Tosse de Canil ou Traqueobronquite Infecciosa Canina

Tosse de canil

Fotografia: Will Keightley

Com as estações climáticas frias e húmidas chegando, achei de grande valia compartilhar com os amigos leitores um artigo sobre uma doença que pode nos confundir, e se não diagnosticada em sua fase inicial, poderá ser fatal.

Conhecendo a doença

A traqueobronquite infecciosa canina — um nome bem complicado para a mais popularmente conhecida como tosse do canil — é uma doença conhecida pelo mundo todo, altamente contagiosa entre cães e de proliferação (contagio) muito rápida.

Algumas pessoas olham para os primeiros sinais da tosse de canil como uma tosse simples, porem não devem ser ignorados.

Esta doença é provocada por um ou mais agentes infecciosos tais como vírus (Parainfluenza canina e Adenovírus canino tipo 2) ou bactérias (Bordetella bronchiseptica) que se alojam nas vias respiratórias superiores dos cães. Se seu cãozinho apresentar tosse e espirros, fique alerta e posteriormente procure um veterinário.

Como se desenvolve

Inicialmente, a tosse de canil é uma infeção que debilita as vias aéreas dos cães, pode começar com uma simples garganta inflamada, os deixando expostos posteriormente a uma infeção bacteriana e os predispõe, permitindo que as bactérias se desloquem até a área respiratória inferior, ou seja, os pulmões.

Aí, podem provocar pneumonias e broncopneumonias graves. Há também a probabilidade de bactérias como a já mencionada Bordetella bronchiseptica poder infeccionar as áreas respiratórias logo em sua fase inicial, sobretudo em cachorros com menos de seis meses.

Para se ter ideia do poder da contaminação dessa doença, a transmissão é feita através de tosse secas e espirros, assim como um simples resfriado. Os agentes causadores da doença contaminam objetos, tais como bebedouros, roupa, calçado, brinquedos, caminhas e ou quaisquer material que esteja em seu meio ambiente.

A doença propaga-se muito entre os cães e torna-se mais evidente em zonas mais populadas pelos animais, ou seja, canis (daí o nome mais comum da doença), hotéis, centros de treino, hospitais, exposições ou lojas de animais.

A partir do momento em que o primeiro cachorro se encontra contaminado, todos os cães em redor poderão apresentar a doença em breve. Ela pode mesmo ser contraída num simples passeio em que você leva seu cão e este tem um contado com um cão infetado.

Os climas mais propícios

O contágio entre cães é mais provável em sítios como canis

O contágio entre cães é mais provável em sítios como canis
Fotografia: Robert van Rijn

A tosse de canil manifesta-se com maior frequência em estações do ano ou regiões frias, já que as vias respiratórias estão mais expostas e debilitadas com o clima húmido e a temperatura baixa.

Mesmo assim, nossos mocinhos não estão livre de se contaminarem nas estações ou regiões mais quentes, bastando para isso terem contacto com outro cão já infetado.

Sintomas

Os sintomas surgem cerca de cinco a dez dias após o contato com os animais contaminados. São semelhantes aos resfriadinhos ou gripe, devido à tosse seca e persistente, muitas vezes até confundida com engasgos ou sufocamentos, principalmente em momentos de passeios e exercício físico com uso de coleira ou momentos de muita excitação.

Justamente por conta dessas características, muitos “papais e mamães “ poderão se equivocar e deixar de levar seus mocinhos ao veterinário. Porem, persistindo até dez a vinte dias sem tratar corretamente pelo veterinário, os resultados serão de quadro mais grave como pneumonias ou broncopneumonias, podendo chegar ao óbito.

Em casos já agravados, pode haver vómito após um episódio de tosse, bem como febre, apatia, perda de apetite e perda de peso.

Perfil de cães mais predispostos

Cães bebés, idosos, imunodeprimidos, cães de canil não vacinados, com bronquite crónicas, colapso de traqueia ou anomalias congénitas, são os mais pré dispostos à doença.

Diagnóstico e tratamento veterinário

O veterinário irá analisar inicialmente as tosses repetitivas, posteriormente podendo ser necessário exames complementares.

Assim que diagnosticada a doença, poderá ser administrado:

  • Xaropes ou antitússicos caso não existam ainda infeções como broncopneumonia ou pneumonia, pois nesse caso esses medicamentos podem ser contra indicados. De forma alguma ofereça xaropes para seu cão com tosse sem consultar primeiro o veterinário, pois pode piorar a situação;
  • Anti-inflamatórios (não esteroides), para diminuir inflamações da via aérea e aumentar o apetite, ou seja, ajuda o organismo à fortificar;
  • Antibióticos para combater uma infeção existente ou, de modo profilático, prevenir uma infeção futura;
  • Nebulizações para humidificar as vias respiratórias, para expelir com mais facilidades as secreções e assim eliminar os agentes bacterianos e virais existentes da doença;
  • Bronco-dilatadores, se o cãozinho já estiver apresentando dificuldades respiratórias.

Mais uma vez alerto para que não administre medicação por sua iniciativa, o seu cachorro tem de ser atendido por um médico veterinário primeiro.

Tratamento e cuidados em casa

Após a consulta no veterinário, é de suma importância o “papai e mamãe” ajudar a recuperação do seu mocinho:

  • Disponibilizando uma nutrição adequada;
  • Mantendo uma boa higiene do seu ambiente (utilizando produtos que exterminam a proliferação dessas bactérias e vírus, tais como quaternário de amônia);
  • Assegurando o repouso, uma vez que qualquer queima de energia poderá ocasionar uma maior debilitação;
  • Não permitir a exposição de frio, já que a temperatura baixa pode resultar na proliferação dos agentes causadores da doença;
  • Obviamente é indispensável evitar o contato do seu cão com outros animais saudáveis até total recuperação.

Canil, petshop ou hotel infetado pela doença

Dada a elevada morbilidade da tosse de canil, é indispensável a tomada de medidas de prevenção e de controle da doença.

Em caso de um surto, os cães em petshop, hotel ou canil devem ser isolados. Deve ser feita uma desinfeção vigorosa do local e o tratamento correto administrado pelo veterinário responsável por várias semanas.

Mesmo após o veterinário dar o animal como curado, ainda é necessário continuar a desinfeção do local e só após um determinado período, orientado pelo veterinário, poderá introduzir novos cães no local.

Formas de prevenção

Cachorrinhos bebés são mais vulneráveis a infeções

Cachorrinhos bebés são mais vulneráveis a infeções
Fotografia: Des D. Mona

Antes mesmo de adquirir ou adotar um mocinho, seja de canil, petshop ou até mesmo vindo daquela ninhada de uma amiga cuja fêmea não esterilizada cruzou aleatoriamente, é de suma importância conhecer o bebé.

Perceba se há respiração ofegante seguida de tosse, lembrando que com cinco a dez dias após o contacto com um cão contaminado, o filhote poderá apresentar a doença e por se tratar de um bebe antes das suas vacinas, as possibilidades de contaminação serão maiores.

A vacinação do seu cão é imprescindível para evitar esta doença. Existem dois tipos de vacinas: uma de aplicação subcutânea (igual à maioria das vacinas) e outra de aplicação intra-nasal.

Deve vacinar o seu cão anualmente (juntamente com as restantes vacinas anuais) ou semestralmente se se tratar de um animal de risco (se o tiver que deixar num canil, se o levar a exposições ou se costuma brincar com outros cães nos passeios habituais).

Recomenda-se a vacinação cerca de cinco dias antes de o expor a situações de risco, para que se desenvolva uma proteção eficiente.

Se seu cão apresentar qualquer sintomas mencionado nesse texto, não pense duas vezes: contacte imediatamente o seu médico veterinário. Se possível, veterinários que atendam ao domicilio, para não expor seu mocinho já debilitado a outras cargas virais e bacterianas e ao mesmo tempo não permitir ele possa ser canal de contagio a outros animais.

Também é importante dizer que por vezes os cães, principalmente a raça yorkshire terrier dadas as suas características comportamentais, assim que perceberem que você esta se preocupando com uma tosse, que pode ter origem num engasgo, eles irão repetir só para chamar a atenção.

Então, procure observar “de longe”, ou seja, sem grandes alaridos nas suas ações. Pois mesmo que vinda de um engasgo, se repetitivas, ele poderá desenvolver irritação da garganta, posteriormente inflamação e infeções, o deixando exposto à doença.

Atenção: Este artigo é meramente informativo e não substitui a consulta no médico veterinário. O(A) autor(a) e o Mundo dos Animais não se responsabilizam pela utilização indevida destas informações.

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