismo do animal por meio de mordedura, arranhões, ou lambedelas, o que significa que um material orgânico muito contaminante é a saliva. Em vários países a raiva está erradicada graças ao controlo sistemático das entradas dos animais, que passa por uma eventual quarentena na altura de entrada no país e também pela exibição de atestados de saúde e vacinação. No nosso país a doença encontra-se erradicada há muitos anos.

Tosse dos canis – Esta doença respiratória, mais corretamente chamada de traqueobronquite infecciosa canina, propaga-se facilmente em todos os tipos de cães, particularmente em zonas onde são mantidos muitos animais juntos, como lojas, associações e canis (daí a origem do nome). Alguns dos sintomas são tosse seca, vómitos, febre e falta de apetite. A tosse dos canis apresenta uma maior taxa de mortalidade entre cachorros e cães idosos. Evitar que o cão esteja sujeito a mudanças bruscas de temperatura ou em locais muito húmidos ajuda a prevenir, no entanto a maior fonte de contagio são outros cães contaminados. É necessário tratamento com antibiótico adequado, prescrito pelo médico veterinário.

Estas são apenas alguns dos exemplos de doenças que podem atormentar o seu melhor amigo. Infelizmente, existem muitas mais. Se reparar que o seu cão tem algum destes sintomas, não hesite e contacte um veterinário. E lembre-se, a vacinação adequada ajuda a prevenir várias destas doenças. O seu patudo agradece.

Atenção: Este artigo é meramente informativo e não substitui a consulta no médico veterinário. O(A) autor(a) e o Mundo dos Animais não se responsabilizam pela utilização indevida destas informações.

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