O que é o Reforço Positivo

O que é o reforço positivo

Fotografia: dawn ellen miller

Neste pequeno texto vou tentar definir reforço positivo, distinguir reforços primários de reforços secundários, dar alguns exemplos de reforço positivo com humanos e animais e ainda abordar a questão do grau de deprivação e da sua influência na performance.

Em treino e psicologia animal, reforço positivo refere-se ao aumento da frequência de um comportamento que conduz a um evento favorável.

Na linguagem do dia-a-dia, um evento favorável é muitas vezes denominado recompensa. Cada individuo é diferente e apenas o aumento da frequência do comportamento após a apresentação do evento favorável ou recompensa, irá ditar que estamos realmente na presença de reforço positivo.

Por exemplo, a maioria das pessoas considera prémios, dinheiro e férias altamente valiosos. No entanto, nem sempre a apresentação destas recompensas aumenta ou melhora o nosso desempenho. Em adição, em casos muitos específicos, existem pessoas que são reforçadas positivamente por reprimendas verbais ou restrições físicas. Por este motivo, uma cuidadosa avaliação é necessária.

Alguns exemplos de reforço positivo no nosso quotidiano: estudar para um exame é reforçado se tivermos boa nota; quando uma criança chora e os pais a deixam ficar acordada até mais tarde o comportamento de chorar aumenta; ganhar dinheiro numa “slot machine” aumenta a frequência de colocar lá dinheiro.

O dinheiro é um reforço poderoso que aumenta a incidência de muitos comportamentos. Um exemplo com animais pode ser o seguinte: dizemos ao cão para se sentar e assim que ele se senta recebe comida. Assim, o comportamento de se sentar quando pedimos irá aumentar no futuro.

Existem dois tipos de reforços positivos: primários ou não condicionados e secundários ou condicionados.

Os primários têm valor para humanos e animais sem necessidade de treino. Alimento e água são alguns exemplos. Estes reforços apenas desempenham essa função se o animal estiver algo deprivado deles (se o cão acabou de comer, a sua motivação para treinar com comida será menor). No entanto, o valor da comida é automático e não necessita de ser emparelhado com outros reforços para adquirir valor.

Dinheiro, boas notas e o completar de um objectivo são exemplos de reforços secundários para humanos. Brinquedos, elogios, o som de um “clicker” são exemplos de reforços secundários para animais. Estes reforços ganham valor por serem combinados com outros estímulos que já eram valiosos para o animal (a combinação pode ser com reforços primários ou secundários).

A primeira vez que o cão ouve o “clicker” o som é totalmente neutro para ele. No entanto, com emparelhamentos deste som com entregas de comida conseguimos que o cão comece a atribuir valor a este som. O dinheiro é um reforço condicionado generalizado pois é combinado com muitos reforços diferentes. Este tipo de reforço é extremamente eficaz na alteração de comportamentos.

O grau de deprivação tem muita importância quando preparamos um plano para treinar um animal. Um animal com fome trabalha mais por comida; um animal com sede trabalha mais por água; um animal que teve muito tempo em repouso trabalha mais por brincadeira; um animal isolado trabalha mais por interacção social.

Ás vezes, um elevado grau de deprivação pode funcionar contra o treinador. O cão pode ficar tão distraído com a antecipação da recompensa que a sua resposta se torna errada e difícil de controlar.

Graus de deprivação muito elevados são mais recomendados para situações em que o comportamento requer respostas rápidas e intensas. Uma vez aprendido o comportamento, o grau de deprivação deve ser reduzido.

Concluindo, um evento pode ser um reforço positivo se aumentar a frequência do comportamento que o precede. O que cada indivíduo considera um reforço positivo pode não coincidir com a percepção de outro indivíduo.

Além disso, um evento pode ser reforço positivo em determinadas circunstâncias para um determinado animal, mas não o ser, para esse mesmo animal, se as circunstâncias mudarem.

Reforços primários ou secundários podem ser eficazmente utilizados para alterar comportamentos, sobretudo se tivermos em consideração o grau de deprivação desses reforços.

Referências:
Kazdin, AE. (2001) Behavior modification in applied settings.(6th ed.). Wadsworth/Thomson Learning.
Reid PJ. (1996). Excelerated Learning. James and Kenneth Publishers, Oakland, CA.

Este artigo foi originalmente publicado no antigo Fórum Mundo dos Animais, em Fevereiro de 2012, com o título “Reforço positivo”.

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