Psitacídeos: Tudo o que Precisa Saber

Psitacídeos

Papagaio ecletus (Eclectus roratus) juvenil | Fotografia: Frederico Lisboa

Uma ave pode ser um excelente animal de estimação e companhia. Algumas espécies são capazes de imitar palavras e até mesmo frases do nosso vocabulário e até treinadas a acompanhar-nos. Na cabeça de muitos, as aves servem apenas para estar em exposição numa gaiola a emitir sons.

Perder uma ave de companhia pode ser uma experiência traumática, tal como a perda de um cão ou gato, embora seja, por muitos, considerado algo ridículo.

Tal assunto remete-nos para o tratamento veterinário de que qualquer amante de aves dispõe. A quem devemos recorrer quando temos uma ave doente? A um veterinário… mas será que este terá formação suficiente para me auxiliar? É sabido que o tratamento em medicina veterinária das aves é ainda bastante insuficiente. O médico veterinário que se debruça sobre esta especialidade, enfrenta um árduo caminho no que respeita a subsídios e formação técnica e académica.

No entanto, nos dias de hoje em dia a informação que quer veterinários, quer criadores dispõem, é muito mais abrangente que há uma dezena de anos atrás. Sabem como agir nos primeiros meses de vida das crias e têm resposta para um leque de questões: quando é que olhos e ouvidos se abrem; quando surgem as penas e quando começarão a voar.

Papagaio cinzento (Psittacus erithacus erithacus)

Papagaio cinzento (Psittacus erithacus erithacus) | Fotografia: Frederico Lisboa

Igualmente, também a nutrição dos animais evoluiu. São cada vez as dietas prontas disponíveis e as tabelas de dietas caseiras com produtos frescos, de forma a dar uma alimentação o mais completa possível ás aves.

As antigas dietas à base de sementes eram passíveis de causar problemas, devido ao excesso de vitaminas e proteínas e muitas aves sofriam de problemas renais. As actuais à base de sementes e rações corrigiram o problema e são muito mais seguras.

Os criadores de aves e os veterinários começam finalmente a trabalhar em conjunto, o que não se verificava há algum tempo atrás, pois devido à precariedade do serviço prestado os criadores optavam por tentar eles mesmos solucionar os seus problemas.

Mesmo assim, é compensador verificar um aumento significativo de profissionais com formação adequada, embora o seu universo ainda seja um pouco mais reduzido do que o desejável.

Neste artigo, vamos abordar assuntos específicos acerca de uma determinada família de aves: os psitacídeos.

O que são psitacídeos?

Papagaio verdadeiro (Amazona aestiva)

Papagaio verdadeiro (Amazona aestiva) | Fotografia: Frederico Lisboa

É nesta família que encontramos aves exóticas como as araras, papagaios, cacatuas, jandaias, pionites, eclectus, forpus, agapornis, calopsitas, periquitos, roselas, entre outros. No mundo, estas espécies de aves encontram-se distribuídas pela área tropical do globo terrestre (neotropical, afrotropical, oriental e australiano) e irradiam-se para as áreas sub-tropicais e frias.

Os psitacídeos são algumas das aves mais inteligentes e que possuem o cérebro mais desenvolvido. Quando criadas à mão, facilmente se tornam mansos e excelentes animais de estimação para toda a família. Têm a capacidade de imitar com grande exactidão todos os tipos de sons, incluindo palavras.

O seu longo período de vida é igualmente digno de nota, por exemplo: as espécies de grande porte atingem entre os 60 a 80 anos de idade.

Em consequência de todas as suas características, estas aves tornaram-se aves de cativeiro, bastante populares em parques e jardins zoológicos. Este facto veio também colocar muitas espécies em perigo de extinção.

Papagaio electus (Eclectus roratus roratus) macho

Papagaio electus (Eclectus roratus roratus) macho | Fotografia: Frederico Lisboa

A família dos psitacídeos (Psittacidae) é constituída por 78 géneros (divisão dentro da família), onde são distribuídas 344 espécies de aves. Estudos realizados recentemente mostram que 71 dessas espécies estão criticamente próximas da extinção, e outras 36 ameaçadas que poderão vir a extinguir-se se não forem tomadas medidas rigorosas.

A principal característica dos psitacídeos é uma cabeça larga e robusta, onde se apoia um bico forte, alto e curvo especializado para quebrar e descascar sementes. Para ajudar na manipulação dessas sementes, possuem uma musculatura na mandíbula e na língua muito desenvolvida. Os seus pés são curtos, mas muito articuláveis, que além de sustentarem o corpo das aves, auxiliam na manipulação dos alimentos que consomem.

Tanto os machos como as fêmeas possuem lindas plumagens com cores exuberantes, conferindo-lhes uma beleza inigualável. Usualmente os sexos são muito parecidos.

A grande maioria dos papagaios é muito sociável e vivem em bandos ao longo de todo o ano ou, pelo menos, após a reprodução.

De seguida vamos abordar os cuidados necessários para manter com sucesso espécies de psitacídeos.

Gaiolas e viveiros

Uma gaiola para manter uma arara deve ter no mínimo 1,20 metros de altura, 1 metro de comprimento e 70 centímetros de largura. Para alojar um papagaio, a gaiola deve ter 80 centímetros de altura, igual medida em comprimento e 70 centímetros de largura.

Qualquer ave deve, diariamente, ter alguma liberdade de movimento para fazer algum exercício, pois o sedentarismo diminui a longevidade das aves. O espaço tem grande influência no bem-estar das aves, aquelas que vivem num espaço apertado tendem a proteger esse “território”, tendo como resultado um animal agressivo e stressado.

Gaiola ideal para psitacídeos

Gaiola ideal para psitacídeos

A gaiola ou viveiro deve ser em metal inoxidável e sem partes estruturais em plástico ou madeira, pois os psitacídeos possuem bicos extremamente fortes e um comportamento “brincalhão”.

É importante que não haja pintura na gaiola, mas se houver, dê preferência a tinta que não contenha chumbo ou zinco.

Dê importância ao espaçamento entre as barras da gaiola, não utilize barras que sejam muito largas em relação ao tamanho da cabeça do psitacídeo, evitando dessa forma, que a cabeça da ave passe por entre essas barras, e possa ficar presa por acidente. Retire as partes das gaiolas que sejam removíveis ou muito pequenas, para evitar que a ave as coma.

Não se deve acorrentar a ave de modo a evitar acidentes e deixar que esta se movimente à vontade.

Tenha em atenção a disposição dos poleiros, evitando sempre que as penas da cauda fiquem a arrastar no fundo da gaiola, para que não fiquem danificadas e sujas. Os poleiros devem possuir diferentes diâmetros e estarem dispostos de maneira que facilitem o acesso da ave aos alimentos. Os mesmos devem ser escovados quando se apresentarem sujos, ou pelo menos uma vez a cada 30 dias.

Os poleiros deverão ser de madeira (podem ser usados galhos), com diâmetro adequado à ave. É muito importante o uso de poleiros de madeira, pois estes permitem que a sua ave mantenha as unhas aparadas e as garras sem problemas de atrofia.

Independente do tipo de recinto (gaiola ou viveiro) em que a ave permaneça, deve proporcionar acesso direto à luz solar; ventilação adequada com áreas de protecção contra correntes de ar, chuva e Sol.

Alimentação diária para psitacídeos de médio porte

Casal de papagaios ecletus

Casal de papagaios ecletus | Fotografia: Frederico Lisboa

Caso não esteja a dar a ração comercial indicada, a ave necessita de determinados alimentos diários para estar sempre em boa forma. Não terá que os dar com tanta frequência como aconselho, porque talvez a queira apenas como ave de companhia e não como reprodutor, mas terá que ter alguns cuidados mínimos.

Todos os alimentos (frutas e legumes) deverão ser picados em cubinhos e misturados antes de serem fornecidos.

Frutas: escolha três da lista e forneça uma quantidade equivalente a duas colheres das de sopa de cada fruta – maçã, banana, laranja (descascada), goiaba, manga, pêssego, pêra, melão, melancia, kiwi ou maracujá.

Vegetais: escolha um dos três referidos, estes poderão ser presos na gaiola ou serem picados – grelos, brócolos e espinafre.

Ararajubas (Guaruba guarouba ou Aratinga guarouba)

Ararajubas (Guaruba guarouba ou Aratinga guarouba) | Fotografia: Frederico Lisboa

Pode ainda escolher mais dois alimentos na mesma quantidade das frutas (duas colheres de sopa) para serem misturados às frutas: cenoura, vagem, abóbora e beterraba.

A quantidade acima sugerida poderá ser preparada de manhã, dividida em duas partes iguais e fornecida duas vezes ao dia, guardando-a no frigorífico.

De 15 em 15 dias, também pode cozinhar um ovo de galinha, depois de bem cozido deixe arrefecer, corte-o ao meio e dê-o aos psitacídeos, eles adoram a gema e é altamente proteica.

Alimentos proibidos: Abacate, leite e doces, principalmente chocolate.

Alimentos permitidos: Sementes de melancia, pepino, melão e uvas.

Semente de girassol: Embora muitos pensem que é o alimento mais indicado para as aves, não é. Esta é muito prejudicial para a saúde da sua ave pois tem tanta gordura que equivale a chocolate. Os psitacídeos com uma alimentação saudável muito pobre em sementes de girassol podem viver 75 anos de vida (dependendo da espécie). Se a ave for criada apenas a comer semente de girassol durará apenas uns 15 anos – para usar um termo de comparação, é como se alimentássemos uma criança apenas com guloseimas…

Higiene

Papagaio ecletus (Eclectus roratus) juvenil

Papagaio ecletus (Eclectus roratus) juvenil | Fotografia: Frederico Lisboa

Os psitacídeos necessitam de banhos periódicos, principalmente no Verão.

Utilize um borrifador de água para dar banho às aves que mantém, permanentemente, em gaiolas. Araras e papagaios adoram tomar banho, pois além de manterem as penas limpas, contribui para a sua saúde física e mental, e ainda os diverte. Os banhos são óptimos para as aves gastarem um pouco de energia e também são necessários no mínimo uma vez por semana, para limpar as penas, a pele e melhorar o bem-estar, especialmente durante os meses mais quentes.

O alimento e a água devem ser fornecidos em tigelas sempre limpas. Evite materiais envernizados, pois podem conter alto de teor de chumbo, altamente prejudiciais à ave. Preferencialmente utilize tigelas de aço inox, além de serem de limpeza fácil são mais resistentes ou então de barro.

Coloque sempre as tigelas acima dos poleiros para evitar a contaminação por fezes. Diariamente deve-se lavar e desinfectar as tigelas. Nos períodos de altas temperaturas (Verão), a água deve ser trocada no mínimo duas vezes ao dia, para evitar o crescimento de microrganismos.

A gaiola deve ser limpa para prevenir doenças. O chão da gaiola deve ser recoberto com papel absorvente e trocado diariamente. Evite o uso de jornais caso haja possibilidade de contacto da ave com o mesmo, porque a tinta do jornal pode ser tóxica. As barras da gaiola devem ser esfregadas para retirar restos de comida. Periodicamente toda a gaiola deve ser lavada com um desinfectante adequado.

Outros cuidados necessários

Brinquedos

Periquito de cabeça preta (Pionites melanocephalus)

Periquito de cabeça preta (Pionites melanocephalus) | Fotografia: Frederico Lisboa

Devido à inteligência destas aves, carecem de muita companhia e os brinquedos ajudam a que estas aves estejam, de uma forma geral, mais activas e entretidas. Estas aves, quando não têm nada que as estimule, podem desenvolver um comportamento nevrótico (stress), como arrancar as suas próprias penas ou até mesmo gritar sem parar para chamar a nossa atenção.

Então, os brinquedos são fundamentais para que se distraiam e sejam mais saudáveis. Além de distrair, eles precisam de roer algo para desgastar o bico.

Cacatua Galah (Eolophus roseicapillus)

Cacatua Galah (Eolophus roseicapillus) | Fotografia: Frederico Lisboa

Em qualquer loja de animais existem brinquedos próprios de papagaios para essa finalidade.

Caso não queira comprar, pode fazer algo com pedaços de corda, uma corrente de plástico com tiras de couro cru para mastigar, madeira natural sem resinas ou verniz, entre outros brinquedos desde que não tenha nenhum produto tóxico que lhes possa fazer mal caso o “destruam”.

Pessoalmente recomendo comprar, pois além de serem muito bonitos e específicos para eles, não corremos o risco do que confeccionamos venha a prejudicar a ave. Tenha cuidado com os pequenos objectos que ela possa engolir, estes podem causar a morte se não forem detectados a tempo!

Aparar as unhas

A ponta das unhas das aves pode ficar afiada, necessitando de um corte.

Algumas aves mais velhas ficam com as unhas muito longas, tornando-se necessário apará-las, pois podem ocorrer problemas ortopédicos devido ao posicionamento incorrecto das patas.

As unhas podem e devem ser cortadas / lixadas adequadamente, sempre evitando o hemorragia e a dor.

Aparar as asas (contenção do vôo)

Aparar as asas de um psitacídeoO aparar de algumas penas alares é rotineiramente realizado nos psitacídeos. Os benefícios incluem a prevenção de lesões decorrentes do voo, prevenção de uma fuga acidental e como auxílio no seu treino e domesticação.

Com as asas aparadas, a ave não deve ser capaz de voar ou ganhar impulso, mas planará suavemente para o solo por uma pequena distância. O proprietário deve estar ciente que algumas aves ainda podem voar, especialmente quando expostas ao vento.

Um corte inapropriado das penas alares pode resultar em irritação e fazer com que algumas aves se limpem excessivamente, ou comecem a bicar as penas.

O corte de penas hemorrágicas resultará em hemorragia, podendo causar a morte da ave se a mesma não for socorrida imediatamente. Se está inseguro em como cortar as penas da sua ave, peça auxílio ao seu veterinário.

A ave deve estar imobilizada com segurança na hora do corte das penas, porque os cortes excessivos impossibilitam as aves de planarem, propiciando a ocorrência de quedas que podem resultar em fracturas nas asas ou nas pernas ou a ponta do bico pode lascar-se.

As aves jovens devem aprender a voar para desenvolverem habilidade de aterragens antes do seu primeiro corte, isso permite que elas desenvolvam equilíbrio e agilidade. As aves necessitarão de um corte adicional de 3 meses após o início de uma muda.

Horas de sono e o Sol

Papagaio cinzento (Psittacus erithacus erithacus)

Papagaio cinzento (Psittacus erithacus erithacus) | Fotografia: Frederico Lisboa

Um horário regular de sono de 10 horas é crucial para o bem-estar da sua ave.

Durante a noite, ponha a gaiola num local calmo sem barulho e movimento constante. O banho de sol também é imprescindível para sua ave, coloque-a ao sol antes das 11h da manhã e após as 16h da tarde.

Galho de chorão (vimes)

Uma dica interessante e que qualquer papagaio adora, são os galhos de chorão.

Retire as folhas e dê-lhe os talinhos flexíveis, é ideal para as suas brincadeiras, bem como para os ajudar a construir os seus ninhos inclusive os agapornis e calopsitas. Não é tóxico, não faz mal e como é amargo, ajuda na digestão.

Saúde das aves

Cacatua das molucas (Cacatua moluccensis)

Cacatua das molucas (Cacatua moluccensis) | Fotografia: Frederico Lisboa

Para que as suas aves se mantenham saudáveis, são necessários cuidados específicos com a alimentação, higiene, ventilação, lazer e protecção contra intempéries.

Deve ser evitado contacto com factores que predispõe a ocorrência de patologias tais como traumas físicos, inalação de substâncias tóxicas (poeira, fumo de cigarro e incenso, gases emitidos pelos automóveis e vapores de cozinha).

Evite manter a gaiola em locais pouco ventilados como, por exemplo, na garagem ou na cozinha. O vapor da fervura dos alimentos deixa as penas engorduradas, fazendo com que a ave necessite limpá-las excessivamente, podendo desencadear o arranque das mesmas. Além disso, os vapores das panelas com “teflon” são tóxicos para as aves podendo causar a sua morte.

Uma ave doente apresenta sinais clínicos que devem ser observados e relatados o mais breve possível ao médico veterinário, tais como:

  • Apatia;
  • Emagrecimento (peito facão);
  • Diarreia;
  • Vómitos / regurgitações;
  • Diminuição do apetite;
  • Espirros;
  • Tosse;
  • Secreção nasal e /ou ocular;
  • Dificuldade respiratória;
  • Arranque das penas…

… entre outras ocorrências, assim qualquer alteração observada no comportamento da ave deve ser cuidadosamente avaliada.

Alguns proprietários demoram a procurar auxílio veterinário e, quando o fazem, na maioria das vezes a ave já está muito debilitada, impossibilitando o sucesso do tratamento.

Entre as patologias mais comuns encontramos:

  • Doenças respiratórias;
  • Alterações gastrointestinais;
  • Ectoparasitas (parasitas externos) e endoparasitas (parasitas internos);
  • Problemas de pele;
  • Hepatopatias;
  • Intoxicações por chumbo e zinco.

É importante lembrar que uma nutrição adequada aliada ao controlo de factores ambientais predisponentes a doenças é de extrema importância na manutenção da saúde da ave.

Distinguir uma ave saudável

Arara canindé (Ara ararauna)

Arara canindé (Ara ararauna) | Fotografia: Frederico Lisboa

Sinais de saúde:

  • Olhos: Brilhantes, vivos, limpos, sem secreção nem nebulosidade;
  • Cera: Limpa e seca, sem secreções;
  • Respiração: A ave deve inspirar e expirar sem dificuldades;
  • Bico: Deve ter aparência forte, livre de resíduos de alimentos, secreções e saliva;
  • Pele: Limpa (também em baixo das penas);
  • Pés: Limpos e secos, com pele limpa;
  • Evacuações: Normais, sem mudanças;
  • Peso: Normal, sem ossos à vista, nem muito leve nem muito pesado;
  • Comportamento: Alerta, observador e pronto para explorar coisas novas;
  • Energia: Depende do tipo e da idade; disposto a deslocar-se, cantar, falar e brincar.
Sinais de doença:

  • Olhos: Com secreção, nebulosos, fechados ou semi-fechados;
  • Cera: Com secreção ou crosta;
  • Respiração: Ofegante, difícil, que permite ouvir a inspiração e expiração;
  • Bico: Ferido, quebrado, com resíduos presos nele ou saliva;
  • Pele: Vermelhidão, irritação, com crosta ou escamas;
  • Penas: Dispostas de modo irregular, com formações muito visíveis, penas sem aparência saudável e partes sem penas;
  • Pés: Vermelhidão, irritação, com crosta ou feridas;
  • Evacuações: Qualquer anormalidade, presença de sangue nas fezes, mucosa, fezes e penas ao redor da cloaca;
  • Peso: Perda brusca de peso, falta de apetite, aumento no consumo de “alimentos sólidos”;
  • Comportamento: Mudança de ânimo, cabeça baixada, ou encolhida, penas arrancadas, descaso pelo ambiente e desinteresse em sair da gaiola;
  • Energia: Qualquer mudança em relação ao nível normal, sonolência, passividade.

Quarentena

Agapornis roseicollis

Agapornis roseicollis | Fotografia: Frederico Lisboa

Jandaia amarela (Aratinga solstitialis)

Jandaia amarela (Aratinga solstitialis) | Fotografia: Frederico Lisboa

O que significa quarentena?

É uma denominação dada ao isolamento temporário de aves em geral, ao chegarem a um novo ambiente, para avaliação de seu estado como medida preventiva de controlo de doenças e com isso evitar a sua transmissão.

O período aproximado da quarentena é de 20 a 30 dias.

Durante a quarentena, as aves recém chegadas ficam acomodadas em ambiente isolado do restante da criação e, nesse período, quando possível, devem ser feitos exames clínicos e laboratoriais (parasitológico de fezes), etc., para que as aves possam ser devidamente tratadas antes de serem transferidas para o mesmo local das restante aves.

A arte de criar à mão

Afinal o que é “criar à mão” uma ave?

Papagaios cinzentos criados à mão

Papagaios cinzentos criados à mão | Fotografia: Frederico Lisboa

É uma arte que é praticada há já muitos anos por criadores mais experientes e que exige muita dedicação, paciência e tempo. Consiste em criar uma ave desde o seu nascimento.

E porquê criar à mão?

Certas aves não são tão boas mães como desejávamos que fossem. Algumas partem os ovos, outras não alimentam os seus filhotes e outras ainda os matam. Então para que isso não aconteça, retiramos os ovos ou crias para então “criar à mão”.

Outra situação possível é retirar as aves com alguns dias de vida para podermos criá-las até à fase de serem independentes. Assim tornam-se bastante meigas e sociáveis sendo óptimas mascotes de companhia.

Jandaias amarelas (Aratinga solstitialis)

Jandaias amarelas (Aratinga solstitialis) | Fotografia: Frederico Lisboa

Criar uma ave à mão é muito arriscado, não aconselho a ninguém que não tenha experiência, além de exigir muito do nosso tempo, se não for feito adequadamente pode causar facilmente a morte da ave.

Muitas vezes encontramos crias mortas nos ninhos e, ao criar à mão estamos a dar-lhe uma oportunidade de sobrevivência. Ao retirarmos as crias estamos a contribuir para que a taxa de mortalidade diminua, e os pais com menos crias no ninho, criam muito melhor os restantes filhotes.

Nos dias de hoje já é mais fácil fazê-lo.

Existe muita informação na Internet, em livros e já existem papas próprias para o fazer, bem como os diversos materiais imprescindíveis para a criação de uma ave à mão.

Antes de se aventurar na prática de criar à mão é necessário organizar detalhadamente e programar todas as actividades a realizar. Os resultados obtidos justificam o tempo perdido, estas aves ficam muito dóceis e divertidas, tornando-se facilmente membro da família.

Amigas, fiéis e muito companheiras, necessitam muito de companhia e atenção e de cuidados redobrados por se tornarem tão dependentes do seu dono. Só aconselho a criar à mão se tiver tempo e disponibilidade, caso contrário estará a prejudicar a ave.

Como domesticar uma ave

Arara canindé (Ara ararauna)

Arara canindé (Ara ararauna) | Fotografia: Frederico Lisboa

Domesticar uma ave pode revelar-se uma tarefa frustrante ao início, mas bastante compensatória no final.

As aves que não são “amamentadas” por nós necessitam de mais tempo e paciência para serem domesticadas. Deixo-vos aqui algumas dicas úteis para quem pretenda criar uma relação especial com uma ave:

Os primeiros tempos

  • Fazer uma aproximação sempre tranquila e confiante;
  • Assim que a ave chegar a casa, coloque-a na gaiola o mais rápido possível dando-lhe espaço e tempo para se ambiente ao seu novo lar;
  • Durante este período não se aproxime muito dela caso esta não seja dócil, mas permaneça no seu raio de visão e vá falando com ela;
  • Coloque a gaiola ao nível dos olhos, para que não tenha que se inclinar para falar com a ave, os pássaros manifestam receio perante esta atitude;
  • Atribua-lhe um nome porque isso vai ser importante;
  • Sempre que se aproximar da gaiola mencione o nome da ave e fale sempre tranquilamente;
  • Vá assobiando uma melodia igual de forma a que, sempre que a ave ouvir esta melodia fique mais tranquila;
  • Na altura de limpar ou segurar a gaiola, não faça movimentos bruscos.

Depois da ave estar habituada à sua nova casa e de estar à vontade com a sua companhia

  • Ao dar fruta, não a coloque logo na gaiola: dê-lha na sua mão, se possível sempre às mesmas horas;
  • Dê algo que a ave realmente goste: isso depende muito da espécie e dos gostos da própria ave. Os papagaios adoram amendoins (mas não exagere);
  • Até que a ave venha realmente comer à nossa mão pode levar semanas, sendo necessário uma enorme paciência e dedicação para não perder a confiança da ave;
  • Nunca a tente agarrar sem que seja extremamente necessário. Só poderá fazê-lo quando a confiança entre ambos for grande.

Consolidando a relação

  • Quando a ave já não mostrar medo, acaricie a cabeça ou o peito – sempre com calma e suavemente porque um gesto brusco pode levar tudo à estaca zero;
  • Para que a ave saia da gaiola sem medo ponha uma mão à altura das patas e segure na outra mão um petisco um pouco mais alto, para que ela tenha que utilizar a primeira mão como degrau;
  • Antes de soltar a ave, não se esqueça de verificar se todas as portas e janelas estão fechadas, de retirar todas as plantas venenosas e certifique-se que nenhum outro animal de estimação perseguirá a ave;
  • Na hora dela regressar à gaiola, use o truque do petisco, mas no sentido inverso;
  • Se não resultar, a melhor forma de capturar a ave (e menos traumatizante) é lançando sobre ela um pano, depois de ter escurecido o espaço.
Conselho: Tenha muita paciência e calma que o resultado final é muito gratificante, se a ave for mais teimosa insista e não desista!

Adquirir uma ave

Papagaios do Senegal (Poicephalus senegalus)

Papagaios do Senegal (Poicephalus senegalus) | Fotografia: Frederico Lisboa

Quando adquirir uma ave, deve fazê-lo com o máximo cuidado e apenas após ter feito um estudo exaustivo da espécie, de forma a ter o melhor habitat para a mesma e saber como reagir em caso de risco – seja um periquito de 3€ ou uma arara de 3.000€.

Uma gaiola com dimensões adequadas, alimentação apropriada, água sempre fresca e uma localização onde não esteja nem em correntes de ar, nem em exposição directa ao Sol e em zonas abafadas, são os requisitos mínimos.

De forma alguma adquira uma ave num local onde não lhe saibam dar informações detalhadas sobre a mesma. Em caso de necessidade não lhe poderão ajudar. Não deve além disso comprar um animal que tenha falta de penas, esteja manifestamente “murcho” ou em que note fezes completamente líquidas.

Aspetos a considerar antes de comprar um psitacídeo

Papagaio diadema (Amazona autumnalis ou Amazona diadema)

Papagaio diadema (Amazona autumnalis ou Amazona diadema) | Fotografia: Frederico Lisboa

Se adquirir um psitacídeo mais velho, deverá ser alegre e vivaz, os olhos devem ser brilhantes e deve-se movimentar activamente na gaiola.

Caso a ave esteja com uma patinha recolhida ou com a cabeça entre as asas, provavelmente está doente, se não estiver com sono e não o conhecer, ele reagirá logo se colocar a sua mão próxima da gaiola tentando bicar ou pedir carinho.

Plumagem

Um papagaio deve ter penas brilhantes, cores vivas e ser bem macias. Penas desordenadas, sem cuidado, sem boa aparência, opacas podem ser um indicativo de doença! Em bebés, as penas podem ainda não estar completas, mas devem cobrir todo o corpo com uma espécie de canudinhos.

Alimentação

Verifique se os recipientes de comida estão a ser usadas, uma ave que não come, seguramente está doente. Se averiguar que a ave esteja a comer pouco é indicativo de problema. Também um hábito de má alimentação pode causar problemas futuros.

Fezes

Se as fezes estão aguadas, ou se existe um anel de água ao redor das fezes sólidas, isto pode ser um indicativo de doenças ou de uma pobre dieta alimentar. As fezes devem ser sempre sólidas e verdes com uma pequena parte branca.

Um psitacídeo tem uma longa vida e requer cuidados, gastos e muita atenção! Não adquira se não puder atender a todas as suas necessidades!

Araras e papagaios

Papagaio campeiro (Amazona ochrocephala)

Papagaio campeiro (Amazona ochrocephala) | Fotografia: Frederico Lisboa

As araras e os papagaios foram sempre as aves de estimação mais cotadas e apreciadas por todos nós, tendo a simpatia de todos devido à sua habilidade de imitar a voz humana.

Existem relatos de araras em cativeiro que viveram 60 anos e de papagaios que viveram 80 anos. Ao adquirir uma ave selvagem nascida em cativeiro, a longevidade dessa ave depende exclusivamente do tipo de ambiente, alimentação e cuidados que lhes disponibilizamos.

Os psitacídeos possuem características muito marcantes e o seu fenótipo é reconhecido de imediato, embora variem drasticamente de tamanho, desde as 25 gramas (forpus) até aos 1,5 quilos (araras). Possuem bicos altos e curvados, lembrando o das aves de rapina. Impressiona o peso da cabeça de uma arara, devido ao tamanho colossal do bico que, por exemplo, numa ave de 940 gramas atinge 180 gramas (19% do peso total da mesma).

Os papagaios são definidos como aves de bico com formato arredondado, maxila móvel, articulada ao crânio, com movimentos de extensão que aumentam a potência do bico, usado para partir sementes duras. Possuem línguas grossas, sensíveis e riquíssimas em papilas gustativas.

Estas aves têm um papo grande que é usado para armazenar durante horas a ceva que será dada aos filhotes.

Os psitacídeos têm uma visão apurada possuem na retina, duas fóveas. O tarso é muito curto, com o quarto dedo (dedo externo) deslocado para trás, junto ao primeiro. A grande habilidade dos dedos é controlada por uma musculatura peculiar. Asas compridas e fortes, plumagem curta e dura.

Psitacídeos mais comuns que podemos adquirir

Calopsitas ou caturras (Nymphicus hollandicus)

Calopsitas ou caturras (Nymphicus hollandicus) | Fotografia: Frederico Lisboa

Antes de decidirmos que tipo de papagaio vamos adquirir, devemos conhecer o máximo possível de cada espécies e escolher quais os atributos que nós queremos num animal de estimação.

Se não tem experiência, escolha primeiro uma ave de pequeno porte como agapornis, calopsitas ou periquitos. São facilmente domesticáveis, também podem ser óptimos animais de estimação e não são tão dispendiosos.

Papagaios, cacatuas e araras são um pouco mais ruidosos e necessitam de um maior grau de exigência, com cuidados mais especializados.

Se tem intenções de ensinar o seu psitacídeo a falar, terá de adquiri-lo o mais jovem possível, para que ele se adapte a si, se sinta bem e confiante consigo. Só assim terá uma ave palradora e feliz.


 

Araras

  • Ruído alto;
  • Muito dispendiosas;
  • Óptimas companheiras;
  • Muito barulhentas;
  • Podem ser agressivas com estranhos;
  • Bico fortíssimo e garras poderosas;
  • Alimentação cara e difícil;
  • Não são boas para aprender a falar.

 

Papagaios

  • Ruído médio;
  • Dispendiosos;
  • Óptimos companheiros;
  • Geralmente falam muito bem;
  • Afeiçoam-se muito a um só dono;
  • Grande variedade de cores.

 

Papagaios cinzentos

  • Ruído médio;
  • Dispendiosos;
  • Óptimos companheiros;
  • Óptimos faladores;
  • Muito inteligentes;
  • São os únicos que imitam voz humana, aprendem mais de 200 palavras;
  • Os mais apreciados entre os papagaios;
  • Muito ativos e divertidos.

 

Calopsitas / Caturras

  • Ruído médio;
  • Óptimas companheiras;
  • Óptimas cantoras, podem aprender algumas palavras;
  • Assobiam muito bem;
  • Muito ativas e alegres;
  • Podem-se tornar barulhentas se não viverem em casais ou grupos;
  • Precisam de espaço para poder abrir as asas.

 

Cacatuas

  • Ruído alto;
  • Muito dispendiosas;
  • Exigentes;
  • Geralmente boas para falar;
  • Tendência para gritar alto;
  • Óptimas companheiras;
  • Ativas e divertidas;
  • Precisam de muito espaço.

 

Jandaias

  • Ruído alto;
  • Preço acessível;
  • Óptimos companheiros;
  • Assobiam muito bem;
  • Muito ativos e alegres;
  • Não aprendem a falar, mas imitam alguns sons;
  • Grande variedade de espécies.

 

Agapornis

  • Ruído baixo;
  • Muito baratos;
  • Fáceis de acomodar em gaiolas relativamente pequenas;
  • Fáceis de domesticar;
  • Não aprendem a falar, mas imitam alguns sons tais como assobios e beijos;
  • Grande variedade de cores;
  • Extremamente ativos e divertidos;
  • Precisam de um parceiro da mesma espécie.

Este artigo foi publicado na Revista nº 5 do Mundo dos Animais, em Fevereiro de 2008, com o título “Psitacídeos”.

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