Aprendizagem: Equitação IV

Equitação

Fotografia original: Wikimedia Commons

Na fase seguinte da aprendizagem, o monitor poderá permitir que seja o aluno a aparelhar o cavalo, observando-o disfarçadamente para ver até que ponto se sente à vontade com o cavalo e só o corrigir em caso de erro grave (perigo para o aluno, como por exemplo uma ameaça de coice da qual o aluno não se tenha apercebido, arreio mal posto, caneleiras mal colocadas, fivelas da cabeçada desapertadas, etc).

Elogiá-lo por o cavalo estar bem aparelhado (se for caso disso). Deixar que seja o aluno a levar o cavalo para o picadeiro, certificando-se o monitor que o aluno tem o seu devido equipamento de segurança: calças e botas de montar, toque e luvas (se o aluno usar).

Nota: nesta fase da aprendizagem o aluno pode montar um cavalo que não seja o cavalo do volteio. Pode montar um cavalo que seja igualmente calmo e sossegado mas que tenha bons andamentos, que tenha uma boa impulsão, que seja “fácil” de boca e que responda bem ás ajudas naturais (perna e mão).

Nesta altura, podemos relembrar ao aluno como se sobe para cima do cavalo (para facilitar podemos descer o estribo uns furinhos).

O monitor só deve agarrar o cavalo se este decidir arrancar de repente, caso contrário deve deixar o aluno”por sua conta e risco”, ou seja, para que o aluno se comece a corrigir sozinho.

Se o cavalo tentar fugir na altura em que o aluno vai montar, este saberá numa próxima vez que tem que segurar as rédeas mais curtas, ou que não pode hesitar quando põe o pé no estribo (tendo em conta que se arrisca a uma queda). O aluno deve colocar-se do lado esquerdo do cavalo, o ombro do aluno ligeiramente atrás da espádua do cavalo, segurar as rédeas com a mão esquerda, colocar o pé esquerdo no estribo e dar impulso para subir. Evitar sempre o vulgar pontapé com o pé direito na garupa do cavalo.

Assim que o aluno está a cavalo, o monitor deve corrigir imediatamente a posição do aluno. Cintura a avançar, costas direitas, pernas na posição correcta, estribo bem calçado, calcanhar descido, cabeça levantada, mãos na posição correcta (unhas viradas para as unhas), comprimento ideal das rédeas.

Esta será a primeira aula que o aluno vai ter que não começar pelo volteio, por isso é natural que haja um pouco de nervosismo da parte do aluno.

Quando o aluno já está a cavalo o monitor pode começar por pedir que faça um circulo a passo á sua volta. Abrindo a rédea de dentro e encostando a perna de dentro á barriga do cavalo. Insistir no alargar e encurtar dos círculos, começar a explicar ao aluno o que é a rédea de abertura e o que é a rédea contrária. Corrigir a posição do aluno.

Começar a ensinar ao aluno (sempre a passo) como se fazem as várias figuras de picadeiro: círculos, diagonais, meios círculos, serpentinas, oitos, etc…

Quando o aluno já está á vontade a passo, pode passar ás transições passo-trote/trote-passo.

Numa fase inicial, o trote deve ser sempre pedido no circulo, com o cavalo bem encurvado e dobrado à perna de dentro. Para a transição ao trote devemos pedir ao aluno que encurte ligeiramente as rédeas (fechar as mãos é, na maior parte das vezes, suficiente) e aperte ligeiramente a barriga do cavalo. O cavalo sairá calmamente a trote.

Nas primeiras passadas de trote, o aluno deverá fazer trote sentado. Não esquecer de corrigir a posição do aluno ao mesmo que tempo que o encorajamos e elogiamos se este tiver uma boa posição a cavalo.

Fazer dois ou três círculos a trote e dizer ao aluno que peça uma transição ao passo, recuando ligeiramente as mãos e recuar os ombros. Depois da transição ao passo pedir ao aluno que respire, pois de certeza que esteve a conter a respiração devido aos nervos. Deixar o aluno e o cavalo descontrair, dizer ao aluno que peça uma descida de pescoço ao cavalo, deixando as rédeas correr livremente e deixando o cavalo descontrair e baixar a cabeça.

Quando já estão ambos descontraídos, podemos pedir ao aluno que volte a encurtar as rédeas, corrigir de novo a posição do aluno, posição das mãos, maneira de segurar as rédeas, posição das pernas. Quando o aluno estiver com uma boa posição, podemos pedir que faça a transição ao trote. Para fazer esta transição ao trote pode-se pedir ao aluno que saia a trote num sitio especifico (por ex., em frente á porta do picadeiro) para que este se habitue que o cavalo deve sair a trote no sitio em que lhe é pedido.

A seguir vamos pedir ao aluno que faça trote levantado. Aqui o monitor deve resistir à vontade de tapar os olhos ou abanar a cabeça negativamente. O monitor deve lembrar-se que o aluno tem muitos pormenores aos quais deve dar atenção, e como é de esperar, alguma coisa há de ficar esquecida… Corrigir a posição do aluno!

Assim que o aluno dá as primeiras passadas em trote levantado, a primeira coisa que o monitor vai dizer é para não se agarrar ás rédeas para fazer o trote levantado. É natural que o aluno se tente apoiar nas rédeas, uma vez que o equilíbrio ainda é pouco! Dizer ao aluno que mantenha as mãos o mais quietas possível, afastando apenas a mão de dentro (rédea de abertura) para colocar o cavalo no circulo.

Para o aluno passar de um circulo para o outro (diagonal) deverá nesta fase fazer uma transição ao passo e só voltar a sair a trote quando já está no circulo para a mão contrária.

Para não sobrecarregar o aluno com exercícios a mais (uma vez que a própria tensão do aluno tambem o cansa) deve-se deixar o galope para a aula a seguir!

Explicar ao aluno a importância das descidas de pescoço do cavalo, o respeito que se deve ter pelo dorso do animal, a relevância da descontracção do conjunto.

O monitor tem um papel muito importante, não só na preparação do aluno para um nível superior de equitação, como no incentivo e no encorajamento a continuar com as aulas de equitação!

O aluno deve apear dentro do picadeiro, desapertar a cilha e a focinheira (se tiver). Deve sair do picadeiro conduzindo o cavalo da maneira correcta.

Boas aulas!

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