Como os Animais Sobrevivem no Inverno

Animais no Inverno

Urso-pardo (Ursus arctos)

No conforto das nossas casas, bem protegidas por quatro paredes e um teto, temos vários meios para fazer frente ao frio, à neve e à escuridão típicas do Inverno.

Aquecedores, lareiras, luzes brilhantes, cobertores quentes ou pantufas enormes são uma preciosa ajuda. Mesmo quando temos de sair de casa dispomos de roupa apropriada, luvas, gorros – não que evitem um nariz a pingar, mas permitem-nos sobreviver.

Em último caso podemos apanhar o avião e viajar para um país mais agradável (estou a pensar em vocês, Brasil).

Contudo, os animais não têm ao seu dispor nenhum destes luxos do ser humano moderno. Como conseguem então sobreviver à estação mais perturbadora do ano?

É o que vai descobrir neste artigo.

As principais estratégias para sobreviver

Raposa-do-ártico (Alopex lagopus)

Raposa-do-ártico (Alopex lagopus)
Fotografia: Emma

Um dos grandes obstáculos que os animais têm de enfrentar no Inverno é a carência de alimento. À medida que as temperaturas baixam o alimento fica mais escasso essencialmente por dois motivos:

  1. As plantas, base de quase todas as cadeias alimentares, são substancialmente reduzidas durante o Inverno;
  2. Os insetos e os pequenos roedores, nos quais muitos animais baseiam a sua dieta, abrigam-se debaixo do solo para se proteger do frio, ficando assim fora do alcance dos seus predadores.

Se os animais continuassem a sua atividade normal, iriam gastar mais energia a procurar o alimento do que a que iriam recuperar ao consumir esse alimento. Para além disso, quanto mais baixa estiver a temperatura, mais energia os animais necessitam para manter o corpo quente. Sem essa fonte de energia (alimento) o Inverno torna-se fatal.

Assim, a chave para a sobrevivência dos animais durante esta estação do ano está na conservação da energia (hibernação), em alterações físicas e no comportamento para suportar o frio (adaptação) ou na mudança para locais mais quentes onde podem continuar a sua atividade normal (migração).

Estas são as três principais estratégias de sobrevivência e que vamos abordar detalhadamente em seguida: hibernação, migração e adaptação.

Conceitos rápidos:

  • Animais de sangue quente ou animais endotérmicos, são os animais que conseguem manter e regular a temperatura do seu corpo, o que acontece com os mamíferos (incluindo o ser humano) e as aves;
  • Animais de sangue frio ou animais ectotérmicos, não conseguem regular a temperatura, pelo que necessitam de fontes de calor no ambiente para se aquecer. Neste grupo incluem-se os répteis, os anfíbios, os peixes e os invertebrados.

Hibernação e torpor

Marmota-alpina (Marmota marmota)

Marmota-alpina (Marmota marmota)
Fotografia: Wikimedia Commons

A hibernação é uma espécie sono profundo que pode durar todo o Inverno. Geralmente tem início quando os dias começam a ficar mais frios ou mais curtos.

Por definição, só animais de sangue quente podem hibernar uma vez que são os únicos capazes de regular a sua temperatura. Répteis, anfíbios e insetos têm estados de dormência semelhantes, mas com características próprias e de que falaremos mais à frente.

Em hibernação, a temperatura do corpo do animal baixa, a respiração e os batimentos do coração tornam-se mais lentos e assim, o animal consegue sobreviver com pouca energia – a única fonte de energia que tem à disposição é o alimento que consumiu antes de começar o Inverno e que se encontra armazenado no seu corpo sob a forma de gordura.

Considera-se em hibernação os animais que adormecem tão profundamente que parecem estar em coma. É difícil acordar um animal em hibernação. Estes animais, como as marmotas (maior hibernante de todos), esquilos ou morcegos, só o fazem dentro de abrigos muito seguros, pois seriam incapazes de se defender em caso de ataque.

Urso-pardo (Ursus arctos)

Urso-pardo (Ursus arctos)

O estado de torpor é semelhante à hibernação no sentido em que o animal também o utiliza para gastar pouca energia e abrandar o seu metabolismo. É diferente, no entanto, pela duração e pela intensidade.

Entram em estado de torpor animais como ursos, guaxinins, alguns roedores e aves. O torpor deixa-os dormentes por períodos que podem ir de algumas horas a alguns dias.

Neste estado, os animais conseguem despertar com rapidez, respirar profundamente para renovar o oxigénio, dar um pulinho ao WC ou mesmo dar uma dentada em algum petisco que tenham armazenado, antes de voltarem a adormecer.

Caso a temperatura esteja amena, podem aventurar-se no exterior e até mesmo não continuar a hibernar.

Um exemplo curioso de hibernação ou torpor é o urso. Consegue estar em dormência até seis meses consecutivos, o que encaixa na hibernação, no entanto, a respiração e os batimentos cardíacos baixam apenas ligeiramente e o animal consegue acordar rapidamente, o que indica estado de torpor. Mais ainda: as fêmeas conseguem dar à luz neste período.

O despertar, que no caso da hibernação pode durar várias horas, acontece na Primavera, quando as temperaturas são mais agradáveis e o alimento já é mais abundante.

Em Invernos relativamente amenos, ou em condições artificiais de cativeiro, a dormência pode não ser necessária. É o que acontece, por exemplo, com tartarugas e outros répteis que tenhamos em casa, já que lhes fornecemos calor e alimento regularmente durante todo o ano.

Curiosidade: Os animais que vivem em climas de calor extremo ou secas prolongadas, também podem entrar numa espécie de hibernação chamada estivação.

O exemplo clássico da estivação são os peixes pulmonados, que através da mesma conseguem viver sem água até três anos e assim sobreviver longos períodos de seca. Outros animais que praticam estivação incluem caracóis, joaninhas, crocodilos, tartarugas e salamandras, entre outros.

Migração

Pardela-preta (Puffinus griseus)

Pardela-preta (Puffinus griseus)
Fotografia: Dan Irizarry

A migração é uma estratégia que permite aos animais deslocarem-se para regiões mais quentes e assim fugir das temperaturas mais baixas.

É uma estratégia especialmente bem aproveitada pelas aves, devido à sua capacidade de voar.

Através da migração, os animais podem continuar a alimentar-se normalmente e manter-se ativos, no entanto não é uma escolha de vida fácil. A migração gasta imensa energia (ao contrário da hibernação), sobretudo nas migrações mais longas.

Os andorinhões-alpinos (Tachymarptis melba), por exemplo, voam seis meses sem parar. As baleias-cinzentas (Eschrichtius robustus) viajam noite e dia e chegam a percorrer entre 16 a 22 mil quilómetros por ano, a um ritmo de cerca de 120 quilómetros por dia. Detém o recorde da maior distância percorrida entre os animais mamíferos, mas que não ultrapassa a pardela-preta (Puffinus griseus) com uns, inserir adjetivo à escolha, 64 mil quilómetros por ano.

Como termo comparativo, o planeta Terra tem apenas 40 mil quilómetros de circunferência.

Curiosidade: O desaparecimento das aves durante o Inverno foi durante vários séculos um mistério e deu origem a diversas teorias. Umas mais plausíveis, como acreditar-se que as aves se escondiam para hibernar, outras mirabolantes, como as aves transformarem-se em ratos ou voarem em direção à Lua.

Ainda que alguns autores (como Aristóteles) já tivessem sugerido que as aves se deslocavam por grandes distâncias no Inverno, foi apenas no século XIX que as migrações foram verdadeiramente aceites. E tudo devido a um acidente:

Cegonha com seta

No dia 21 de Maio de 1822, esta cegonha foi encontrada na Alemanha, com uma seta originária da África central atravessada no pescoço. Esta seta iluminou os cientistas sobre um dos acontecimentos mais importantes da vida animal: a migração. É verdade que as cegonhas e outras aves não viajam 384 mil quilómetros até à Lua. Mas fazem-no entre continentes, pelo mundo inteiro, e isso é tão verdadeiro quanto extraordinário.

Adaptação

Urso-polar (Ursus maritimus)

Urso-polar (Ursus maritimus)
Fotografia: Wikimedia Commons

As estratégias de adaptação permitem aos animais ficar no mesmo local e continuar ativos, mesmo durante os dias mais frios.

Estas estratégias passam por alterações no seu corpo, como o desenvolvimento de gordura e pelagem especializada em conservar calor, ou no seu comportamento, como armazenar alimento durante o Outono antes da escassez do Inverno.

Cavernas, troncos de árvores mortas, buracos e o solo por baixo da neve (também chamado subnivium), são os equivalentes ás nossas casas para os animais. Permitem criar um microclima mais confortável do que o clima exterior e uma passagem mais agradável pelos dias mais frios.

A utilização da neve como isolante térmico é mais eficaz do que à primeira vista aparenta – está na base da construção dos iglus pelos esquimós, por exemplo.

Um cuidado especial que os mamíferos necessitam de ter, é com a chuva. O pêlo molhado não consegue conservar o calor e o animal perde uma das suas melhores proteções contra o frio. Quando chove, os mamíferos pequenos procuram abrigar-se no subsolo ou em esconderijos que encontrem, incluindo construções humanas.

Arminho (Mustela erminea)

Arminho (Mustela erminea)
Fotografia: imgur

Algumas das adaptações físicas mais conhecidas incluem:

  • Tendência para um corpo maior entre mamíferos e aves do mesmo género que habitam regiões frias, conhecida como Regra de Bergmann, para facilitar a retenção do calor. Por exemplo, os ursos polares tendem a ser maiores que os outros ursos;
  • Apêndices mais curtos (orelhas, nariz, patas…) para reduzir perda de calor. As focas, as raposas-do-ártico e os pinguins são um exemplo;
  • Pelagem e gordura especializada para conservar o máximo de calor. A pelagem de Inverno, geralmente branca, também serve de camuflagem contra a neve. Estes mecanismos por vezes são tão eficazes que animais como ursos polares e raposas-do-ártico correm o risco de sobreaquecer (leu bem), sobretudo quando a temperatura está um pouco mais alta (dez graus negativos já pode ser alto). Rebolar na neve é uma forma de arrefecer;
  • Visão especializada na escuridão, como acontece com as renas no norte do circulo ártico que passam uma parte do ano sem luz natural do Sol;
  • Mecanismos internos (como no sistema circulatório) que procuram regular a temperatura onde é mais necessária, como nas extremidades. Tal como acontece connosco num dia frio, em que as mãos arrefecem primeiro que o resto do corpo, também nos animais as extremidades são as primeiras a sentir o frio.
Pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri)

Pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri)
Fotografia: Christopher Michel

Os animais também adaptam o seu comportamento para fazer face aos dias gelados, como armazenar comida antes de chegar o Inverno até juntarem-se uns aos outros para partilhar o calor do corpo.

Exemplo disso são os pinguins-imperadores. Juntam-se uns aos outros em grandes colónias para partilhar o calor e bloquear as correntes de ar – ao mesmo tempo que protegem um ovo equilibrado entre as patas. Os pinguins nas bordas das colónias, mais expostos ao vento, vão alternando com os do interior para que nenhum pinguim fique exposto por muito tempo.

Como outros animais resistem ao frio

Rana arvalis

Rana arvalis
Fotografia: Konstantin Mikhailov, Nature Picture Library

Algumas aves, insetos ou anfíbios enfrentam esta época do ano de formas diferentes, constituem uma exceção entre os seus pares ou demonstram uma impressionante criatividade – algo que nunca se esgota na natureza.

Vamos abordar as mais relevantes.

As aves que não migram

Noitibó-de-nuttall (Phalaenoptilus nuttallii)

Noitibó-de-nuttall (Phalaenoptilus nuttallii)
Fotografia: Greg Russell

A maioria das aves adota a migração como principal estratégia para escapar dos climas mais frios, como vimos anteriormente. No entanto, algumas aves não migram: caso das corujas, gaviões, chapins ou perdizes. Os seus corpos adaptam-se através do desenvolvimento de uma camada de penas adicional, que os mantém quentes.

Existe apenas uma espécie de ave conhecida capaz de hibernar: o noitibó-de-nuttall (Phalaenoptilus nuttallii). Esta ave esconde-se por baixo de rochas ou troncos ocos, onde permanece até cinco meses e chega a hibernar por períodos de 100 dias consecutivos. Quando desperta, necessita de cerca de sete horas para se recompor.

O cobertor dos mamíferos aquáticos

Foca-de-weddell (Leptonychotes weddellii)

Foca-de-weddell (Leptonychotes weddellii)
Fotografia: Wikimedia Commons

Mamíferos aquáticos e semi-aquáticos, tais como baleias e focas, alimentam-se abundantemente de forma a criarem camadas de gordura adicional nos seus corpos, que os protegem do frio. Como termo de comparação, é o equivalente a embrulharmo-nos num cobertor, com a diferença de que nestes animais o cobertor está por dentro do corpo.

Em alguns animais, esta estratégia está tão bem desenvolvida que conseguem controlar o fluxo de sangue que circula nestas camadas. Quanto mais longe estiver o sangue da superfície da pele, menos calor é perdido.

Estas camadas de gordura também servem de alimento nos meses seguintes, como acontece com os elefantes-marinhos.

Insetos, diapausa e uma épica migração

Borboleta-monarca (Danaus plexippus)

Borboleta-monarca (Danaus plexippus)
Fotografia: Johanna Madjedi

Alguns insetos adotam uma espécie de hibernação como estratégia de sobrevivência. A hibernação específica dos insetos é chamada diapausa.

A diapausa tem início quando os dias começam a ficar mais curtos, mesmo que a temperatura ainda seja amena.

Algumas traças / mariposas e borboletas passam o Inverno em casulo ou apenas crisálida e quando chega a Primavera, eclodem. Existem outras espécies que permanecem lagartas durante esta estação, cobrindo-se com terra e folhas mortas para se proteger do frio.

Outros insetos, como as abelhas e as vespas (apenas as rainhas, machos e operárias morrem no final do Verão), procuram abrigar-se em lugares secos e protegidos das correntes de ar. Escavam no solo e protegem-se debaixo de terra e folhas mortas. Em alternativa, abrigam-se dentro de troncos ocos.

É famosa a épica migração da borboleta monarca no Inverno. Este fenómeno de rara beleza, que leva milhões de borboletas desde a América do Norte até ao México, atrai tanto cientistas como curiosos e permite estudar anualmente o estado de conservação da espécie. Geralmente ficam no México entre Outubro e Março, altura em que regressam ao local de origem.

Algumas borboletas monarcas entram em diapausa nos dias mais frios.

Brumação dos répteis e anfíbios

Rã-dos-bosques (Rana sylvatica)

Rã-dos-bosques (Rana sylvatica)
Fotografia: Wikimedia Commons

O tipo de hibernação praticada pelos répteis e pelos anfíbios é chamada brumação.

Estes animais de sangue frio procuram abrigar-se e hibernar assim que os dias começam a ficar mais curtos, para não serem apanhados desprevenidos num dia mais frio – o que poderia significar a morte.

As temperaturas baixas são particularmente perigosas para estes animais, razão pela qual, por exemplo, não existe qualquer espécie de réptil ou anfíbio a viver na Antártida. Mesmo no Ártico, existem apenas cinco espécies de anfíbios e uma só espécie de réptil, nenhum dos quais dentro do círculo polar.

As cobras do género Thamnophis, endémicas da América do Norte, hibernam em grupos enormes que podem conter centenas ou mesmo milhares de cobras, entrelaçadas umas nas outras para preservarem o calor.

As rãs costumam abrigar-se na lama de charcos e lagos, obtendo oxigénio através da água. Algumas espécies, como as rãs-arborícolas, protegem-se por baixo de folhas e no subsolo das florestas.

A rã-dos-bosques (Rana sylvatica), endémica da América do Norte, consegue produzir uma espécie de anticongelante natural através de altos níveis de açúcar, ureia e um terceiro composto ainda não identificado, que lhes permite resistir a temperaturas de quase -30º C.

Os peixes que não congelam

Peixe-de-gelo (família Channichthyidae)

Peixe-de-gelo (família Channichthyidae)
Fotografia: Wikimedia Commons

À semelhança da rã-dos-bosques, alguns peixes produzem uma proteína anticongelante que impede os fluídos corporais, como o sangue, de congelar. Esta proteína é especialmente importante nas espécies que nadam pelas águas polares geladas.

Os peixes também conseguem entrar num estado de dormência parecido com a hibernação, onde o seu metabolismo é reduzido, gastam menos energia e alimentam-se menos. A atividade dos peixes no Inverno chega a ser reduzida 20 vezes em comparação com o Verão.

Esta dormência é provocada pelas temperaturas baixas, mas também em casos de falta de oxigénio na água (hipóxia).

Já os peixes que vivem em rios e lagos que estão congelados, estão num ambiente menos inóspito do que poderá parecer a um observador de fora. Quando um lago ou um rio congela, na verdade apenas a superfície fica no estado sólido. Por baixo da mesma, peixes, crustáceos e plantas continuam a usufruir de água líquida normal (ainda que bem fresquinha).

Até chegar a Primavera (conclusão)

Lebre-americana (Lepus americanus)

Lebre-americana (Lepus americanus)
Fotografia: Denali National Park and Preserve

Mecanismos extraordinários, resultado de milhões de anos de evolução e inúmeras gerações de animais, permitiram aos animais sobreviver em climas inóspitos e resistir ao frio cortante do Inverno.

Deixamos-lhe aqui um sumário do artigo, de como os animais sobrevivem no Inverno:

  • Um dos maiores obstáculos que os animais enfrentam no Inverno é a carência de alimento;
  • As principais estratégias que os animais adotam para sobreviver a esta estação do ano são a hibernação, a migração e a adaptação;
  • A hibernação e o estado de torpor, exclusivos dos animais de sangue quente, permite aos animais permanecer num estado de dormência em que o metabolismo é reduzido, gastam pouca energia e não necessitam de se alimentar regularmente;
  • A migração é uma estratégia que permite aos animais deslocarem-se para regiões mais quentes, que em alguns casos podem ficar a milhares de quilómetros de distância;
  • A adaptação permite aos animais enfrentarem o Inverno através de alterações físicas e comportamentais, como o crescimento de pêlo e gordura adicionais para isolar do frio ou o armazenamento de comida durante o Outono antes da escassez do Inverno;
  • Alguns animais de sangue frio conseguem entrar numa espécie de hibernação. Nos insetos esta dormência chama-se diapausa, nos répteis e anfíbios chama-se brumação;
  • Os peixes conseguem habitar rios e lagos congelados uma vez que apenas a superfície solidifica, por baixo da mesma a água continua líquida e habitável embora naturalmente fria.

Tópicos: Animais Selvagens, Artigos em Destaque