Como Manter um Cavalo Saudável

Como manter um cavalo saudável

Fotografia: photophilde

Manter um cavalo saudável não é uma ciência exacta. É a procura do equilíbrio entre a alimentação, o exercício e as boas condições de maneio.

A vigilância e a capacidade de reparar que algo está errado são igualmente importantes.

Tudo isto vem como acréscimo através da experiência que se ganha no dia a dia com o cavalo. No entanto existem regras a seguir, regras estas que vão proporcionar ao cavalo uma vida mais saudável.

Verificação diária do cavalo

A verificação diária do cavalo permite ao dono procurar por sinais de doença, ferimentos ou lesões.

O cavalo deve ficar preso enquanto o dono se afasta para conseguir ver o cavalo na totalidade. Normalmente este ficará quieto, relaxado, provavelmente com uma perna em descanso.

Depois desta primeira verificação o dono deve mexer o cavalo e fazer com que este se coloque numa posição mais “quadrada” (posteriores debaixo da massa). O cavalo deve fazer isto facilmente, mas se ele insistir em manter uma perna em descanso algo poderá não estar bem.

Deve-se verificar os olhos do cavalo, reparar se estão limpos, brilhantes e sem corrimento. O mesmo deve acontecer com o nariz.

Olhar para os flancos também é importante. Quando o cavalo está relaxado o movimento provocado pela respiração deve ser imperceptível.

Depois desta verificação prévia está na altura do maneio de limpeza.

Com as mãos paralelas o dono deve fazer um movimento descendente no sentido espádua-casco, procurando por feridas. Nas pernas do cavalo o dono deve verificar que não há sinais de inchaço ou outras lesões, que poderiam ter sido causadas por um coice de outro cavalo no campo.

A pele e pêlo do cavalo também devem ser cuidadosamente verificados . A pele deve estar limpa, sem sinais de escamação, o que poderia ser um indicador de dermatites. O pêlo deve estar limpo, brilhante, suave e sem falhas.

Os cascos do cavalo devem ser limpos e examinados duas vezes ao dia (pelo menos). O dono deve levantar o membro e apoiar a muralha do casco na palma da mão, enquanto com a outra mão limpa a parte interior do casco, usando o ferro de cascos.

Deve-se ter um cuidado especial com as ranilhas do cavalo. Ao examinar os cascos o dono procurará por doenças que afectem estes últimos, tais como laminites, casco-oco, apodrecimento do casco e da ranilha, etc.

Finalmente o cavalo deve ser trotado, à mão numa superfície dura, para verificar se há claudicações.

Medicina preventiva

Tal como nós, os cavalos estão sujeitos a vários tipos de doenças. No entanto, se forem mantidos nas condições correctas e com um maneio adequado, a probabilidade de ficar doente diminui significativamente.

As doenças afectam principalmente os cavalos muito jovens, muito velhos, em mau estado de saúde ou negligenciados.

O tétano e a influenza equina podem atingir qualquer cavalo e são potencialmente letais. Por isso é vital que haja uma vacina anual contra elas.

Desparasitações

Os cavalos também são susceptíveis a parasitas, que apanham enquanto estão a pastar. Um cavalo demasiado parasitado pode perder a sua forma e a parasitação extrema pode mesmo levar à morte do animal.

Para evitar estas situações, deve ser instaurado um programa regular de desparasitação. O veterinário será a melhor pessoa para indicar a melhor forma de administrar este método de profilaxia.

Há várias maneiras de administrar o desparasitante conforme a forma de apresentação destes.

Há desparasitantes em pó que se podem misturar na ração, por exemplo. Enquanto que alguns cavalos são tão sôfregos com a comida que comem o desparasitante misturado com a ração, há outros que não comem por estranhar o sabor.

Outros tipos de desparasitante vêm na forma de pasta, dentro de uma seringa.

Apesar de ser mais fiável, pois sabemos exactamente a quantidade de desparasitante que o cavalo ingere, pode ser mais difícil de administrar. A seringa com o desparasitante deve ser inserida na comissura dos lábios do cavalo, e o produto deve ser expelido da seringa rapidamente, antes que o cavalo sinta o sabor e tente cuspir a medicação.

Uma mão cheia de ração deve ser dada imediatamente a seguir a este processo, para ter a certeza que o desparasitante foi completamente ingerido pelo cavalo.

Ferração

Outra maneira de prevenir doenças é a ferração regular. Dependendo do tipo de trabalho que o cavalo faz, deve ser ferrado a cada 4 a 6 semanas.

A frequência da ferração também está relacionada com a velocidade a que crescem os cascos do cavalo.

Há uma tendência para prolongar os espaços entre cada ferração, pois são bastante dispendiosas. O excessivo espaço de tempo entre cada ferração pode no entanto ter graves consequências, tais como laminite, doença da navicular ou lesões a nível dos tendões.

Os dentes

O cavalo é um animal cujos ancestrais passavam o tempo a pastar. Com a sua domesticação ele começou a passar mais tempo em estábulo, logo os seus dentes não se gastam como seria normal se o cavalo passasse todo o tempo a pastar.

Os dentes do cavalo devem ser inspeccionados regularmente.

Quando o cavalo tem “bicos” nos dentes ou o chamado “dente de lobo”, torna-se desconfortável para ele o processo de mastigação ou até aceitar o contacto da embocadura. Nestes casos é imperativo fazer uma limagem aos dentes do cavalo, trabalho que deve ser feito por um médico veterinário.

Sinais vitais

Aprender a reconhecer o ritmo normal da respiração do nosso cavalo é importante.

A respiração do cavalo é composta pela inspiração e expiração. Por norma um cavalo efectua entre 8 a 16 respirações por minuto.

O movimento que o cavalo faz ao respirar pode ser imperceptível à vista, mas pode ser sentido se colocarmos uma mão aberta sobre o flanco do cavalo. Movimentos de respiração demasiado rápidos são um indicador seguro de stress, dor ou lesões.

No entanto se o animal está alerta e agitado, pode estar simplesmente a reagir a algo que esteja a ver ou a ouvir.

Medir a temperatura

A temperatura deve ser medida com um termómetro digital.

A pessoa que está a medir a temperatura deve colocar se atrás do cavalo, ao lado da garupa deste, afasta a cauda para o lado e insere o termómetro (previamente untado com vaselina ou outro creme gordo), mantendo-o encostado ás paredes do canal rectal.

A temperatura normal de um cavalo é 37 ou 38º C.

Tirar o pulso

O pulso do cavalo é forte e pode ser tirado em vários sítios.

O mais fácil de todos é no “entre-ganachas”. Coloca-se a palma da nossa mão na parte exterior da ganacha do cavalo, com os nossos dedos sobre a artéria que passa na parte interior.

O pulso normal de um cavalo é de 36 a 40 batidas por minuto. Uma pulsação acelerada pode indicar que o cavalo está em sofrimento, dor, stress ou excitação.

Feridas simples

Os cavalos são extremamente susceptíveis a infecções e por isso, assim que se identifica uma ferida esta deve ser imediatamente tratada.

A ferida (caso se justifique) deve ser lavada com água corrente. De seguida deve ser limpa com soro fisiológico, retirando se necessário pedaços de tecido necrosado.

Quando a ferida estiver limpa deve ser aplicada uma solução anti-séptica para evitar infecções.

Se a ferida é simples, pode ficar exposta ao ar para que a pele “respire” e permita aos tecidos lesados formar a rede de fibrina e colagénio necessários a uma boa cicatrização. Em caso de duvida, ou se a ferida ficar inflamada e com corrimento acompanhado de mau cheiro, deve-se chamar o veterinário.

Feridas graves

Por norma é óbvio quando uma ferida é grave, seja pela dimensão da ferida ou pela quantidade de corrimento sanguinolento.

Qualquer ferida que se situe junto a uma articulação requer atenção veterinária urgente, tendo em conta que a infecção pode alastrar à própria articulação e provocar danos irreversíveis.

Uma ferida em profundidade (por exemplo causada por um prego) nunca deve ser suturada, pois há o risco de a ferida cicatrizar exteriormente enquanto que no seu interior está a evoluir uma infecção, que poderá mais tarde provocar uma fístula.

Se a ferida tem hemorragia constante, o dono deverá colocar sobre a ferida gaze gorda ou gaze com betadine (nunca colocar sobre uma ferida algodão ou gaze seca, que além de “colar” deixa resíduos) e mantê-la no sitio com uma ligadura elástica aderente (vet wrap). Na falta desta pode usar uma ligadura de trabalho ou de descanso.

O veterinário deve ser chamado com urgência. Uma ferida grave poderá ter que ser suturada e o veterinário pode ter que receitar antibióticos para ajudar a combater a infecção.

Atenção: Este artigo é meramente informativo e não substitui a consulta no médico veterinário. O(A) autor(a) e o Mundo dos Animais não se responsabilizam pela utilização indevida destas informações.

Tópicos: Saúde Animal, Cavalos, Animais de Quinta, Artigos em Destaque