Problemas de Dorso nos Cavalos

Problemas de Dorso nos Cavalos

Fotografia: Steve Miller

Os problemas de dorso são muito frequentes, principalmente em cavalos de competição.

Podem ter origem no dorso propriamente dito, mas também ser o resultado de claudicações (tentando o cavalo compensar essas “coxeiras” através de uma utilização anormal do dorso), da distribuição das pressões causadas pelo arreio, ou de um regime inadequado à preparação física ou à idade dos animais.

Muitas vezes , após um período inicial de dor evidente, estes problemas acabam por se tornar crónicos e mais difíceis de diagnosticar.

Nestes casos os cavaleiros conseguem sentir que “algo não está bem”, e que há uma diminuição de performance, mas a origem do problema só é detectada com um exame mais detalhado.

Anatomia e conformação

A coluna vertebral pode ser dividida em cinco regiões: cervical (pescoço), torácica, lombar (rins), sacral e coccigea (base da cauda).

É importante realçar a tremenda importância da coluna vertebral na funcionalidade do cavalo, servindo de ponte elástica entre os membros anteriores e posteriores, transmitindo impulsão, mas mantendo uma estabilidade estrutural que lhe permite ainda suportar o peso “extra” do cavaleiro.

Isso só é possível graças a uma complexa estrutura anatómica em que a coluna propriamente dita se encontra envolvida por uma poderosa massa muscular.

A conformação desempenha um papel importante nas patologias de dorso.

Cavalos com dorso curto, menos flexível, apresentam geralmente mais lesões ósseas a nível das vértebras, enquanto que cavalos mais compridos de dorso encontram-se predispostos a lesões musculares ou de ligamentos.

Por outro lado, animais grandes com garupas pouco desenvolvidas sofrem mais problemas sacro-ilíacos.

Parece haver uma correlação entre o tipo de lesões mais frequentes e a utilização do cavalo. Assim, lesões dos ligamentos sacro-ilíacos, na região pélvica, são mais frequentes em cavalos que saltam a uma grande velocidade ou em cavalos de raides, enquanto que os cavalos de saltos estão mais sujeitos a lesões dos processos espinhosos das vértebras (com aproximação ou mesmo contacto entre as extremidades dorsais das vértebras – “kissing spines”).

Sinais clínicos

Os sintoma são muito variáveis consoante a localização e a intensidade da dor. Uma diminuição da performance, especialmente em cavalos de saltos de obstáculos é a queixa mais frequente associada a este tipo de problemas.

Quando a dor é acentuada podem apresentar dificuldade em urinar ou defecar, passar mais tempo de pé, apresentar dificuldade em levantar-se na boxe ou ressentir-se ao serem limpos.

O momento de apertar a cilha também pode ser critico!

Durante o exercício, podem demonstrar claudicação dos membros posteriores, perda de entusiasmo no trabalho, dificuldade nos alargamentos, alguma rigidez e falta de elasticidade dos membros posteriores com dificuldade em “metê-los” debaixo do corpo, e ainda dificuldades em saltar (precipitados, dorso contraído).

Principais tipos de lesões

Podemos agrupar as patologias de dorso em dois grupos: lesões ósseas e lesões dos tecidos moles (músculos e ligamentos).

As lesões ósseas, por sua vez, englobam dois tipos diferentes de problemas.

As lesões mais frequentes dizem respeito aos processos espinhosos (a extremidade superior das vértebras). Estes processos estão relativamente superficiais e em condições normais mantêm um certo espaço entre si.

Quando dois ou mais processos espinhosos se encontram mais próximos uns dos outros, chegando a tocar-se (“kissing spines”), provocam dor localizada e, secundariamente, afectam as massas musculares que as envolvem.

Este tipo de problema é diagnosticável por radiografia e, por vezes, até mesmo por palpação.

Quanto ás lesões de tecidos moles, os danos musculares constituem sem duvida os problemas de dorso mais frequentes.

Podem ocorrer facilmente como resultado de uma queda ou de uma recepção menos feliz, ou associados a arreios inadequados ou mal protegidos ou ainda causadas por esforços exagerados em cavalos novos.

A dor à palpação é geralmente muito evidente.

Outras lesões dos tecidos moles dizem respeito aos ligamentos sacro-ilíacos.

Estes ligamentos permitem a fixação da coluna vertebral (mais precisamente o sacro) à bacia (através dos ossos ilíacos) e contribuem para a estabilidade da região da garupa. Estas lesões provocam muitas vezes uma certa assimetria da garupa com atrofia muscular.

Tratamento

As modalidades de tratamento são variadas pelo que se ira referir apenas algumas considerações a este respeito.

Problemas agudos requerem normalmente repouso e diferente tipos de medicação (anti-inflamatórios, relaxantes musculares).

Noutros casos o repouso é de evitar, devendo ser instituído um programa de exercício destinado a fortalecer os músculos do dorso, sendo necessário primeiro interromper o ciclo da dor / espasmos musculares através de tratamentos injectáveis a nível local.

O exercício à guia, com ou sem utensílios (chambon, goque, etc) que permitam uma postura mais adequada e uma mobilização mais apropriada de certas massas musculares, desempenha um papel importante na recuperação (e manutenção) dos cavalos com este tipo de problemas.

Algumas das chamadas medicinas alternativas podem também desempenhar um papel interessante na recuperação destes cavalos, desde que esse tipo de tratamentos seja realizado por técnicos experientes e devidamente qualificados.

Bibliografia: Dr João Paulo Marques, in revista Equitação.

Atenção: Este artigo é meramente informativo e não substitui a consulta no médico veterinário. O(A) autor(a) e o Mundo dos Animais não se responsabilizam pela utilização indevida destas informações.

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