Um dos animais mais estranhos e do mundo e que dá um significado novo à expressão “sinto-me como um peixe fora de água”, o blenídeo saltador (Alticus arnoldorum) é um peixe que salta para terra e respira perfeitamente fora de água. Não tem patas, mas consegue percorrer grandes distâncias com uma agilidade impressionante. Um novo estudo, publicado na Ethology, revela também um comportamento social complexo.

O blenídeo saltador consegue explorar, cortejar ou acasalar apenas durante um pequeno período de algumas horas de maré a meia altura – quando o nível da água está alto o suficiente para manter o peixe húmido, e baixo o suficiente para não arrastar o peixe de volta à água. “Este peixe notável parece que conseguiu fazer uma transição altamente bem sucedida na interface água-terra, embora necessite de estar sempre húmido para conseguir respirar” explicou o autor do estudo Dr. Terry Ord, do Evolution and Ecology Research Centre.
Estes peixes respiram pelas suas guelras e parcialmente através da pele, pelo que sufocam caso fiquem desidratados, o que significa que apesar de conseguirem estar em terra, não deixam de ser peixes e o local onde se sentem mais confortáveis, continua a ser dentro de água.

“O nosso estudo demonstra que a vida na terra para um peixe marinho depende fortemente do nível das marés e das variações de temperatura” explicou Ord, acrescentando que “durante o estudo em Guam, nunca vimos um destes peixes regressar de forma voluntária à água, na verdade eles despendem muito tempo a evitar a submersão pelas ondas”.
Os movimentos em terra são de uma agilidade impressionante: “Eu posso dizer que eles são muito difíceis de apanhar e são extremamente ágeis em terra. Movem-se rapidamente sobre a superfície das rochas através de movimentos de torção da cauda e expansão das barbatanas peitorais e da cauda, que lhes permitem agarrar a qualquer superfície firme”. Se tiverem pressa a chegar a um sítio mais elevado, torcem os seus corpos e cauda, conseguindo assim saltar alturas várias vezes superiores ao seu próprio tamanho” referiu Ord. “Um colega meu já tinha descrito que tentar apanhar um destes peixes era uma das experiências mais irritantes que se podia ter na vida”.

Segundo Ord, os blenídeos saltadores elaboraram comportamentos sociais complexos. Um desses rituais inclui uma demonstração visual por parte dos machos que serve para marcar território, avisar os rivais e atrair fêmeas, com rápidas e dramáticas alterações na coloração. Os machos abanam também a cabeça vigorosamente para tentar convencer as fêmeas a entrarem nos seus bem defendidos buracos nas rochas. As fêmeas, por seu lado, inspeccionam esses buracos antes de escolherem o macho.
Assim que escolhem o buraco que mais as atrai, depositam nele os seus ovos e, aparentemente, não desempenham mais qualquer na reprodução. Os machos fertilizam esses ovos e protegem-nos até que nasçam.

Os blenídeos saltadores, na Micronésia, não são únicos no mundo, existindo outras espécies que são parentes próximos destes, em Taiwan, nas Filipinas, no Sul do Pacífico e no Atlântico. “Se esses peixes são terrestres, significa que eles evoluíram de forma independente para uma vida terrestre nessas ilhas, ou tiveram um ancestral que já era de alguma forma terrestre e se espalhou nelas?” questionou Ord.
“Na família dos blenídeos, existem espécies altamente terrestres, anfíbias ou inteiramente aquáticas. Notavelmente, podemos encontrar representantes de todos esses tipos ao redor de Guam, fazendo deste local um laboratório evolucionista absolutamente único” concluiu.

A transição da água para terra, que ocorreu algures durante o período Devónico (vê a evolução dos primeiros animais pré-históricos), há mais de 400 milhões de anos, é um factor determinante na evolução das espécies que tornou possível, por exemplo, a existência do ser humano. Mas não obstante toda essa importância, pouco se sabe acerca dessa transição.
Os peixes terrestres podem, assim, ajudar os cientistas a compreender essa transição, estudando o ambiente e a forma como os peixes de adaptaram ao mesmo, em que circunstâncias e porquê, uma vez que o que estes peixes fizeram, poderá ter sido em tudo semelhante ao que outros peixes há 400 milhões de anos também fizeram.
Mais informação (em inglês):
- “Walking” Fish a Model of Evolution in Action – National Geographic
- “Landlubber” Fish Leap for Love When Tide Is Right – Science Daily
- How Leaping Fish Species Left the Water – Wired Science (com vídeo)
Fotos: Courtney Morgans excepto #2 por Georgina Cooke


22 de Fevereiro de 2012 às 17:01
Eu conheço este animal, mas desde sempre ouvi e li como saltador-do-lodo… não sei, é uma opinião.
28 de Fevereiro de 2012 às 17:33
Olá.
com certeza ele não é um saltador,rapido pode ser,mas de saltador não tem nada.
Se quiser ter certeza,eu tenho um,entre em contato pelo msn.
nanadaix@hotmail.com
bjinhus!