Certa tarde de verão, em que como todos os dias vinha do trabalho, fiz o que sempre faço. Pego no carro e faço-me à estrada, mas, este dia foi diferente, pois entrei em pensamentos e enganei-me no caminho.
Algo me despertou a atenção. Numa estrada super movimentada vi um pequeno cão, super assustado, aparentava estar abandonado. Estava tão desorientado que não conseguia sair da estrada e os carros só sabiam apitar e dar pancadas no mesmo.
Aquela situação chocou-me e, sem pensar duas vezes, fiz inversão de marcha para colocar-me no caminho certo e parei o carro. Apitei, apitei e apitei para que os carros da faixa contraria parassem, mas, isso não aconteceu. A fila que fiz era extensa e eu estava nervosa, pois o cão não parava, não vinha ao meu chamamento, as buzinas eram imensas…
Até que agi. Sem pensar, saí do carro na tentativa de apanhar o pobre cãozinho. Fiquei com o dedo entalado na minha porta, que me fez parar, abri a porta nem dor senti. Pus-me no meio da estrada para parar os carros da frente porque os carros da minha faixa já estavam parados.
Após várias tentativas de apanhar o pobre coitado, consegui e meti-o de imediato no meu carro, encostei-me à berma e comecei a chorar, de dores no dedo, de aflição porque não sabia o que fazer com o cão.
Tentei ir ao Hospital Veterinário, onde me disseram que não podiam ficar com ele porque era de rua, ao qual eu respondi que ele tinha levado muitas pancadas dos carros e que podia estar perdido. A resposta de todos os sítios foi sempre a mesma: não!
Não desisti!
Fui a vários locais perto do sitio que o achei, ver se ele retomava o seu caminho, afinal podia ser das vivendas que ali estão, mas, ele só pensava em entrar no meu carro.
Parei numa oficina e pedi água estava com sede muita sede.
Parei para observar e reflectir, e só ai notei que era uma cadelinha velhinha com muitas pulgas, queria festas e atenção. Sentei-me na calçada e ela deitou-se ao meu lado. Pensei:” vou leva-la” depois pensei não posso já tenho demasiados animais adoptados.
De repente, surgiu uma ideia. Onde o meu companheiro adoptou o cão dele eu sabia que havia uma senhora que tinha um canil e que não tinha ajudas de ninguém, mas, com sorte ficaria com a pequena sobrevivente.
Coloquei-a novamente no carro e fiz-me à estrada.
Quando lá cheguei a senhora disse que não podia ficar com ela que tinha mais de 150 cães e 30 gatos (que eu confirmei com os meus olhos) e trabalhava só para aquilo porque não havia ninguém que se chegasse à frente para a ajudar.
Desanimei e voltei a por a pequena no carro até que comecei a ouvir um estrondo na parte de trás e quando olhei a pequena sobrevivente estava a ter um ataque, caiu para o lado a espumar da boca, a fazer xixi , cocó, e as patas estavam nos tremelicos que pareciam não ter fim. Comecei aos gritos e tentei acalma-la, mas, com os nervos ela tentou morder.
A senhora começou a correr de imediato para o meu carro e tiramos ela de lá. A senhora disse-me “vai ali ao café e pergunta ao meu marido se podemos abriga-la”.
O marido disse ” claro que sim, mas, tens de ajudar”.
Os meus olhos brilharam porque sabia que ela ali ficava bem. Jurei levar todos os meses um saco de ração e assim o faço. Ela está bem e tem epilepsia, mas, está estável. No inicio sei que ficava num carro abandonado, mas, agora já tem amigos e vou vê-la todos os meses.
Sei que o meu exemplo pode ser um bom exemplo.
Faço também o apelo para ajudarem esta senhora sem ajudas que dá teto a tantos animais. e que eles têm melhores condições do que para ela . Segundo ela o ordenado que ganha é para alimentar estes pobres animais que são vítimas de abandono. Vale a pena pensar e refletir..
Hoje ela, amanhã nós!
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