Quer um Cão de Raça Portuguesa? Saiba Tudo Sobre Cada Uma

Cão da Serra da Estrela

Fotografia: Patinhas de Pedro Marques

São dez as raças portuguesas certificadas pelo Clube Português de Canicultura. Todas de origens muito antigas, dividem-se nas mais variadas funções de caça, guarda de rebanho e pastoreio e tamanhos, indo dos mais pequenos como o Podengo aos tamanhos XL, como é o caso do Rafeiro Alentejano e do Cão de Gado Transmontano.

As raças de cães portuguesas estão pouco disseminadas e só de há uns anos para cá começaram a conhecer território além-fronteiras. São rústicas, pouco apuradas e não sofreram alterações genéticas de relevo ao longo dos anos.

Algumas, como o Serra d’Aires, o Podengo, o Perdigueiro e o Cão de Água Português são já comummente aceites como cães de companhia por terem características mais simpáticas e fáceis de lidar.

Outros, como por exemplo, o Cão de Gado Transmontano, o Serra da Estrela ou o Rafeiro do Alentejo passam na atualidade por um processo de transação: são cães com temperamentos muito próprios, daqueles que estão habituados às suas funções de guarda de rebanho, um tanto ou quanto inflexíveis, mas que cada vez mais, os portugueses optam por acolher no seio da sua família.

Porquê? Não se podem comparar a Pastores Alemães e Rottweilers que praticamente dominam o mundo das raças caninas devido à sua popularidade. Não se podem comparar às inúmeras raças de cães de companhia que habitam nas nossas casas, aqueles que as crianças pedem aos pais: “Mãe, Pai, quero um cãozinho daqueles.”

Mas atualmente, os esforços feitos pelos diferentes clubes e associações das diferentes raças contribuíram para uma maior divulgação e promoção dos nossos cães, levando a que, nos últimos dois anos (2013 e 2014) a maioria das raças portuguesas figurem no top 20 dos registos individuais do Clube Português de Canicultura a par de outras raças mundialmente apreciadas como o Labrador, o Golden Retriever, Beagle e Pastor Alemão.

Quer ter um cão de raça portuguesa? Existem muitos casos, famílias portuguesas que cada vez mais preferem ter como “novo membro” uma raça orgulhosamente nossa. Mesmo privados do seu “habitat natural” e das suas funções no campo, não deixam de ter quem proteger: o pastor a quem é fiel torna-se o pai, a mãe e as crianças, a sua família.

No caso de procurar um animal de estimação para a sua casa e existir especial interesse por raças portuguesas, saiba de algumas características e factos sobre cada uma que podem influenciar a sua escolha:

Conteúdos:

Cão da Serra de Aires

Cão da Serra de Aires

Fotografia: G’anda Noia da Casa do Seareiro e Carlito de d’Aires da Serra

Classificação: Cães de Pastoreio
Origem: Portugal – Monforte, Alentejo
Altura / Peso: Pode medir até 55 cm e pesar até 27 kg

Variedades de pelagem: Pelo comprido, liso ou ondulado, que pode ser amarelo, castanho, cinzento, fulvo e lobeiro, com variedades claro e escuro, podendo apresentar manchas brancas no peitoral.

Função de origem: Condução e pastoreio de gado.

Principais características: Protetor do seu território, fiel, afetuoso, companheiro, sociável com outros animais, tem instintos de alerta muito fortes o que o tornam vigilante, especialmente durante a noite. É também um bom cão a lidar com crianças.

Ideal para: Famílias que procurem um cão de companhia que também é vigilante, que se adaptem bem a apartamentos e casas pequenas.

Curiosidades: É por vezes apelidado de “cão-macaco” devido à sua aparência, atitudes e até algumas expressões faciais.

Cuidados a ter:

  • Se pretende um Serra de Aires calmo em casa, é preciso exercita-lo convenientemente com passeios regulares;
  • Precisa de ser escovado pelo menos duas vezes por semana, para evitar riças no pelo.

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Cão da Serra de Aires

Fotografia: Carlito de Aires da Serra

Cão da Serra de Aires

Fotografia: Inês com Carlito, G’anda Noia, Azeitona e Alentejana da Serra dos Pastores


Cão de Fila de São Miguel

Cão de Fila de São Miguel

Fotografia: Mkali de Noroeste Suevo em São Paulo, Brasil

Classificação: Molossóide – Tipo Dogue
Origem: Portugal – Ilha de São Miguel, Açores
Altura / Peso: Pode medir até 60 cm e pesar até 35 kg

Variedades da pelagem: O Cão de Fila de São Miguel deve ser sempre raiado em tonalidades de amarelo, cinza e fulvo em tons mais claros ou escuros, podendo ter uma mancha branca na região peitoral / frontal.

Função de origem: Condução e guarda de gado bovino leiteiro e como cão de montaria para a caça ao javali.

Principais características: Corajoso, protetor do que é seu, agressivo para com estranhos; inteligente, aprende com muita facilidade, dócil e voluntarioso em família.

Ideal para: Donos que procurem um cão para defesa pessoal e/ou de propriedades.

Curiosidades:

  • Chamado de “Cão de Vacas” pelas suas funções;
  • As orelhas são cortadas em forma redonda, a imagem de marca da raça, embora com as novas legislações o corte tenha sido proibido e o Fila possa apresentar também a variedade de orelhas inteiras;
  • Dão passos em funções de cães polícia;
  • O comediante português Rui Unas é apreciador desta raça e tem na sua família dois exemplares de Filas de São Miguel, um deles resgatado de um canil.

Cuidados a ter:

  • Esta raça tem um grande instinto protetor e de guarda, pelo que é bastante agressivo para os desconhecidos que se tentam aproximar do seu espaço devendo ser socializado desde cedo;
  • O Fila de São Miguel tem um temperamento muito forte, daí não ser adequado para quem procura o primeiro cão.

Mais fotos:

Cão de Fila de São Miguel

Fotografia: Namek de Luis Lopes

Cão de Fila de São Miguel

Fotografia: Chiara, Leoa e Miguel – Família Cordeiro


Cão da Serra da Estrela

Cão da Serra da Estrela

Fotografia: A cadela DUDA de Miguel Saramago

Classificação: Molossóide – Tipo Montanha
Origem: Portugal – Serra da Estrela
Altura / Peso: Pode chegar aos 73 cm e pesar até 60 kg

Variedades da pelagem: Pelo comprido e pelo curto (esta última mais rara). São admitidas as seguintes cores: amarelo, fulvo e lobeiro e também apresentar manchas brancas.

Função de origem: Cão de guarda de rebanhos.

Principais características: Protetor, defensor, corajoso, territorial, independente; tranquilo, meigo e afetuoso com a família.

Ideal para: Donos que vivam em casas espaçosas ou vivendas com quintal. Devido às suas características, o Serra pode permanecer muitas horas sem o dono, desde que não esteja confinado a um espaço pequeno que lhe dificulte a liberdade de movimentos. Pode adequar-se, por isso, a donos que passem muitas horas no trabalho.

Curiosidades: É a mais internacional das raças portuguesas e também aquela que apresenta mais registos no Clube Português de Canicultura.

Cuidados a ter:

  • O Serra precisa de muito exercício, pelo que mesmo que viva numa casa com muito espaço tem de ser passeado regularmente, de preferência passeios longos;
  • Precisa de uma boa socialização com pessoas e outros animais desde pequeno de forma a propiciar uma boa convivência;
  • É uma raça muito apta a desenvolver displasia da anca pelo que nos primeiros meses de vida é preciso ter atenção redobrada.

Mais fotos:

Cão da Serra da Estrela

Fotografia: Eroica da Ponta da Pinta

Cão da Serra da Estrela

Fotografia: Harpo Max da Ponta da Pinta

Cão da Serra da Estrela

Fotografia: Vise – Alexandre Claro e Inês Resende


Cão de Castro Laboreiro

Cão de Castro Laboreiro

Fotografia: CHPort do Noroeste Suevo

Classificação: Molossóide – Cães de Montanha
Origem: Portugal – Região Norte
Altura / Peso: Pode medir até 64 cm e pesar até 40 kg

Variedades da pelagem: A cor de pelagem predominante é o lobeiro raiado, que pode ser escuro ou claro.

Função de origem: Cão de guarda de rebanhos.

Principais características: Ágil, bastante resistente, nervoso, hostil para com os desconhecidos, inteligente; em família é um cão leal, dócil e obediente.

Ideal para: Donos que procurem cães de defesa de propriedade.

Curiosidades: O Cão de Castro Laboreiro já se sobressaiu em outras funções, tendo já sido utilizado como cão polícia e militar, cão-guia e vencedor de provas de Agility.

Cuidados a ter:

  • Como os restantes Molossóides, o temperamento forte do Castro Laboreiro leva a que o dono tenha de ser firme e assertivo, não sendo adequado a iniciantes.

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Cão de Castro Laboreiro

Fotografia: CervaGL de Luigi Lasso – Itália


Rafeiro do Alentejo

Rafeiro do Alentejo

Fotografia: Bridão de Ana Rodrigues

Classificação: Molossóide – Tipo Montanha
Origem: Portugal – Planícies Alentejanas
Altura / Peso: Pode medir até 74 cm e pesar até 60 kg

Variedades da pelagem: Todas as cores, incluindo raiado, riscado e tigrado são admitidas no Rafeiro do Alentejo desde que a cor branca esteja presente.

Função de origem: Cão de guarda de rebanhos.

Principais características: Rústicos, imponentes, protetores, teimosos, pouco sociáveis se não houver adaptação precoce, independentes; teimosos pelo que são difíceis de ensinar, em constante alerta noturno, pouco energéticos, calmos e afetuosos com a família.

Ideal para: Donos experientes. Devido ao seu baixo nível energético acabam por adaptar-se bem à vida em casa, embora prefiram viver no exterior.

Curiosidades:

  • O Rafeiro do Alentejo esteve à beira da extinção nos anos 70 mas graças aos esforços dos diferentes clubes e associações, a raça foi recuperada;
  • É uma raça muito imatura: só a partir dos 4 / 5 anos estes cães começam a comportar-se como adultos.

Cuidados a ter:

  • Como todos os cães de porte grande, não devem ser demasiado exercitados enquanto pequenos, devendo-se evitar subir e descer escadas. Os Rafeiros do Alentejo são muito propensos a desenvolver displasia da anca;
  • É um cão bastante teimoso e independente, por isso, não aconselhável a donos inexperientes.

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Rafeiro do Alentejo

Fotografia: Bridão de Ana Rodrigues


Podengo Português

Podengo Português

Fotografia: Sonic – Família Freitas

Classificação: Cães de Caça do tipo primitivo
Origem: Portugal
Altura / Peso: Pode medir até 70 cm e pesar até 30 kg

Variedades da pelagem: O Podengo Português divide-se em pequeno, médio e grande (estes últimos mais raros) e pode ter pelo liso ou cerdoso em qualquer uma das variedades – 6 variedades. As cores predominantes são amarelo e o fulvo, podendo ser branco malhado ou malhado de branco nos médios e grandes. Nos pequenos, para além destas cores / padrões, também podem ser castanhos ou pretos (malhados ou não de branco).

Função de origem: Cães de caça de pequenos mamíferos (no caso dos Podengos pequenos) ou de coelhos e até javalis (no caso dos Podengos médios e grandes).

Principais características: Vivos, alegres, bem-dispostos, inteligentes, muito sociáveis com pessoas e outros cães, cuidadosos com crianças, muito asseados, territoriais, estão em constante proteção do seu território e alertam na iminência de perigo.

Ideal para: Famílias com crianças, que procurem um cão que possa viver dentro de casa, sejam as mesmas grandes ou pequenas.

Curiosidades: É uma boa raça portuguesa para ser usada em provas de Agility.

Cuidados a ter:

  • Os Podengos têm um sentido muito forte de proteger o seu território e a sua família, mas não são cães de ataque;
  • Devido ao seu instinto de caça é preciso ter-se cuidado na presença de animais de estimação mais pequenos como coelhos e hamsters;
  • É uma raça que se distrai muito com os cheiros e sons à sua volta; passeado sem trela pode distrair-se e perder-se do dono;
  • Não gosta de estar sozinho, podendo tornar-se muito barulhento.

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Podengo Português

Fotografia: Lusa – Cristina Vidal – Espanha

Podengo Português

Fotografia: Rolo e Carocha – Ana Catarina Alves


Perdigueiro Português

Perdigueiro Português

Fotografia: Sissi

Classificação: Cães de Parar (Caça)
Origem: Península Ibérica
Altura / Peso: Pode medir até 56 cm e pesar até 27 kg

Variedades de pelagem: A cor mais comum é a amarela, que pode ser clara ou escura unicolor, podendo também apresentar malhas de branco na cabeça, pescoço, peito e membros.

Função de origem: Cães de parar durante a caça.

Principais características: Muito altruísta, com grande capacidade de resistência, calmo, curioso, procura muito agradar ao seu dono, é dócil, meigo, afetivo, sociável e muito cuidadoso com as crianças no seio familiar.

Ideal para: Famílias com crianças, por ser um bom cão de companhia. Adapta-se bem à vida citadina, seja em apartamentos, casas pequenas ou grandes propriedades.

Curiosidades: Sempre foi um cão de classes populares desde os seus primórdios, daí ser uma raça extremamente humilde.

Cuidados a ter:

  • É sociável no seu ambiente familiar mas pode ser petulante para com outros cães se lhe forem estranhos;
  • Gosta de ter alguma liberdade, pelo que passeios diários são indispensáveis.

Mais fotos:

Perdigueiro Português

Fotografia: Sissi

Perdigueiro Português

Fotografia: Malu e Indy – Holanda


Cão de Água Português

Cão de Água Português

Fotografia: Summer da Pedra da Anixa e Tor da Casa da Buba

Classificação: Cães de Água
Origem: Portugal – Algarve
Altura / Peso: Pode medir até 57 cm e pesar até 25 kg

Variedades de pelagem: O pelo pode ser comprido e ondulado ou curto e crespo. As cores admitidas são branco, preto ou castanho, ou malhada, combinando o branco com o preto ou o castanho.

Função de origem: Ajudante de pescadores, utilizado para resgatar os peixes que se soltavam dos anzóis e outros objetos que caíam ao mar.

Principais características: Muito energético, simpático, meigo, curioso, inteligente, procura muito agradar ao seu dono. É excelente com crianças e sociável com outras pessoas e animais.

Ideal para: Família com crianças, ideal para quem tem uma propriedade com piscina e que queira um cão brincalhão e aventureiro. É um cão de interior e adapta-se bem a qualquer tipo de casa.

Curiosidades:

  • É o cão português mais popular nos EUA depois de o Presidente Obama ter escolhido um exemplar desta raça para mascote da Casa Branca;
  • É uma das raças prediletas para ser treinado em resgates e salvamentos no mar.

Cuidados a ter:

  • Devido ao seu alto nível de energia, o Cão de Água exige ser muito exercitado;
  • É muito dependente do dono, do qual requer muita atenção, como tal não gosta de estar sozinho e prefere dormir dentro de casa;
  • Precisa de cuidados permanentes com o pelo.

Mais fotos:

Cão de Água Português

Fotografia: Snu

Cão de Água Português

Fotografia: Snu


Barbado da Terceira

Barbado da Terceira

Fotografia: Duda – Família Reis

Classificação: Cão Boieiro
Origem: Portugal – Ilha Terceira, Açores
Altura / Peso: Pode ir até aos 58 cm e pesar até 30 kg

Variedades de pelagem: Pelo comprido e ondulado, de cor amarela, cinza, preta, fulvo e lobeiro em tonalidades claras ou escuras. Malhas brancas são aceites.

Função de origem: Maneio e condução de gado.

Principais características: Inteligente, aprende com muita facilidade, excelente companheiro, muito fiel e meigo para com a família, tem um grande instinto de proteção.

Ideal para: Famílias que procurem um cão de guarda, com a vantagem de que a raça é também um bom cão de companhia. O Barbado adapta-se bem a casas pequenas e apartamentos.

Curiosidades: Foi a décima raça portuguesa a ser aceite pelo Clube Português de Canicultura, o que aconteceu em 2004.

Cuidados a ter:

  • O Barbado é muito ativo e gosta de se sentir útil pelo que precisa de passeios regulares;
  • Tem instintos de guarda muito apurados, pelo que pode ser desconfiado para com desconhecidos.

Mais fotos:

Barbado da Terceira

Fotografia: Tiuhti de Aradik de Hilppa – Finlândia


Cão de Gado Transmontano

Cão de Gado Transmontano

Fotografia: Duque de Catarina Mamede

Classificação: Molossóides – Tipo Montanha
Origem: Portugal – Trás-os-Montes
Altura / Peso: Pode medir até 85 cm e pesar 75 kg

Variedades da pelagem: Esta raça é mais comum em branco com malhas pretas, amarelas ou fulvas. Pode também apresentar uma só cor ou ser raiada.

Função de origem: Cão de guarda de rebanhos.

Principais características: Possante, territorial, reservado, hostil para os desconhecidos; Sensível e meigo em família, pode tornar-se ciumento se não lhe for dada a atenção necessária.

Ideal para: Donos com grandes propriedades com muito terreno exterior. Devido ao seu tamanho, o Cão de Gado Transmontano tem dificuldade em adaptar-se a viver em casas pequenas.

Curiosidades: É a maior das raças portuguesas.

Cuidados a ter:

  • Do tipo Molossóide como o Rafeiro do Alentejo e o Cão da Serra da Estrela, desenvolve muito facilmente displasia da anca e do cotovelo;
  • O Cão de Gado Transmontano necessita de ter um espaço adequado ao seu tamanho e às suas necessidades;
  • Está adaptado ao frio rigoroso dos Invernos no Norte do país e, por isso sofre muito com as temperaturas mais altas.

Mais fotos:

Cão de Gado Transmontano

Fotografia: Violeta da Família Alves

Cão de Gado Transmontano

Fotografia: Violeta de António Alves

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