O Papel dos Animais nas Nossas Vidas

O papel dos animais nas nossas vidas

Ilustração: Joana Souza

Numa altura em que surgem novas leis que alteram todo o estatuto do animal na nossa sociedade, poderá ser de alguma forma útil debruçarmos-nos um pouco sobre o papel do mesmo nas nossas vidas. Animais de companhia, animais silvestres ou selvagens. Todos eles ocuparam desde sempre diferentes papeis na vida do Homem.

Começando com a sua utilização na caça, guarda ou mesmo alimentação, até ao fenómeno de alcançarem por vezes o estatuto de membro da família. Assim sendo, é sempre complicado fazer uma avaliação imparcial de temas como aquele que tem sido alvo de polémica e tema de abertura de telejornal. A proibição de aquisição de animais selvagens em organizações de entretenimento leva-nos a pensar seriamente na posição que muitos outro animais ocupam nas nossas vidas.

Poderemos então começar por avaliar que existe actualmente um novo espaço para invulgares e exóticos gostos, o que fez com que os nosso animais domésticos (antigamente compreendidos como o cão o gato e talvez um peixinho dourado) fossem alargados a muitos outros tais como répteis, anfíbios, roedores…

Estas alterações culturais e o livre-conduto de cada um faz com que se coloque a pesada questão do desenvolvimento de animais em ambientes não-naturais, ou seja, cativeiro. Com a nova legislação, os animais selvagens no circo serão proibidos, alegando questões como maus-tratos ou riscos sanitários.

Mas este é apenas um dos aspectos que lesam a vida deste animais.

Confinados a um espaço que não o seu, os animais podem e adquirem mesmo comportamentos nervosos. Em 20% das populações estudadas, o nível de stress acaba por ser a principal causa de morte, juntamente com situações de auto-mutilação e canibalismo. A tentativa de preservação das espécies em parques zoológicos, também suscita alterações comportamentais e de reprodução.

Temos assim todo um circulo que coloca muitos agentes em conflito e debate.

Por um lado, desde sempre que o animais servem de entretenimento se não para todos, pelo menos para os mais novos, em circos ou zoológicos. Por outro lado, existe a legítima tentativa de preservação de muitas espécies que se não forem resgatadas pelas mãos de técnicos especializados e mantidos à parte do mundo natural, não sobreviveriam.

No específico caso dos circos está comprovado que os animais:

  • Não têm férias nem assistência veterinária adequada;
  • São obrigados a suportar mudanças climáticas bruscas, viajar milhares de quilómetros sem descanso, etc;
  • Estão sujeitos aos clássicos instrumentos de “treino”: chicotadas, privação de água e comida;
  • Encontram-se sem as mínimas condições de higiene, sujeitos a diversas doenças.

Talvez não seja demais ressalvar que apesar da polémica que esta lei veio despertar, já existia porém, um artigo que visava a defesa destes seres que não podem por si só defender-se das nossas acções:

Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela UNESCO em sessão realizada em Bruxelas, Bélgica, no dia 27 de Janeiro de 1978 :

Art. 10º.

  1. Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
  2. As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.

A verdade é que muitas das nossas atitudes individuais podem gerar uma generalidade de abusos. É sempre necessário algum bom senso no que toca ás nossas escolhas, quer como espectadores, quer como proprietários de toda e qualquer espécie viva. Este é sem dúvida um tema complexo e haverão certamente mudanças de ideias e atitudes de todos, ao longo que a sociedade cresce e evolui.

Este artigo foi publicado na Edição nº13 da Revista Mundo dos Animais, em Novembro de 2009, com o título “O papel dos animais nas nossas vidas”.

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