Evolução dos Primeiros Animais Pré-Históricos

Dunkleosteus e Eurypterus

Dunkleosteus e Eurypterus
Imagem: Smithsonian Natural History Museum

com Susana Pereira

Ao longo de milhões e milhões de anos, o nosso mundo foi habitado por criaturas bizarras, gigantescas e magníficas.

O estudo e o entendimento destes animais vai muito além da curiosidade natural, pois neles residem as nossas origens evolutivas. Foram nestes períodos pré-históricos que se formaram algumas das estruturas básicas da vida, que ainda hoje são utilizadas inclusive por nós seres humanos.

Neste artigo, vai descobrir como eram os primeiros animais pré-históricos, os animais que habitaram o nosso planeta muito antes de surgir sequer o primeiro dinossauro. Os animais que começaram a extraordinária evolução que culminou no nosso mundo atual – e irá mais além.

O que nós sabemos (e não sabemos)

Fóssil de Burguess Shale

Marrella splendens, um artrópode encontrado em Burguess Shale
Fotografia: Chip Clark, Smithsonian Institution

Para uma melhor compreensão da vida pré-histórica e do nosso conhecimento sobre ela, existem algumas ideias chave que são necessárias reter:

1. Poucos animais fossilizam

Apesar de terem chegado até nós milhares de fósseis, são uma percentagem mínima de tudo o que já viveu sobre a Terra. Praticamente 99,9% dos organismos, após morrerem, são decompostos e reduzidos a nada. Dos restantes 0,1% também são poucos os que fossilizam.

Para que cheguem até nós, é necessário que:

  • O animal morra no “sítio certo” – apenas 15% das rochas preservam fósseis;
  • Os processos naturais do nosso planeta não os destruam (erupções vulcânicas por exemplo);
  • Alguém encontre o fóssil, o identifique e recolha para estudo.

Segundo estimativas, apenas 1 espécie em cada 10 mil chega a fossilizar e somente 1 espécie em cada 120 mil (!), além de fossilizar, é encontrada por nós.

2. Não conhecemos o animal se não conhecermos o ambiente que o rodeia

Os ossos e as formas dizem-nos como era o animal, mas não nos dizem como vivia, o que comia, quem o comia, o que o rodeava, dados indispensáveis para conseguirmos reconstruir o ecossistema do passado e estudarmos o comportamento destes animais.

Um animal pode ter um aspecto aterrador e não ser propriamente um predador temível, como o espinossauro, que apesar de na ficção cinematográfica fazer frente a um tiranossauro, não passaria de um recatado pescador nos rios (um pouco à semelhança dos ursos atuais).

O tamanho gigantesco de muitos dos animais do passado também só pode ser entendido em função do ambiente: além da concentração de oxigénio na atmosfera ter sido superior à atual (quase o dobro), os animais dispunham de grandes habitats com também grandes fontes de alimento.

Hoje em dia os animais estão confinados a habitats mais pequenos e onde por vezes o alimento e a água são escassos.

3. A variedade dos animais não era maior que a actual

É comum pensar-se que, antigamente, a Terra era habitada por uma muito maior variedade de animais do que hoje.

Tal acontece porque metemos os animais pré-históricos todos no “mesmo saco”.

No próprio tempo dos dinossauros, que é o que conhecemos melhor na cultura geral, não houve nenhum momento em que todos os dinossauros estivessem juntos. Cada período tinha as suas espécies e muitos dos dinossauros que existiram, nunca se viram uns aos outros.

Mesmo em dois animais cuja datação fóssil indique que viveram há, por exemplo, 400 milhões de anos, não significa que alguma vez tivessem partilhado o planeta.

Em pequenos instantes geológicos, animais desaparecem e outros surgem. Por exemplo, há 15 mil anos atrás (pouquíssimo tempo em termos geológicos) haviam mamutes, tigres-dente-de-sabre, rinocerontes-lanudos, gliptodontes e outros animais que o leitor nunca chegou a conhecer. No entanto, estamos todos na mesma “fatia” da linha do tempo.

4. Existem animais pré-históricos vivos

Os animais primitivos não são apenas fruto da capacidade imaginativa dos cientistas, ao olharem para os esqueletos fossilizados.

Os chamados fósseis vivos são animais que pouco ou nada mudaram em milhões de anos e que hoje podemos ver ao vivo.

O celacanto era um peixe considerado extinto há 66 milhões de anos (na mesma extinção dos dinossauros), até ser encontrado um exemplar vivo em 1938 e hoje são reconhecidas populações destes peixes nas costas da África do Sul e Indonésia.

Outro exemplo é o caranguejo-ferradura, um animal de características únicas em toda a fauna conhecida e que já habita o nosso mundo há mais de 400 milhões de anos (existem fósseis destes animais com 445 milhões de anos).

É possível estudar nestes animais algumas características e estruturas que seriam mais vulgares no passado e assim compreender melhor os fósseis que recolhemos.

É através dos animais que conhecemos hoje, que podemos estabelecer paralelismos e tentar descobrir como era, por exemplo, a pele e as cores dos animais pré-históricos, dados que os fósseis de um modo geral não nos dizem.

A explosão Cambriana

Fauna de Burgess Shale

1) Pirania, 2) Vauxia, 3) Wapkia, 4) Aysheaia, 5) Hallucigenia, 6) Anomalocaris, 7) Laggania, 8) Marrela, 9) Odaria, 10) Trilobite Olenoides, 11) Sanctacaris, 12) Sarotrocercus, 13) Ottoia, 14) Canadia, 15) Pikaia, 16) Amiskwia, 17) Dinomischus, 18) Eldonia, 19) Odontogriphus, 20) Opabinia, 21) Wiwaxia
Imagem: Cold Spring Harbor Laboratory Press

Embora os primeiros organismos multi celulares já pudessem existir há cerca de 1 bilião de anos, podemos considerar os ediacarianos, surgidos há cerca de 600 milhões de anos, como os animais mais antigos do mundo.

Os ediacarianos eram “coisas estranhas de corpo mole”, segundo o paleontólogo Richard Fortey, sem vestígios claros de terem boca para comer, ânus para expulsar ou quaisquer órgãos digestivos.

É difícil classifica-los como antepassados de qualquer outro animal e crê-se que terão sido experiências falhadas da evolução dos organismos complexos, tendo estas lentas criaturas sido devoradas pelos animais que surgiram posteriormente.

No final do período Pré-cambriano (542 milhões de anos [M.A.]), sobreviveram alguns tipos simples de animais, como esponjas, anémonas, corais, medusas e alguns anelídeos.

E as coisas começaram a ficar verdadeiramente interessantes.

Depois de biliões de anos onde a vida não aparentava grande vontade em evoluir, no período Cambriano (542-485 M.A.) deu-se uma “explosão” de diversidade sem paralelo. É o maior impacto evolutivo da história da Terra, com uma impressionante diversidade de novos animais e grupos ainda hoje existentes.

Fóssil de Waptia

Fóssil de Waptia, um artrópode do período Cambriano
Fotografia: Wikimedia Commons

O que causou esta “explosão de vida” não é claro, embora os factores ambientais possam ter tido grande influência, com um aumento do oxigénio, da temperatura do planeta, do nível dos mares e do aparecimento de novos habitats, que por sua vez levam ao aparecimento de novas formas de vida.

Grande parte do que conhecemos deste período provém dos fósseis de Burgess Shale, uma formação rochosa que desvendou nada menos (e talvez mais) que 60 mil animais pertencentes a 150 espécies distintas, criaturas com ou sem conchas, com vários olhos ou cegas.

A variedade era tanta que, conta-se, a dado momento o paleontólogo Conway Morris abriu uma nova gaveta de fósseis e terá resmungando: “Oh, merda, outro Filo não.”

A verdade é que além dos Filos hoje conhecidos, como o Chordata, muitos outros foram rejeitados pela evolução não deixando descendência – cerca de 20 animais não pertenciam a qualquer Filo conhecido actualmente, embora relatos populares aumentem este número para cima de 100.

O animal mais emblemático deste período e que resistiu durante cerca de 300 milhões de anos (mais bem sucedido que qualquer dinossauro), foi a trilobite, cujo exosqueleto, característica que os artrópodes mantém actualmente, estimulou a fossilização e chegaram até nós os fósseis de milhares de espécies de trilobites de diferentes períodos geológicos.

Outras criaturas igualmente curiosas do Cambriano foram a Opabinia de 5 olhos ou o “gigante” predador Anomalocaris.

Fóssil de Pikaia gracilens

Fóssil de Pikaia gracilens, o nosso mais antigo ancestral
Fotografia: J.-B. Caron, University of Toronto

Também por esta altura apareceu o primeiro animal com espinha dorsal, a Pikaia. Por outras palavras, o nosso ancestral mais antigo, bem como de todos os outros animais vertebrados.

O facto da Pikaia ser tão rara no registo fóssil pode levar a crer que estes animais estiveram perto de se extinguir.

A ser verdade, tudo aquilo que a espinha dorsal proporcionou nas eras seguintes, até chegar a nós próprios, sobreviveu à extinção do Cambriano por um felicíssimo acaso.

À conquista da terra e do ar

Primeiros passos em terra firme

Primeiros passos em terra firme, por artrópodes da ordem Euthycarcinida
Imagem: Geological Survey of Canada

A seguir ao Cambriano veio o período Ordoviciano (485-443 M.A.), onde novas espécies de animais marinhos, ocuparam o espaço vago deixado pelos animais que não sobreviveram ao período anterior.

Apareceram os nautilóides (do qual temos hoje descendência viva, o bem conhecido náutilo), que seriam os predadores mais temidos da época, bem como os bizarros conodontes, animais parecidos com enguias, de olhos grandes e desproporcionais.

Surgiram também os primeiros lírios-do-mar, parentes pré-históricos das estrelas-do-mar.

Este período terminou com a segunda maior extinção de sempre da história da Terra e à qual se seguiu uma era glaciar. Os habitats, a fauna e a flora levaram o seu tempo a recompor-se do desastre climático e então no período Siluriano (443-419 M.A.), os animais partiram à conquista de terra seca.

Na verdade foram forçados a isso.

Além das zonas costeiras serem menores, começavam a aparecer os primeiros grandes predadores dos oceanos, os tubarões, pelo que a concorrência tornou-se feroz e a luta pela sobrevivência bastante mais complicada. O sucesso dos tubarões foi tão grande que hoje mesmo se mantém como um dos maiores predadores existentes.

Os primeiros animais a aventurarem-se em terra eram pequenos artrópodes, semelhantes aos bichos-de-conta e algumas aranhas e centopeias primitivas.

O período que se seguiu, o Devoniano (419-359 M.A.), é conhecido como a era dos peixes pré-históricos, graças à enorme diversidade de espécies marinhas, mas marcou também passos importantes na evolução da vida fora de água.

Os artrópodes que se aventuraram em terra estabeleceram-se bem nos novos habitats, tendo originado alguns milipedes com dois metros de comprimento.

Com estes animais à solta, os insectos utilizaram um truque para fugir: aprenderam a voar. Uma técnica tão bem sucedida que hoje é usada por inúmeras espécies e até nós perseguimos esse sonho de forma artificial.

Na água, alguns peixes pré-históricos tornaram-se predadores gigantescos, como o Dunkleosteus de 10 metros de comprimento (no entanto foi varrido do planeta no final deste mesmo período).

Como eram os primeiros animais

Os animais pré-históricos são fascinantes, mas temos a tendência de pensar neles como dinossauros e pouco mais.

Neste artigo, estamos a falar de animais que viveram muito antes. Mesmo muito antes. Quando nada faria prever que, certo dia, dinossauros habitariam o nosso planeta.

Vamos olhar mais de perto para algumas das fantásticas criaturas que os antecederam.

Dickinsonia – 560-555 milhões de anos (M.A.)

Fóssil de Dickinsonia costata

Fóssil de Dickinsonia costata
Imagem: Wikimedia Commons

O Dickinsonia fazia parte da fauna ediacariana. Era um ser vivo plano e ovalado, e através dos fósseis sabemos que o seu tamanho variava entre 4 e 14 centímetros.

Tinha o corpo segmentado ou raiado e alguns investigadores pensam que seria uma planta, outros que seria semelhante aos corais, outros ainda que teria o corpo esponjoso como uma medusa.

Xenusion – 550 M.A.

Fóssil de Xenusion auerswaldae

Fóssil de Xenusion auerswaldae
Imagem: Wikimedia Commons

O nosso conhecimento sobre o Xenusion é bastante limitado, pois descobriram-se apenas dois fósseis deste animal e nenhum deles bem preservado.

Seria um ediacariano ou artrópode primitivo de corpo anelado e cilíndrico.

Pikaia – 505 M.A.

Ilustração de Pikaia

Ilustração de Pikaia, o nosso mais antigo ancestral
Ilustração: Nobu Tamura

É, segundo a maioria dos investigadores, o ancestral mais antigo de todos os vertebrados, incluindo o ser humano.

Tinha uma cabeça com duas antenas, possuía um pequeno cérebro e uma espinha dorsal ao longo do corpo. Esta característica é conhecida como céfalocordado. Tinha cerca de 5 cm de comprimento e possivelmente nadava como uma enguia.

Trilobites – 521-251 M.A.

Fóssil da trilobite Cheirurus ingricus

Fóssil da trilobite Cheirurus ingricus
Imagem: Wikimedia Commons

As trilobites foram dos animais mais bem sucedidos que já viveu no planeta, tendo habitado os oceanos por mais de 260 milhões de anos.

Eram invertebrados e tinham um corpo composto por três lobos, um no centro e um em cada lado, dai se chamaram de trilobites.

À semelhança de muitos artrópodes, as trilobites também faziam a muda de pele. A carapaça era ornamentada por espinhos e outros tipos de ornamentação. Algumas trilobites eram desprovidas de olhos, no entanto as que os possuíam tinham um sentido de visão bastante apurado, sendo os primeiros a desenvolver olhos complexos.

Em média mediam cerca de 3 a 10 centímetros, mas alguns destes animais podiam chegar aos 80 centímetros.

Anomalocaris – 515 M.A.

Ilustração de Tamisiocaris borealis, um Anomalocaris

Ilustração de Tamisiocaris borealis, um Anomalocaris
Crédito: Bob Nicholls / Bristol University

Este ser vivo era provavelmente um predador das trilobites. É conhecido também como camarão anómalo.

A deslocação na água era feita através dos lóbulos flexíveis que possuíam nas laterais do seu corpo. Estes lóbulos actuavam como uma única barbatana, tornando-se mais rápidos a nadar. Tinha uma cabeça grande com um único par de olhos e uma boca em forma de disco na qual prendia o alimento com a ajuda de placas serrilhadas.

O seu tamanho era aproximadamente de 60 centímetros, gigante portanto para este período.

Opabinia – 505 M.A.

Opabinia

Ilustração digital de um Opabinia regalis
Créditos: Nobu Tamura

Este ser é talvez um dos mais estranhos habitantes dos oceanos no período Cambriano.

Tinha 5 olhos, a cabeça era uma carapaça rígida e possuía uma espécie de tromba bifurcada com garras na extremidade. Seria usada provavelmente para caçar as presas, uma vez que este animal era um predador.

Não tinha pernas e o seu comprimento seria cerca de 8 centímetros.

Hallucigenia – 505 M.A.

Fóssil de Hallucigenia

Fóssil de Hallucigenia
Fotografia: Smithsonian Institution

Se o Opabinia lhe pareceu estranho, então apresentamos-lhe aquele que foi, provavelmente, o animal mais bizarro da pré-história. O investigador que o descobriu deu-lhe o nome Hallucigenia porque se assemelhava a uma alucinação.

O corpo de forma cilíndrica, é coberto na parte superior com espinhos para evitar ser atacado por predadores. Na parte inferior tem “tentáculos” com tenazes nas extremidades que ajudavam o animal a mover-se. Junto a esses tentáculos num dos lados do corpo possuía um conjunto de 3 tentáculos mais pequenos.

Tinha apenas cerca de 3 milímetros de comprimento.

Eurypterus – 432-418 M.A.

Reconstituição de Eurypterus

Reconstituição de Eurypterus no Smithsonian National Museum of Natural History
Fotografia: Ryan Somma

Este animal era uma das muitas espécies de escorpiões marinhos existente no período Siluriano. Era um dos animais mais temidos deste período.

Tinha um comprimento médio de 30 centímetros, mas podia chegar até metro e meio. Alimentava-se de invertebrados e pequenos peixes.

Dunkleosteus – 380-360 M.A.

Crânio de Dunkleosteus

Crânio de Dunkleosteus
Imagem: Wikimedia Commons

Este peixe pré-histórico tinha o corpo coberto por duras placas que podiam chegar aos 5 centímetros de espessura. Serviam de protecção a um animal que, aparentemente, nem precisaria dela.

Pelo seu tamanho (podia chegar aos 10 metros), peso (mais de três toneladas) e força da mandíbula, era um predador feroz, encontrando-se quase de certeza no topo da cadeia alimentar da época. O seu único ponto fraco seria alguma lentidão a nadar.

Walliserops – 395-345 M.A.

Fóssil de Walliserops trifurcatus

Fóssil de Walliserops trifurcatus no Houston Museum of Natural Science
Fotografia: Wikimedia Commons

Da classe das trilobites, este animal tinha como característica única um apêndice em formato de tridente na cabeça. Por vezes é chamado de trilobite tridente.

Mas para que servia o tridente? Infelizmente pouco sabemos sobre isso. Talvez fosse uma arma de defesa, servisse para revolver o fundo do mar em busca de alimento ou tivesse uma função sensorial para detetar presas e predadores.

O que sabemos é que desenvolver um apêndice destas dimensões implicaria um grande gasto de energia e nutrientes ao animal (nas mudas de pele, por exemplo, teria de gastar muito mais energia do que outras trilobites), pelo que o tridente teria de ter uma função imprescindível à vida do Walliserops.

O resto do corpo era revestido por três filas de espinhos paralelas, tinha olhos protuberantes também com espinhos e o seu comprimento situava-se entre os 3 e os 4 centímetros.

Tiktaalik – 375 M.A.

Reconstituição de um Tiktaalik roseae

Reconstituição de um Tiktaalik roseae
Fotografia: Tyler Keillor / Beth Rooney

Esta espécie é um elo de ligação entre os animais marinhos e terrestres.

Os investigadores pensam que este peixe foi um dos primeiros a ter barbatanas musculadas, assim como outras características que dariam origem aos anfíbios, como a cabeça achatada, indício de pescoço, ombros, cotovelos e pulso. O habitat de águas rasas potenciou esse salto.

Media pelo menos 3 metros de comprimento de acordo com fóssil mais completo encontrado.

Arthropleura – 340-280 M.A.

Ilustração de Arthropleura armata

Ilustração de Arthropleura armata
Imagem: Wikimedia Commons

O Arthropleura era um milípede terrestre gigantesco, com 2,6 metros de comprimento, sendo o maior invertebrado que alguma vez existiu.

Inicialmente pensou-se que este gigante seria um predador, mas análises posteriores revelaram ser um animal herbívoro. Quanto a predadores, possivelmente não teria nenhum que lhe conseguisse fazer frente.

Falcatus – 335-318 M.A.

Ilustração de Falcatus falcatus

Ilustração de Falcatus falcatus (fêmea em cima, macho em baixo)
Imagem: Wikimedia Commons

O Falcatus era um tubarão pré-histórico com cerca de 30 centímetros de comprimento.

Os machos tinham um apêndice relativamente grande no topo de cabeça, ao contrário das fêmeas. Por este motivo, é popularmente chamado de tubarão unicórnio.

Petrolacossauro – 302-299 M.A.

Petrolacossauro

Petrolacossauro
Via: Walking with Monsters

É o primeiro diapsídeo conhecido, um grupo de animais que viria a incluir todos os crocodilos, lagartos, cobras, tuataras, aves e dinossauros não-avianos.

Tinha cerca de 40 centímetros.

Pelicossauro– 308-260 M.A.

Ilustração de Dimetrodon

Dimetrodon
Ilustração: Danielle Dufault

É um tetrapóde ou seja já possuía 4 pernas e era um animal terrestre. Mas devido à sua fisionomia não é considerado um réptil, de facto os parentes mais próximos são os mamíferos. Eram por isso animais endotérmicos, tinham necessidade de manter a mesma temperatura corporal, tal como nós seres humanos.

São vários os pelicossauros conhecidos.

O género Dimetrodon é o mais conhecido. Tratava-se de um animal carnívoro, com uma grande cabeça, dentes fortes e aguçados, que se alimentava de vertebrados inclusive de outros pelicossauros.

Tinha cerca de 3 metros e meio e pesava entre 100 a 150 quilos. Quatro pernas curtas e fortes suportavam o peso do corpo.

Este animal tinha uma aparência diferenciada dos outros pelicossauros, nomeadamente a “vela” que tinha na parte superior do corpo. Esta servia essencialmente para manter a temperatura.

Os pelicossauros tem grande importância na evolução da vida na Terra, pois foram a partir destes animais que evoluíram os ancestrais imediatos dos mamíferos, os terapsídeos.

O mistério do primeiro vertebrado em terra

Esqueleto de Ichthyostega

Esqueleto de Ichthyostega no Moscow Paleontological Museum
Fotografia: Oleg Tarabanov

Os primeiros animais dos quais supostamente nós descendemos, ou seja os primeiros vertebrados em terra seca, permanecem um mistério.

Acreditou-se que um animal chamado Ichthyostega fosse a chave, tratando-se de um animal com um metro de comprimento que teria quatro membros supostamente cada um deles com cinco dedos.

Porém, algum erro e falta de altruísmo cientifico por parte de Erik Jarvik, investigador que se apoderou da sua descoberta durante 48 anos, atrasaram o nosso conhecimento nesta matéria.

Afinal, o Ichthyostega tinha 8 dedos em cada membro mas a estrutura dos seus membros teria desabado com o peso do seu corpo – este animal não tinha capacidade de andar e “limitava-se” a nadar.

A procura pelo “peixe aventureiro” que tenha vindo para terra firme e desenvolvido membros musculados com dedos continua, embora já tenha sido encontrado um possível “elo perdido”, o Tiktaalik.

Ilustração de Tiktaalik roseae

Ilustração de Tiktaalik roseae
Créditos: Zina Deretsky / National Science Foundation

Este “peixe com cara de crocodilo”, tinha barbatanas musculadas e várias características que fazem crer ser uma espécie de transição, entre os peixes da água e os animais terrestres de quatro patas (tetrápodes).

Apesar do estudo do esqueleto ter provado que este animal tinha capacidade de suster o seu peso sobre os quatro membros e portanto andar, também tinha capacidade de respirar oxigénio da atmosfera, ou seja, teria reunidas as condições para se aventurar definitivamente fora de água e ser o nosso antepassado.

No entanto em Janeiro de 2010, foi anunciada a descoberta de pegadas de animais tetrápodes, datadas de pelo menos 10 milhões de anos antes dos primeiros Tiktaalik conhecidos.

Isto pode sugerir que o Tiktaalik seria não o primeiro mas um descendente de outro animal mais antigo, que possuía estas características e já caminhava em solo terrestre, há cerca de 400 milhões de anos atrás.

Surgem os gigantes (e um supercontinente)

Fóssil de Meganeura

Fóssil de Meganeura, insetos parecidos com libélulas gigantes
Fotografia: Wikimedia Commons

Chegaria entretanto ao fim o período Devoniano, numa extinção que afectou em particular a vida marinha.

Seguiu-se o período Carbonífero (359-299 M.A.), que deve o seu nome às abundantes jazidas de carvão, produzidas pela vegetação pré-histórica que não parava de se expandir, como musgo de grandes dimensões e imponentes árvores.

Estas florestas contribuíram para um grande aumento do oxigénio na atmosfera, um dos factores ambientais que levou ao gigantismo verificado em várias criaturas primitivas.

Centopeias, baratas e escorpiões do tamanho de seres humanos ou libélulas de 75 centímetros são exemplos de monstros pré-históricos, comuns neste período e francamente difíceis de imaginar hoje em dia.

No decorrer do período Carbonífero, os anfíbios prosperaram. Equipados com uma pele mais espessa, para não secar tão rapidamente longe da água, alguns atingiram seis metros de comprimento e tornaram-se predadores temíveis.

Surgiram também os répteis, lagartos ágeis e pequenos que viviam em tocas nas árvores.

No final deste período, colisões entre as massas de terra dariam origem ao supercontinente Pangeia.

Por um triz a vida não acabou

Ilustração de Titanophoneus

Ilustração de Titanophoneus, um terapsídeo do período Permiano
Imagem: Wikimedia Commons

O período Permiano (299-252 M.A.) demonstrou ser um desafio (exemplarmente superado) para os répteis.

A Pangeia era tão grande que apresentava um clima instável, com zonas secas e áridas, outras congeladas e ainda outras de calor intenso com grandes flutuações sazonais, que variavam entre a chuva e a seca de forma abrupta.

Sendo animais de sangue frio, os répteis tiveram de encontrar maneiras de lidar com as grandes variações de temperatura.

Animais como o Dimetrodon desenvolveram estruturas em forma de vela nas costas, para absorver e armazenar o calor solar, utilizando-o quando a temperatura descesse.

Outros répteis conservaram o calor através da degradação dos alimentos – suspeita-se mesmo que se tivessem tornado de sangue quente – e dominaram o final do Permiano.

Alguns destes animais tornaram-se gigantes e outros mais pequenos e peludos – deram origem aos mamíferos.

No final do período Permiano, a vida na Terra praticamente chegou ao fim, na maior extinção em massa da história do nosso planeta. 95% das espécies marinhas e 70% dos animais terrestres desapareceram sem retorno, incluindo um terço dos insectos (o único momento em que desapareceram massivamente) e todas as trilobites, que tinham resistido a todas as extinções anteriores durante quase 300 milhões de anos de existência.

Mesmo no que diz respeito ás espécies de animais que sobreviveram, não é claro em que condições tal aconteceu.

Caso tenha ocorrido uma devastação global, que é o mais provável, as espécies que sobreviveram podem ter tido origem em escassos animais feridos que, resistindo aos ferimentos, conseguiram procriar e com alguma sorte à mistura, gerar descendência saudável e fértil.

A diferença entre uma espécie extinta e uma sobrevivente, pode estar na existência de uma “simples” fêmea grávida ou de uma postura de ovos, que seja bem sucedida num mundo fantasma virado do avesso.

A vida demorou cerca de 30 milhões de anos (!) a recompor-se, mas fê-lo com exuberância: surgiram os primeiros dinossauros.

Este artigo foi originalmente publicado na Edição nº 16 da Revista Mundo dos Animais, em Maio de 2010, com o título “Evolução dos primeiros animais pré-históricos”.

Tópicos: Animais Pré-Históricos, Artigos em Destaque