Aprendizagem: Equitação III

Equitação

Fotografia original: Wikimedia Commons

Aprendizagem:

Agora que o aluno já adquiriu os princípios básicos da equitação (equilíbrio, confiança, à vontade) o monitor pode começar a pedir um tipo diferente de exercícios.

Está na altura de ensinar como se calçam os estribos, qual a posição correcta do pé e da perna e mais para a frente o aluno vai aprender como segurar as rédeas da maneira certa, mas vamos começar pelo principio.

Material do cavalo:

  • Arreio com estribos;
  • Cabeçada de bridão com rédeas;
  • Rédeas fixas;
  • Caneleiras ou protecções de membros;
  • Guia e cabeção de argolas.

Material do aluno:

  • Calças de montar;
  • Camisola ou t-shirt confortável;
  • Botas de montar ou botas baixas com polainas;
  • Toque;
  • Luvas de montar (opcional).

O aluno pode começar a aula com o aquecimento: sem estribos, pernas descontraídas e caídas à vontade, espreguiçar, esticar os braços, rodar calmamente as articulações (pé, joelho, cotovelos, ombros), rodar a cintura, respirar sempre de maneira normal, rodar calmamente o pescoço (tal como foi dito anteriormente este movimento só deve ser feito a passo, qualquer um dos outros andamentos é demasiado violento e pode haver lesão ao nível do pescoço e da coluna).

A seguir ao aquecimento, o aluno pode aprender a calçar o estribo, que deverá estar adequado ao tamanho da perna do aluno, nem demasiado comprido nem demasiado curto. O tamanho ideal será aquele que permite ao aluno baixar o calcanhar sem que o estribo saia do pé.

O monitor deve explicar ao aluno a posição correcta da perna com o estribo calçado. Deve imaginar-se uma linha recta que passa pelos ombros, anca e calcanhar. Nesta fase é normal que o aluno (por não estar habituado aos estribos) deixe fugir as pernas para a frente. Terá que ser corrigido (nesta fase talvez não seja má ideia o aluno começar a montar com um arreio que o ajude a ter as pernas na posição correcta. Um arreio de ensino ou um misto).

O aluno está a cavalo, com os estribos calçados, as pernas numa posição correcta, com uma boa posição a cavalo?

Está na altura de começar os exercícios…

Nesta altura, o aluno terá mais contacto com a barriga do cavalo, logo podemos começar a pedir que seja ele a impulsionar o cavalo para andar (assim ele aprenderá a maneira correcta).

Começar a passo, pedindo sempre ao aluno que acompanhe o movimento do cavalo com a cintura, corrigindo-lhe a postura, dizer-lhe (2765 vezes) para baixar o calcanhar e não se agarrar com os joelhos.

Conceito chave: o calcanhar está sempre mais baixo que o bico do pé. Costumo dizer aos meus alunos que imaginem que o corpo é uma rocha molhada e que a água vai escorrer pelo calcanhar.

Depois do passo está na altura de fazer uns exercícios a trote, e também de o aluno aprender a fazer trote levantado.

Depois do aquecimento a trote sentado pedimos ao aluno que comece a contar os tempos do trote. Tendo em conta que o cavalo trota em diagonais (mão esquerda / pé direito; mão direita / pé esquerdo) os tempos do trote são dois.

O mais simples e que o aluno percebe melhor é: no primeiro tempo o rabo está no arreio, no segundo tempo levanta.

O aluno deve avançar a cintura sem se inclinar para a frente e sem deixar as pernas fugir para a frente. Quando se senta no arreio deve tentar sentar-se o mais á frente no arreio que lhe seja possível. Isto são pormenores que o monitor deverá explicar ao aluno.

Nota: o cavalo aqui deverá ter um trote regular mas bem impulsionado, para que o aluno consiga perceber como se faz trote levantado e consiga realizar bem o exercício.

Quando o aluno já está a fazer bem o trote levantado podemos explicar-lhe o que é a diagonal de fora. O aluno aprende que deve levantar-se no arreio na altura em que o cavalo avança a mão de fora.

E porquê? Porque o cavalo faz mais esforço para avançar a mão de fora uma vez que esta percorre uma distância maior do que a mão de dentro. Logo, precisa de ter o dorso mais aliviado para poder avançar melhor a espádua!

Quando estiver na altura de o aluno fazer galope, devemos estar preparados para a eventualidade de o aluno se tentar pôr em pé nos estribos, uma vez que este vai sentir que por estar com estribos vai estar a magoar o dorso do cavalo. Se tal acontecer o aluno pode fazer uns minutos de galope sem estribos para descontrair e só depois voltar a calçar os estribos.

Nesta fase em que o aluno está a aprender a fazer galope com os estribos calçados, deve-se pedir muitas transições trote-galope e galope-trote para que o aluno se habitue ás transições e aprenda correctamente as ajudas para fazer o cavalo sair a galope (costas bem direitas, bem sentado, perna de dentro à cilha, perna de fora recuada e a fazer pressão).

Quando o aluno já está à vontade no galope, podemos pedir-lhe um exercício que consiste em fingir que tem as rédeas na mão. Assim podemos corrigir-lhe a posição da mão sem estar a prejudicar a boca do cavalo.

Reforçar o conceito de que o galope (assim como o passo) é um andamento basculante, ou seja, que o pescoço do cavalo não está fixo como no trote, mas está constantemente a bascular.

No exercício em que o aluno finge estar com as rédeas na mão podemos explicar-lhe como deve avançar um pouco as mãos no terceiro tempo do galope. Mãos baixas, encostadas ao garrote e a avançar no terceiro tempo.

Se a aula correr bem, podemos dar uma recompensa ao aluno.

No fim da aula dar-lhe as rédeas para a mão, ensinar como se seguram de maneira correcta e deixá-lo dar uma volta encostado à teia do picadeiro, sendo o aluno a conduzir o cavalo.

Por experiência própria não é má ideia a guia continuar na cabeçada do cavalo, pois os cavalos de escola têm o péssimo hábito de sair porta fora antes de os alunos conseguirem fazer alguma coisa.

Boas aulas!

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Este artigo foi publicado na Revista nº4 do Mundo dos Animais, em Dezembro de 2007, com o título “Equitação III”.

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