Do Lobo ao Cão: Comportamento e Necessidades

Do lobo ao cão

Há mais de dez mil anos, o homem foi buscar à selva aquele que seria o seu primeiro animal doméstico, o lobo.

No início, este continuava a ser apenas um animal selvagem domesticado. Com o tempo, através de um longo processo de domesticação, o lobo “transformou-se” em cão.

Neste processo, combinaram-se dois factores que permitem a relação privilegiada que faz do cão o nosso animal de estimação mais próximo:

  • A dependência do homem, resultante da domesticação;
  • Os comportamentos sociais, herança do lobo que continua viva no cão.

Tal como o lobo, o cão está estruturado para viver em grupo. Isso significa que está preparado para se integrar num grupo social, aceitando as regras necessárias à vida em comum. Assim, um desenvolvimento saudável do cão requer um contacto próximo com os seus “companheiros de matilha”, isto é, os seres humanos com quem vive.

O cão necessita igualmente de receber os cuidados e executar as ocupações adequadas à sua espécie e raça. Nestas condições, não terá dificuldade em aceitar um “chefe de matilha humano”.

Alguns aspectos determinantes do desenvolvimento do cão têm lugar numa idade muito precoce. Para que a sua integração na “matilha“ humana e no nosso mundo civilizado decorra da melhor maneira, é indispensável que o animal seja correctamente tratado e estimulado, desde cachorro.

Com as suas quase 400 raças diferentes, o cão é hoje um dos animais de estimação favoritos. No entanto, antes de se decidir a adquirir um cão, convém reflectir seriamente em determinados pontos. Um cão não é um animal que se possa enfiar simplesmente numa gaiola, como um pássaro ou um coelho, por exemplo. Também não pode ser deixado todo o dia entregue a si próprio, como um gato; muito pelo contrário, o cão exige tempo e dedicação, e isso é algo em que se deve reflectir previamente.

Está disposto a assumir a responsabilidade de um cão, quer perante o próprio animal, quer perante as outras pessoas, durante um período de dez ou mais anos? Não se pode simplesmente vender o cão ao fim de alguns anos, se ficar farto dele, o animal não aguentaria.

Está disposto a dedicar grande parte do seu tempo livre ao animal, a levá-lo a passear, quer chova ou faça sol? A gastar com ele o tempo necessário ao treino e às ocupações adequadas e indispensáveis a uma convivência harmoniosa?

A manutenção de um cão é dispendiosa. Ao preço de compra, que varia em função da raça escolhida, acrescentam-se os custos da alimentação e material, como coleiras, trelas, cesto e brinquedos.

Há ainda que ter em conta a taxa municipal, o seguro de responsabilidade civil e o microchip. Por fim, não podemos esquecer as despesas do veterinário: o animal terá de ser vacinado e desparasitado com regularidade. Em caso de doença ou de uma eventual operação, os custos ascendem facilmente a várias dezenas se não mesmo centenas de euros.

E durante as férias? Se não puder, ou não quiser, levar o seu cão consigo, terá de encontrar alguém que se disponha a cuidar dele e que o saiba fazer, ou então a alternativa será sempre um hotel canino o que vai levar a gastar mais dinheiro.

O tipo de casa é igualmente importante em termos de escolha da raça do animal: cães grandes e pesados não são apropriados a um apartamento, sobretudo se o prédio não tiver elevador. Por um lado, a subida e descida constante das escadas acaba por ter reflexos nocivos nas articulações do cão, por outro, em caso de doença ou ferimento, o animal poderá ficar temporariamente impossibilitado de subir escadas. Assim se mora num andar, não deverá escolher um cão no qual não consiga pegar ao colo.

Este artigo foi publicado na Revista nº 7 do Mundo dos Animais, em Agosto de 2008, com o título “Do lobo ao cão”.

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