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Coelho

Apesar de normalmente falarmos do coelho como um roedor, na verdade, não pertence à ordem rodentia e sim lagomorpha.

Existem, dentro da sub- família dos coelhos, vários géneros como: Lepus (lebres), Macrotalagus (coelhos com as patas de trás como as lebres), Sylvilagus (coelho americano), Coprolagus (coelho asiático), Nesolagus (Sumatra), Brachylagus (coelhopigmeu), Oryatolagus (coelho).

Note que o coelho pigmeu não é o coelho anão. O coelho anão pertence ao género e espécie do coelho doméstico.

Antes de pensar em escolher o seu novo animal de estimação, deve ter em conta diversos aspectos:

Em primeiro lugar deve consultar alguma informação sobre raças, para que escolha as tendências de personalidade que mais se adequam ao seu estilo de vida. Pode consultar diversa literatura, tanto online como bibliografia em suporte de papel para levar a cabo esta tarefa.

Pode começar por uma autoridade Americana sobre o assunto – http://www.arba.net/ – tendo sempre em atenção que os nomes de raça usados nos Estados Unidos, nem sempre são os mesmos que utilizamos na Europa.

Devemos também verificar se reunimos conhecimentos e condições necessárias para receber em casa o novo habitante, de modo a que o animal não se torne um “fardo” ou uma “prisão”, como muita gente afirma após verificar que qualquer animal dá trabalho.

Para isso devemos saber que:
Os coelhos são animais nocturnos, apesar de grande parte das pessoas não saber, no entanto habituam-se facilmente à rotina diária do dono, alterando os seus períodos de sono, estando sempre pronto para a exploração da casa (são dos animais mais curiosos que conheço).

Alojamento:
O tamanho mínimo de gaiola para coelho deve permitir que o coelho se estique a todo o comprimento e que se possa sentar nas patas de trás, no entanto, este tamanho apenas deve ser utilizado para coelhos que façam exercício diário fora da gaiola. O local onde esta está instalada, deve ser seco e longe de correntes de ar. Deve conter um ninho ou lura para que se possa esconder. Os comedouros e bebedouros devem estar sempre limpos. Uma pedra de cálcio e madeira para roedores também é aconselhável.

Alimentação:
Além da ração adequada ao animal, tendo em atenção que existem rações para animais mais e menos activos, e o feno sempre à disposição, os vegetais frescos devem constituir cerca de 20% da alimentação total do coelho. Podem comer inúmeros vegetais frescos, como a cenoura, os bróculos, a couve ( em pequena quantidade), o nabo, o rabanete, a salsa…. entre outros. Deve evitar-se a batata, as leguminosas secas como o feijão e grão e a alface ( essencialmente devido à falta de nutrientes e capacidade diurética).

Coelho Maneio:
Não se deve pegar o coelho pelas orelhas. deve sim, segurar pelo dorso ou barriga, apoiando as patas na mão, para que não se sinta desequilibrado e comece a “espernear”

Vacinação:
O coelho deve ser vacinado anualmente contra a mixomatose e contra a doença hemorrágica viral, no entanto, a maioria dos veterinários vacina semestralmente, desencontrando a data da vacina, para que não sejam dadas as duas na mesma altura. Também pode decidir vacinar o seu coelho contra a pasteurelose.

O coelhinho pode iniciar o ciclo de vacinações por volta do mês de idade, mas deve sempre ter em conta o conselho do seu veterinário.

Sociabilidade:
Dificilmente conseguirá manter dois machos juntos. No caso das fêmeas, devem ser habituadas desde cedo, mas será menos complicado juntar duas fêmeas. Os casais resultam bem, mas têm de ser separados na altura dos nascimentos. Deve-se considerar a esterilização dos casais para controlar a natalidade ( é para mim a melhor opção caso queira manter casais na mesma gaiola).

Após estudadas todas as condições para receber o nosso novo amiguinho, está na hora de escolher. Independentemente do local onde vai adquirir o seu animal (pessoalmente prefiro criadores), devemos observar se a limpeza do espaço em que o coelho se encontra é limpa regularmente e o estado de saúde do animal.

Num coelho saudável encontramos olhos brilhantes em vez de secos e baços, pelo completo, sem falhas nem feridas e sem se apresentar quebradiço e sem queda excessiva que faça com que o coelho apresente peladas. O pelo deve estar limpo e solto, especialmente na zona do ânus, sem sinais de diarreias. Não deve apresentar nem corrimento nasal nem uma mancha amareloescura no nariz, já que pode indiciar problemas respiratórios ou pasteurella. A barriga não deve estar inchada nem rígida. O queixo não deve estar molhado e os dentes devem apresentar-se bem colocados, brancos, sem falhas nem rachas. As unhas devem estar gastas e após os três meses de idade devem estar cortadas, não devem de modo algum estar muito compridas e enroladas. As pálpebras não devem apresentar inchaço ou pústulas (devemos tomar especial atenção a este último ponto).

A nível psicológico, o animal não deve estar apático e sim curioso e comunicativo. Não é suposto vermos a maioria do globo ocular do coelho, o que significa, em grande parte dos casos, que o animal se encontra demasiado assustado, o que pode potenciar situações de stress quando for efectuada a mudança de ambiente. Pode estar um pouco assustado, é normal, mas não é suposto tentar fugir desesperadamente se correctamente agarrado.

Após observados todos os itens acima descritos, pode e deve levar o seu novo amiguinho para casa!

Quando chegamos a casa é tempo de começar a tratar das questões relacionadas com a saúde. Uma visita ao futuro Veterinário assistente é indispensável, já que este, com o seu olho clínico, poderá observar mais atentamente o estado de saúde do animal e informar acerca do plano de vacinação.

Depois de tratadas todas as questões de saúde e segurança, vamos ao treino. Como todos os animais dotados de algum tipo de inteligência, também os coelhos são passíveis de adquirir novos conhecimentos, sendo um dos mais úteis o treino de higiene.

A maioria dos coelhos habitua-se facilmente a não fazer as suas necessidades fora da gaiolas e seguirmos umas poucas regras:
1º – deixar o coelho ambientar-se à gaiola um ou dois dias sem tirar e verificar qual o canto que escolhe para urinar.
2º – Colocar o wc no local em que ele escolheu.
3º – Quando à solta, se estiver a fazer xixi no local errado levar para a gaiola e fechá-lo.
4º – quando à solta deve ter sempre fácil acesso ao wc
5ª – Se o animal fizer necessidades no local errado NUNCA usar lixívia para lavar, já que os coelhos gostam do cheiro e voltam a fazer xixi onde foi limpo. substituir lixívia por vinagre ou limão e de seguida lavar com detergente normal.
6ª – esperar sempre algumas fezes espalhados pela casa, principalmente quando o coelhinho é novo.

Nem todos os coelhos aprendem a usar o wc, nem tão facilmente como os gatos, há uns que não consegui ensinar. (em 38 meus, 3 nunca aprenderam).

Para manter o seu coelho limpo, também é importante levá-lo a aceitar, desde cedo, a escovagem, o corte das unhas e o barulho do secador (para o caso de ser necessário dar banho ao seu coelhinho), mas abordarei mais exaustivamente este assunto numa nova oportunidade.

Por fim é só desfrutar da nossa nova companhia. Boa sorte!

Tópicos: Animais de Estimação, Artigos em Destaque, Exóticos e Roedores, Mamíferos

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