Os Dinossauros que Nunca Existiram

O Triceratops e o Torossauro poderiam ser o mesmo dinossauro

O Triceratops e o torossauro poderiam ser o mesmo dinossauro

Pelo menos 50 espécies de dinossauros nunca existiram na realidade.

Esta é a forte suspeita lançada pelo paleontólogo John R. Horner, baseado nas identificações incorrectas de vários dinossauros, que entretanto já se vieram provar tratar-se, por exemplo, de indivíduos mais jovens e não de uma espécie distinta.

Tal como podemos observar actualmente em aves e outros animais, existem dramáticas diferenças entre um indivíduo juvenil e um adulto dentro da mesma espécie. Isso levou a uma incorrecta interpretação de vários fósseis encontrados e à descoberta de novas espécies de dinossauros que na verdade, não o eram.

Muitas das espécies podem enfrentar, assim, uma segunda grande extinção: o seu desaparecimento dos livros.

As espécies que (provavelmente) não existiram

Nanotyrannus

Crânio de Nanotyrannus lancensis

Crânio de Nanotyrannus lancensis
Créditos: James St. John

O Nanotyrannus, cujo nome significa tirano anão, era um dinossauro carnívoro com cerca de 5,2 metros de comprimento e que viveu nos finais do período Cretáceo.

Na realidade, tratava-se de um Tyrannosaurus rex juvenil, hipótese reforçada pela descoberta de um esqueleto em 2001, baptizado de Jane, de um tiranossauro jovem, que veio mostrar que o Nanotyrannus era também um jovem desta mesma espécie.

Os juvenis eram bastante diferentes dos adultos, incluindo no número de dentes (através dos fósseis de gorgossauro foi possível verificar que entre a juventude e a fase adulta estes dinossauros ficavam com um número mais reduzido de dentes, explicando o facto do Nanotyrannus ter mais dentes que os tiranossauros), o que aumenta a probabilidade de se confundirem estes animais com outras espécies.

Torossauro

Comparação dos crânios de torossauro e Triceratops

Comparação dos crânios de torossauro (A) e Triceratops (B)
Créditos: Nicholas R. Longrich / Daniel J. Field

Toda a gente conhece o Triceratops, com uma armadura muito característica na cabeça e 3 longos chifres. No entanto, o Triceratops pode nunca ter existido, dado que se tratava de um torossauro juvenil. Ou pelo contrário, o torossauro pode nunca ter existido, já que não era mais do que um Triceratops na sua fase adulta.

A descoberta foi publicada em 2010 por John Scannella e Jack Horner, após analisarem diversos fósseis de Triceratops e torossauro, concluindo que o torossauro trata-se de facto de uma forma adulta e totalmente formada de Triceratops, e que as diferenças no crânio comprovam isso mesmo. Explica também o motivo pelo qual nunca foi encontrado um torossauro jovem.

Dracorex e Stygimoloch

Comparação dos crânios de paquicefalossauros

Comparação dos crânios de paquicefalossauros
A e B – Paquicefalossauro adulto; C e D – Paquicefalossauro jovem adulto; E e F – Stygimoloch; G e H – Dracorex

O Dracorex partilhava praticamente todas as suas características com outro dinossauro seu contemporâneo, o paquicefalossauro, excepto a abóbada espessa no topo da sua cabeça.

Essa diferença foi vista como uma consequência evolucionaria deste género de dinossauros, no entanto mais recentemente, outra hipótese tem reunido maior consenso: o Dracorex era um paquicefalossauro juvenil, portanto ainda não totalmente formado.

À semelhança do Dracorex, também é crível que o Stygimoloch fosse um paquicefalossauro não totalmente adulto.

Jack Horner e Mark Goodwin publicaram em 2009 as suas descobertas e acerca deste dinossauro, concluindo que o Dracorex era uma forma mais juvenil do Stygimoloch e que ambos eram formas mais juvenis do paquicefalossauro, tendo em conta os diferentes estágios de formação e maturação dos seus crânios.

O facto dos 3 dinossauros terem vivido na mesma época e no mesmo local, aumentam a hipótese de se tratarem todos da mesma espécie.

Em 2010, Nick Longrich foi mais longe e levantou a hipótese de todos os dinossauros deste género com os crânios não totalmente formados, eram formas juvenis e não diferentes espécies, o que levanta a hipótese de dinossauros como o Goyocephale ou o Homalocephale também nunca terem existido.

A Dimensão do Erro

Esqueleto de "Jane", um tiranossauro juvenil

Esqueleto de “Jane”, um tiranossauro juvenil
Fotografia: Volkan Yuksel

O número de espécies de dinossauros mal classificadas é baseado em puras estimativas, embora todas apontem para um número consideravelmente grande.

O paleontólogo Michael J. Benton, avança com uma percentagem de 51,7% de espécies mal categorizadas, uma visão que ele próprio classifica de assustadora e que, em grosso modo, mostra que metade dos dinossauros classificados e nomeados não existiram. Mark Goodwin e Jack Horner não vão tão longe, mas afirmam que 1/3 do total de espécies nomeadas estão erradas.

Horner alerta também que, neste momento, é descoberta e nomeada uma nova espécie de dinossauro a cada duas semanas, sem um critério rigoroso que permita certificar que nenhuma espécie é duplicada, como análises microscópicas aos fósseis.

Apesar de poderem ser adoptadas medidas mais restritas na identificação de fósseis, erradicar todos os erros na classificação e nomeação de espécies é uma hipótese meramente utópica, devido à escassez de mais material fóssil para estudo e comparação.

Os paleontólogos vêm-se obrigados a reconstruir um mundo repleto de animais que nunca ninguém pode observar vivos, a partir de um reduzido número de fósseis e onde o que parece mais óbvio, pode não o ser.

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Tópicos: Dinossauros, Animais Pré-Históricos, Artigos em Destaque