Dinossauros em Portugal

Paleontólogo Octávio Mateus

Paleontólogo português Octávio Mateus
Fotografia: Daniel Rocha

Portugal é um dos ícones mundiais de paleontologia e o sétimo país com maior número de géneros de dinossauros, 25 no total.

Tendo em conta a dimensão em área do país, é o mais rico em dinossauros de todo o mundo, com alguma distância para o segundo (Reino Unido).

O período cujos exemplares são mais abundantes em Portugal é o Jurássico, mais precisamente o Jurássico superior (de há 159 a 144 milhões de anos), do qual provém 21 dos 25 géneros descobertos. Entre estes estão vários tipos de dinossauros, como terópodes (carnívoros), saurópodes (herbívoros de pescoço comprido) e estegossauros (herbívoros couraçados).

As seguintes espécies foram apresentadas e descritas pelo Prof. Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa.

Torvosaurus gurneyi

Torvosaurus gurneyi
Ilustração: Sergey Krasovskiy

Torvosaurus gurneyi é um dinossauro carnívoro, terópode e um dos maiores predadores do período Jurássico, com cerca de 10 metros de comprimento.

Inicialmente pensava-se que os fósseis, descobertos na Lourinhã, pertenciam a outra espécie de torvossauro, o Torvosaurus tanneri, já conhecido na América do Norte. No entanto os paleontólogos Christophe Hendrickx e Octávio Mateus concluíram que se tratava de uma outra espécie, com algumas diferenças anatómicas (como o número de dentes).

Dacentrurus

Dacentrurus
Ilustração: Oscar Sanisidro

Dacentrurus armatus é um dinossauro herbívoro do tipo estegossauro.

Embora esta espécie ocorra também em Inglaterra, França e Espanha, em Miragaia, perto da Lourinhã, foi recolhido o mais completo exemplar que compreende a metade anterior do animal, incluindo parte do crânio, o primeiro na Europa para este grupo de animais.

Os crânios são muito raros e difíceis de encontrar pois desagregam-se com facilidade e não fossilizam tão facilmente. A reconstituição do esqueleto completo está em exposição no Museu da Lourinhã.

Draconyx

Draconyx
Imagem: Dinosaur Revolution

Draconyx loureiroi é um dinossauro herbívoro ornitópode, bípede e apenas conhecido em Portugal.

Quando foi descrito, em 2003, reconheceu-se que era uma nova espécie para a ciência, pelo que pode receber um novo nome: Draco significa dragão, e onyx significa garra, porque as garras deste dinossauro foram dos primeiros ossos a serem recolhidos; loureiroi honra o primeiro primeiro paleontólogo, João de Loureiro.

Como o fóssil do Museu da Lourinhã foi o primeiro a ser reconhecido desta espécie ele é um exemplar de referência, a que os paleontólogos apelidam de holótipo. Os holótipos são de grande importância entre os cientistas pois são os exemplares de referência mundial para esta espécie.

Dinheirossauro

Dinheirossauro
Ilustração: Felipe Elias

Dinheirosaurus lourinhanensis é um herbívoro saurópode descoberto na Praia de Porto Dinheiro, na Lourinhã, o que lhe deu o nome. Trata-se do dinossauro português mais comprido e estima-se que teria 25 metros.

Tal como todos os outros dinossauros de Portugal, não se conhece o esqueleto completo, mas uma série de vértebras e costelas do pescoço e dorso. Também este é uma espécie única no mundo e o holótipo está exposto no museu lourinhanense.

Lusotitan atalaiensis

Lusotitan atalaiensis
Desenho: Adam Stuart Smith

Lusotitan atalaiensis é um herbívoro, saurópode e deve o seu nome por ser o titã lusitano, vindo de Atalaia, uma aldeia costeira do concelho da Lourinhã.

Foi descoberto na década de 1940 e julgava-se ser um dinossauro muito semelhante chamado braquiossauro, mas estudos ulteriores confirmaram tratar-se de um novo género.

Apesar de não ser o mais longo, este devia ser o mais alto e mais pesado dinossauro de Portugal. Tinha, possivelmente, 12 metros de altura e cerca de 20 de comprimento.

Lourinhanosaurus antunesi

Lourinhanosaurus antunesi
Desenho: João Boto

Lourinhanosaurus antunesi é, possivelmente, o dinossauro mais emblemático da Lourinhã.

É um dinossauro terópode, carnívoro de médio porte, isto é, cerca de 4,5 metros de comprimento, que recebeu o nome em dedicação à vila da Lourinhã e ao paleontólogo português [Miguel Telles] Antunes, colaborador do Museu da Lourinhã, onde se encontra o exemplar de referência, o holótipo.

Além do esqueleto ser o mais completo dinossauro carnívoro de Portugal, também se encontraram ovos e embriões o que é uma descoberta de importância global. São os segundos mais antigos embriões de dinossauro conhecidos e permitiram aos paleontólogos conhecer mais sobre a reprodução, crescimento e nidificação dos dinossauros carnívoros.

Miragaia

Miragaia
Imagem: Nobu Tamura / Wikimedia Commons

Miragaia longicollum é um dinossauro herbívoro, do tipo estegossauro e que viveu no período Jurássico há cerca de 150 milhões de anos.

Este dinossauro foi descoberto perto da povoação de Miragaia, no conselho da Lourinhã. Tem como particularidade um pescoço mais comprido que o habitual neste tipo de dinossauros, com pelo menos 17 vértebras. Em comparação, o estegossauro tinha 12 ou 13.

Para além destas espécies, muitas outras foram encontradas em Portugal, incluindo alossauros e ceratossauros (carnívoros, terópodes), camarassauros e braquiossauros (herbívoros, saurópodes), iguanodon (herbívoro, ornitópode), dracopelta (herbívoro, anquilossauro), entre outros.

Além dos ossos fósseis, Portugal é muito rico em pegadas de dinossauros, com mais de de uma trintena de jazidas, o que permite conhecer outras vertentes destes animais, tal como partes do seu comportamento e velocidade de deslocação. Além disso as pegadas dão a ocorrência da presença de dinossauros em áreas e idades geológicas nas quais não se conhecem ossos.

Entre as jazidas mais conhecidas estão as pegadas de dinossauros saurópodes da Pedreira do Galinha, no Parque Natural de Serras d’Aire e Candeeiros; bem como as pegadas de diversos tipos de dinossauros da Pedra da Mua e Lagosteiros, junto ao Cabo Espichel.

Este artigo foi originalmente publicado na Edição nº 10 da Revista Mundo dos Animais, em Março de 2009, com o título “Dinossauros em Portugal”.

Tópicos: Dinossauros, Animais Pré-Históricos, Artigos em Destaque