Foto-Reportagem: Aves Urbanas

Fotografia de aves urbanas

Fotografia original: Elisabete Rodrigues

Fotografia quer dizer, literalmente, escrever com a luz, captar o que se vê (e também o que se não vê) com um mero clique num botão.

É como fazer magia… Num instante posso mostrar o mundo como o vejo e sinto e ver esse mesmo mundo através dos olhos de outros. Posso apreciar a beleza dos grandes planos ou deter-me demoradamente nos pequenos pormenores que a olho nu jamais poderiam ser vistos… e o melhor de tudo é poder eternizar um momento, quase sempre irrepetível, que de outra forma, a pouco e pouco, se desvaneceria da memória, como que perdido no tempo…

É uma arte tão diversificada quanto os objectos a fotografar e se praticamente todos os seus campos me prendem a atenção, nenhum me cativa ou fascina tanto quanto a fotografia de natureza, e dentro desta, a fotografia das aves.

Desde pequena, pela mão do meu avô fui habituada ao convívio com as aves, cresci rodeada de mil e um pássaros e aprendi a conhecê-los, a cuidar deles e a apreciar a sua companhia, a admirar a sua beleza, o seu canto e a sua presença.

Com quase vinte anos, veio parar à minha mão um livro cheio de simbolismo que contava a história de uma Gaivota, chamada Fernão Capelo, que achava que voar era muito mais do que ir de um ponto ao outro e, apesar de ser uma estória com uma carga espiritual e filosófica que usava as aves apenas para construir metáforas sobre liberdade, fez crescer o meu interesse pelas aves comuns.

Vivemos rodeados destas aves comuns e habituámo-nos à sua presença e ao seu canto ao ponto de considerá-las banais e deixarmos de reparar nelas, numa eterna cegueira (e surdez) do dia-a-dia…

Quase espezinhamos um pombo ao passar na rua e não damos conta do canto doce do melro pousado no telhado. Não vemos o ninho de andorinhas debaixo de uma varanda, nem a dança alegre dos pardais nas cordas de um estendal de roupa. Já não levantamos os olhos para o céu para ver o vôo majestoso de uma gaivota… E nem mesmo a exuberância de uma poupa ou a elegância de um rabirruivo parecem despertar-nos deste adormecimento profundo.

A coexistência destas duas paixões, a fotografia e as aves, uma alimentando a outra, inesperadamente conduziram-me a redescobrir a cidade para onde vim morar há cerca de dez anos, e obrigaram-me a VER com um olhar renovado cada recanto e pormenor, revelando-me uma biodiversidade e uma beleza que até então me haviam passado despercebidas…

A cada clique fui querendo saber mais e fazer melhor, “escrever com luz” o que via com o coração… por isso quis trazer aqui um pouquinho dessa magia que nos cerca e para a qual deveríamos despertar. Parar. Respirar. Contemplar o que nos rodeia…

A natureza e as aves, sobretudo as comuns, podem-nos surpreender todos os dias e está tudo aqui ao lado, é só olhar com olhos de VER, porque no fundo, tinha razão o poeta Afonso Lopes Vieira, quando dizia:

De aquele que não admira
Já nada de bom se tira
Pois quem não sabe admirar
Não sabe amar…

Fotos

Alvéola-branca (Motacilla alba)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Alvéola-branca (Motacilla alba)
Amora, Seixal – 10/05/2014

Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo)
Belém, Lisboa – 15/03/2014

Felosa-comum (Phylloscopus collybita)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Felosa-comum (Phylloscopus collybita)
Amora, Seixal – 08/03/2014

Gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Gaivota-d’asa-escura (Larus fuscus)
Almada – 02/03/2014

Garça-real (Ardea cinerea)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Garça-real (Ardea cinerea)
Amora, Seixal – 08/12/2013

Guincho-comum (Larus ridibundus)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Guincho-comum (Larus ridibundus)
Amora, Seixal – 02/03/2014

Guincho-comum (Larus ridibundus)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Guincho-comum (Larus ridibundus)
Amora, Seixal – 09/03/2014

Melro-preto (Turdus merula)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Melro-preto (Turdus merula)
Amora, Seixal – 12/04/2014

Melro-preto (Turdus merula) - juvenil

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Melro-preto (Turdus merula) – juvenil
Almada – 10/05/2014

Milheirinha (Serinus serinus)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Milheirinha (Serinus serinus)
Amora, Seixal – 12/04/2014

Pardal-comum (Passer domesticus)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Pardal-comum (Passer domesticus)
Amora, Seixal – 16/03/2014

Pato-real (Anas platyrhynchos)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Pato-real (Anas platyrhynchos)
Amora, Seixal – 04/05/2014

Pombo-das-Rochas (Columba livia)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Pombo-das-rochas (Columba livia)
Amora, Seixal – 16/02/2014

Poupa (Upupa epops)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Poupa (Upupa epops)
Amora, Seixal – 04/05/2014

Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros)
Amora, Seixal – 15/03/2014

Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros) – fêmea
Amora, Seixal – 04/05/2014

Rola-turca (Streptopelia decaocto)

Fotografia: Elisabete Rodrigues

Rola-turca (Streptopelia decaocto)
Almada – 22/02/2014

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