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O Papel dos Animais nas Nossas Vidas

Numa altura em que surgem novas leis que alteram todo o estatuto do animal na nossa sociedade, poderá ser de alguma forma útil debruçarmo-nos um pouco sobre o papel do mesmo nas nossas vidas. Animais de companhia, animais silvestres ou selvagens. Todos eles ocuparam desde sempre diferentes papeis na vida do Homem. Começando com a sua utilização na caça, guarda ou mesmo alimentação até ao fenómeno de alcançarem por vezes o estatuto de membro da família.

Assim sendo, é sempre complicado fazer uma avaliação imparcial de temas como aquele que tem sido alvo de polémica e tema de abertura de telejornal. A proibição de aquisição de animais selvagens em organizações de entretenimento, leva-nos a pensar seriamente na posição que muitos outro animais ocupam nas nossas vidas.

Papel dos Animais nas Nossas Vidas

Poderemos então começar por avaliar que existe actualmente um novo espaço para invulgares e exóticos gostos, o que fez com que os nosso animais domésticos (antigamente compreendidos como o cão o gato e talvez um peixinho dourado) fossem alargados a muitos outros tais como répteis, anfíbios, roedores…

Estas alterações culturais e o livre-conduto de cada um faz com que se coloque a pesada questão do desenvolvimento de animais em ambientes não-naturais, ou seja, cativeiro. Com a a nova legislação os animais selvagens no circo, serão proibidos, alegando questões como maus-tratos, ou riscos sanitários.

Mas este é apenas um dos aspectos que lesam a vida deste animais.

Confinados a um espaço que não o seu, os animais podem e adquirem mesmo comportamentos nervosos. Em 20% das populações estudadas, o nível de stress acaba por ser a principal causa de morte, juntamente com situações de auto mutilação e canibalismo. A tentativa de preservação das espécies em parques zoológicos, também suscita alterações comportamentais e de reprodução.

Temos assim todo um circulo que coloca muitos agentes em conflito e debate.

Por um lado, desde sempre que o animais servem de entretenimento se não para todos, pelo menos para os mais novos, em circos ou zoológicos. Por outro lado existe a legítima tentativa de preservação de muitas espécies que se não forem resgatadas pelas mãos de técnicos especializados e mantidos à parte do mundo natural não sobreviveriam.

No específico caso dos circos está comprovado que os animais:

  • Não têm férias nem assistência veterinária adequada;
  • São obrigados a suportar mudanças climáticas bruscas, viajar milhares de quilómetros sem descanso, etc;
  • Estão sujeitos aos clássicos instrumentos de “treino”: chicotadas, privação de água e comida;
  • Encontram-se sem as mínimas condições de higiene, sujeitos a diversas doenças.

Talvez não seja demais ressalvar que apesar da polémica que esta lei veio despertar, já existia porém, um artigo que visava a defesa destes seres que não podem por si só defender-se das nossas acções.

Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela UNESCO em sessão realizada em Bruxelas, Bélgica, no dia 27 de Janeiro de 1978:
Art. 10º

  1. Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
  2. As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.

A verdade é que muitas das nossas atitudes individuais podem gerar uma generalidade de abusos. É sempre necessário algum bom senso no que toca ás nossas escolhas, quer como espectadores, quer como proprietários de toda e qualquer espécie viva. Este é sem dúvida um tema complexo e haverão certamente mudanças de ideias e atitudes de todos, ao longo que a sociedade cresce e evolui.

Ilustração por Joana Souza

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Tópicos: Artigos em Destaque, Opinião

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