Alterações Climáticas: Causas, Consequências e Impacto na Vida Selvagem

Os ursos-polares são das mais icónicas vítimas do aquecimento global

Fotografia original: via Pinterest

A evidência cientifica é clara. O nosso clima está a mudar rapidamente, quer por razões naturais, como e principalmente por exploração humana.

Estudos e projeções apresentam números pouco animadores caso as emissões de gás não sejam severamente reduzidas. As alterações climáticas são já consideradas uma das maiores ameaças a longo prazo que a vida no planeta enfrenta.

Só para dar alguns exemplos, veja esta reportagem (em inglês) sobre a potencial perda de um quarto dos animais terrestres e das plantas até 2050, o que totaliza um milhão de espécies perdidas (1 em cada 10 atualmente existentes).

Veja ainda como o aquecimento global pode provocar 500 mil mortes humanas em igual período, ou como todo o gelo do Ártico já poderá ter derretido por essa altura.

Existem ainda numerosos estudos científicos sobre as alterações climáticas a que pode aceder facilmente através da Internet, oriundos das mais respeitáveis organizações. National Academy of Science, Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), World Meteorological Association (WMO), NASA, e tantas outras.

Todas vão de encontro às mesmas conclusões. O consenso científico é de 97 a 98%.

Mas o objetivo deste artigo não é falar sobre previsões. É falar sobre o que está a acontecer agora. Hoje mesmo.

Não podemos correr o risco da inação: até 2050 alguém há-de resolver, há tempo, ou se calhar já nem estou vivo.

Não podemos, porque já estamos a sofrer os efeitos.

2016 foi o ano mais quente alguma vez registado. O segundo mais quente? Sim, esse mesmo, 2015. E o anterior? 2014… A tendência é clara.

De seguida, vamos abordar o que é o aquecimento global, principal fator das alterações climáticas, e de que forma estas alterações estão a destruir os ecossistemas, em particular a vida selvagem.

O que causa o aquecimento global e quais as suas consequências

A seca prolongada é uma das consequências do aquecimento global

Fotografia: Domínio Público

O aquecimento global resulta da acumulação de gases de efeito de estufa na nossa atmosfera, em particular o dióxido de carbono e o metano. Podemos pensar nestes gases, quando estão em níveis normais, como uma espécie de cobertor, que mantém o planeta quente e habitável.

O que tem vindo a acontecer nos últimos 200 anos, é que o ser humano aumentou significativamente os níveis destes gases na atmosfera, especialmente com a queima de combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão a partir da Revolução Industrial.

Ou seja, é como se tivéssemos adicionado mais um cobertor à nossa atmosfera — e agora o planeta está a ficar demasiado quente por causa disso.

Para complicar o problema, estamos ao mesmo tempo a destruir as nossas florestas. As árvores absorvem naturalmente um dos principais gases do efeito de estufa, o dióxido de carbono, pelo que quanto menos árvores existirem, menos dióxido de carbono é removido da atmosfera.

As consequências do aquecimento global são diversas e afetam toda a vida na Terra.

Subida do nível das águas, oceanos cada mais quentes e ácidos, secas cada vez mais longas, vagas de calor, falta de alimento e água doce, gelo polar a derreter, são apenas algumas.

Um clima a mudar rápido demais

A mudança do clima está a ser demasiado rápida

Fotografia: Domínio Público

Os animais necessitam de habitats saudáveis e estáveis para poderem viver.

Alterações climáticas naturais, como as que já aconteceram várias vezes na história da Terra, são geralmente graduais e prolongam-se por milhares ou milhões de anos, o que permite aos seres vivos adaptarem-se e evoluírem.

Certamente nem todas as espécies sobrevivem, mas isso é consequência da seleção natural, que nos diz que são as espécies mais fortes (entenda-se, que melhor se adaptam) que sobrevivem.

O que está a ocorrer por intervenção direta do ser humano, é que as alterações são tudo menos graduais.

Veja o seguinte gráfico:

O impacto das mudanças climáticas e do aquecimento global

Créditos: Vostok ice core data/J.R. Petit et al.; NOAA Mauna Loa CO2 record.

Tal como pode observar, os níveis de dióxido de carbono na nossa atmosfera, ainda que com altos e baixos, sempre se mantiveram abaixo de um determinado nível (a linha horizontal que cobre desde há 400 mil anos até à atualidade).

Em 1950, pela primeira vez a linha é ultrapassada. E nestas últimas décadas, apresenta uma subida a pique que ultrapassa e muito qualquer outro nível que a atmosfera tenha tido anteriormente.

Uma alteração tão acentuada e em tão pouco tempo, não dá espaço para grandes adaptações, se é que dá para alguma. Por isso mesmo os animais estão a sofrer, alguns de forma grave, o efeito das mudanças climáticas.

Sem um travão, o aquecimento global pode tornar-se no fator mais destrutivo da vida selvagem desde o aparecimento do Homem.

Os quatro pilares de um habitat saudável

O aquecimento global coloca em causa os habitats de inúmeras espécies

Fotografia: Irina Menyushina / via The Polar Bear Programme

Vamos então abordar quais são os quatro pilares de um habitat saudável e de que forma cada um deles está a ser afetado.

Os animais precisam de:

  1. Temperaturas adequadas;
  2. Água doce;
  3. Fontes de alimento;
  4. Território para criar os filhotes.

1. Temperaturas adequadas

Nenhuma outra região do planeta está a sofrer tanto com o aquecimento global como o Ártico, que está a perder todo o seu gelo. Os ursos polares são um dos maiores predadores terrestres e necessitam de territórios grandes para caçar e criar os seus filhotes. Com o derretimento do gelo, os territórios destes animais são cada vez mais diminutos.

A subida da temperatura da água provoca o declínio das populações de trutas, salmões e muitas outras espécies que necessitam de água gelada para sobreviver. Estes peixes crescem mais devagar, o nível de oxigénio na água é mais baixo e ficam mais suscetíveis a doenças e parasitas.

A subida da temperatura nos oceanos já provocou graves danos nos recifes de corais, que servem de casa e proteção a diversas espécies de peixes e plantas. Quando um coral morre, todo o ecossistema que ele suporta também desaparece.

2. Água doce

O acesso à água fica cada vez mais condicionado com a subida das temperaturas

Fotografia: Domínio Público

Grandes cheias aumentam os níveis de erosão das rochas, o que diminui a qualidade da água e afeta os habitats aquáticos.

A alteração do padrão das chuvas está a levar à construção de barragens em zonas que afetam tanto peixes como mamíferos, que anualmente migram pelos rios acima.

Seca extrema é fatal para as plantas, das quais os animais selvagens dependem para se alimentar e encontrar abrigo.

A seca também priva os animais de terem acesso à água. Um único elefante necessita de até 300 litros de água por dia, só para beber.

3. Fontes de alimento

O alimento disponível para as espécies migratórias é alterado. As aves, por exemplo, chegam ao seu destino no tempo certo para encontrarem insetos, sementes e plantas com flor, mas devido à subida das temperaturas, essas fontes de alimento dispersaram-se mais cedo ou não chegam sequer a nascer / florescer.

Invernos amenos levam os alimentos previamente armazenados por diversos animais a estragarem-se. Esses animais, que dependem do seu próprio armazém de comida, ficam assim sem sustento.

As populações de krill, que servem de fonte de alimentação para diversos animais tais como baleias, focas, pinguins, lulas, vários peixes e aves marinhas, estão a diminuir. As emissões de dióxido de carbono e acidificação do oceano são fatais para os seus ovos, que não chegam a eclodir.

4. Território para criar os filhotes

As alterações climáticas colocam em risco os territórios que muitos animais utilizam para criar os seus filhotes

Fotografia: Domínio Público

Algumas espécies de aves migratórias chegam aos territórios de nidificação e põem os seus ovos mais cedo do que o normal.

As focas-aneladas dependem quase exclusivamente do gelo ártico para viver e se reproduzir, pelo que são naturalmente afetadas pelo derretimento polar. Além disso, a queda de menos neve leva as focas bebés a saírem prematuramente das suas tocas, numa fase em que ainda não estão preparadas para sobreviver ao ar livre.

Espécies migratórias e outros animais que dependem de pantanais são afetadas pela seca e perdem o seu habitat essencial para se reproduzirem.

O aumento do nível das águas do mar e as alterações de salinidade são uma ameaça para os manguezais (florestas de mangue), o que deixa muitos peixes, moluscos, crustáceos e outros animais sem território para se reproduzir ou sequer se alimentar.

Os ninhos das tartarugas marinhas estão em perigo caso o nível das águas suba. Uma subida de 50 centímetros já colocaria em risco os ninhos em 30% das praias das Caraíbas.

Os animais mais afetados pelas alterações climáticas

Como vimos anteriormente, muitos animais estão a ser afetados pelas alterações nos seus habitats, e alguns estão a mudar o seu comportamento.

Segundo Peter Alpert, diretor do programa de biologia ambiental no U.S. National Science Foundation, na Virgínia, os animais que mais hipóteses têm de sair vencedores das mudanças climáticas são as espécies invasoras, sensíveis ao frio, já habituadas a expandir os seus territórios consoante as necessidades.

Do lado dos perdedores… são todos os outros essencialmente. Em particular, espécies totalmente especializadas no habitat onde vivem.

Um exemplo flagrante são os animais que vivem nas regiões polares, com adaptações físicas e comportamentais específicas para fazer frente ao frio. Além de alterar todo o seu estilo de vida, o Ártico corre o risco de desaparecer por completo, o que virtualmente deixa todos os seus animais sem habitat para viver.

De seguida vamos ver algumas das espécies que são mais afetadas. São muitas, mas foram muitas mais que as deixamos de fora para não tornar o artigo demasiado extenso.

Urso-polar

Urso-polar

Fotografia: Alan D. Wilson / via Wikimedia Commons

Nome científico: Ursus maritimus
Estado na Lista Vermelha: Vulnerável

A vulnerabilidade do urso-polar em relação ao aquecimento do planeta é das mais evidentes, o que o torna no animal mais icónico e representativo dos efeitos das alterações climáticas na vida selvagem.

Ao depender quase em exclusivo do gelo ártico, corre o risco de perder o seu habitat caso este continue a derreter como se tem verificado.

Atualmente, os ursos-polares já estão a ser afetados pelas temperaturas anormalmente elevadas da região polar ártica. Estes animais necessitam de plataformas de gelo para caçar as suas principais presas, as focas.

Com o derretimento cada vez mais acelerado destas plataformas, os ursos são menos eficazes nas caçadas e por vezes não conseguem armazenar reservas de gordura suficientes para sobreviver aos períodos em que as fontes de alimentação são menores, no final do Verão e início de Outono.

Além disso, quanto menos gelo os ursos têm, maiores distâncias são obrigados a nadar para chegar de uma plataforma à seguinte, chegando a morrer afogados por exaustão.

A seu favor tem o facto de não depender de um só alimento. Preferem largamente as focas, mas na ausência destas (também afetadas pela ausência de gelo) podem alimentar-se de carcaças de baleias e até se aventuram a caçar morsas e belugas.

Caso o Ártico desapareça, a continuidade da espécie está claramente em causa.

Leopardo-das-neves

Leopardo-das-neves

Fotografia: Eric Kilby

Nome científico: Panthera uncia
Estado na Lista Vermelha: Em perigo

Os picos gelados das regiões montanhosas também são ameaçados pelas variações climáticas.

O leopardo-das-neves, cuja pelagem branca o leva a mover-se sobre a neve quase como um fantasma, pode ver-se obrigado a caçar com um fundo verdinho por trás, que o denunciará às suas presas mais facilmente.

A população dos leopardos-das-neves é pequena, com apenas 4 mil a 7.5 mil animais na natureza, e já se encontra em perigo de extinção.

Ainda assim, sendo um animal altamente especializado em montanha, mas que não está exclusivamente dependente de certas altitudes, temperaturas, ou quantidade de água disponível, é um dos animais que poderá adaptar-se com maior facilidade — se as outras ameaças humanas que o afetam também forem severamente reduzidas.

Baleia-jubarte

Baleia-jubarte

Fotografia: Domínio Público

Nome científico: Megaptera novaeangliae
Estado na Lista Vermelha: Pouco preocupante

Segundo um estudo publicado na revista científica PLoS One, realizado entre 1984 e 2010, as baleias-jubarte e outras espécies de baleias migratórias estão a ser afetadas pela subida das temperaturas oceânicas.

As baleias estão a alterar as suas migrações e estão a chegar aos seus destinos — onde se encontram as fontes de alimentação — cerca de um dia mais cedo a cada ano. Os investigadores temem que as baleias deixem de conseguir chegar no tempo certo, em simultâneo com a ocorrência de krill e pequenos peixes em cardume, de que se alimentam.

O próprio krill está a diminuir. Estudos anteriores já tinham revelado que a população de krill diminuiu cerca de 80% desde meados de 1970. Com menos abundância de krill, animais como a baleia-jubarte têm menos alimento à disposição. Não é assim de estranhar que, recentemente, tenham dado à costa baleias-jubarte com sinais de severa desnutrição.

As baleias-jubarte já percorrem os oceanos há milhões de anos, tendo sobrevivido a alterações climáticas naturais como períodos glaciares e interglaciares, o que é um indicador positivo sobre a sua capacidade de adaptação a diferentes temperaturas. Resta saber se também o conseguirão fazer com todas as variações climáticas que estão agora a acontecer.

Golfinho-de-bico-branco

Golfinho-de-bico-branco

Fotografia: Brian Gratwicke

Nome científico: Lagenorhynchus albirostris
Estado na Lista Vermelha: Pouco preocupante

O golfinho-de-bico-branco tem o seu habitat ameaçado pela subida da temperatura das águas.

Endémico das águas do Atlântico Norte, com um clima subártico — um clima menos gelado que o do próprio Ártico, mas mais frio que o clima temperado — este golfinho não está adaptado a temperaturas mais extremas (quentes ou frias). Além disso, necessita de águas pouco profundas, com um máximo de 1 quilómetro de profundidade.

Com o aumento da temperatura, o golfinho-de-bico-branco pode não ter para onde ir. Não existem outras zonas por perto com águas pouco profundas, e a sua população não pode simplesmente mover-se para águas mais frias a Norte, pois não está adaptada às condições do Ártico.

Infelizmente, o conhecimento científico sobre esta espécie ainda é parco. Não se conhecem ao certo os números da sua população, como se reproduzem ou qual a sua esperança média de vida.

Anfíbios

Sapo-dourado

Fotografia: Charles H. Smith / via Wikimedia Commons

Classe: Amphibia

Os anfíbios são particularmente sensíveis a alterações nos seus habitats e no meio ambiente.

A mudança do clima traz novas doenças a que estes animais são suscetíveis, em particular doenças provocadas por fungos — 67% das espécies pertencentes ao género Atelopus (um género de rãs nativas dos trópicos americanos), foram extintas como resultado de uma doença fúngica (Batrachochytrium dendrobatidis), ligada ao aquecimento global.

A subida das temperaturas também seca o ar, e os anfíbios, bem como os seus ovos, necessitam de ambientes húmidos para sobreviver. Os anfíbios que habitam nas regiões montanhosas de maior altitude são os mais suscetíveis.

Segundo o Global Amphibian Assessment, 32% de todas as espécies de anfíbios estão em perigo de extinção.

Especula-se ainda que o sapo-dourado (Bufo periglenes) possa ter sido extinto por consequência direta das alterações climáticas, o que faria desta espécie o primeiro caso do género.

Observado pela última vez em 1989, o sapo-dourado habitava florestas nubladas de grande altitude, que desapareceram devido à seca e a outras variações do clima.

Panda-gigante

Panda-gigante

Fotografia: Todorov.petar.p / via Wikimedia Commons

Nome científico: Ailuropoda melanoleuca
Estado na Lista Vermelha: Vulnerável

A principal vulnerabilidade do simpático panda é a sua alimentação, que depende quase em exclusivo das folhas de bambus.

Ora, o bambu é uma planta que poderá desaparecer quase por completo devido ás mudanças no clima, segundo um estudo publicado em 2012. Para agravar a situação, as regiões na China onde o bambu poderá ser menos afetado pelas temperaturas, são regiões habitadas e exploradas por seres humanos, portanto interditas aos pandas.

A sobrevivência do panda está assim dependente dos esforços de conservação que forem feitos em relação à sua fonte de alimentação, uma vez que o animal em si é tolerante em relação a variações de temperatura.

Tigre

Tigre

Fotografia: catlovers

Nome científico: Panthera tigris
Estado na Lista Vermelha: Em perigo

A população de tigres é muito pequena — cerca de 3.200 animais na natureza — e o seu habitat no sudeste asiático é fragmentado.

Por esse motivo, os tigres estão mais suscetíveis a variações no clima e no habitat, uma vez que não têm números (e consequentemente filhotes) suficientes para resistirem a mudanças mais drásticas.

A costa do Bangladeche, onde habita a maior população de tigres-siberianos do mundo, corre o risco de desaparecer ainda este século com a subida do nível da água do mar. Uma subida de apenas 28 centímetros acima do nível do ano 2000 é capaz de destruir 96% deste habitat.

Apesar do tigre ser um animal com forte capacidade de adaptação, habitando desde as florestas geladas da Rússia até às florestas tropicais da Indonésia, os animais podem não ser capazes de resistir a alterações demasiado bruscas no habitat e no clima.

Borboleta-monarca

Borboleta-monarca

Fotografia: Kenneth Dwain Harrelson / via Wikimedia Commons

Nome científico: Danaus plexippus
Estado na Lista Vermelha: Não avaliado

As borboletas-monarcas dependem largamente dos estímulos ambientais para gerir as suas épicas migrações de milhares de quilómetros, desde a América do Norte até ao México, bem como a reprodução e a hibernação (em rigor, nos insetos não se chama hibernação mas sim diapausa).

Tal como acontece com outros animais migratórios, alterações na temperatura podem levar os animais a alterar o seu comportamento, como migrar mais cedo ou mais tarde, hibernar mais ou menos tempo, reproduzir-se antes ou depois do normal.

Uma vez que todo o ecossistema está ligado, a alteração dos hábitos de uma espécie tem o potencial de afetar muitas outras — como vimos anteriormente, o simples facto de certos insetos eclodirem e dispersarem mais cedo leva a que algumas aves migratórias não encontrem a sua fonte de alimento quando chegam ao seu destino.

A borboleta-monarca tem a seu favor um ciclo reprodutivo muito rápido, que a pode ajudar a adaptar-se mais depressa ás alterações do ambiente.

Vaquita

Vaquita

Fotografia: Thomas A. Jefferson / via WWF

Nome científico: Phocoena sinus
Estado na Lista Vermelha: Em perigo crítico

O cetáceo mais pequeno do mundo e também um dos mais raros, vê a sua situação piorar com a mudança do clima.

A vaquita tem apenas um pequeno habitat, no norte do Golfo da Califórnia, no México. Sendo um habitat que por natureza não pode ser expandido, não permite à vaquita ir em busca de águas mais frias à medida que a temperatura sobe.

De qualquer modo, e com muita pena, mesmo sem alterações climáticas é possível que já seja tarde para salvar esta espécie. É o mamífero marinho mais ameaçado de extinção em todo o mundo (de um total de 129 espécies conhecidas). Em 2016, um novo relatório reportou que existem apenas 60 animais, um declínio de 92% em relação a 1997.

Sem medidas de aplicação muito urgente, é provável que a vaquita seja extinta dentro de 5 anos.

Tartaruga-verde

Tartaruga-verde

Fotografia: Brocken Inaglory / via Wikimedia Commons

Nome científico: Chelonia mydas
Estado na Lista Vermelha: Em perigo

A tartaruga-verde é muito sensível a alterações na temperatura em todos os estágios da sua vida.

Por exemplo, as tartarugas bebés nascem machos ou fêmeas consoante a temperatura da areia onde os ovos são postos — quanto mais quente estiver a areia, mais fêmeas nascem. Com o aquecimento global, o número de machos poderá ficar cada vez mais reduzido, o que afeta a população de tartarugas.

A subida do nível das águas, como também vimos anteriormente, é uma ameaça às praias onde estas e outras tartarugas fazem a sua desova.

Por outro lado, a diversidade genética das tartarugas-verdes é elevada, o que aumenta a probabilidade da espécie se conseguir adaptar a um novo ambiente.

Beluga

Beluga

Fotografia: Lars Plougmann

Nome científico: Delphinapterus leucas
Estado na Lista Vermelha: Quase ameaçado

Os impactos mais severos das alterações climáticas sobre as belugas, curiosamente, não vêm diretamente das condições atmosféricas, mas indiretamente pelas alterações que o aquecimento global provoca nas atividades humanas.

Não deixam contudo de ser graves para o “canário dos mares”, como por vezes é chamada devido ás suas agudas vocalizações.

À medida que o gelo do Ártico vai desaparecendo, os seres humanos vão obtendo acesso a zonas do Polo Norte que antes lhes eram inacessíveis. Águas intocadas que serviam de refúgio seguro a estes animais começam agora a tornar-se navegáveis para navios e outras embarcações.

O ruído industrial que o aparecimento destas embarcações provoca impede as belugas de comunicar umas com as outras e de caçar com eficácia. A poluição é também um problema, pois as toxinas ficam acumuladas na gordura e outros órgãos do animal.

Para além disso, as belugas são, como muitos outros animais da região ártica e subártica, afetadas pelo derretimento do gelo e pela subida da temperatura no oceano. As suas fontes de alimentação são alteradas e o aparecimento de outras espécies, em busca de águas mais frias, pode aumentar a competição pelo alimento e causar danos às populações de belugas.

As belugas têm a seu favor, no entanto, as suas populações numerosas. Estima-se que existam bem mais de 100 mil belugas, o que não coloca a espécie em risco imediato.

Rena

Rena

Fotografia: Domínio Público

Nome científico: Rangifer tarandus
Estado na Lista Vermelha: Vulnerável

As renas, famosos animais que embelezam os nossos contos de Natal, são mais um alvo das alterações climáticas, mais especificamente dos efeitos que o aquecimento global tem no clima polar Ártico.

Em particular nas florestas boreais do Alasca, a subida das temperaturas tende a provocar mais incêndios, o que leva à destruição das florestas mais velhas, que por sua vez suportam os líquenes indispensáveis à alimentação das renas. Os líquenes demoram muito tempo a crescer em florestas novas — depois de um incidente como um incêndio florestal, podem demorar 80 anos a crescer novamente.

O aquecimento global também altera o padrão das quedas de chuva e neve, o que pode alterar as rotas de migração das renas. Outro problema são os parasitas, que aumentam com a subida da temperatura, e podem alterar o comportamento dos animais.

Morsa

Morsa

Fotografia: Captain Budd Christman, NOAA Corps / via Wikimedia Commons

Nome científico: Odobenus rosmarus
Estado na Lista Vermelha: Vulnerável

As morsas passam mais de metade da sua vida em cima do gelo Ártico, ou seja, são mais uma vítima direta do derretimento do gelo polar. Sem este, não têm mais para onde ir.

O gelo desempenha também um papel vital no acasalamento e reprodução das morsas. Além de acasalarem menos, as mães morsas necessitam de alimento em abundância (mais difícil de obter à medida que o gelo diminui) e plataformas de gelo para descansar (gastam imensa energia em cada deslocação).

Sem essas necessidades supridas, o corpo das morsas produz menos leite e os filhotes não obtém os nutrientes de que necessitam. Também ocorrem separações entre mães e filhotes quando as plataformas de gelo fraturam e se dividem.

Em 2015, o derretimento prematuro de plataformas de gelo levaram 35 mil morsas a dar à costa numa praia do norte do Alasca. As morsas têm este comportamento quando não encontram gelo suficiente para os seus períodos de descanso.

No entanto estas aventuras têm o seu preço. Em 2009, um evento deste género resultou na morte de 10% dos animais. Os filhotes são os mais vulneráveis, pois são frequentemente esmagados durante a tumultuosa debandada.

Elefante-africano

Elefante-africano

Fotografia: Domínio Público

Nome científico: Loxodonta africana
Estado na Lista Vermelha: Vulnerável

O maior animal terrestre do planeta tem naturalmente grandes necessidades de sustento. Um dos que se pode tornar cada vez mais difícil de encontrar é a água doce, e cada elefante precisa de 150 a 300 litros de água por dia, só para beber, sem contar com os banhos.

A falta deste recurso indispensável afeta toda a atividade diária do elefante, incluindo a migração e a reprodução — o pico dos nascimentos coincide com o pico das chuvas, os períodos de seca inibem o acasalamento e a fertilidade das fêmeas.

Os elefantes são também particularmente sensíveis a altas temperaturas, bem como às doenças que vêm associadas com essa subida.

A sua fácil adaptação a habitats diferentes, desde as savanas às florestas tropicais, poderá ser uma vantagem. O fim da busca insaciável pelo seu marfim é indispensável para ajudar — e parecem haver algumas boas notícias nesse sentido.

Elefante-asiático

Elefante-asiático

Fotografia: SuperJew / via Wikimedia Commons

Nome científico: Elephas maximus
Estado na Lista Vermelha: Em perigo

Tem um habitat mais rico em água do que os seus parentes do continente africano, mas nem por isso deixa de ser afetado pelas alterações do aquecimento global.

Além de partilharem com os seus parentes a sensibilidade a altas temperaturas e as colossais necessidades de água (bebem até 225 litros por dia), as suas plantas favoritas para se alimentar já estão a ser alvo de espécies invasoras, que estão a explorar novos territórios.

Tal como os parentes, tem facilidade de se adaptar a habitats diferentes, inclusive em diferentes altitudes, o que pode ser uma mais-valia.

Gorila-das-montanhas

Gorila-das-montanhas

Fotografia: Rod Waddington

Nome científico: Gorilla beringei beringei
Estado na Lista Vermelha: Em perigo critico

Os gorilas-das-montanhas já sofrem de uma extrema diminuição do seu habitat sem influência de qualquer mudança climática. Mas estas só servirão para agravar o caso.

Neste momento, o gorila-das-montanhas está confinado a um território muito pequeno situado na África Central. Os seus números também são alarmantes: apenas 800 indivíduos na natureza.

Este gorila não pode sequer tentar expandir o seu território uma vez que está cercado por habitações humanas.

O ciclo reprodutivo do gorila-das-montanhas é lento e a sua variabilidade genética pequena. Doenças transmitidas diretamente por seres-humanos, cujo contágio é acelerado pelas alterações climáticas, adicionam mais problemas à sua sobrevivência.

Como vantagem, não é propriamente um animal esquisito na hora da refeição. Folhas, flores, fruta, caules, raízes ou casca de árvore, cabem todos na sua dieta. Também não necessita de grandes quantidades de água e adapta-se a temperaturas variadas.

Chita

Chita

Fotografia: Mark Probst

Nome científico: Acinonyx jubatus
Estado na Lista Vermelha: Vulnerável

No final do ano passado, um novo estudo trouxe más notícias sobre as chitas. O animal terrestre mais veloz do mundo também está ameaçado de extinção.

O estudo revelou que as populações sofreram grandes quedas. Existem apenas 7.100 chitas na natureza e uma das populações, a chita-asiática, sofreu a queda mais drástica, restando 50 animais.

Aos parcos números junta-se uma diversidade genética muito baixa entre a espécie, o que tornará mais difícil qualquer adaptação a novos climas.

De positivo, não precisam de muita água para sobreviver. Podem beber apenas a cada 3 ou 4 dias.

Orca

Orca

Fotografia: Domínio Público

Nome científico: Orcinus orca
Estado na Lista Vermelha: Sem dados

As mudanças no ambiente têm um duplo efeito nas baleias-assassinas: por um lado, fragilizam-nas, por outro, tornam-nas mais perigosas para com outras espécies.

Começando pelos pontos frágeis, as alterações climáticas estão a diminuir consideravelmente a população de salmão-rei, um alimento indispensável às orcas. Aliás, segundo um novo estudo, estes salmões podem ser extintos dentro de 85 anos, colocando em causa a sobrevivência das populações de orcas.

Neste momento, e devido à quebra desta fonte de alimentação, uma das quatro comunidades residentes de orcas do noroeste do Oceano Pacífico dos Estados Unidos, viu os seus números cair de 89 para 77 orcas, apenas nos últimos 5 anos. E desde 2012 que nenhuma cria sobrevive.

Para além da escassez de alimento, as orcas também correm o risco de ficar presas em buracos de gelo, provocados pelo derretimento polar. Isto acontece porque o aquecimento da água está a abrir novos caminhos por entre o gelo, para áreas onde historicamente estes animais não tinham acesso. Um destes incidentes aconteceu em 2013, mas felizmente acabou bem.

Ironicamente, são estes locais não explorados que tornam as orcas mais perigosas.

As orcas eram raramente observadas em águas repletas de gelo, mas a diminuição deste está a levar estas baleias (na verdade, golfinhos) a explorar águas árticas durante períodos mais longos. Como diz Pete Ewins, especialista da WWF das espécies árticas, “quando novos predadores como as orcas entram em cena, podem alterar o ecossistema inteiro”.

Pinguim-imperador

Pinguins-imperadores

Fotografia: lin padgham

Nome científico: Aptenodytes forsteri
Estado na Lista Vermelha: Quase ameaçado

No Hemisfério Sul, nenhuma região está a aquecer tão depressa como a Península Antártica.

Os pinguins-imperadores são uma das maiores vítimas do derretimento do gelo nesta região. Além de perderem território, muitas vezes a quebra das plataformas de gelo coloca em risco a vida dos seus filhotes, sobretudo quando ainda não estão adaptados à água.

A redução do gelo também diminui a população de krill, um alimento essencial para os pinguins.

Um aspeto que pode ser favorável é o facto do Mar de Ross, situado no sul da Antártida, ser o último local do planeta a vir a ser afetado pelo aquecimento global, segundo os cientistas. Esforços de conservação concentrados nesta região podem ter mais sucesso na conservação desta espécie.

Corais

Corais

Fotografia: Toby Hudson / via Wikimedia Commons

Classe: Anthozoa

Os corais são bastante afetados pela subida da temperatura nos oceanos, que provocam um fenómeno chamado branqueamento dos corais.

Para entender o que é o branqueamento, é necessário compreender o estilo de vida dos corais. Como não se movimentam, os corais formam relações simbióticas com outras espécies marinhas.

As cores exuberantes que estamos habituados a ver nos documentários da vida animal são resultado de uma destas simbioses, com uma alga do género Symbiodinium (já que o coral em si é apenas branco). A alga aloja-se nos poros do coral, onde obtém proteção e produtos gerados pelo metabolismo do coral. Em troca, dá-lhe a energia excedente da sua atividade de fotossíntese, bem como compostos orgânicos nutritivos, que o alimentam.

Quando a temperatura da água sobe, o coral deixa de conseguir fornecer à alga os compostos necessários para que esta faça a fotossíntese. Como consequência, a alga produz menos energia para o coral e o processo continua como uma espiral descendente, que culmina com o coral perder o controlo desta relação simbiótica e a expulsar todas as algas — daí ficar branco.

Corais vítimas de branqueamento de coral

Fotografia: Wikimedia Commons

O coral sobrevive numa primeira fase, mas ao expulsar as algas perde 90% do seu fornecimento de energia e perde também os nutrientes, pelo que começa literalmente a passar fome. O coral deixa de crescer, reproduzir-se e fica mais suscetível a doenças.

Dependendo do grau de branqueamento, é possível que o coral recupere completamente. Nos casos mais graves, toda a colónia de um recife de coral pode morrer, o que também afeta as diversas espécies de peixes e plantas que fazem dos recifes o seu habitat.

Só o ano passado, a Austrália perdeu quase um quarto do seu recife de coral devido ao branqueamento. Uma catástrofe que pode ver documentada aqui. Já este ano, um novo relatório indicou que quase 75% do maior recife de coral do Japão também foi perdido.

Como ajudar

A reciclagem de materiais é muito importante para combater as alterações climáticas e a poluição

Fotografia: Zaf / via Wikimedia Commons

Não queremos terminar o artigo com um típico faça alguma coisa!! Sim, mas faço concretamente o quê?

De seguida, deixamos algumas ideias onde pode contribuir para a diminuição das alterações climáticas e do aquecimento global, através da poupança do consumo de energia, da menor utilização de combustíveis fósseis e da redução na emissão de gases para a atmosfera, entre outros.

A começar por casa, substitua lâmpadas antigas por lâmpadas de superior eficiência energética, que gastam muito menos energia e geram menos calor. Desconecte das tomadas elétricas todos os computadores, televisões, aparelhos de som e outros equipamentos eletrónicos quando não estiverem a ser utilizados.

Ao adquirir novos eletrodomésticos, procure os que tiverem maior eficiência energética — os equipamentos contém uma etiqueta energética com essa informação, com uma escala de sete classes que vai desde A+++ (o mais eficiente) a D (o menos eficiente).

A redução, reutilização e reciclagem de materiais também ajuda a diminuir a poluição e a quantidade de lixo que acaba na natureza (como os plásticos, que tantos animais afetam). Os aterros sanitários são grandes produtores de metano, um dos gases mais potentes do efeito de estufa. Já a reciclagem de apenas uma tonelada de papel permite salvar até 17 árvores.

A adoção crescente de energias renováveis, como a energia solar, energia eólica e outras fontes de energia alternativas também é essencial — já pensou em colocar painéis solares a sustentar a energia da sua casa? Requer um investimento inicial, é certo, mas paga-se a si próprio no longo prazo, além de ajudar o planeta.

A crescente utilização de veículos, casas e edifícios com elevada eficiência energética é um passo importante e que está, com maior ou menor acessibilidade, ao nosso alcance — conduzir carros elétricos por exemplo, é uma excelente forma de reduzir emissões de gases, reduzir a dependência do petróleo e ainda poupar dinheiro.

Plantar árvores ajuda a filtrar gases de efeitos de estufa da atmosfera

Fotografia: Robbieross123 / via Wikimedia Commons

A plantação de árvores é uma excelente forma de ajudar a reequilibrar a nossa atmosfera. Os cientistas estimam que 13% das emissões de carbono são resultado da desflorestação — uma percentagem superior às emissões de todos os carros, camiões e aviões do planeta.

As árvores e as plantas absorvem dióxido de carbono à medida que crescem, retirando-o naturalmente da atmosfera. Participar no aumento das áreas florestais é portanto uma ajuda essencial para o planeta, sem referir que ainda restaura o habitat de muitas espécies.

Especificamente para ajudar os animais, seria muito importante reduzir a pressão que já existe sobre eles. Mesmo sem aquecimento global, estaríamos na mesma a destruir os seus habitats, dizimar as florestas, a poluir a atmosfera, a terra e a água.

Com a dificuldade acrescida que as mudanças climáticas lhes trouxeram, precisamos de parar de encolher os seus habitats e dar-lhes espaço para viverem, moverem, e se tentarem adaptar de alguma forma.

Considere ajudar organizações que atuam a nível mundial como a WWF, WCS, IFAW ou World Animal Protection. Em alternativa, ajude diretamente uma ONG do seu país. As organizações internacionais trabalham em conjunto com as locais para obter conhecimento, experiência e colaboração na proteção da fauna.

Ideias-chave / conclusão

A diferença da extensão do gelo ártico de 1984 para 2012

A diferença da extensão do gelo ártico de 1984 para 2012

As mudanças climáticas e o seu consequente aquecimento global não são apenas perigos para o futuro, mas sim para o presente.

As alterações nos ecossistemas e em todas as formas de vida que suportam são dramáticas, alguns dos animais mais icónicos (e outros menos, mas de igual importância) do planeta correm o risco de desaparecer e nós próprios estamos sujeitos a todas estas consequências — vivemos no mesmo planeta, e não temos outro.

As ações que tomamos quer individualmente, quer como grupos, quer como poderes políticos, determinarão o nosso futuro. Todos temos de contribuir com a nossa parte.

Estas são as ideias-chave que podemos retirar deste artigo:

  1. As alterações climáticas são uma evidência científica, com um consenso científico situado entre os 97 e os 98%. São já consideradas uma das maiores ameaças a longo prazo que a vida no planeta enfrenta.
  2. 2016 foi o ano mais quente alguma vez registado, depois de superar 2015 e este por sua vez, 2014.
  3. O aquecimento global resulta da acumulação de gases de efeito de estufa na nossa atmosfera. Explicando de forma simples, é como se o planeta já tivesse um cobertor, que mantinha as temperaturas ideais, e agora adicionamos um segundo cobertor.
  4. A subida do nível das águas, oceanos cada mais quentes e ácidos, secas cada vez mais longas, vagas de calor, falta de alimento e água doce, gelo polar a derreter, são apenas algumas das consequências das alterações climáticas.
  5. Apesar do clima do planeta ter tido sempre variações ao longo da sua história, a velocidade com que estão a acontecer neste momento, devido ás atividades humanas, não tem precedentes, o que não dá tempo aos animais de se adaptarem.
  6. As condições básicas de habitat que os animais necessitam estão a ser todas postas em causa: temperaturas adequadas, disponibilidade de água doce, fontes de alimento ou território para criar os filhotes.
  7. Os animais que habitam as regiões polares, como os ursos-polares, as renas, as morsas, as focas ou os pinguins, são os mais afetados. Em particular a fauna do Ártico corre mesmo o risco de perder todo o seu habitat, com o derretimento cada vez mais acelerado do gelo.
  8. Muitos outros animais, como baleias, golfinhos, anfíbios, pandas, tigres, tartarugas marinhas, elefantes, orcas e corais são diretamente afetados. A morte de um recife de coral, por exemplo, significa também a morte de todo o ecossistema que suporta, desde diversas espécies de peixes a algas.
  9. Cada um de nós pode ajudar individualmente a travar o aquecimento global. Utilizar lâmpadas e eletrodomésticos de alta eficiência energética, adotar energias renováveis (como a solar), reduzir o lixo, reciclar todo o material possível ou utilizar veículos elétricos, são excelentes formas de reduzir emissões de gases e ainda de poupar dinheiro.
  10. Ao participar em iniciativas de plantação de árvores e aumento das florestas, não só está a criar um filtro natural para a atmosfera, como a restaurar os habitats de inúmeras espécies de animais. A desflorestação, sozinha, aumenta a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera em 13%, mais do que todos os carros e aviões do planeta.

Bónus: Sabia que a comunidade científica já alerta para as alterações climáticas e para o aquecimento global há mais de 100 anos?

Artigo publicado em Março de 1912 já alertava sobre as alterações climáticas

Artigo publicado em Março de 1912 já alertava sobre as alterações climáticas

Em 14 de Agosto de 1912, um artigo publicado num jornal da Nova Zelândia já falava sobre as consequências que a queima do carvão teria no aumento de dióxido de carbono na atmosfera, provocando a subida das temperaturas.

Segundo uma investigação do Snopes, um site que se dedica a investigar rumores e verificar a sua autenticidade, um artigo semelhante já tinha aparecido num jornal australiano cerca de um mês antes, dia 17 de Julho de 1912.

E ainda antes disso, a edição de Março de 1912 da revista Popular Mechanics já continha uma matéria com o título (tradução livre): “O Clima Notável de 1911: O Efeito da Combustão do Carvão no Clima — O Que os Cientistas Preveem Para o Futuro”.

Décadas mais tarde, a 5 de Novembro de 1965, um grupo de cientistas apresentou ao então Presidente dos EUA, Lyndon Baines Johnson, um relatório sobre as alterações climáticas.

A introdução desse relatório era por demais evidente (tradução livre): “Os poluentes alteraram numa escala global o dióxido de carbono presente no ar e as suas concentrações nas águas dos oceanos e nas populações humanas”.

Se algum destes avisos tivesse sido levado a sério, talvez não estivéssemos hoje a falar sobre o tema. Pelo menos, não desta forma.

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