Criação de Alimento Para Anfíbios

Criação de alimento vivo para anfíbios

Fotografia original: Andy Delcambre

Tal como anunciado anteriormente, aqui ficam algumas fichas de criação e manutenção de culturas de comida viva para alimentação dos anfíbios.

Larvas de mosquito vermelhas

larva de mosquito vermelho

Fotografia: Bug Guide

Espécie: Várias, família Chironomidae;
Dificuldade: Difícil;
Valor Nutricional: Alto;
Propagação: Média.

Descrição

Possivelmente a alimentação base de muitos caudatas.

É a larva de um tipo de mosquito. É bastante comum em poças de água parada com lodo, contudo torna-se difícil de fazer a separação do lodo das larvas. Uma forma possível será agitar o lodo num recipiente com água após o qual as larvas virão à tona, podendo ser pescadas com uma rede.

É algo difícil de reproduzir em cultura pelo que a sua presença só será a título de curiosidade, uma vez que são facilmente encontradas em casas de aquáriofilia. É aconselhável a compra das larvas congeladas em detrimento das liofilizadas devido ao seu superior valor nutritivo.

Cultura

Difícil de criar em quantidades em cativeiro. Uma forma de criar algumas será colocar um recipiente com água com lodo no fundo que será utilizado pelos mosquitos para a sua criação.

Pode-se também juntar folhas secas para acelerar o processo de criação de infusórios que são a fonte de alimentação das larvas.

Minhocas da terra

Minhoca da terra

Fotografia: Wikimedia Commons

Espécie: Eisenia spp., Lumbricus spp.;
Dificuldade: Fácil;
Valor Nutricional: Muito Alto;
Propagação: Lenta.

Descrição

As minhocas da terra são comuns um pouco por toda a parte, sendo muito utilizadas em vermicultura para criar adubo orgânico.

Podem também ser encontradas em casas de pesca que as vendem como isco.

É possívelmente a comida mais completa para caudatas e existem alguns anuros que as aceitam também muito bem. É a alimentação base de gymnophionas. As maiores devem ser cortadas para facilitar a deglutição.

Cultura

Muito fácil de manter. Basta um recipiente com solo bem húmido mas não molhado.

Para alimentar pode-se dar restos de arroz, massa (lavados), restos de frutas ou maçã (a minha favorita).

São de reprodução lenta. Se tiverem sido compradas, deve-se mudar o substrato no qual se encontram e deixa passar algum tempo no substrato de cultura para libertarem do seu organismo os restos do que comeram antes, que pode ser desagradável aos animais.

Dever-se-á ter o cuidado de não dar fruta e comida ácida que não é muito do seu agrado.

Larvas de mosquito pretas

larvas de mosquito pretas

Fotografia: CDC / James Gathany

Espécie: Culex spp.;
Dificuldade: Fácil;
Valor Nutricional: Alto;
Propagação: Rápida.

Descrição

Larvas dos mosquito, comuns em poças e outros locais de água parada.

Com elevado valor nutritivo para os anfíbios aquáticos, proporcionam também um incentivo à reprodução e à caça. Têm as vantagens de se aguentar durante vários dias vivos na água.

Como desvantagem existe o risco dos não comidos se desenvolverem e se transformarem em mosquitos (e melgas).

Cultura

As larvas de mosquito pretas são da comida viva mais fácil de encontrar e pode ser encontrada em pequenas lagoas, poça, tanques de rega e outros locais de água parada.

Para fazer esta cultura em casa basta deixar um recipiente de água com algum volume, no qual os mosquitos irão depositar as suas jangadas de ovos. Estas jangadas de ovos irão-se desenvolver e crescer.

Para fornecer comida basta adicionar folhas secas à água. Pode-se também usar levedura de cerveja e spirulina em pó.

Dáfnias

Dáfnia

Fotografia: Wikimedia Commons

Espécie: Daphnia pulex e Daphnia magna;
Dificuldade: Fácil;
Valor Nutricional: Médio;
Propagação: Média.

Descrição

Crustáceos partogénicos que se alimentam de infusórios presentes na água. Com um tamanho considerável podem ser dadas a todos os anfíbios aquáticos.

São especialmente indicados para estimular a reprodução e para dar algum “exercício” aos animais.

Gozam de excelente reputação entre os aquariófilos devido à sua facilidade de manutenção e maior tamanho, tornando-as um favorito de qualquer ser aquático (carnívoro ou omnívoro).

Cultura

Basta um recipiente grande o suficiente (um alguidar, um jerrican aberto, um bidão…) e alguns cuidados para manter uma cultura em grande quantidade.

O seu alimento favorito é água verde, que pode ser criada juntando algumas folhas em decomposição à água do recipiente de cultura. Quando não houver água verde disponível, pode também ser usada spirulina, levedura de cerveja e fermento vivo.

Adiciona-se um starter kit (que pode ser comprado numa casa de aquariofilia ou apanhado na natureza) e deve-se fazer mudanças de água parciais semanalmente ou quinzenalmente.

Para se maximizar a produção há alguns pontos que se deve ter em conta: boa aeração (com filtro de esponja, bombas de ar são desaconselhadas), remover dáfnias regularmente para impedir a sobre população e TPA’s frequentes.

No caso das condições serem desfavoráveis, as dáfnias começaram a produzir ephippias (embriões em animação suspensa) em vez de produzir mais dáfnias.

No caso da cultura morrer, pode-se remover o lodo da cultura antiga e adicionar à nova cultura. O mais provável é que essa cultura também contenha ephippias que eclodiram em 4 a 6 dias se as condições forem favoráveis que reiniciarão a cultura.

Vermes de Grindal

vermes de Grindal

Fotografia: Wikimedia Commons

Espécie: Enchytraeus albidus;
Dificuldade: Fácil;
Valor Nutricional: Alto;
Propagação: Rápida.

Descrição

São uma comida muito utilizada em aquáriofilia, quer pela sua facilidade de criação e propagação, quer pelo seu elevado valor nutricional.

São indicados especialmente para larvas e girinos em desenvolvimento devido ao seu pequeno tamanho.

Cultura

Utilizar um recipiente com terra (solo para plantas, fibra de coco moída, turfa…), colocar alguns microvermes e comida.

A terra deve estar húmida mas não molhada.

Como comida pode ser usada uma grande variedade de opções, desde pão molhado em leite, até papas de trigo ou aveia. Eu prefiro comida de cão. Para facilitar a colheita, deve ser colocada um pequena placa de vidro ou plástico sobre a qual deve ser colocada a comida.

Para replicar a colónia, remover uma parte da colónia activa e misturar gentilmente com o solo da futura colónia. O solo deve ser o mais neutro possível daí que a turfa tenha uma menor capacidade de produção que outros solos neutros.

Ter algum cuidado com o bolor uma vez que destrói a cultura.

Microvermes

microvermes

Fotografia: Wikimedia Commons

Espécie: Panagrellus redivivus;
Dificuldade: Média;
Valor Nutricional: Alto;
Propagação: Rápida.

Descrição

Nemátodes não-parasíticos ovovivíparos, cuja a composição é muito semelhante à da artêmia recém eclodida.

Devido ao seu pequeno tamanho são especialmente indicados para larvas e girinos. Têm um elevado valor nutritivo.

Cultura

Para culturas, o ideal serão pequenos copos ou pequenos tupperwares.

O meio de cultura para os microvermes será papas de aveia, bem trituradas, com um pouco de fermento vivo e agua. Misturar até ter uma pasta semi-consistente, juntar os microvermes e esperar que eles se reproduzam e cresçam.

Ao crescerem devem subir as paredes do recipiente tornando-se assim fáceis para colher (basta raspá-los da superfície e usar). Os recipientes devem ser cobertos para manterem a humidade e guardados à temperatura ambiente (20º aprox.). Temperaturas superiores a 25º não são recomendadas.

Existem outros meios de cultura que podem ser utilizados, desde papas de milho a puré de batata.

Para duplicar a cultura basta remover alguns microvermes e adicioná-los ao novo meio de cultura.

É necessário prestar alguma atenção à cultura para quando começar a azedar recomeçar um nova. Uma cultura de microvermes azeda não tem um cheiro nada agradável.

Este artigo foi publicado na Edição nº10 da Revista Mundo dos Animais, em Março de 2009, com o título “Criação de alimento”.

Tópicos: Anfíbios, Animais Exóticos, Animais de Estimação, Artigos em Destaque