Síndrome de Wobbler nos Cães

Dogues alemães são uma das raças mais afectadas pelo síndrome

Fotografia: Trevor Hurlbut

O síndrome de Wobbler, cujo nome mais correto nos cães é Espondilose Cervical Caudal, trata-se essencialmente de uma disfunção neurológica que provoca uma descoordenação motora no animal.

Este síndrome é geralmente causado pelo estreitamento ou por uma malformação das vértebras da cervical, que causam uma excessiva compressão na coluna cervical do animal.

Isto, sendo suave, causa uma ligeira alteração no andamento dos cães, que aumentará conforme a gravidade do caso.

Outras circunstâncias podem imitar os sintomas. O único diagnóstico definitivo do síndrome é um mielograma, onde a tintura seja injetada na coluna espinal e então a garganta seja flexionada e radiografada.

Raças afetadas

O síndrome de Wobbler é uma doença relativamente comum nas raças de grande porte. As raças mais afectadas (cerca de dois terços dos casos) são o doberman e o dogue alemão, neste último, com maior incidência sobre os jovens.

Outros casos já foram diagnosticados em cães da raça boxer, pastor alemão, basset hound, golden retriever, chow chow, dálmata, são bernardo, labrador retriever, old english sheepdog, rottweiler, irish wolfhound, weimaraner ou fox terrier.

Causa

A causa do síndrome de Wobbler é desconhecida, embora se suspeite de ligações ao rápido crescimento e à genética.

De acordo com a descrição do manual veterinário de Merck, “a causa é desconhecida, embora o rápido de crescimento e a nutrição, fatores mecânicos e genéticos possam ser implicados”.

Alguns criadores afirmam que houve uma diminuição marcada na incidência não somente do síndrome de Wobbler, mas outras doenças que ocorrem durante o crescimento de dogues alemães, quando o peso é mantido para baixo e a taxa de crescimento retardada, através de um controlo especifico da alimentação.

Sintomas

Os sintomas geralmente aparecem em primeiro lugar nas patas traseiras como uma descoordenação suave no andamento (ataxia).

O cão severamente afetado move-se de forma cambaleante, semelhante a uma pessoa embriagada. Esta descoordenação evidencia-se mais quando o cão caminha e é movido rapidamente a dar a volta.

Um proprietário desavisado pode simplesmente concluir que o seu cachorro é apenas desajeitado ou trapalhão, quando na verdade ele já poderá estar a sofrer com fortes dores e incapacidade de utilizar os membros normalmente.

Deve sempre suspeitar de um dogue alemão desajeitado, como um possível portador de Wobbler, algo que uma consulta no seu veterinário assistente poderá esclarecer.

Em dogues alemães, o síndrome de Wobbler aparece com maior frequência entre os dez meses e um ano de idade, embora também se possa manifestar tão cedo quanto as cinco semanas ou tão tarde como os 4 ou 5 anos.

Nos cães da raça doberman geralmente não aparece até que o cão tenha 4 ou 5 anos.

Diagnóstico

Um veterinário fará um exame neurológico ao cão, que inclui frequentemente raios-X à coluna cervical e também um mielograma e/ou uma ressonância magnética.

Tratamento

O tratamento do síndrome de Wobbler pode incluir o uso dos corticosteroides, de uma cinta da garganta e da cirurgia. Enquanto os primeiros tratamentos servem apenas para aliviar os sintomas, o tratamento definitivo é mesmo o cirúrgico.

O objetivo da cirurgia é descomprimir a medula, reposicionando e estabilizando as vértebras afetadas.

Muitos portadores de Wobbler podem viver uma vida longa e livre de dor, com quase nenhum tratamento. Outros deterioram-se rapidamente, sobretudo se já apresentarem paresia nos quatro membros (tetraparesia), e a eutanásia pode tornar-se na única escolha viável.

Este artigo foi originalmente publicado no antigo Fórum Mundo dos Animais, em Outubro de 2007, com o título “Síndrome de Wobbler”.

Atenção: Este artigo é meramente informativo e não substitui a consulta no médico veterinário. O(A) autor(a) e o Mundo dos Animais não se responsabilizam pela utilização indevida destas informações.

Tópicos: Treino e Manutenção de Cães, Saúde Animal, Cães, Animais de Estimação