A Esgana

Esgana ou Doença de Carré

Fotografia: Red Wolf

A esgana ou doença de Carré é provocada por um vírus da família dos Paramyxoviridae. Atinge os canídeos de todas a idades sendo, no entanto, muito mais frequente nos animais jovens. De todas as doenças infecto-contagiosas que afectam os cães, apenas a raiva tem uma taxa de mortalidade superior à da esgana.

A contaminação é, em geral, feita de forma directa, ou seja, de um animal doente para um animal saudável, por inalação.

Sintomas da esgana

Esta doença afecta o tracto respiratório e o globo ocular, com associação de amigdalite, conjuntivite, bronquite, bronquiolite ou pneumonia, situações que podem ser mais ou menos fugazes e até auto-limitadas.

Afecta depois o tracto gastrointestinal, com um quadro de febre, desidratação, vómitos e diarreia profusa e, por fim, afecta o sistema nervoso.

É quando o vírus atinge o sistema nervoso central que se manifestam no animal comportamentos nervosos espasmódicos, contracções musculares involuntárias e descoordenação motora.

A evolução da doença vai ocorrendo à medida que as defesas próprias do organismo vão entrando em falência. Durante todo o percurso da doença observa-se um quadro geral de hipertermia.

A esgana, que apresenta uma mortalidade elevada face aos índices de morbilidade, pode produzir nos animais, na eventualidade de se controlar clinicamente o problema, a persistência dos sinais nervosos ou sequelas, que podem permanecer durante toda a vida do animal.

Muitas vezes a evolução da doença não ocorre pela ordem referenciada, manifestando o animal um conjunto de sintomas não comuns, configurando um quadro de doença atípica. Cada vez mais se torna mais vulgar o afastamento dos sintomas face ao padrão teórico calculado e esperado.

Diagnóstico

Para além de eventuais avaliações laboratoriais, o diagnóstico de esgana pressupõe a existência de, pelo, menos, quatro de um conjunto de várias situações típicas: animais jovens, sintomas respiratórios e digestivos, corrimento nasal e conjuntivite com corrimento purulento, febre e sintomas nervosos.

A gravidade e a evolução da doença dependem do grau de imunidade do cão e da sua resistência intrínseca, que por sua vez se encontra directamente relacionada com o seu estado nutricional e com a existência de outros processos patológicos concomitantes. A carga viral que atinge o animal é também um factor determinante do desenvolvimento e evolução da doença.

Controlo e tratamento

Entende-se como imprescindível no controlo da patologia o cumprimento rigoroso das medidas que incidem sobre o animal e sobre o seu meio envolvente.

Assim, a desinfecção profunda dos locais é fundamental e, após a manipulação do doente, é muito aconselhável mudar de roupa, designadamente a bata, bem como ter cuidados acrescidos de higiene pessoal (tais como lavar e desinfectar as mãos).

Pretende-se um rigoroso isolamento ou quarentena do animal doente, de forma a não se constituir num foco de disseminação da doença para outros animais. O animal doente deve ser mantido em boas condições de conforto e higiene, e no sentido de controlar a propagação da doença, dever-se-á proceder ao plano de vacinação dos outros animais.

O tratamento instituído passa sempre por medicação específica, nomeadamente pela administração de soro rico em anticorpos específicos, de antibióticos e tratamento de suporte para aumentar a resistência orgânica do animal.

Apesar de possível, o tratamento da esgana não tem êxito assegurado, pelo que o respeito pelo protocolo de vacinação é fundamental.

Este artigo foi originalmente publicado no antigo Fórum Mundo dos Animais, em Novembro de 2007, com o título “Doenças infecto-contagiosas: A esgana”.

Tópicos: Treino e Manutenção de Cães, Saúde Animal, Cães, Animais de Estimação