Origem e Domesticação da Ovelha

Origem e domesticação da ovelha

Fotografia original: Wikimedia Commons

A ovelha é um animal doméstico com uma importância crucial na sociedade humana.

A sua importância revela-se fundamentalmente ao nível económico e ao nível da alimentação. Os produtos mais importantes que advêm da criação deste animal são a lã, a carne e o leite. A carne de borrego é muito apreciada por todo o Mundo, sendo o maior exportador mundial a Nova Zelândia. A produção de leite permite que sejam feitos queijos com muitos apreciadores também, como o queijo de ovelha ou o queijo de mistura com leito de cabra.

Para além disso, a ovelha é muito resistente a variações térmicas e temperaturas extremas, o que facilita a sua criação em zonas mais desfavorecidas.

As principais características que distinguem a ovelha doméstica do ancestral selvagem são: um dimorfismo sexual diminuído, uma diminuição do tamanho do cérebro e cornos, e mudanças na forma dos cornos e na coloração da pelagem.

A domesticação iniciou-se à 9.000 – 10.000 anos atrás no Crescente Fértil, especificamente da ovelha acredita-se que provem de locais que correspondem, hoje em dia, ao Irão, Turquia e Chipre.

Depois dos primeiros eventos de domesticação, o Homem começou a migrar e com ele transportava as espécies domésticas, como a ovelha. Assim, assume-se que ocorreram duas principais rotas na Europa: a Rota Mediterrânica e a Rota do Danúbio. Evidências arqueológicas de ovelha surgiram na parte mais ocidental do Mediterrâneo há cerca de 5.400 a.C. que sugerem uma rápida dispersão pelo mar, isto é, um processo pioneiro marítimo de colonização.

O muflão (Ovis orientalis), o urial (Ovis vignei) e o argali (Ovis ammon) são apontados como ancestrais da ovelha doméstica (Ovis aries). No entanto, já foi provado que a ovelha europeia descende do asiático muflão do Irão, em vez das outras duas espécies selvagens asiáticas, o urial e o argalo.

Estudos de filogenética incidente no DNA mitocondrial da ovelha doméstica revelaram a existência de dois grupos de haplótipos que foram designados de A e B, ambos primeiramente identificados na Nova Zelândia e posteriormente confirmados nas raças europeias.

O haplótipo B encontra-se mais disperso pelo globo, enquanto que o A se encontra confinado aos animais asiáticos.

Assume-se que haveria fluxo genético entre a Ásia e os restantes focos de domesticação, havendo portanto uma mistura das duas linhagens que contribui para a fraca estruturação observada.

Recentemente, um 3º haplótipo, tipo C, foi identificado no Médio Oriente e na ovelha Asiática o que apoia fortemente a hipótese de eventos múltiplos de domesticação, em vez da hipótese que a domesticação ocorreu apenas uma vez de uma população ancestral que possuía os tipos divergentes de mtDNA.

A raça mais antiga de ovelha do Mundo, Merino, evoluiu na Península Ibérica e terá sido introduzida por Beni Merin Berbers, uma das tribos de Norte de África que se estabeleceu no Sul da Península durante meados do século XII.

Os muçulmanos introduziram novas técnicas, especialmente focadas na irrigação, que permitiram o crescimento de variedades exóticas de arroz, algodão e árvores de citrinos. Esta época foi referida como a revolução agrícola árabe.

Dados genéticos e evidências arqueológicas sobre a evolução da ovelha durante o período muçulmano sugerem que a Península Ibérica foi um importante centro de desenvolvimento e melhoramento de animais domésticos.

Os padrões de diversidade genética nas raças actuais da Península Ibérica podem dar informações acerca da migração no mediterrâneo. O alto nível de diversidade genética e a presença de linhagens apenas encontradas no Próximo Oriente e Ásia sugerem um intenso fluxo genético entre o Oriente e a Ibéria pela via mediterrânea.

Este artigo foi publicado na Edição nº 21 da Revista Mundo dos Animais, em Outubro de 2011, com o título “Origem e domesticação da ovelha”.

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