A Misteriosa Saga do Pinguim Happy Feet

Pinguim-imperador Happy Feet

Fotografia: AFP / Marty Melville

O Happy Feet era um pinguim-imperador que, em Junho de 2011, se perdeu e foi parar à Nova Zelândia.

Todos os passos da sua recuperação e libertação foram acompanhados atentamente pelos media internacionais, mas o final foi algo inesperado e misterioso.

Neste artigo agrupamos por ordem cronológica tudo o que escrevemos sobre a história do Happy Feet, do início ao fim.

Pinguim perdeu-se e foi parar à Nova Zelândia (24-06-2011)

Pinguim-imperador Happy Feet

Um pinguim-imperador perdeu-se e acabou por ir parar à Nova Zelândia, a mais de 3 mil quilómetros da sua colónia, na Antártida. O jovem pinguim foi transportado para o Zoo de Wellington, para receber tratamento, embora a chance de sobrevivência não seja superior a 50%.

Quando o pinguim foi encontrado na praia de Kapiti, na ilha Norte, as autoridades de conservação neozelandesas optaram por deixa-lo na praia, a fim de reencontrar livremente o caminho para casa. No entanto, as temperaturas elevadas (cerca de 10ºC, quando o pinguim só está habituado a temperaturas abaixo de zero), fizeram com que o seu estado de saúde começasse a piorar.

Além disso, e sentindo o calor anormal, o pinguim fez aquilo que costuma fazer na Antártida, ou seja, ingerir neve para se refrescar. No entanto e uma vez que não encontrou neve na praia, ingeriu areia e pequenas pedras, que em vez de refrescarem o seu corpo, fizeram exatamente o oposto e a temperatura aumentou ainda mais.

Pinguim perdido viaja para casa (21-08-2011)

Pinguim Perdido na Nova Zelândia

Fotografia: Lydia Uddstrom

O Happy Feet, como foi apelidado, recuperou e vai embarcar num navio de pesquisa, dia 29 de Agosto, que lhe vai dar boleia até ao seu habitat.

Happy Feet é um pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri), surpreendentemente encontrado a vaguear numa praia neozelandesa (o último avistado naquele país tinha sido em 1967), apresentando um estado de saúde débil, particularmente devido ás temperaturas demasiado altas para o animal e pelo facto de, em desespero, ter confundido a areia com neve – os pinguins ingerem neve quando têm calor e assim refrescarem e hidratarem o seu corpo, mas a areia teve exatamente o efeito oposto e subiu ainda mais a temperatura do animal.

O pinguim, um macho adulto, foi então transportado e tratado no Wellington Zoo, onde os veterinários removeram cirurgicamente mais de 3 quilos de areia, um procedimento dividido por 3 cirurgias no espaço de 4 dias, a cargo de John Wyeth, um gastroenterologista do Hospital de Wellington que ofereceu os seus serviços para ajudar a salvar o pinguim.

Com uma chance inicial de sobrevivência não superior a 50%, a verdade é que o Happy feet recuperou e já se encontra em condições de regressar a casa, a mais de 3 mil quilómetros de distância. Para o efeito, vai apanhar uma boleia no navio Tangaroa, do National Institute of Water and Atmospheric Research (NIWA), que o vai deixar perto da Ilha Campbell, uma zona habitual de alimentação destes pinguins.

A esperança é que o pinguim reconheça a área e nade até à Antártida, onde os pinguins-imperadores vivem em colónias que vão desde algumas centenas até vários milhares de indivíduos.

“A equipa do NIWA está entusiasmada com este convidado especial a bordo” referiu o coordenador da investigação Rob Murdoch, acrescentado que o pinguim “conquistou o coração dos neozelandeses e das pessoas em todo o mundo, e estamos muito contentes por sermos capazes de ajudá-lo a regressar em segurança ao Oceano Austral”.

Durante a viagem, o pinguim terá uma jaula especificamente desenhada para ele, fria e confortável, sendo também vigiado em permanência por um veterinário e dois elementos da equipa do NIWA. O “Happy feet” terá também um pequeno implante que vai permitir seguir via satélite o caminho que irá fazer, uma viagem que pode ser acompanhada no site do Wellington Zoo.

Os pinguins-imperadores são os maiores pinguins existentes, capazes de crescer até 1,15 metros de altura. As razões que o levaram a um desvio tão grande da sua colónia permanecem um mistério, embora os cientistas afirmem que uma vez que estes pinguins nadam em mar aberto durante o Verão Antártico, este em particular pode, simplesmente, ter nadado mais do que o suposto até acabar perdido.

Pinguim perdido já se encontra em liberdade (05-09-2011)

O Pinguim Happy Feet já foi libertado nas águas do Oceano Austral

O Happy Feet, o pinguim que apaixonou o mundo depois de ter ido parar à Nova Zelândia, a mais de 3 mil quilómetros da sua colónia, foi libertado ontem (Domingo) no Oceano Austral. Agora, o Happy Feet terá de nadar cerca de 2 mil quilómetros até casa.

“É um sentimento indescritível ver um paciente finalmente a ser libertado. É definitivamente a melhor parte do trabalho” disse a veterinária cirurgiã Lisa Argilla, que tratou do pinguim depois de ele ter sido encontrado em estado de saúde muito debilitado numa praia da Nova Zelândia, em Junho.

O Happy Feet foi libertado a cerca de 2 mil quilómetros de “casa”, esperando-se agora que nade e se encontre com outros pinguins-imperadores nesta nova jornada.

A viagem ocorreu a bordo do navio Tangaroa, que partiu para uma expedição do NIWA e deu boleia ao convidado mais especial. No entanto, e após 6 dias de viagem numa jaula especialmente desenhada para o acondicionar e manter fresco e confortável, o pinguim precisou de ganhar coragem para sair da segurança da sua jaula e aventurar-se no oceano novamente.

Para o efeito, foi também desenhado um “escorrega”, que o pinguim utilizou de forma tímida e ás arrecuas. Mas, assim que tocou na água, não perdeu tempo a começar a nadar para longe do navio.

Recorde-se que o Happy Feet é um pinguim imperador (Aptenodytes forsteri) que por algum motivo se desviou mais de 3 mil quilómetros até acabar a vaguear numa praia neozelandesa.

Afetado pelas temperaturas daquele país, muito mais elevadas do que as do seu habitat natural, o pinguim ingeriu pedras e areia a pensar que era gelo, uma vez que quando sentem calor no seu habitat natural, ingerem gelo para se refrescar e hidratar. A areia e as pedras tiveram o efeito oposto e ainda aqueceram mais o Happy Feet, que ficou com uma taxa de sobrevivência não superior a 50%.

O Happy Feet foi então transportado de urgência para o Wellington Zoo onde os veterinários removeram mais de 3 quilos de areia em 3 cirurgias realizadas no espaço de 4 dias. A história do Happy Feet apaixonou toda a Nova Zelândia e rapidamente correu mundo.

Cerca de 2 meses depois, o Happy Feet não só sobreviveu como recuperou totalmente e ficou pronto a apanhar uma boleia que o levasse para perto de casa. Essa oportunidade surgiu há poucos dias, quando a equipa do NIWA, que ia partir numa missão científica, se disponibilizou a levá-lo até ao Oceano Austral.

O plano é o pinguim reconhecer a área, perto da Ilha Campbell onde os pinguins imperadores se costumam alimentar, e de seguida encontrar o caminho até à sua colónia, a cerca de 2 mil quilómetros dali. Esta viagem pode ser acompanhada através do site do Happy Feet, uma vez que o pinguim leva consigo um microchip de rastreamento via satélite.

Já existem planos para produzir um documentário que conte toda a história e aventura deste pinguim que, apesar de tudo, teve toda a sorte do mundo.

O que aconteceu ao pinguim Happy Feet? (13-09-2011)

Satélite deixou de receber qualquer sinal na passada Sexta-feira

O pinguim Happy Feet, cuja história apaixonou o mundo inteiro, desapareceu sem deixar rasto. O que terá acontecido ao famoso pinguim?

Desde a passada Sexta-feira, o satélite que acompanhava o trajeto do pinguim deixou de receber qualquer sinal do mesmo.

Recorde-se que o pinguim levava consigo um pequeno dispositivo de rastreamento, que tinha vindo a registar todas as localizações do pinguim desde que foi libertado (imagem em cima) do navio Tangaroa, que lhe deu a boleia desde o Wellington Zoo, onde foi tratado, até ao Oceano Austral, para que pudesse reencontrar o caminho de volta à sua colónia.

As localizações do pinguim puderam ser acompanhadas numa página dedicada ao mesmo, Sirtrack – NZemperor, até ao sinal deixar de ser transmitido, depois de ter nadado cerca de 115 quilómetros. Apesar de existirem várias possibilidades para o sucedido, ninguém descarta o pior cenário, igualmente realista: o pinguim pode ter sido morto por um predador.

Satélite deixou de receber qualquer sinal na passada Sexta-feira“Provavelmente nunca vamos saber o que provocou o fim das transmissões, mas este é o momento de cairmos na realidade e percebermos que o pinguim voltou ao anonimato, de onde tinha vindo” disse Colin Miskelly, do Museu de Wellington.

“Talvez, mas apenas talvez, o Happy Feet nos faça uma surpresa e seja encontrado numa das colónias monitorizadas de pinguins imperadores, e que o pequeno dispositivo colocado na sua pele nos relembre que, há muito tempo atrás, aquele pinguim era algo mais do que um simples pinguim”, concluiu, mantendo a esperança de que o pinguim possa vir a ter um final feliz.

Kevin Lay, na equipa do Sirtrack que acompanhava a localização do pinguim, afirmou que “Para não ser invasivo, vamos apenas pensar que o dispositivo caiu. Que era suposto ficar por cinco ou seis meses mas que só durou duas semanas”.

Lay acrescenta que “existem algumas espécies predadoras dos pinguins imperadores, não sendo no entanto muito provável devido à localização onde se encontrava quando deixou de emitir sinal”.

Não foi dinheiro mal gasto

Apesar do pinguim ter desaparecido pouco depois da sua libertação, e poder estar mesmo morto, os cerca de 30 mil dólares (cerca de 22 mil euros) gastos em todo o processo de salvamento e reabilitação do pinguim, não foram considerados mal gastos.

Lisa Argilla, a veterinária do Wellington Zoo que é creditada como a grande responsável pelo salvamento do Happy Feet, referiu que o pinguim foi um embaixador para a sua espécie, espalhando por todo o mundo uma mensagem de conservação muito, muito importante.

“Isso faz com que cada cêntimo tenha valido a pena” concluiu.

O fim da saga – pelo menos, para nós

Chega assim ao fim a história do Happy Feet, para nós, com a esperança que de que para o pinguim, esta possa continuar. O jovem pinguim, por algum motivo, tinha-se desviado mais de três mil quilómetros de casa e foi encontrado a vaguear numa praia da Nova Zelândia.

O seu estado de saúde era muito débil pois, devido ás temperaturas muito mais altas do que as do seu habitat natural, o pinguim tentou refrescar-se ingerindo areia da praia – que confundiu com o gelo do seu habitat – o que contribuiu para a sua temperatura corporal aumentar ainda mais.

Com uma chance de sobrevivência pequena, foi levado para o Wellington Zoo onde foi sujeito a três cirurgias no espaço de quatro dias, nas quais lhe foram removidos cerca de três quilos de areia e rochas. Após um período de recuperação e reabilitação, ao mesmo tempo que a história se espalhava pelo mundo, o pinguim foi dado como apto e pronto a regressar à natureza.

Assim, surgiu a oportunidade de lhe dar uma boleia até ao Oceano Austral, pelo navio Tangaroa, que ia partir numa expedição da NIWA.

Após seis dias de viagem a bordo do Tangaroa, o Happy Feet foi libertado, levando consigo um pequeno dispositivo para permitir rastrear o seu percurso.

Com o final inesperado das transmissões, resta-nos compreender que tudo o que devia ter sido feito, foi feito, o pinguim demonstrou como é possível fazer um trabalho fantástico pelos animais e como uma história de luta e sobrevivência se pode tornar inspiradora.

Para os fãs e olhares curiosos, a saga terminou. Fica a esperança que a saga do Happy Feet continue, ainda que de forma silenciosa, anónima e escondida, de mais um entre muitos pinguins, mas que apaixonou todo o mundo.

Tópicos: Pinguins, Aves, Animais Selvagens