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O que NÃO se deve fazer na Ajuda Aos Animais

Extremistas, intolerantes e violentos, três adjectivos frequentemente associados aos amigos dos animais. A generalização peca por si só, porque as pessoas – mesmo numa causa comum – são diferentes entre si. Essa imagem não reflecte sequer a maioria dos amigos dos animais.

É, no entanto, uma imagem verdadeira de alguns de “nós”.

STOP: Erros na Ajuda aos Animais

Quando fundei o Mundo dos Animais, há 6 anos atrás, juntamente com o meu colega e amigo Carlos Matos, partilhei com ele a ideia da necessidade de mudar mentalidades. Em primeiro lugar o mais óbvio: as pessoas que abandonavam, maltratavam e eram negligentes para com os animais. Em segundo lugar o menos óbvio mas de igual forma urgente: as pessoas e os grupos de ajuda aos animais que falhavam (e continuam a falhar) a trabalhar em conjunto e de forma mais profissional pelo objectivo comum a todos nós, que é fazer deste mundo um lugar melhor para os nossos amigos, tenham eles pêlo, escamas, bico, guelras ou várias patas.

Esta não é a primeira vez que escrevo reflexões sobre o assunto. Na devida altura e também devidamente fundamentado, tive oportunidade de expressar a minha opinião sobre os actos desordeiros nas manifestações anti-touradas, sobre a violência psicológica exercida entre vegetarianos e omnívoros, sobre a intolerância perante as opiniões de quem pensa de forma diferente.

A semana passada, pude presenciar mais um episódio de agressividade verbal por parte de um grupo de ajuda animal, que não traz benefícios a ninguém – nem pessoas, nem animais – e que mais uma vez demonstra algumas das razões que levam os “outros” a considerar-nos pessoas radicalistas e com falta de civismo. A opinião pública é uma das coisas mais importantes que podemos conquistar, para conseguirmos que os animais sejam tratados com outra dignidade e responsabilidade. A opinião pública é a chave, mas estamos a afastá-la.

Assim, tendo em conta a minha opinião e experiência pessoal ao longo dos últimos anos, bem como alguns maus exemplos que por vezes surgem no nosso meio, reuni alguns pontos que considero importantes sobre o que NÃO se deve fazer na ajuda aos animais:

1. Perder o Civismo

Ser civilizado, moderado e agir de “cabeça fria”, é um dos pilares que pode fazer toda a diferença. São os actos impulsivos e intolerantes que levam à desordem, à violência física e verbal e ao preconceito negativo que os “outros” têm sobre “nós”. Se não concordas com a opinião de outra pessoa, podes defender a tua sem que isso implique faltar ao respeito. Nem toda a gente vai concordar contigo, nem toda a gente vai sequer gostar de ti. É um facto que tens de aceitar toda a vida.

2. Dividir para Reinar

Na ajuda aos animais, não existe reino algum. O que existe, é uma quantidade mais pequena do que seria desejável, de pessoas que efectivamente ajudam, quando comparado com o número altíssimo e preocupante de animais que precisam de nós.

Usar a bandeira da solidariedade como promoção pessoal, seja perante um possível empregador ou simplesmente perante os amigos, é eticamente reprovável. Criar divisões entre os poucos que existem, é fragmentar toda a acção e perder potencial. Não cries mensagens que incentivem à divisão entre grupos e pessoas, como se cada um a agir para seu lado pudesse fazer a diferença – não pode e não faz. Com interesses, divisões e intrigas, quem paga a factura são mesmo os animais, que estão no meio de um conjunto de forças aos quais são alheios e onde mereciam um pouco mais de nós.

3. Obrigar a Ajudar

Se queres gerar confiança e credibilidade, aborda as pessoas de forma correcta e educada. Sobretudo, não te esqueças que as pessoas são livres de ajudarem, ou não. Não perguntes onde e quando uma pessoa vai ajudar, sem antes perguntares à pessoa se quer ajudar. Além disso, se a pessoa decidir não ajudar, mantém a postura porque lembra-te: ninguém é obrigado a isso. Vai haver quem ajude o teu grupo, quem não ajude o teu grupo mas ajude os animais noutros lados, e quem não ajude de todo. Cada um é dono das suas acções e estas ficam com quem as pratica.

4. “Diabolizar” o Ser Humano

Mensagens de ódio à espécie humana, não são o melhor cartaz para sermos ouvidos. Sei bem que muitas mensagens deste género são meros desabafos e que não devem ser levados à letra. Mas o que acontece aqui, é que ao dizermos que temos vergonha da raça humana ou que os animais são mais importantes do que as pessoas, estamos a cometer o mesmo erro que cometem connosco, e que criticamos quando isso acontece – generalização. Além de estarmos a dizer mal de nós próprios, o ser humano não é uma “espécie horrível” por alguns indivíduos cometerem atrocidades. A luta pelos animais não é uma luta contra o Homem!

5. Ser Extremista e Radical

Extremismo PetaSe, numa manifestação ordeira de 2 mil pessoas por alguma causa (por exemplo, contra as touradas), meia dúzia de vândalos decidir fazer estragos, os jornais vão focar esse pequeno grupo e passar mais uma vez a ideia de que os amigos dos animais só se sabem manifestar com violência e desordem. Isto não é uma previsão, é o relato do que já aconteceu várias vezes. E os justos, pagam pelos pecadores.

Falando de opções alimentares, fazer campanhas com flyers a apelar agressivamente ao vegetarianismo, transmitindo ideias gráficas sobre quão cruel é comer um prato de carne (como na imagem à esquerda dirigida ás crianças…), é mais um argumento para nos considerarem “malucos”. Cada um é livre de seguir a dieta que melhor entender e comer carne não significa, de forma alguma, compactuar com as irregularidades que se cometem nos matadouros ou nas embarcações pesqueiras. A maioria dos amigos dos animais que conheço, come carne normalmente. Assim como eu me considero, e a como.

6. Não Ter Preparação

Este é um ponto sensível e como tal vou também ter algum cuidado com as palavras. Um dos problemas que identifico nos grupos e associações de ajuda aos animais, é a falta de preparação que existe quando é necessário comunicar para o exterior. Aquilo a que numa empresa se chama de Relações Públicas.

Claro que uma instituição de solidariedade que sobrevive à custa de parcos donativos, não pode pensar em contratar um profissional para uma função que não alimenta bocas nem trata os doentes. Mas pode, sim, apostar um pouco melhor na preparação daqueles que já fazem parte da Associação e que dão a cara, para que todas as oportunidades de transmitir ideias à opinião pública sejam bem aproveitadas.

É frequente vermos num debate televisivo, numa entrevista, etc, que normalmente são sempre as mesmas pessoas das mesmas Associações a serem chamadas: o Miguel Moutinho da Animal e os responsáveis da União Zoófila. Nem uma nem outra são exclusivas no nosso país e também não são mais vezes convidados por capricho. É preciso ver o real motivo: sabem comunicar e conquistaram o seu espaço nos media por mérito próprio. O Miguel Moutinho, com quem partilho algumas ideias e outras nem por isso, tem uma capacidade de comunicar e transmitir ideias muito acima da média. É provavelmente a melhor pessoa em Portugal, neste momento, para defender argumentos em prol dos animais junto dos órgãos de comunicação social.

As Associações e os Grupos de Ajuda Animal ficavam a ganhar se apostassem mais na comunicação. E há situações que, assim, podiam ser evitadas:

  • Pessoas que se deslocam às Associações para ajudar ou adoptar e ficam com má impressão das pessoas por quem foram atendidas;
  • Pessoas que fazem donativos e não recebem a devida atenção ou informação, muito menos um incentivo, para continuarem a ajudar;
  • Jornalistas que hesitam em contactar Associações e Grupos de Ajuda por temerem posições radicalistas sobre os animais;
  • Associações que não respondem a emails, não providenciam ou não atendem telefones e ficam assim isoladas;
  • Falta grave de comunicação e diplomacia entre Associações, Câmaras Municipais e outras instituições de interesse;
  • Falta de comunicação na Internet onde por vezes (e sem intenção), certos comentários e atitudes deixam a imagem da Associação que representam mal vista perante um público numeroso.

Reafirmo que não é preciso contratar pessoas especializadas. As Associações são fantásticas em aproveitar e potenciar todos os poucos recursos de que dispõem. Por isso, também podem potenciar as pessoas que fazem parte. Um simples plano de comunicação interno entre os elementos de cada Associação, com as ideias que devem transmitir, o que se deve fazer ou o que não se deve dizer, era um passo de gigante nesta matéria. Como diz a célebre frase, “à mulher de César não basta ser séria, tem de o parecer”.

Para Concluir

Amigo dos Animais

A organização e a união de esforços são passos importantes. Não temos todos de ter as mesmas posições e as mesmas opiniões, mas se todos gostamos dos animais, temos consciência dos problemas actuais e temos vontade em ajudar, não há justificação para se cometerem alguns erros que de há muito se cometem. Os animais agradeceriam uma acção mais colectiva e mais aberta dos seus amigos, sem intrigas, sem maledicência, sem agressividade, sem radicalismo.

Que tal começar já hoje?


356 artigos no Mundo dos Animais

Co-fundador e administrador do Mundo dos Animais desde 2005. Em casa reinam os mamíferos exóticos (ratazanas, gerbos e afins), embora a grande paixão sejam os gatos, animais com os quais convive desde que nasceu.

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52 Respostas
  1. Excelente artigo. Muito bem escrito: claro, objectivo, educado e principalmente: muito pedagógico. Sem dúvida a partilhar por muitos amigos dos animais.

    • Obrigado pelo comentário Elisabete! O objectivo é esse mesmo, um artigo de opinião com carácter pedagógico, onde os leitores possam retirar algo de bom e de útil. Por isso e mesmo não estando perfeito, espero que chegue a muitas pessoas.

  2. adorei*e concordo com todos os ponto focados! vamos começar de novo!!

    • Os amigos dos animais têm condições para fazer melhor daqui em diante. Com força de vontade, organização, civismo e trabalho conjunto, chegaremos lá. Obrigado pelo comentário!

  3. Boa noite parabens pelo seu artigo. Falta apenas um ponto muito muito importante e que gera a maior parte das guerras e mas impressões , as guerrilhas entre projectos e associaçoes da causa animal e as difamaçoes constantes dos diz que disse e sabe o que nao sabe e julga o que nao pode nem deve e o exagerado egoico de muitas pessoas que não defendem animais , defendem apenas o seu mau estar no mundo alegando equivocamente defenderem os animais . O mau estar que gera entre projectos que defendem supostamente o mesmo gera na opinião publica muitos desses adjectivos muito contraproducentes na causa animal .
    Cumprimentos . PP

    • Concordo em absoluto. Tenho dificuldade em entender certos comportamentos – em abono da verdade, não são exclusivos dos amigos dos animais – que parecem mais o “descarregar” das frustrações diárias em quem surge pela frente, do que alguma coisa útil. E claro que isso prejudica. Sempre. Ser profissional, é não levar os problemas para o trabalho. Se queremos fazer algo de bom pelos animais, temos de fazer o mesmo no “nosso trabalho”. Obrigado pelo comentário!

  4. Cãocordo em absoluto com o que foi escrito.;) Parabéns pela iniciativa de tocares num ponto sensível.

  5. Texto que eu adoraria ter escrito… pois é basicamente o que sempre pensei… o que me fez sempre me sentir o “soldadinho do passo certo”

    PA RA BÉNS!!!! Ótimo texto… que espero seja lido e compreendido por muitos.

    • Olá Débora. Gostei da tua definição, soldadinhos do passo certo. De facto, por mais nobre que seja a causa, há sempre quem exagere nas suas acções ou tome caminhos menos próprios, e acabe por prejudicar. Como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio. As boas intenções perante os animais, não são uma garantia de ajuda aos mesmos. Obrigado pelo teu comentário!

  6. Concordo plenamente com o que escreveu.Muitas vezes o problema reside no extremismo e na falta de diálogo.Não deixamos de gostar de animais por nos alimentarmos de carne,não devemos é compactuar com a maneira como os animais são tratados nos matadouros e fazer sofrer animais para nosso simples prazer (ex. Touradas ) .Era bom que as associações não parecessem andar de costas voltadas umas para as outras,e, muitas vezes, para a comunidade onde estão inseridas,e quando algo lhes é apontado em vez de dizerem que é uma cabala respondessem às acusações que lhes são feitas.

    • Exacto Alice, a questão aqui é que não basta querer fazer.
      Não é qualquer pessoa que tenha força de vontade em criar um projecto, um grupo, uma associação, que vai ter a capacidade e a competência para a gerir. São coisas diferentes. Pode calhar bem, ou mal. E é por haverem pessoas com muito boas intenções, mas mal preparadas, que alguns destes problemas surgem.
      Obrigado pelo comentário!

  7. interrentes comentários para quem ja tentou desestabilizar um outro forum de enemais no passdo. espero que tenha ganho juizo

    • “adolfo” agradeço o interesse nos meus comentários apesar de ter alguma dificuldade em compreender os seus. Quer concretizar (e em português)?

  8. Conseguiu colocar em palavras tudo aquilo que tento por vezes explicar quando refiro que este mundo dos amigos dos animais é muito complicado. Passada a mensagem, esperando que o grupo onde estou inserida entenda e siga estes pontos cruciais na comunicação entre associação – pessoas

    • Olá Ana, obrigado pelo comentário ao artigo. Ainda nestes últimos dias tivemos a “oportunidade” de presenciar mais uma grave consequência das difamações, da maledicência, das invejas e das lutas internas entre amigos dos animais (ou que se dizem como tal) e que resultou na proibição da ABRA de aceder ao Canil de Braga:
      http://www.mundodosanimais.pt/ajuda-animal/abra-impedida-canil-municipal-braga/
      Devo dizer muito honestamente que não sei o que passa pela cabeça das pessoas que orquestram este tipo de campanhas contra quem também quer ajudar. Mas com amigos assim…

  9. Não concordo totalmente com o ponto 5, mas de resto este texto bem que podia ser usado como “guia” para muitos activistas. O facto é que às vezes é dificil conter a raiva pela ignorância e arrogância de algumas pessoas, e não acho que devamos aceitar que nos tratem mal, mas por vezes bem que devia haver mais cuidado…

    • Concordo Inês, e o melhor exemplo que te posso dar, é que o meu texto original era mais “forte” do que esta versão final publicada. Basicamente porque a “primeira versão” escrevi-a pouco depois de assistir a uma campanha de difamação de amigos dos animais, contra amigos dos animais, de uma surrealidade que, enfim, só vendo para acreditar. (E temos esta agora contra a ABRA, também feita por supostos amigos dos animais, que é também algo completamente fora do normal)
      Por isso aguardei uns dias, recolhi mais opiniões – agradeço particularmente à Susana Pereira e à Ana Quental – e percebi que podia fazer um artigo mais positivo, aproveitando a oportunidade que tenho de ser lido para tentar que as palavras sejam úteis.
      Em relação ao ponto 5, calculei desde o início que não fosse reunir muito consenso, mas isso é extremamente saudável, haverem opiniões diferentes, sempre de forma educada.
      Obrigado pelo teu comentário!

  10. Obrigada Carlos Gandra pelo excelente texto. Como vegana e abolicionista animalista partilho algumas das suas opiniões e reconheço a incivilidade que por vezes existe entre os chamados defensores dos animais que mais são pseudo-defensores porque muitas vezes prejudicam mais do que ajudam. O protagonismo é atroz!
    Uma observação, ao mencionar o Miguel Moutinho da ANIMAL (que muito admiro e respeito), neste momento e desde há 2 anos, está afastado da Associação.
    Estou plenamente de acordo quando afirma que o Miguel Moutinho: “tem uma capacidade de comunicar e transmitir ideias muito acima da média. É provavelmente a melhor pessoa em Portugal, neste momento, para defender argumentos em prol dos animais junto dos órgãos de comunicação social.” Pena estar afastado…

    Um abraço e continue o excelente trabalho no site.

    • Obrigado eu pelo comentário! Fico muito satisfeito por ter conseguido passar a mensagem que queria e pelo artigo estar a ter boa adesão.
      Sobre o Miguel Moutinho, obrigado pela informação porque de facto desconhecia que se tinha afastado. Só por uma vez falei directamente com o Miguel, há uns anos, quando a ANIMAL declarou publicamente ter-se desvinculado da PETA e nesse sentido, achei por bem felicitá-lo pois considerei uma óptima decisão. Bom, esperemos que volte ao activo, porque pessoas com energia como ele, fazem sempre falta!

  11. Bom Artigo

    Alem da gestão do Blog Directório Animal http://www.directorioanimal.blogspot.com

    Faço parte e sou co fundador da Ajuda alimentar Animal http://www.ajudaalimentaranimal.org e temos tido optimas experiencias na junçao de várias associaçes de animais nas nossas campanhas de recolha de raçao nos hipers.
    Importante é continuarmos a trabalhar em Equipa, quem não souber rapidamente deixa de ajudar ou desiste de remar contra a maré .
    Cumprimentos

    • Olá João, obrigado pelo comentário. Aproveito para felicitar particularmente o projecto de Ajuda Alimentar Animal pelo trabalho que têm feito. São uma referência!

  12. Boa tarde,

    Em primeiro lugar parabéns pelo artigo. Concordo com todos os pontos, muitos amantes dos animais deveriam ler o seu artigo. Mas, não concordo tanto com o ponto 5 e queria explicar porquê.

    “Cada um é livre de seguir a dieta que melhor entender e comer carne não significa, de forma alguma, compactuar com as irregularidades que se cometem nos matadouros ou nas embarcações pesqueiras. A maioria dos amigos dos animais que conheço, come carne normalmente. Assim como eu me considero, e a como.”

    Não posso dizer que não condeno quem opta por comer carne pois não seria verdade, mas não “ando por aí” a tentar mudar à força as pessoas. Tento explicar-lhes racionalmente o porquê da minha posição.
    Percebo a perpectiva de comer animais que são criados em condições justas e naturais. Mas caso a carne que consome não provenha TODA de produção rural, infelizmente estará a contribuir para a crueldade animal. E nenhuma justificação de amante dos animais conseguirá apagar isso.

    Não pretendo começar nenhuma discussão nem atacar ninguém, nem muito menos ser uma extermista.
    Só queria deixar aqui a minha impressão de que por vezes não pensamos “a frio” no que os nossos actos e palavras querem dizer.

    Espere que disponha de 10 minutos para pensar no que tento dizer.
    Desejo a continuação de um bom trabalho, tal como tem feito até agora.

    Atentamente,
    Carla Gonçalves

    • Olá Carla, obrigado pelo comentário!
      Em relação ao vegetarianismo, que respeito a 100%, claro que uma análise prática diria que comer carne é igual a matar animais e por isso, ser amigo dos animais e comer animais é nestes termos um contra-senso.
      Mas, e na minha opinião pessoal, o assunto não é tão literal assim. Existem muitas questões que afectam directa ou indirectamente os animais, mesmo no vegetarianismo. Na hipotética hipótese de todas as pessoas no mundo serem vegetarianas, problemas como a desflorestação em massa e a extinção de alguns animais hoje comuns, poderiam tornar-se reais. Sobre estes e outros possíveis problemas, há opiniões a favor e outras contra. Assim como há nutricionistas que afirmam que o vegetarianismo pode ser 100% saudável para as necessidades do nosso corpo e outros que dizem o contrário. Por isso e enquanto algumas questões, espero eu, continuam a ser debatidas pela comunidade científica, não vejo o vegetarianismo como uma “obrigação” para se ser amigo dos animais.
      E como disse no artigo, não o sou (vegetariano). Nesse sentido, o meu apoio mais directo vai para uma humanização ou, no mínimo, respeitar as leis nos matadouros e nas embarcações pesqueiras, regras e leis que todos os dias são ignoradas.
      De qualquer modo, o ponto que pretendo realçar é mesmo o extremismo com que alguns vegetarianos (com certeza uma minoria) tenta obrigar os outros também a sê-lo. E no caso particular das campanhas da PETA e outras até que já se fizeram em Portugal, com aquilo a que se pode chamar de violência ou terror psicológico, nunca terão o meu apoio.
      Obrigado pelo comentário mais uma vez!

  13. Um artigo muito bom! Os meus parabéns sinceros!

  14. Bom dia,

    Em primeiro lugar, considero um artigo bem elaborado e que na sua génese prima por muito bons princípios, salientando pela positiva o ponto 6 já que trabalho na área da comunicação. No entanto não podia discordar mais do ponto 5. Sou Vegana e para mim, esta filosofia e forma de vida são a verdadeira prova de amor e respeito pelos animais. Não basta gostar de cães e de gatos (e amo gatos, tenho dois), é necessário pensar num contexto muito mais abrangente. Existem vacas, porcos, galinhas, etc etc, que sentem, que têm afectos. Acredito por isso, que não devam existir distinções, sendo que uma das maiores provas de civismo, ética, amor e respeito por eles, é deixar de os comer! Já para não falar das questões ambientais, onde para se “fabricar” 1 kg de carne são necessários mais de 10 mil metros quadrados de floresta desmatada, 15 mil litros de água doce limpa, etc, etc…
    Para uma Sociedade adormecida, cheia de hábitos de consumo, inebriada com técnicas fortíssimas de publicidade, onde se consegue dissociar o que se come de onde provem, quando se come já nem se pensa no animal, que aquele porco, vaca, galinha, que independentemente de viver enjaulado ou “livremente” num campo, que foi para um melhor ou pior matadouro, veio ao Mundo apenas e só para ser morto e consumido por nós, seres que os comem por hábito e não por necessidade! Que quando se bebe um copo de leite animal, não se imagina o sofrimento que, por exemplo, as vacas leiteiras passam ao ser ordenhadas 3 vezes por dia, que têm de estar grávidas para poderem dar leite e que assim que os vitelos nascem são-lhes retirados! Isto é ter amor aos animais? Com isto quero dizer que aprovo todas as campanhas da PETA, de activistas, de outras organizações que para além de informar, divulgar, também chocam, enojam, que nos fazem ver a quantidade de pessoas sem sentimentos, que agem de forma bárbara. Além de ter sido educada com bons princípios, de me terem sido incutidos valores de profundo respeito pelos animais, de sempre defender, adoptar, acarinhar senti que faltava algo mais. Foram imagens de angústia, inúmeros textos, foi obrigar-me a ver vídeos de terror, a chorar e a indignar-me com todas aquelas imagens de tortura, que considero como peças fundamentais, para esta mudança na minha vida. Custou-me muito acreditem, mas provavelmente nunca teria tomado esta opção se não tivesse tido conhecimento de uma vasta informação, sendo ela mais ou menos chocante. Se outros conseguem tomar estas opções sem verem, sem tomarem plena consciência do que se passa em matadouros, circos, touradas, etc, ainda bem. Eu tomei a opção de ver, como poderia ter virado os olhos, fui eu que decidi e por isso não me torno radical. Não obrigo ninguém a partilhar dos meus ideais, mas sempre que tiver oportunidade vou informar e dar a conhecer as inúmeras opções que temos. Por nós e por eles !

    Cumprimentos.
    Joana Costa.

    • Caro Carlos, gostei muito do seu texto! Tal como a Joana Costa, de facto discordo de si no ponto 5, precisamente pelas razões que ela apontou.
      Joana, partilhei a sua mensagem, respeitanto a sua autoria.
      Muito obrigado.

    • Olá Joana e Marta, em primeiro lugar obrigado pelos vossos comentários ao artigo ;)
      Em relação ao vegetarianismo já deixei na minha resposta ao comentário da Carla Gonçalves, aqui um pouco mais acima, algumas das minhas ideias, de qualquer forma e tendo em conta o que escreveste (Joana) vou acrescentar alguns pontos que representam a minha opinião pessoal:
      1. Nenhum animal “merece” ser morto e comido. No entanto, animais comem animais e isso é uma das bases da cadeia alimentar, do ecossistema e do próprio controlo das populações. A mim custa-me ver um vídeo onde um grupo de orcas mata sem dó nem piedade duas baleias bebés e as comem, fico sinceramente mal disposto. Mas é a natureza e temos de respeitar, ponto. Os meus gatos foram, são e serão alimentados com aquilo que precisam, uma dieta carnívora. Cada vez que os alimento, é à base de animais que morreram. E não deixo de ter gatos por causa disso.
      2. Escreves mais à frente que nós, humanos, comemos por hábito e não por necessidade. Respeito essa opinião mas isso remete para o que escrevi em cima à Carla Gonçalves: não sei se é. Provavelmente, não será. Somos animais e evoluímos com dietas sempre sempre omnívoras, até chegarmos aqui, duvido que essa evolução tenha sido feita toda à base de uma alimentação errada e que na verdade o nosso organismo seja tão vegetariano quanto um animal herbívoro. Deixo essas questões para quem as estuda, e quem as estuda tem opiniões muito divergentes.
      3. As campanhas chocantes penso que são uma questão de gosto e portanto dependem de cada um. Pessoalmente vou mais pelas campanhas positivas do que pelas “terapias de choque”. Da mesma forma, há quem prefira educar um cão com técnicas positivistas e outros com técnicas mais “brutas”, sendo que ambas funcionam.
      4. Sobre a PETA em si, eu penso que já não se trata apenas de uma opinião mas também de factos, e os factos que tenho à disposição indicam-me que a diferença entre os elementos da PETA e qualquer outro assassino de animais, é próxima de zero. O meu respeito pela PETA não é próximo de zero mas mesmo abaixo de zero. Penso que isso reflecte a minha opinião sobre essa organização sem necessitar de escrever mais nada.
      Mais uma vez agradeço os vossos comentários ;)

      • Não posso deixar de louvar a resposta em defesa dos “não-vegetarianos”. Muito bem escrita, muito bem fundamentada, e reflete na perfeição a minha forma de pensar. Parabéns pelo site (que acabei de descobrir).

      • Obrigado pelo comentário Susana e espero que continues a visitar o Mundo dos Animais :)

    • concordo plenamente com vc, não se pode comer o que se ama, nem aceitar qualquer tipo de crueldade, entendo as pessoas que adoram animais mas ainda comem carne, é uma questão cultural e bem dificil de se discutir, mas é importante que se conscientizem e comecem aos poucos retirando a carne de gado primeiramente da sua alimentaçao, esta se sabe que é totalmente desnecessaria, depois as brancas…Mas se optarem por continuar comendo…por favor não venham me dizer que adoram animais, seria uma grande incoerencia ok?

      • Olá fabiana,
        Respeito a tua opinião mas julgo que o consumo de carne e peixe é tudo menos uma questão cultural. Cultural são as crenças, os hábitos ou as tradições, independentemente de se justificarem ou não. As pessoas não comem carne porque é uma tradição de família ou hábito regional, comem carne porque somos animais omnívoros.
        Em relação à segunda parte do teu comentário tenho uma questão para te fazer: e tu, adoras animais? Relembro-te que se adorar animais é não fazer mal a uma única espécie, tens de ir muito mais longe do que aos porcos, ás vacas ou ás galinhas, e mais não digo pois para bom entendedor meia palavra basta. Podemos fazer um teste simples de A+B para vermos qual de nós é incoerente com as suas afirmações :)
        Obrigado pelo teu comentário.

      • Acho simplesmente absurdo! Na verdade a culpa foi minha, já que estava desatenta e adicionei essa página, aliás, admito, muito bem elaborada, atraente, e para mim agora vejo um cadafalço, uma armadilha! Gostaria muito de ver meu post publicado, já que percebi que você admite idéias contrárias! Vou ser bem clara! Você não é amigo dos animais! Você está deformando a causa animal! Se você quer ser carnívoro, mantenha-se nessa posição e a defenda com alguma argumentação factível! Não tergiverse por favor! ISSO É HIPOCRISIA! E fazer um discurso de amigo dos animais e depois vir com uma idéia falsa embutida:”malucos” são os defensores que externam a crueldade, francamente! ASSUMA SUA POSTURA! De falsidade e hipocrisia o mundo já está lotado! Isso é uma forma de destruir o trabalho sério de milhões de pessoas que estão mudando o mundo! Vá ser carnívoro, não fique vestido com essa máscara de “bonzinho”! O que você quer conseguir com isso? Troféu de bom moço? Você além de não ajudar quem quer fazer um trabalho sério, só está atrapalhando!

      • Olá Solangie,

        Podes defender as tuas ideias, opiniões e argumentos sem partires para o ataque pessoal, aliás, este artigo está repleto de comentários que, concordando ou não, o conseguiram exprimir de uma forma mais interessante.

        Sobre a hipocrisia, admito que seja possível termos conceções diferentes da mesma. Para mim hipocrisia são alguns vegetarianos que além de se acharem os únicos amigos de todos os animais, entram em histerismo quando vêm uma aranha na parede e acertam-lhe com o primeiro livro que tiverem à mão. Oh sim, isso é hipocrisia…

        Quanto a mim, a minha posição é clara e transparente, alimento-me de carne e peixe e não tenho qualquer intenção de o deixar de fazer. Se entendes que não ser vegetariano é atrapalhar, és um dos motivos pelo qual eu tinha mesmo de escrever este artigo. Felizmente, a maioria dos vegetarianos tem outra mentalidade.

  15. Excelente texto!!!Adorei…Adorei…Parabéns .

  16. Concordo plenamente com o seu comentário.

    A nossa postura individual na sociedade implica uma relação intrínseca, negativa ou positiva, com a imagem da associação a que pertencemos.

    A nossa preocupação será sempre a de elevarmos o nosso nível de comportamento, porque só assim a imagem que queremos passará : a de uma sociedade que , não interessa se se goste ou não, mas sim que sabe respeitar todos seres vivos que connosco coabitam, quer sejam humanos ou não humanos.

    • Célia, era impossível estar mais de acordo com o que escreveste! É mesmo essa a postura e o comportamento que, na minha opinião, devemos de ter. A sociedade não se pode auto-intitular de civilizada só por ser uma expressão bonita. É uma expressão para se por em prática!

  17. Agradeço por poder usar este espaço.por ter o privilégio de ler ao todo como texto. digo uma” Palestra” e como tal cumpriu com eficiencia de palestrante o objetivo ! Deixo minha opnião se assim posso dizer. O que enfatiza com relação as varias opção de vida(vegetarianos etc) li todos os comentarios e resposta o que prova em seu texto assim dizer a atenção as mensagens,concordo em termos pois temos que ser parciais em tudo pois o mundo é um TODO! a alimentação vegetariana.´por opção de religião ou por saber que animais são sacrificados,seria eu ,deixo claro não sou vegetariana,mas por saber que além de tudo areas imensas são devastadas para criação de gado,de forma a degradar o meio ambiente e prejudicar a fauna , flora,lençois freático e etc. E enfatizo aqui que a poluição causada por esta industria prejudica a todos, animais ,vegetais, a nossa mãe terra! Estou grata por estar aqui postando e lendo e adquirindo conhecimento,O foco que enfatizas ao menos eu percebi é Consciencia em que tudo podemos mas nem tudo nos é conveniente! Abraçar uma causa não significa entrar em conflito mas defender idéias com bom senso! O circulo da natureza inclui todos os seres vivos, e todos dependem da Preciosa Àgua! digo potável!Parabéns pelo site,pelos artigos,são exelentes,mais uma vez agradeço por este espaço!Prefiro usar o termo terreno pois todos nós dependemos e somos desta terra! Abraços

    • Obrigado pelo teu cometário Cheila e este espaço estará sempre aberto para serem publicadas opiniões, por mais divergentes que possam ser.
      De facto a criação de “animais de consumo” traduz-se num gasto muito grande de vários recursos. Da mesma forma, uma parte muito significativa do “pulmão da Terra”, a floresta da Amazónia, também é desbastada para a produção de soja.
      São questões complexas, em que é preciso não acreditar em tudo o que lemos sem primeiro verificar o contraditório. Como temos dois ouvidos, temos de ouvir os dois lados e depois disso, formar uma opinião. Por isso estranho, de certa forma, que as pessoas sigam alguns ensinamentos (livros de certos filósofos bem conhecidos da área; documentários chocantes mas aqui e ali, pouco sérios; campanhas agressivas e pouco fundamentadas, etc) sem verificarem primeiro se as coisas são exatamente assim ou, se não forem, quais são os outros fatores.
      Em suma, pode-se dizer que tanto a alimentação omnívora como a vegetariana, tem desvantagens associadas. Não existe, por enquanto, a alimentação perfeita e muito menos o método perfeito de proteger os animais e as florestas.
      Obrigado pelo teu comentário!

  18. Parabéns Carlos Gandra, de maneira sucinta, colocou pontos importantes como a intolerância e a violência que afastam em vez de conquistar. Nessa difícil luta, pelos direitos dos animais, precisamos nos unir e atrair mais adeptos. A união faz a força!

  19. Olá Carlos, gostei muito do teu artigo!! Muito bem escrito e ponderado :) Parabéns pelo teu trabalho através do site! Gostei do tópico em que falas da importância de alertar/conquistar a opinião pública. Estou muito de acordo, as grandes mudanças conseguem-se comunicando de forma concertada e demagógica (sem extremismos) junto da opinião pública, mas nem sempre é um trabalho fácil …. Mas o teu site (no fórum +trafego chamei blog, desculpa :$ ) faz já um bom trabalho nesse sentido!!

    • Olá Marisa, é ótimo ver-te por cá!
      Tenho de certa forma a sorte de poder aliar os conhecimentos que adquiri nos últimos de anos em termos de webmastering, marketing web, etc, a esta causa que defendo desde miúdo, cuja presença online ainda não é muito forte e tem problemas. Em termos de comunicação e engagement da comunidade, há realmente várias coisas a melhorar, e espero conseguir dar um pequeno contributo para esse salto de qualidade, que depois se vai traduzir numa melhor ajuda aos animais. Como por exemplo neste artigo:
      http://www.mundodosanimais.pt/sites-associacoes/
      Obrigado pelo teu cometário e vamo-nos encontrando por aqui e pelo +t ;)

  20. Carlos

    pode me enviar um e-mail particular?

  21. Carlos, adorei o artigo e todos os pontos que focaste. Li os comentários relativos ao ponto 5 e concordo plenamente contigo. Eu tento ajudar os animais no que posso mas não sou vegetariana. Provavelmente, porque sei de onde vem a carne que como e sei que os animais tiveram condições para viver (os meus pais têm galinhas, patos, perus e animais de porte maior) e não foram engordados num mês para depois aparecerem no prato.
    Eu acho que devemos aceitar as pessoas com opções alimentares diferentes da nossa e não criticá-los por tudo e por nada. Desde sempre o Homem comeu carne. Não é de um dia para o outro que isso muda. É aos poucos que se educa.
    Abraço e continua com este site :)

    • Olá Bé,
      Obrigado pelo teu comentário e concordo com o que escreveste. Talvez fosse importante fazer mais pressão sobre as condições em que vivem os animais criados para alimento, porque uma coisa é comer ou não comer carne, outra é a forma como os animais são tratados até que a carne esteja disponível para consumo. A luta por melhores condições para estes animais deveria ser tão ou mais mediática do que a luta contra as touradas, dado que envolve um número muito maior de animais, mas sabemos que não é isso que se verifica.

  22. Parabéns pelo artigo. Muito pedagógico!

  23. Talvez por esse exagero na pressão para que quem ama animais ser obrigatóriamente vegetariano, ou então “não diga que os ama” é que me parece muitas pessoas se afastam e acabam por não ajudar, e quem fica a perder com a intolerância são os animais. Eu sou vegetariana, mas aceito a descisão de cada um!! Parabêns, o seu artigo é muito elucidativo da realidade!!

  24. Boa tarde, muitos parabéns pelo site e pelo texto.
    Sei bem do que fala, quando refere “Usar a bandeira da solidariedade como promoção pessoal, seja perante um possível empregador ou simplesmente perante os amigos, é eticamente reprovávelo protagonismo”.
    Faço parte dos quadros de uma associação que gere um canil com 220 animais, trabalho das 9h00 às 20h00, chego a casa e ainda vou responder a e-mails. O sábado é dedicado aos animais no abrigo, a limpar, dar medicamentes, passear, atender pessoas… e no domingo colaboro com um canil municipal, no qual tiro fotos aos animais e faço divulgação e não faço disto uma bandeira… os meus amigos pessoais apenas sabem que faço voluntariado e nem sabe o quão “metida” estou nisto…. porquê? Porque sim.. Porque é uma coisa minha, da minha vida pessoal e prefiro que assim seja… Encontro pessoas neste meio, através da associação, que apenas pretendem protagonismo e agradecimentos públicos… principalmente nas redes sociais.. que não são capazes de mexer um dedo para ajudar um animal no terreno… e porquê? Dizem elas que não conseguem.. porque são demasiado sensíveis.. porque não aguentam ver animais a sofrer… porque gostam demasidado dos animais para os ver a sofrer.. Eu tenho outra justificação: chama-se SOFÁ… Obviamente que ao fim de semana, sabia-me muito bem ficar no sofá, a ver um filme, ou numa esplanada com os amigos… Tive que abdicar disso tudo… E quando chove? Alguém imagina o que é andar num canil a chover? Custa não custa??? E o frio? Obviamente que eu adoraria ficar no sofá, no quentinho… nas redes sociais, a vanglorizar-me do bem que faço aos animais… Mas não, prefiro apanhar molhas, frio, ficar suja, levantar-me às 2h00 da manhã quando se recebe um telefonema a dizer que um animal foi atropelado ou está amarrado a uma rede… chorar em silêncio quando o animal que fotografei uns dias antes, foi abatido… subir a uma escada e resgatar um animal que morre lentamente à fome…. e no dia seguinte.. levantar-me e sorrir e aguentar mais um dia… e ouvir os outros a dizer: eu não consigo ser voluntário porque sou demasiado sensível… e eu penso… ainda bem que existem calhaus como eu… calhaus que não sentem e não sofrem e por não sentirem e não sofrerem, não sentem falta de aplausos nem de agradecimento nem de reconhecimentos públicos.. e eu não sou vegetariana.. não, não sou. Mas não faz mal dizerem que, se eu como animais é porque não gosto deles… Tá bem.. digam o que quiserem… Eu sou mesmo um calhau…
    Parabéns pelo site.
    Ps. Se gerir este site através do sofá, não leve a mal aquilo que disse… de certeza que perde tanto tempo quanto eu… e se for um calhau como eu… de certeza que aquilo que eu penso sobre o que faz pelos animais, também não lhe interessa.
    Cumprimentos,

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