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Coelho de Estimação: Tudo O Que Precisa Saber

Coelho de estimação (Oryctolagus cuniculus)

Coelho de estimação (Oryctolagus cuniculus)
Fotografia: Wikimedia Commons

Classificação científica:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Mammalia
  • Ordem: Lagomorpha
  • Família: Leporidae
  • Género: Oryctolagus
  • Espécie: O. cuniculus
Nome comum: Coelho
Nome binomial: Oryctolagus cuniculus

Escolheu um coelho como animal de estimação? Parabéns!

Apesar de normalmente falarmos do coelho como um roedor, na verdade, não pertence à ordem Rodentia mas sim Lagomorpha. Existem, dentro da família dos coelhos, vários géneros como o Lepus (lebres), Sylvilagus (coelho americano), Caprolagus (coelho asiático), Nesolagus (coelho da Sumatra), Brachylagus (coelho pigmeu) e o Oryctolagus (coelho comum). Note que o coelho pigmeu não é o coelho anão. O coelho anão pertence ao género e espécie do coelho doméstico.

Antes de pensar em escolher o coelho como o seu novo animal de estimação, deve ter em conta diversos aspectos:

Em primeiro lugar, deve consultar alguma informação sobre raças, para que escolha as tendências de carácter que mais se adequam ao seu estilo de vida. Pode consultar diversa literatura, tanto online como bibliografia em suporte de papel para levar a cabo esta tarefa. Pode começar por uma autoridade americana sobre o assunto – American Rabbit Breeders Association – tendo sempre em atenção que os nomes de raça usados nos Estados Unidos, nem sempre são os mesmos que utilizamos na Europa.

Deve também verificar se reune conhecimentos e condições necessárias para receber em casa o novo habitante, de modo a que o animal não se torne um “fardo” ou uma “prisão”, como muita gente afirma após verificar que qualquer animal dá trabalho.

O coelho como animal de estimação

Coelho de estimação

Coelho de estimação
Fotografia: Wikimedia Commons

Os coelhos são animais caracteristicamente nocturnos, apesar de grande parte das pessoas não o saber. No entanto, habituam-se facilmente à rotina diária do dono, alterando os seus períodos de sono, estando sempre pronto para a exploração da casa (são dos animais mais curiosos que conheço).

Rapaz ou rapariga?

Embora eu não ache qualquer diferença comportamental significativa entre os dois sexos, temos de considerar algumas coisas relativamente ao sexo do animal. Se vamos ter um único coelho doméstico, não há qualquer problema na escolha de um ou outro. Se vamos escolher um par, devemos considerar que não se conhecem casos de junção de coelhos machos não esterilizados, a viver juntos sem problemas.

Os pares de fêmeas são mais adequadas à concentração em pares, no entanto, como são muito territoriais em termos de espaço, devemos usar técnicas de apresentação ou juntá-las em tenra idade. No caso de pares de sexo oposto, apenas aconselho a junção de animais esterilizados, pois dado que a coelha ovula na presença de macho, estaria constantemente grávida.

Os pares de sexo oposto são os que se dão melhor, desde que pelo menos o macho esteja esterilizado.

No caso de escolher fêmea, o principal obstáculo será a territorialidade em relação ao seu espaço. No caso do macho, será a marcação de território com urina, por isso deve ser feita a escolha com base nas nossas preferências e no que menos confusão nos faz.

Alojamento

Coelho de estimação

Coelho de estimação
Fotografia: Wikimedia Commons

A gaiola deve ter tamanho mínimo suficiente que permita ao coelho esticar-se a todo o comprimento e sentar-se nas patas de trás, no entanto, este tamanho apenas deve ser utilizado para coelhos que façam exercício diário fora da gaiola. O local onde esta está instalada, deve ser seco e longe de correntes de ar. Deve conter um ninho ou lura para que se possa esconder. Os comedouros e bebedouros devem estar sempre limpos.

Uma pedra de cálcio e madeira para roedores também é aconselhável.

Alimentação

Além da ração adequada para coelhos de estimação, tendo em atenção que existem rações para animais mais e menos activos (que deve constituir apenas 10% da alimentação total), e o feno sempre à disposição (pois tem de ser o alimento base do coelho), os vegetais frescos devem constituir cerca de 20% da alimentação total do coelho.

Podem comer inúmeros vegetais frescos, como a cenoura, os bróculos, a couve (em pequena quantidade), o nabo, o rabanete, a salsa… entre outros. Deve evitar-se a batata, as leguminosas secas como o feijão e grão e a alface (essencialmente devido à falta de nutrientes e capacidade diurética).

A comida do coelho deverá ser variada em termos de alimentos frescos, tendo sempre como lema que, o que não se sabe se faz bem ou mal, não se deve dar.

Claro que a dieta anterior será adequada a um coelho adulto.

No caso de ser um coelho bebé e até aos seis meses de idade, devemos ter atenção à introdução dos vegetais. A maioria dos entendidos em coelhos acredita que os vegetais devem começar a ser introduzidos apenas por volta das 12 semanas de idade. No entanto eu acredito que se o criador já tiver habituado o animal a consumir vegetais frescos, não devemos alterar a dieta para evitar transtornos intestinais.

Claro que num coelho bebé, a percentagem de ração deverá ser superior a de um coelho adulto, dado que terá de consumir os nutrientes que ainda não recebe dos vegetais frescos.

Maneio

Não se deve pegar o coelho pelas orelhas. Deve-se sim, segurar pelo dorso ou barriga, apoiando as patas na mão, para que não se sinta desiquilibrado e comece a “espernear”.

Vacinação

O coelho deve ser vacinado anualmente contra a mixomatose e contra a doença hemorrágica viral.

No entanto, a maioria dos veterinários vacina semestralmente, desencontrando a data da vacina, para que não sejam dadas as duas na mesma altura. Também pode decidir vacinar o seu coelho contra a pasteurelose.

O coelhinho pode iniciar o ciclo de vacinações por volta do mês de idade, mas deve sempre ter em conta o conselho do seu veterinário.

Sociabilidade

Tendo em conta as características do coelho, dificilmente conseguirá manter dois coelhos machos juntos. No caso das fêmeas, devem ser habituadas desde cedo, mas será menos complicado juntar duas fêmeas.

Os casais resultam bem, mas têm de ser separados na altura dos nascimentos. Deve-se considerar a esterilização dos casais para controlar a natalidade (é para mim a melhor opção caso queira manter casais na mesma gaiola).

Após estudadas todas as condições para receber o nosso novo amiguinho, está na hora de escolher.

A compra do coelho

Coelho de estimação

Coelho de estimação
Fotografia: Wikimedia Commons

Independentemente do local onde vai adquirir o seu animal (pessoalmente prefiro criadores), devemos observar se o espaço em que o coelho se encontra é limpo regularmente e como se encontra o estado de saúde do animal.

Num coelho saudável, encontramos olhos brilhantes em vez de secos e baços; pêlo completo, sem falhas nem feridas, sem se apresentar quebradiço e sem queda excessiva que faça com que o coelho apresente peladas. O pêlo deve estar limpo e solto, especialmente na zona do ânus, sem sinais de diarreias.

O coelho não deve apresentar nem corrimento nasal nem uma mancha amarelo-escura no nariz, já que pode indiciar problemas respiratórios ou pasteurella. A barriga não deve estar inchada nem rígida. O queixo não deve estar molhado e os dentes devem apresentar-se bem colocados, brancos, sem falhas nem rachas. As unhas devem estar gastas e após os três meses de idade devem estar cortadas, não devem de modo algum estar muito compridas e enroladas. As pálpebras não devem apresentar inchaço ou pústulas (devemos tomar especial atenção a este último ponto).

A nível psicológico, o animal não deve estar apático mas sim curioso e comunicativo.

Não é suposto vermos a maioria do globo ocular do coelho, o que significa, em grande parte dos casos, que o animal se encontra demasiado assustado, o que pode potenciar situações de stress quando for efectuada a mudança de ambiente. Pode estar um pouco assustado, é normal, mas não é suposto tentar fugir desesperadamente se correctamente agarrado.

Após observados todos os itens acima descritos, pode e deve levar o seu novo amiguinho para casa!

Quando chegar a casa é tempo de começar a tratar das questões relacionadas com a saúde. Uma visita ao futuro veterinário assistente é indispensável, já que este, com o seu olho clínico, poderá observar mais atentamente o estado de saúde do animal e informar acerca do plano de vacinação.

Depois de tratadas todas as questões de saúde e segurança, o próximo passo é o treino. Como todos os animais dotados de algum tipo de inteligência, também os coelhos são passíveis de adquirir novos conhecimentos, sendo um dos mais úteis o treino de higiene.

Treino de higiene

Coelho de estimação

Coelho de estimação
Fotografia: Wikimedia Commons

A maioria dos coelhos habitua-se facilmente a não fazer as suas necessidades fora da gaiola, se seguirmos algumas regras:

  1. Deixar o coelho ambientar-se à gaiola um ou dois dias sem o retirar e verificar qual o canto que escolhe para urinar;
  2. Colocar o WC no local que ele escolheu;
  3. Quando à solta, se estiver a urinar no local errado levar para a gaiola e fechá-lo;
  4. Quando à solta deve ter sempre fácil acesso ao WC;
  5. Se o animal fizer necessidades no local errado, nunca usar lixívia para lavar, já que os coelhos gostam do cheiro e voltam a urinar onde foi limpo. Substitua a lixívia por vinagre ou limão e de seguida lave com um detergente normal;
  6. Esperar sempre algumas fezes espalhados pela casa, principalmente quando o coelhinho ainda é novo.

Nem todos os coelhos aprendem a usar o WC, nem é tão facil como nos gatos. Em 38 coelhos meus, 3 deles nunca aprenderam.

Para manter o seu coelho limpo, também é importante levá-lo a aceitar, desde cedo, a escovagem, o corte das unhas e o barulho do secador (para o caso de ser necessário dar banho ao seu coelhinho), mas abordarei mais exaustivamente este assunto numa nova oportunidade.

Treino de obediência

Nem sempre um coelhinho é aquela bolinha de pelo fofinha e meiguinha. Nunca deve ser permitido que o nosso animal nos mordisque as mãos, nos morda ou ameace, batendo com as patas de trás sempre que invadimos o seu território.

Os coelhos são animais bastante territoriais, logo esse tipo de comportamento não deve ser potenciado. Deve ser, a meu ver, imediatamente castigado sempre que assuma qualquer uma dessas atitudes.

Quando já temos em casa um animal agressivo, aconselho a consultar o máximo de informação que nos ajude a tornear esses comportamento, tal como é explicado por quem sabe mais que nós (em inglês):

A esterilização de coelhos domésticos

Coelho e gato doméstico

Coelho e gato domésticos
Fotografia: Wikimedia Commons

Embora não se fale frequentemente da esterilização de coelhos no nosso país, há que referir que esta se encontra generalizada no resto da Europa, para evitar problemas de saúde, comportamentais e combater o problema do excesso de população que leva ao abandono a aos maus-tratos dos animais.

No caso dos coelhos, a esterilização no macho tem pouca influência em termos de saúde, mas na fêmea evita, como é óbvio, o cancro do útero e as gravidezes não planeadas.

No caso do temperamento do animal, a esterilização tem muitos benefícios, já que por norma, os filhotes de coelho são todos meiguinhos, mas quando chegam à maturidade, todos os traços de personalidade se acentuam e começam os primeiros problemas (muitas das pessoas descobrem aqui que o seu coelhinho afinal não é o coelhinho da páscoa). Especialmente se for feita antes da maturidade sexual, a esterilização resolve a maioria dos problemas de agressividade nos coelhos.

A esterilização geralmente melhora os hábitos dos coelhos relativamente à higiene, ou seja, não tendem a marcar território depois da mesma.

Em termos de problemas associados à esterilização e tendo em conta a realidade do nosso país, há que referir que tem os mesmos perigos associados a qualquer outra intervenção cirúrgica, sendo por isso necessário tomar uma decisão ponderada acerca deste assunto.

Também temos de ultrapassar o problema de falta de experiência dos veterinários assistentes, que não se tratando de um problema maior, temos de o considerar ao tomar a nossa decisão. Para mim o maior problema ainda é o equipamento da maioria dos hospitais veterinários, que na maioria dos casos não apresenta condições mínimas para a cirurgia a mamíferos de pequeno porte, estando mais adaptados a animais de estimação mais comuns como os cães e os gatos.

Por isso, há que escolher bem o local onde vamos sujeitar o nosso bichinho a uma intervenção importante, especialmente se se tratar de uma fêmea.

Por fim é só desfrutar da nossa nova companhia. Boa sorte!

Relacionado: Animais de estimação exóticos para iniciantes

Este artigo foi publicado na Revista nº6 do Mundo dos Animais, em Abril de 2008, com o título “Coelhos”.

Tópicos: Animais de Estimação, Artigos em Destaque, Exóticos e Roedores, Mamíferos

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