Porque Eram Gigantes os Insetos Pré-Históricos

Libelula pré-histórica

Libelula pré-histórica
Ilustração: Ned M. Seidler, National Geographic

Libelinhas do tamanho de gaivotas dominaram os céus há 300 milhões de anos atrás.

No período Carbonífero – que antecedeu o período Triássico onde surgiram os primeiros dinossauros – insetos de dimensões muito superiores ás actuais eram abundantes na Terra, e foi durante muito tempo um mistério o motivo pelo qual antigamente os animais eram maiores do que hoje.

As teorias comummente aceites identificavam o aumento substancial do oxigénio na atmosfera como a causa do gigantismo dos animais pré-históricos, mas um novo estudo sugere que ter demasiado de algo bom, se pode tornar mau: os insectos do período Carbonífero tiveram de crescer mais para evitar o envenenamento de oxigénio.

“Nós achamos que não se tratou apenas do oxigénio a afectar os indivíduos adultos, mas que o seu maior efeito sería mesmo nas larvas” afirmou o co-autor do estudo Wilco Verbek, da Plymouth University, EUA, citado pela National Geographic, acrescentando que “analisar pela perspectiva das larvas, pode-nos levar a um melhor entendimento sobre o porquê destes animais terem existido, e talvez porque deixaram de existir”.

Os fósseis mostram que as libelinhas gigantes e as baratas de tamanho igualmente superior, foram comuns no período Carbonífero, há cerca de 359 a 299 milhões de anos atrás.

Este foi o período em que as florestas conheceram o seu maior desenvolvimento, o que levou a um aumento do oxigénio atmosférico em cerca de 50% superior aos níveis que eram habituais.

Oxigénio a Mais

Pensava-se que este aumento de oxigénio permitia que os indivíduos adultos crescessem muito mais do que o normal, explicando assim a dimensão de alguns destes insectos.

Mas Verbek e o colega David Bilton, decidiram focar-se primeiro em como o oxigénio poderia afetar as larvas e não os adultos. As larvas das libélulas habitavam a água antes de se tornarem animais adultos terrestres. A água também possuía um aumento substancial de oxigénio dissolvido, devido ao aumento deste na atmosfera.

Os resultados demonstraram que as larvas eram mais sensíveis a estas quantidades elevadas de oxigénio do que os adultos. Isto explica-se, provavelmente, pelo facto das larvas absorverem o oxigénio directamente através da pele, não podendo controlar a quantidade de gás que tomavam, ao contrário dos adultos que podiam abrir ou fechar as válvulas nos seus corpos.

A forma que as larvas encontraram de contornar este problema e não serem envenenadas pelo oxigénio em excesso, foi crescerem mais do que o normal. Assim, “a área de superfície decresce em relação ao volume” explicou Verbek.

Apesar do oxigénio ser absolutamente vital, quando em largas quantidades torna-se venenoso. Em nós, humanos, o excesso de oxigénio provoca danos celulares e consequentemente problemas de visão, dificuldade em respirar, náuseas e convulsões.

Oxigénio a Menos

Este novo estudo pode também explicar porque motivo os insectos gigantes não desapareceram imediatamente após os níveis de oxigénio desaparecerem, mas tendo gradualmente sido superados na evolução por outros animais.

“Níveis mais baixos de oxigénio não são de imediato fatais, mas provavelmente diminuem a performance destes insetos ao longo do tempo (…) esta performance reduzida, eventualmente, tornou possível que outras espécies ganhassem vantagem sobre estes insetos gigantes” concluiu Verbek.

Mais informação (em inglês):

Tópicos: Animais Pré-Históricos