20% dos Mamíferos em Risco de Extinção

Os elefantes estão entre os mamíferos ameaçados

Fotografia: Brian Snelson

Os números não enganam: pelo menos 20% de todos os animais mamíferos estão a caminhar rapidamente para a extinção, com muitas outras espécies a entrarem também em declínio. A expansão da agricultura e a caça são os principais responsáveis por um período de extinção sem precedentes destes animais.

O estudo, publicado na Philosophical Transactions of the Royal Society B, demonstra que pelo menos 20% de um total de 5.487 espécies de mamíferos catalogados, estão em risco de se extinguirem, com especial destaque para as espécies grandes, como os elefantes (na imagem), que se encontram mesmo em grande risco de desaparecer.

“O exemplo que costumo usar mais frequentemente é o do diabo-da-tasmânia, bem conhecidos de muitas pessoas através dos cartoons de animação Looney Tunes, porque são um exemplo de como uma espécie comum, ou pelo menos não incomum, pode subitamente, através de uma emergência de uma nova ameaça, saltarem para o declínio acentuado” explicou o autor do estudo Michael Hoffmann citado pela Discovery News.

Recorde-se que os diabos-da-tasmânia estão a ser dizimados por um cancro contagioso que provoca tumores faciais, levando à morte os animais em menos de seis meses.

Os maiores animais estão em maior risco

Hoffmann e a sua equipa analisaram os dados recolhidos pela IUCN entre 1996, quando todas as espécies foram analisadas, até 2008, quando foram reanalisadas.

Numerosos animais em ambiente selvagem estão a caminhar rapidamente para o desaparecimento, com particular destaque para os grandes animais: rinocerontes, elefantes, tapires, dugongos, manatins e antílopes.

“As dimensões superiores estão relacionadas com o elevado risco de extinção nos mamíferos porque, entre outras razões, os grandes animais apresentam-se em menor densidade, são lentos a reproduzirem-se e são mais vulneráveis à caça e à exploração” explicou Hoffmann.

Morcego-da-ilha-de-natal (Pipistrellus murrayi)

Morcego-da-ilha-de-natal (Pipistrellus murrayi)
Fotografia: Lindy Lumsden / via Mongabay

A localização dos animais também tem um papel significativo. O sudeste asiático é um local onde a sobre-exploração é um problema sério e populações de animais têm vindo a decrescer de forma descontrolada desde 2008, sendo que alguns animais já estarão, provavelmente, extintos.

Um deles é o morcego-da-ilha-de-natal (Pipistrellus murrayi):

“Em Janeiro de 2009 haviam cerca de 20 indivíduos desta espécie. Em Agosto do mesmo ano, as autoridades foram à ilha tentar capturar alguns destes morcegos para iniciar um programa de reprodução em cativeiro, mas encontraram apenas um, e este fugiu até desaparecer por completo”, acrescentou Hoffmann.

Os Casos de Sucesso na Conservação das Espécies

Apesar de todas as más notícias, existem também alguns casos de sucesso que aumentam a esperança na conservação das espécies. O mesmo estudo referiu que os esforços de conservação foram bem sucedidos nas populações de 24 mamíferos, que aumentaram.

“Os casos de maior sucesso que me vêm à cabeça são os do furão-de-patas-negras (Mustela nigripes) e do cavalo-de-przewalski (Equus ferus przewalskii), ambos considerados extintos na natureza há poucas décadas atrás” referiu Hoffmann, acrescentando que “agora, graças aos programas de reprodução em cativeiro e aos esforços de reintrodução na natureza, as suas populações estão a crescer de forma muito significativa”.

Outro exemplo memorável é o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), cuja população duplicou graças a estes programas.

Redescobrir os Animais Extintos

Brett Scheffers, investigador no departamento de biologia da National University of Singapore, liderou um outro estudo, que se focou nos mamíferos e também nas aves e nos anfíbios, concluindo que nos últimos 122 anos, pelo menos 351 espécies consideradas extintas foram redescobertas.

As redescobertas são sempre entusiasmantes e esperançosas, apesar de não serem totalmente boas notícias: “As redescobertas, sem conservação agressiva, são mais um tipo de extinção adiada de espécies condenadas do que propriamente o regresso de populações em número viável. De forma resumida, a esperança existe, mas temos de dar passos rápidos na conservação das espécies” explicou Scheffers.

Hoffmann concorda e acrescenta: “Temos de aumentar os nossos esforços rapidamente e trabalhar de um modo mais estratégico, coordenado e inteligente, do que temos feito até este momento”.

Tópicos: Animais em Extinção, Conservação, Mamíferos, Animais Selvagens