Crias de Andorinhão: O Que Fazer Se Encontrar Uma

Cuidar de crias de andorinhão

Andorinhão-preto (Apus apus)

Apesar do que muitas pessoas pensam, as andorinhas e os andorinhões não são espécies próximas, pertencem a famílias distintas. As andorinhas pertencem à família Hirundinidae enquanto os andorinhões pertencem à família Apodidae.

Cuidar de crias de andorinhão

Fotografia: Marta Fonseca

É evolução convergente que as espécies sofreram ao longo da história evolutiva que leva muitas vezes as pessoas a pensarem que são próximas. Isto é, estes passeriformes desenvolveram características semelhantes tendo origens diferentes, sendo o resultado de terem hábitos de vida semelhantes.

Os andorinhões têm uma plumagem castanha escura parecendo por vezes preta. São distintos e identificados pelo seu voo rápido e ágil, que é conseguido pela forma do seu corpo. Têm corpo aerodinâmico e asas compridas e estreitas em forma de foice, excedendo a cauda bifurcada. As suas patas são pequenas, pois a sua alimentação dá-se durante o voo, sendo exclusivamente insectívoros, por esse motivo têm pouca necessidade de pousar.

Todas estas características são facilmente visíveis a um observador de natureza, ou apenas a alguém que ao passear na rua despenda um pouco de tempo a observá-los.

Em Portugal é uma espécie estival, podendo ser visto entre os meses de Maio a Agosto e nidifica de Maio a Julho. É durante estes meses que muita gente se depara com crias caídas dos ninhos e não sabe o que fazer.

O que fazer se encontrar uma cria?

Cuidar de crias de andorinhão

Fotografia: Marta Fonseca

A minha experiência no Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (LxCRAS) permitiu-me aprender como tratar destes passeriformes para depois os devolver à natureza, onde pertencem e são felizes. É esta aprendizagem que irei descrever no restante artigo.

1. Entrega a entidades competentes

Quando nos deparamos com crias de andorinhão, o melhor procedimento é levá-los a um centro de recuperação próximo da zona ou contactar o SEPNA, que está encarregue de entregar animais silvestres aos centros de recuperação.

2. Como mantê-los e recuperá-los

Os andorinhões ficam bem em caixas de cartão com panos ou mantas presas nas laterais, para que lhes seja possível empoleirar-se. Esta é a melhor opção, pois os andorinhões ao contrário das andorinhas não conseguem equilibrar-se em poleiros, apenas conseguem prender-se na vertical devido ás patas diminuídas.

A higiene na caixa também é importante, caso contrário podem ficar com as asas danificadas. Deverá ter jornal no fundo e ser mudado diariamente.

Antes da se proceder à alimentação pode-se exercitar um pouco os músculos de voo. Deve segurar-se as patas pela base com os dedos, colocando o dedo indicador entre as patas e fazer movimentos na vertical, movimento que será suficiente para o andorinhão bater as asas. Este procedimento deve ser feito com cuidado pois as suas patas frágeis podem correr o risco de partir.

Cuidar de crias de andorinhão

Fotografia: Marta Fonseca

Para se ter uma noção precisa da recuperação da cria, deve-se periodicamente pesar para verificar se há aumento de peso.

Uma vez que são insectívoros, na sua alimentação podem ser usados Zophoba morio, também conhecidos como tenébrio gigante, ou então grilos mortos. Este alimento pode ser encontrado em lojas de animais exóticos ou de répteis.

Cuidar de crias de andorinhão

Fotografia: Marta Fonseca

Como já referido, os andorinhões apenas se alimentam em voo e por isso quando estão na mão não comem. Para os alimentar é necessário partir os tenébrios ao meio, abrir o bico do andorinhão e colocar meio tenébrio no fundo da cavidade bocal. Podem por várias vezes rejeitar, mas é necessário insistir com paciência. Também se deve dar água com a ajuda de uma seringa. Com a experiência torna-se mais fácil alimentá-los e de forma mais rápida.

A alimentação deve ser feita pelo menos três vezes por dia. Caso sejam crias muito novas a alimentação deve ser mais frequente, idealmente de duas em duas horas.

Por fim, qualquer animal silvestre tratado para ser devolvido à natureza deve ter o mínimo contacto com pessoas, por isso só devem estar em contacto durante a alimentação.

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