Yorkshires Micro: Os Cães são Minis, o Problema é Enorme

Miniaturização dos yorkshires

Olá pessoal amante dos pequenos cabeludos yorkshires terrier.

Existe um tópico que em meu dia à dia de cinofila reprodutora da raça yorkshire sempre está em debate: existe yorkshire micro ou não?

Então aproveitarei esse espaço para tentar cessar essa duvida com algumas explicações. Assim, tanto criador como comprador, poderão se consciencializar sobre o assunto.

Em primeiro lugar, é importante entender que há tamanhos padrões da raça aceites pelo FCI (Federação Cinológica Internacional). O tamanho máximo padrão é de 3,10 quilos, não há nomenclatura para cães acima ou abaixo desse peso.

Vale a pena referir que há cães com porte muscular mais avantajado e isso os leva a ter ter um peso maior, já que a musculatura é integrada por água e por isso pesa mais. Os yorkshires têm que ser compactos, em proporção de altura de cernelha com comprimento.

Óbvio que isso não quer dizer que seu york tenha 10 quilos e seja compacto, pois isso é totalmente inaceitável. Tem de valer o bom senso, pois os yorkshires são cães de porte pequeno.

No mercado cinófilo, são muito procurados os cães de porte pequeno menores do padrão.

Até aí não haveria problemas, pois sempre há os menorzinhos e os maiorzinhos. O grande agravante é que, com o decorrer do tempo, devido à excessiva procura pelos yorks mais pequenininhos, uma massa paralela ao tamanho da raça apareceu: os tais yorkshires micro.

Comecei a pesquisar e conversar com vários veterinários e entendedores da raça e o que descobri foi muito triste: os criadores, em busca miniaturizar os cães, além de os cruzarem consanguineamente sem estudar (lembrando que há cruzamentos consanguíneos chamados inbreeding para uma confirmação da genética de perfeição, porem isso será assunto outro artigo), estão cruzando fêmeas e “forçando” o parto prematuro com cesária, para os fetos não terem total desenvolvimento.

Eles colocam para amamentar os maiores e deixam os menores para último, para não desenvolverem rapidamente (deixando eles com imunidade baixa).

Para fechar com chave de ouro, administram antibióticos injetáveis nos pequenininhos, assim os fungos e bactérias (sintetizados de laboratório) se alojam nos órgãos dos mocinhos e não só desacelera como também bloqueia o desenvolvimento dos órgãos para os fazerem ficar minúsculos.

Resultado: os cães tornam-se pequenininhos, com uma saúde e características lamentáveis (alguns apresentando hidrocefalia, fragilidade óssea, produção de anticorpos pequena, entre outros) e perspetiva de vida de 4 anos (contrabatendo com os saudáveis de 14 anos, no mínimo).

Esses é que são os conhecidos micros.

Quanto maior a procura pelos cães micro, maiores são as chances de aumentarem esse tipo de criação.

Porem, vale a pena referir que nem todo criador que vende micro, seja criador que comete essas barbaridades.

Por vezes são pessoas que não tem conhecimento de que os micros são cães “desenvolvidos artificialmente” e, ao perceberem que em seu plantel há cães menores vindo de pai e mãe menor, anunciam sem saber (eu mesmo já cometi essa gafe, antes de estudar a fundo).

Por isso acho muito importante estar colocando esse assunto aqui, para tentar consciencializar os criadores sérios e dedicados a não usar nomenclatura errada para cães corretos.

Assim os compradores terão também a melhor orientação para não comprar cães sem saúde e perspetiva de vida inferior que os demais.

Uma questão de genética

Miniaturização dos yorkshires

Tudo vem da genética, inclusive o tamanho.

Criadores que estudam seus cães geneticamente encontram em casais a compatibilidade genética, ou seja, tanto o macho como a fêmea possuem carga genética que, ao cruzarem, somam de forma positiva todas as características corretas aos padrões da FCI (beleza, textura de pelagem, coloração, marcação de pelagem, doenças provenientes da raça nula, dentição…).

A partir daí, encontrando a compatibilidade perfeita na teoria (estudos) coloca-se eles para namorarem.

Na primeira ninhada, o criador observa os filhotes em seu desenvolvimento até fase adulta (1 ano). Percebendo que foram confirmados os resultados encontrados na teoria, ele (criador) permite que a fêmea, quando pronta para cruzar, esteja sempre namorando com o mesmo macho.

Como deverá ter percebido, não foi mencionado o tamanho nesse estudo, justamente porque o propósito do estudo de compatibilidade genética é de encontrar as qualidades de características da raça.

Porem, presenciando o decorrer das ninhadas desse mesmo casal, percebemos qual é a carga genética de tamanho que esse casal envia para seus filhotes.

Então, a partir da terceira ninhada desse casal, há a confirmação de progênie, ou seja, a confirmação de todas as características, sendo elas de beleza, doença, biológicas, fisiológicas, anatómicas e claro, de tamanho… aí sim, o criador em questão pode com certeza certificar com autoridade quais as características e tamanho que o filhote terá em sua fase adulta.

Relembro que os filhotes que nascem pequenos demais, não serão necessariamente cães menores em fase adulta, mas sim filhotes que, ou não tiveram uma boa nutrição fetal, ou foram últimos fecundos.

Um exemplo básico, porem pratico: quem me conhece sabe que sou baixinha e isso não quer dizer que quando nasci, minha incubadora era uma caixa de fósforo… eu apenas cresci menos ao decorrer de meu desenvolvimento, por conta da carga genética que meus pais me enviaram.

O mesmo ocorre com os mocinhos, visto que qualquer animal, sendo ele racional ou não, se reproduzido de forma sexuada, envia as mesmas informações de desenvolvimento.

Dizer não aos cães minis

Já conversei com diversos clientes e amantes da raça yorkshire e sempre há aquele que tem ou já teve um cãozinho miniaturizado, ou seja, micro.

Cada um com suas peculiaridades, mas todos com tristeza e arrependimento de ter sido conivente, mesmo que sem querer, com tais métodos atípicos de criação.

Por isso convido aos leitores que tenham, tiveram ou conheceram alguém que teve um cão micro, que compartilhe a experiência ou esse artigo aqui. Quanto mais pessoas conhecem o processo de miniaturização, menos procura pelos micros teremos com certeza.

É assim que conseguiremos interditar aqueles que apenas conseguem enxergar em seres vivos tão perfeitos, apenas dinheiro e alimento para sua ganancia, falta de respeito e egoísmo.

Tópicos: Raças de Cães, Cães, Animais de Estimação, Artigos em Destaque