A Alimentação do Cavalo

Alimentação do cavalo

Fotografia original: Don Graham

O aparelho digestivo do cavalo está preparado para receber pouco alimento de cada vez, mas muitas vezes ao dia, uma vez que no estado selvagem o cavalo passava o seu dia a pastar e a beber água.

Nos dias de hoje, a rotina alimentar dos equinos está quase totalmente alterada, graças à sua domesticação e ao esforço físico a que estão sujeitos.

Mesmo sofrendo algumas alterações a nível alimentar, o aparelho digestivo do cavalo mantém-se igual ao dos seus antepassados.

Após os dentes da frente e os lábios seleccionarem e apanharem a comida, esta é moída pelos dentes de trás, iniciando assim a digestão. A comida é então engolida, passa pelo esófago e entra no estômago, o qual tem uma capacidade de 8 litros.

Do estômago, a comida passa para o intestino delgado, cólon largo e curto e recto. O intestino delgado do cavalo é estreito e mede cerca de dois metros. É no intestino delgado que são decompostos os açucares, proteínas e gorduras.

No intestino grosso são digeridas as fibras – principal fonte de energia por intermédio de bactérias e micróbios que as fermentam.

É essencial uma dieta equilibrada, com todos os nutrientes que o cavalo precisa.

Os componentes essenciais na dieta de um cavalo são:

  • Água: A necessidade de água depende da temperatura, do esforço a que o cavalo está sujeito, da sua alimentação e da sua idade.
  • Hidratos de carbono: Estão presentes no amido (que por sua vez é encontrado nos cereais), nos açucares (presente em todos os alimentos, principalmente no melaço e na erva fresca) e em certos componentes das fibras.
  • Óleos e gorduras: Os óleos estão presentes em pequenas quantidades na maior parte das rações comerciais. Pode acrescentar-se à dieta óleo vegetal. Este contém duas vezes e meia mais energia que os hidratos de carbono, podendo ser utilizado como fonte de energia concentrada.
  • Fibras: Encontram-se em todos os alimentos, principalmente na palha, feno e erva.
  • Proteínas: Quando são decompostas dão origem aos aminoácidos que são utilizados na gravidez, na produção de leite, no crescimento e na reparação de tecidos.
  • Minerais: O equilíbrio de minerais mais importante é o do cálcio e fósforo, com uma proporção de parte e meia de cálcio para uma parte de fósforo. O magnésio, o sódio, o cloro e potássio são os outros minerais principais. Os minerais secundários são o cobre, o ferro, o selénio e o zinco.
  • Vitaminas: As vitaminas principais são A,D,E, K e o grupo B. Ajudam a controlar as reacções químicas e bastam pequenas quantidades para uma boa manutenção da saúde do cavalo. Alimentos como a palha ou o feno demasiado seco são pobres em vitaminas, enquanto que as erva e alimentos alimentos verdes têm uma grande concentração de vitaminas.

Regras da boa alimentação:

  • O cavalo deve ter sempre à disposição água fresca e limpa;
  • Dar ao cavalo pelo menos duas refeições por dia, se tiver um trabalho leve ou estiver fora de trabalho. No caso de ter um esquema de trabalho completo o cavalo deve comer entre três a quatro vezes ao dia;
  • A quantidade de comida dada ao cavalo deve ser baseada no seu peso e não no volume;
  • Alimentar o cavalo tendo sempre em conta a sua estatura e peso;
  • A alimentação do cavalo deve ser regulada pelas horas de trabalho e pelo tipo de trabalho realizado pelo animal;
  • Nunca utilizar rações moles ou que tenham algum tipo de sujidade;
  • Não fazer alterações bruscas na dieta, para prevenir possíveis problemas digestivos;
  • Não trabalhar o cavalo logo a seguir à refeição. Aguardar duas ou três horas;
  • A seguir ao trabalho deve-se aguardar uma hora antes de alimentar o cavalo;
  • Obedecer a uma rotina horária na alimentação;
  • A alimentação do cavalo deve ser composta pelo menos por 50% de fibras.

O que se deve dar aos cavalos:

  • Forragem (feno, luzerna, substitutos do feno e silagem).
  • Cereais: milho, cevada e aveia. São dados ao cavalo moídos, floculados ou micronizados (cozidos) aumentando assim a sua digestibilidade.
  • Fibras: Encontra-se na parte fibrosa das cascas dos grãos de milho e é também utilizada para aumentar o volume das rações.
  • Beterraba: É utilizado o subproduto depois da extracção do açúcar, Deve ser molhada para evitar problemas durante a digestão.
  • Rações compostas: Alimento completo e equilibrado fornecendo o valor de proteínas, fibras, vitaminas e minerais necessários ao cavalo. Apenas se deve acrescentar à dieta forragem e água.
  • Guloseimas: Para aumentar o volume da ração e para torná-la mais apetitosa adiciona-se alimentos como a maçã ou cenoura.

Problemas relacionados com a alimentação

Uma alimentação incorrecta ou modificações bruscas na dieta do cavalo podem levar a graves complicações. Deve consultar imediatamente um veterinário caso suspeite de algo.

Cólicas em cavalos

Um dos sintomas destas dores abdominais é o cavalo insistir em estar deitado e rebolar-se sistematicamente. Isto deve ser contrariado mantendo-o em pé e em movimento (a passo para evitar um estrangulamento do intestino).

As cólicas dos cavalos podem ter como causa:

  • Acesso do cavalo à água quando se encontra sobreaquecido;
  • Vício de engolir ar;
  • Ingestão de areia;
  • Alimentos húmidos ou molhados;
  • Comer sofregamente e não mastigar antes de engolir;
  • O intestino dobrado;
  • Mudança repentina na dieta.

Laminite

É também conhecida como aguamento e são vitimas desta doença cavalos que comem em demasia, principalmente alimentos com muitas proteínas, pode ser causada por:

  • Pancada ou concussão;
  • Situação de grande stress;
  • Sobrealimentação;
  • Gravidez (relacionado com a inflamação do útero).

Azotúria

Tem como causas:

  • Desequilíbrio mineral;
  • Alterações hormonais;
  • Sobrealimentação de cereais em cavalos em descanso.

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