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Reprodução de Bettas

Os Bettas, se forem saudáveis e se estiverem convenientemente preparados, irão originar uma descendência entre 30 a 500 alevins. Á medida que os alevins se vão desenvolvendo, deve-se ter em atenção as possíveis lutas que possam ocorrer entre eles, separando-os. Deste modo, é necessário ter disponível diversos aquários para esse fim.

Para facilitar o “abraço nupcial” (etapa 9) devem ser seleccionados exemplares em que o macho é maior que a fêmea. Para além deste aspecto, este deve realizar pequenos ninhos de bolhas no seu aquário individual, indicando que está apto para a reprodução.
Após a escolha, deve-se realizar uma série de passos simples, mas essenciais para obter bons resultados.
Nas primeiras duas semanas:

1) A alimentação dos progenitores é de extrema importância, pois irá determinar o número de ovos e de esperma produzido por cada um. Desta forma, neste período de tempo, dever-lhes-á ser proporcionada uma alimentação variada, como larvas de mosquitos, de Artémia, granulado/flocos próprio para Bettas entre outras coisas.

2) O aquário do macho deverá ser colocado junto ao da fêmea de modo a que se possam observar mutuamente.

3) Deverá ser montado um aquário, sem filtro nem areão, apenas com uma pedra difusora que irá servir como aquário de reprodução. Neste, a água não poderá exceder os 10 cm de altura, uma vez que, iremos reduzir a pressão exercida por esta nos futuros ovos, devendo estar a uma temperatura de 27ºC sem oscilações. Este aquário deverá ainda possuir plantas aquáticas verdadeiras que irão proporcionar protecção á fêmea, suporte ao ninho de bolhas que o macho irá construir e facilitarão a alimentação dos alevins, uma vez que nelas se irão desenvolver, com maior facilidade, pequenos animais. Desta forma, existem algumas plantas mais indicadas para este efeito e que são extremamente fáceis de se manter, não sendo necessário cuidados com a água, luz e adubos. Exemplos destas plantas são: musgo de java (Vesicularia dubyana); Samambaia de Java (Microsorum pteropus); Valisneria sudamericana (Vallisneria Gigantea)

4) Após as duas primeiras semanas, o macho pode ser colocado no aquário de reprodução. Depois de um ou dois dias da sua introdução, coloca-se a fêmea num recipiente transparente (como por exemplo um tubo transparente) e de fácil remoção, o qual a irá proteger das investidas do macho. Dar-se-á início do cortejo, no qual o macho abre as suas barbatanas e os opérculos.

5) O macho, se interessado na fêmea, irá dar inicio á construção do ninho de bolhas, o qual deverá estar concluído ou no final do primeiro ou segundo dia após a inserção dos dois exemplares no aquário de reprodução. Se tal não acontecer, pode indicar ou que o macho não esta pronto para a reprodução ou que não está interessado na fêmea, não devendo prosseguir-se com a tentativa de procriar.

6) Após a conclusão da construção do ninho de bolhas, a nossa atenção desvia-se para a fêmea. Esta deverá apresentar uma coloração com riscas verticais quando observar o macho e uma forma particularmente arredondada, indicando, desta forma, que está pronta para o acasalamento. Contudo, em animais com colorações mais claras essas riscas não são visíveis, tendo-se apenas em atenção o segundo aspecto.

7) Juntamos os dois exemplares com cuidado para não destruir o ninho de bolhas e iremos observar que o macho irá nadar atrás da fêmea e atacá-la. No entanto, este é um comportamento normal da espécie, de modo a que o aquarófilo não deverá intervir a não ser que observe que a fêmea possa correr perigo de vida.
Após 12 a 24 horas de estarem juntos o macho irá conduzir a fêmea ao ninho de bolhas.

8) A fêmea irá inspeccionar o ninho e, quando chegar a altura, por debaixo deste, ambos iram começar a nadar em círculos.

9) Até que ocorrem os abraços, o macho dobra-se sobre a fêmea comprimindo-a de modo a facilitar a saída dos ovos ao mesmo tempo que os vai fecundando.

10) Após cada abraço a fêmea fica imóvel e flutua. Nesse período de tempo em que não se mexe, o macho aproveita para apanhar do fundo do aquário os ovos com a boca e colocá-los no ninho, pois, á primeira oportunidade, a fêmea come-os, apesar de se já ter sido observado fêmeas a ajudarem o seu companheiro na recolha destes.

11) Quando os abraços terminam, deve-se retirar com cuidado a fêmea (que tem que ser submetida, mais uma vez, a um regime variado de alimentos, de forma a que recupere rapidamente das lesões sofridas e do esforço), sem destruir o ninho de bolhas, que vai ser guardado pelo macho e será este que tomará conta dos alevins quando nascerem.
Deve-se ter em atenção que, os caracóis de água doce, que possam existir no aquário, muitas vezes comem os ovos que se encontram no ninho de bolhas.Por vezes o macho apercebe-se e tira-os com a boca. Contudo, os moluscos para evitarem a acção do progenitor dirigem-se para o seu alimento pela parte exterior das bolhas, tornando-se impossível a acção do macho.


12) Os alevins irão eclodir passados 2 ou 3 dias. Estes são de reduzidas dimensões (cerca de 2mm) e estão sempre a ser vigiados pelo macho, o qual irá colocá-los no ninho sempre que se afastem ou que vão ao fundo.

13) Quando os alevins nadarem horizontalmente (no quinto dia de vida) é a altura de retirar o macho, pois este poderá comê-los.
Os alevins

Nos primeiros quatro dias os pequenos peixes apenas se irão alimentar do seu saco vitelino, não devendo assim, colocar alimento na água, pois só irá fazer com que esta se polua.
Após retirarmos o macho, devemos começar a alimentar os alevins quatro a cinco vezes ao dia em pequenas quantidades, mas tendo em atenção de que, como os alevins são muito pequenos, têm que comer um alimento rico em lípidos e de pequenas dimensões de forma a que seja facilitada a sua ingestão e que lhes permita desenvolver. Assim, existem vários alimentos adequados para este efeito, como infusórias que aparecem nas plantas, alimento líquido (JBL Nobil Fluid), larvas de Artémia salina (Nauplios) e/ou alimentos granulados de pequenas dimensões produzidos para alimentar crias de Bettas.

É nos primeiros quinze dias que se encontra a fase crítica do desenvolvimento das crias dos Bettas, pois é nesta altura que se formam os labirintos nos alevins. Desta forma, o aquário deverá estar tapado, de modo a reduzir a diferença de temperatura do ar e da água. Caso exista diferença, toda ou praticamente toda a ninhada morre.
Após o primeiro mês começa-se a proceder ao acréscimo de água (cerca de 1cm por dia), minimizando os efeitos das hormonas produzidas por cada alevin, uma vez que eles ao produzirem-nas vão fazer com que os restantes Bettas que se encontram no aquário tenham mais dificuldades a desenvolverem-se.
Ao mês e meio podem-se começar a mudança de água parcial.

Algumas fêmeas:

O grupo de fêmeas:

Os dois primeiros machos são da criação:

Uma colisa que também quis ficar na foto:

Tópicos: Animais de Estimação, Aquáriofilia e Peixes Ornamentais, Artigos em Destaque, Peixes

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