Titanoboa: A Maior Cobra Até Hoje Descoberta

Titanoboa

Reconstituição de uma Titanoboa em tamanho real, a comer um pequeno animal
Em exibição no Smithsonian Natural History Museum

“Nunca nos seus piores pesadelos esperou encontrar uma boa constritora com 14 metros. A maior cobra atual tem metade desse tamanho” disse o Dr. Carlos Jaramillo, cientista que participou na descoberta de um dos maiores monstros pré-históricos conhecidos, no nordeste da Colômbia.

A Titanoboa cerrejonensis rastejou no nosso planeta há 60-58 milhões de anos, pouco depois (em termos geológicos) da extinção dos dinossauros.

Sem a concorrência dos dinossauros, esta cobra foi mesmo o maior predador no planeta durante cerca de dois milhões de anos.

Ancestral das boas constritoras e das anacondas, a Titanoboa não era uma cobra venenosa, mas sim constritora.

A força de constrição desta cobra era enorme, o equivalente a estar por baixo de uma vez e meia a ponte de Brooklyn. Além disso, com as suas enormes dimensões, não teria dificuldades em engolir um crocodilo inteiro.

Comparação das vértebras de anaconda (esquerda) e titanoboa (direita)

Comparação das vértebras de anaconda (esquerda) e titanoboa (direita)
Fotografia: Ray Carson, UF Photography

No entanto, a descoberta da Titanoboa não se resume à curiosidade e ao fascínio de conhecer os animais que já habitaram o nosso mundo. Os registos fósseis também nos dão pistas sobre, entre outros, as alterações climáticas ocorridas no planeta.

Por exemplo, é possível que a Titanoboa e outros répteis tenham podido crescer mais do que o normal há 60 milhões de anos devido a um aquecimento global — ao contrário do gigantismo nos dinossauros e noutros animais anteriores a estes, que se deveu provavelmente ao aumento de oxigénio na atmosfera.

A Titanoboa necessitaria de temperaturas na ordem dos 30º a 34º graus para conseguir calor suficiente para a sua sobrevivência. Hoje em dia, as maiores cobras do mundo habitam geralmente na América do Sul e no sudeste da Ásia, onde as temperaturas mais elevadas lhes permitem crescer até tamanhos impressionantes.

Comparação de tamanhos

Comparação de tamanhos entre um ser humano (1,82 metros), um autocarro (12,19 metros) e uma titanoboa (13,10 metros)

Ora se a Titanoboa e outros répteis atingiram estas dimensões devido ao aumento da temperatura, poderemos ter no futuro animais, nomeadamente cobras, destas dimensões devido ao aquecimento global?

“À medida que a temperatura aumenta, é provável que [répteis destas dimensões] regressem. Mas leva algum tempo geológico a desenvolver uma nova espécie. Pode levar um milhão de anos – mas talvez voltem!” concluiu Dr. Jaramillo.

Uma réplica está em exibição no Smithsonian Natural History Museum, em Washington, construída através dos fósseis encontrados para mostrar como seria o aspeto desta cobra em vida.

Tópicos: Animais Pré-Históricos