Serão Estes Animais Demasiado Feios Para Salvar?

Serão estes animais demasiado feios para salvar?

Fotografia original: Joan Campderrós-i-Canas

Quando o tema é conservação e animais em risco de extinção, a imagem mental que temos é a de espécies icónicas como os tigres, os pandas ou os gorilas. Nos oceanos, sabemos que as baleias precisam de proteção e os golfinhos para lá caminham.

Estes animais estão no nosso coração. São deslumbrantes, quem não gostaria de os salvar? Infelizmente, tal não está a acontecer com muitos outros. Os animais que, aos nossos olhos, por algum motivo, consideramos feios.

O ser humano tem padrões de beleza muito particulares em relação aos outros animais. Têm de ser grandes, têm de ser fofinhos (se peludos, melhor ainda) e têm de parecer ou comportar-se de forma semelhante a nós próprios.

Olhos grandes e expressivos transmitem-nos uma sensação de inocência desarmante, os cuidados maternais com os filhotes derretem-nos o coração. Animais que vivem em grupos familiares (como os elefantes) ou cujos casais se juntam “para sempre” (como os cisnes) também são facilmente relacionáveis. Não cheirar mal e não se alimentar de comida “nojenta” são bónus que consideramos bem-vindos.

É assim que nós somos. Ou, se quisermos falar de forma estritamente científica, é assim que as nossas amígdalas são.

Em certos casos, a nossa atração por um animal e repulsa por outro tem uma explicação evolutiva, que nos remonta aos nossos antepassados. Reagir de forma diferente perante um coelho ou uma víbora era crucial para a sobrevivência. Manter-se longe de aranhas e escorpiões também era sensato.

Mas manter-se longe de um tigre ou de um urso também era bastante sensato. No entanto, desses animais já gostamos (temos uma certa fascinação por predadores de grande porte, grandes garras e grandes dentes, ou é um mero acaso que o dinossauro mais popular seja o T-rex?).

O panda é mais importante que a salamandra? Pelos nossos padrões parece que sim

O panda é mais importante que a salamandra? Pelos nossos padrões parece que sim.
Créditos: Panda (esquerda) via Wikimedia Commons / Salamandra-de-fogo (direita) via Domínio Público

O que acontece atualmente é que um animal considerado bonito (digamos um panda), é capaz de angariar cerca de 500 vezes mais fundos e donativos em programas de conservação do que um animal considerado feio (digamos uma salamandra). Não existe um só motivo pelo qual um tenha prioridade sobre o outro, simplesmente aos nossos olhos o panda é mais carismático do que qualquer réptil ou anfíbio — provavelmente os dois grupos em perigo mais critico de extinção.

(Que animal foi escolhido para logótipo da WWF? Dica: não foi uma salamandra.)

O fenómeno estende-se a zoológicos. A esmagadora maioria dos programas de conservação centra-se nos animais esteticamente agradáveis aos visitantes. No fundo, os animais que permitem ao zoo ter visitantes, coisa que um zoo repleto de animais feios, ainda que ameaçados de extinção, não teria certamente.

Temos de ser realistas:

As espécies que sobreviverem num futuro próximo podem ser apenas as que decidimos salvar. Exagero? Talvez não, tendo em conta que a atividade humana elevou a taxa de extinção em mais de 100 vezes ou que estimativas apontem para um desaparecimento de 140 mil espécies todos os anos.

A nossa tendência para salvar as espécies mais bonitas, estará muito provavelmente a condenar os outros animais ao desaparecimento. Como justificaria a outra pessoa que, perante duas pessoas em apuros, socorreu apenas a mais atraente?

Neste artigo, vamos destacar alguns dos animais mal amados que estão em risco de desaparecer. Podem não ser os mais bonitos ou mais fofinhos para os nossos padrões humanos, mas uma coisa é certa: não são menos importantes.

Por exemplo, o pangolim areja o solo com as suas garras e mantém as populações de formigas e térmitas controladas. O aie-aie alimenta-se das pragas que são as brocas-de-madeira. O condor-da-california ajuda a remover as carcaças de animais em decomposição, prevenindo a transmissão de doenças.

Todo o animal tem o seu papel no ecossistema.

Animais feios em perigo de extinção

Conteúdos

Aie-aie

Aie-aie (Daubentonia madagascariensis)

Fotografia: Thorsten Negro, Imagebroker, Corbis

Aie-aie (Daubentonia madagascariensis)

Fotografia: via Youtube

O aie-aie (Daubentonia madagascariensis) talvez detenha o título de primata mais estranho do mundo. Nativo do Madagáscar, o aie-aie tem vindo a pregar uns valentes sustos a seres humanos desde há muito tempo e vê-lhe serem atribuídas lendas que nada o favorecem. Desde ser considerado um “espírito maligno” aos aldeões considerarem ser pior ver um aie-aie do que morrer (não tente entender), passando por outra que diz que estes animais utilizam o dedo do meio (mais comprido que os restantes) para perfurar o coração das pessoas. Não é fácil ser um aie-aie, que além de ver o seu habitat ser destruído pela desflorestação, é perseguido e morto por motivos supersticiosos.

Estado de conservação: Em perigo (IUCN).

Macaco-narigudo

Macaco-narigudo (Nasalis larvatus)

Fotografia: Charlesjsharp / via Wikimedia Commons

Macaco-narigudo (Nasalis larvatus)

Fotografia: Domínio Público

O macaco-narigudo (Nasalis larvatus) é um macaco do Velho Mundo, natural do sudeste da ilha do Bornéu, no continente asiático. É facilmente identificável pelo seu curioso nariz, que nos machos é tão alongado que desce para além do nível da boca. Nas fêmeas o nariz é bastante mais pequeno, mas ainda assim grande para os padrões habituais dos macacos. A caça e a desflorestação diminuíram a população de macacos-narigudos em mais de 50% no espaço de 40 anos (até 2008).

Estado de conservação: Em perigo (IUCN).

Peixe-bolha

Peixe-bolha (Psychrolutes marcidus)

Fotografia: Greenpeace

O peixe-bolha (Psychrolutes marcidus), também conhecido como peixe-gota ou blobfish, é um bizarro habitante das profundezas dos oceanos nas costas da Austrália e da Tasmânia. Como o seu corpo gelatinoso é menos denso que a água, ele consegue flutuar acima do solo marinho sem ter de se esforçar a nadar. Com a sua famosa cara tristonha, que dá pena, o peixe-bolha tem razões para estar descontente com a vida: está ameaçado de extinção por ser apanhado por engano nas redes pesqueiras. Ninguém o come, não tem valor comercial, por isso é devolvido à água… morto.

Estado de conservação: Não classificado pela IUCN.

Acari

Acari (Cacajao calvus)

Fotografia: Kevin O’Connell

Acari (Cacajao calvus)

Fotografia: Eugenia Kononova / via Wikimedia Commons

O acari (Cacajao calvus), também chamado uacari-branco ou macaco-inglês, é um macaco do Novo Mundo nativo da Amazónia brasileira. A face e as orelhas, além de não terem qualquer pêlo, são pouco pigmentadas e têm muitos capilares perto da superfície. Quem não conhecer a espécie pode facilmente pensar que o animal foi queimado ou esfolado na face, quando na verdade, a cor vermelha é um sinal de boa saúde. A caça e a perda de habitat levaram as populações de acari a decrescer 30% nos últimos 30 anos, aumentando o seu risco de extinção.

Estado de conservação: Vulnerável (IUCN).

Axolote

Axolote (Ambystoma mexicanum)

Fotografia: Luís Estrela

O axolote (Ambystoma mexicanum) é uma salamandra nativa de alguns lagos na Cidade do México, que tem a particularidade de não se desenvolver na fase de larva, ou seja, chega à idade adulta sem metamorfose. Por esse motivo conserva características de larva toda a vida, como as brânquias externas, e vive exclusivamente dentro de água. O axolote é dotado também de uma excelente capacidade de regeneração: se perder um membro ou a cauda, consegue regenerá-los por completo. É um dos mais apreciados anfíbios de manutenção em cativeiro. A urbanização da Cidade do México, juntamente com um aumento de poluição nos lagos, têm dizimado o axolote na vida selvagem.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Saiga

Saiga (Saiga tatarica)

Fotografia: Wikimedia Commons

A saiga (Saiga tatarica) é uma espécie de antílope que em tempos habitou uma vasta região nos continentes europeu e asiático, mas atualmente se confina a pequenas regiões na Rússia, Cazaquistão e Mongólia. O seu curioso nariz é flexível e lembra a tromba de um elefante. Serve para aquecer o ar no Inverno e filtrar as poeiras e grãos de areia. Só os machos apresentam chifres. Em apenas 15 anos, a população das saigas decresceu em 95%, especialmente devido ao uso dos chifres na medicina tradicional chinesa. Como se não bastasse, o ano passado (2015) uma epidemia dizimou estes antílopes: em Novembro já se estimava ter morto 200 dos 250 mil animais existentes.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Sapo-roxo

Sapo-roxo (Nasikabatrachus sahyadrensis)

Fotografia: Karthickbala / via Wikimedia Commons

O sapo-roxo (Nasikabatrachus sahyadrensis) foi descoberto apenas em 2003 e é considerado o “celacanto dos sapos”, ou seja um fóssil vivo. A sua origem remonta há mais de 100 milhões de anos, quando a Índia, as Seicheles e o Madagáscar formavam uma única massa de terra. Atualmente é encontrado nas Gates Ocidentais, na Índia e é nas Seicheles que habita o seu parente mais próximo. O sapo-roxo tem um corpo robusto e arredondado, com um nariz pontiagudo que lhe confere uma aparência bastante original.

Estado de conservação: Em perigo (IUCN).

Salamandra-gigante-da-china

Salamandra-gigante-da-china (Andrias davidianus)

Fotografia: State Natural History Museum Karlsruhe

A salamandra-gigante-da-china (Andrias davidianus) é a maior salamandra e também o maior anfíbio do mundo, pertencente a uma linhagem que já evolui independente dos outros anfíbios há 170 milhões de anos. Pode medir 1,80 metros, pesar quase 50 quilos e em Dezembro passado foi encontrado um exemplar que se estimou ter 200 anos de idade, uma longevidade extraordinária. A perda de habitat, poluição das águas e excessiva captura para servir de animal de estimação, têm arrastado esta salamandra para a extinção. A população destes animais diminuiu catastroficamente nos últimos 30 anos e existem muito poucas na natureza. Em 2010 o governo chinês tentou chamar a atenção do público para a conservação destas salamandras, colocando 15 exemplares num aquário público, mas a iniciativa não podia ter corrido pior: todas as salamandras morreram, devido ao calor e ao barulho.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Condor-da-califórnia

Condor-da-califórnia (Gymnogyps californianus)

Fotografia: Wikimedia Commons

Condor-da-califórnia (Gymnogyps californianus)

Fotografia: Joe Lewis

O condor-da-califórnia (Gymnogyps californianus) é uma grande ave de rapina norte-americana, que pode medir 2,90 metros de envergadura e pesar entre 7 a 14 quilos. O pescoço e a cabeça praticamente não têm penas o que permite observar os humores das aves: elas coram. E não é pouco. A cor na cabeça varia entre o amarelado e o vermelho, podendo ser até roxo, mediante o seu estado de espírito. A caça e a destruição de habitat são os principais perigos que estes condores enfrentam, eles que em 1987 chegaram mesmo a estar extintos na natureza. Apesar de reintroduzidos com sucesso em algumas áreas dos EUA, como o Arizona e o Grand Canyon, em 2014 o total de condores-da-california (selvagens e em cativeiro) era de apenas 425, fazendo desta uma das aves mais raras do mundo.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Golfinho-do-ganges

Golfinho-do-ganges (Platanista gangetica)

Fotografia: Elisabeth Fahrni Mansur / BCDP / WCS

O golfinho-do-ganges (Platanista gangetica gangetica) é um golfinho de água-doce que habita os rios Ganges e Brahmaputra e os seus afluentes em Bangladesh e na Índia. Tal como outros golfinhos de rio, tem um nariz longo e pontiagudo. Estes golfinhos não têm cristalino nos olhos, o que os torna praticamente cegos e dependentes da ecolocalização para se orientarem. Entre as principais ameaças ao golfinho-do-ganges está a utilização de redes pesqueiras, onde ficam encalhados, os níveis de água reduzidos devido aos sistemas de irrigação, o envenenamento provocado por descargas químicas industriais e as dezenas de barragens construídas no seu habitat. As barragens dividem a população destes golfinhos em pequenos grupos, obrigados a acasalar entre si, o que enfraquece a diversidade genética.

Estado de conservação: Em perigo (IUCN).

Tartaruga-nariz-de-porco

Tartaruga-nariz-de-porco (Carettochelys insculpta)

Fotografia: Junkyardsparkle / via Wikimedia Commons

Tartaruga-nariz-de-porco (Carettochelys insculpta)

Fotografia: 4028mdk09 / via Wikimedia Commons

A tartaruga-nariz-de-porco (Carettochelys insculpta) é uma tartaruga encontrada nos rios e lagos do norte da Austrália e do sul da Nova Guiné. Esta espécie é bastante diferente de outras tartarugas de água-doce. As patas são nadadeiras, semelhantes às das tartarugas marinhas e o nariz é muito parecido com o de um porco, o que lhe deu origem ao nome e lhe confere esta aparência curiosa. Entre 1981 e 2011 a população destas tartarugas caiu em mais de 50%, grande parte devido à captura de que são alvo para tráfico.

Estado de conservação: Vulnerável (IUCN).

Rã-do-titicaca

Rã-do-titicaca (Telmatobius culeus)

Fotografia: via bolivianamphibianinitiative.org

A rã-do-titicaca (Telmatobius culeus) é uma espécie de rã que só se encontra no Lago Titicaca, um lago situado nos Andes, na fronteira entre o Peru e a Bolívia. A característica que salta mais à vista é o excesso de pele sobre o corpo, que serve para ajudar a rã a respirar nas elevadas altitudes em que reside. Esta rã já foi relativamente comum, mas a população tem declinado drasticamente devido à caça excessiva para consumo humano, poluição da água e predação dos seus girinos por trutas introduzidas no seu habitat.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Proteus

Proteus (Proteus anguinus)

Fotografia: Wild Wonders of Europe / Hodalic / NPL

O proteus (Proteus anguinus) é um anfíbio cego que habita as águas subterrâneas das cavernas dos Alpes Dináricos, no sul da Europa. É o único animal vertebrado europeu que habita exclusivamente zonas sem luz. Com uma vida na escuridão completa, o proteus não necessita da visão e por esse motivo os seus olhos são subdesenvolvidos, incapazes de ver. A pele não tem pigmentação e, tal como acontece no axolote, retém características larvares quando adulto, como as brânquias externas. Em condições ideais podem viver por mais de 100 anos, mas são muito sensíveis a alterações no ambiente, como a contaminação das águas subterrâneas.

Estado de conservação: Vulnerável (IUCN).

Tapir-de-baird

Tapir-de-baird (Tapirus bairdii)

Fotografia: Eric Kilby

O tapir-de-baird (Tapirus bairdii) ou anta-de-baird é o maior dos tapires americanos, com dois metros e meio de comprimento e capaz de pesar 400 quilos. É encontrado desde o sudeste do México até ao noroeste da Colômbia. Estes animais têm um período de gestação muito lento: necessitam de 400 dias (mais de um ano) para gerar um só filhote (nascimentos múltiplos são uma raridade). Por este motivo, a perda de um só animal é capaz de afetar o futuro de toda a população. A caça e a perda de habitat são os principais perigos que enfrentam.

Estado de conservação: Em perigo (IUCN).

Tartaruga-gigante-de-carapaça-mole

Tartaruga-gigante-de-carapaça-mole (Rafetus swinhoei)

Fotografia: Gerald Kuchling

Tartaruga-gigante-de-carapaça-mole (Rafetus swinhoei)

Fotografia: alexkant

A tartaruga-gigante-de-carapaça-mole (Rafetus swinhoei) é um réptil que, infelizmente, podemos estar a observar pela última vez. Existiam apenas quatro tartarugas desta espécie e no mês passado uma delas morreu, restando apenas um casal no Suzhou Zoo, na China e outra num lago protegido no Vietname. Reside nesse casal a esperança de procriação, caso contrário a espécie não tem como fugir da extinção. Estas tartarugas têm uma aparência bizarra, com um nariz semelhante ao de um porco e detém a marca de serem as maiores tartarugas de água-doce do mundo, podendo chegar a um metro de comprimento e 100 quilos de peso.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Pangolim-malaio

Pangolim-malaio (Manis javanica)

Fotografia: Stephen Hogg / WWF Malaysia

O pangolim-malaio (Manis javanica) é uma espécie de pangolim que habita as florestas do sudeste asiático. Tal como acontece com as outras espécies de pangolim, o pangolim-malaio é um dos animais protegidos mais perseguidos do mundo pelos caçadores furtivos. São caçados pela sua pele, escamas e carne, utilizadas para o fabrico de roupa e na medicina tradicional chinesa — acreditam que as escamas têm poder afrodisíaco e curam a febre reumática.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Equidna-de-bico-longo

Equidna-de-bico-longo (Zaglossus bruijnii)

Fotografia: D. Parer & E. Parer-Cook / Minden Pictures / Corbis

Equidna-de-bico-longo (Zaglossus bruijnii)

Fotografia: Muse Opiang / via Mongabay

A equidna-de-bico-longo (Zaglossus bruijnii) é um animal noturno que habita as florestas húmidas nas montanhas da Nova Guiné Ocidental, com elevações que chegam aos quatro mil metros. Distingue-se especialmente das outras equidnas por ter um bico com quase o dobro do tamanho da própria cabeça. Capaz de atingir um metro de comprimento e pesar 16,5 quilos, a equidna-de-bico-longo é também o maior animal monotremado do planeta. Os monotremados, para recordar, são os únicos mamíferos do mundo que põem ovos e dividem-se em cinco espécies: uma de ornitorrinco e quatro de equidnas. São também os mamíferos mais antigos do planeta: estão há cerca de 120 milhões de anos. Estas equidnas são vítimas da perda de habitat e da caça, pois a sua carne é considerada uma iguaria.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Marabu-grande

Marabu-grande (Leptoptilos dubius)

Fotografia: Ajey Kelkar

O marabu-grande (Leptoptilos dubius) é uma ave da família das cegonhas. Em tempos foi bastante comum no sul do continente asiático, mas atualmente encontra-se restrita a duas pequenas populações nidificantes, uma na Índia e outra no Camboja. A perda de habitat, poluição, caça e recolha de ovos nos ninhos para colecionadores foram os principais fatores que contribuíram para que, em 2008, o número total de marabus-grandes fosse inferior a mil indivíduos.

Estado de conservação: Em perigo (IUCN).

Lesma-de-veludo-rosa

Lesma-de-veludo-rosa (Opisthopatus roseus)

Fotografia: via National Geographic

A lesma-de-veludo-rosa (Opisthopatus roseus) é um animal único que nos permite olhar para um passado muito, muito distante. Estes animais mudaram pouco ao longo dos últimos 400 milhões de anos (apareceram muito antes dos dinossauros) e são frequentemente descritos como o “elo perdido” entre os artrópodes (como insetos e aranhas) e os anelídeos (como minhocas e sanguessugas). A pele desta lesma é repelente da água e parece aveludada ao toque, o que deu origem ao nome. A desflorestação das florestas que habita na África do Sul tem exterminado estes animais.

Estado de conservação: Em perigo critico (IUCN).

Solenodonte-de-cuba

Solenodonte-de-cuba (Solenodon cubanus)

Fotografia: Dr. Julio Genaro / via kingsnake.com

Solenodonte-de-cuba (Solenodon cubanus)

Fotografia: Dr. Julio Genaro / via kingsnake.com

O solenodonte-de-cuba (Solenodon cubanus) é um mamífero cubano bastante raro. Desde a sua descoberta em 1861, apenas foram observados 37 animais. Em 1970 pensou-se mesmo que a espécie estava extinta, mas foram detetados três exemplares em 1974 e 1975. Os últimos dois avistamentos foram em 1999 e 2003. Uma das razões de serem tão poucas vezes vistos é o seu estilo de vida subterrâneo. Espécies invasoras introduzidas pelo ser humano constituem um grande perigo para os solenodontes. Gerar apenas um a três filhotes por ano, não os ajuda.

Estado de conservação: Em perigo (IUCN).

Podíamos falar de vários outros animais em risco de extinção, cuja aparência não os tem favorecido, mas corríamos o risco de tornar este artigo demasiado pesado e maçudo — são tantos os animais em perigo, que é um desafio abordar o tema com o mínimo de profundidade exigível e não acabar a escrever um livro.

A foca-de-crista (Cystophora cristata), vulnerável, o abutre-da-india (Gyps indicus), em perigo critico, a cobra-corredora-de-santa-lucia (Liophis ornatus), em perigo, o tubarão-de-ganges (Glyphis gangeticus), em perigo critico, ou o crocodilo-do-orinoco (Crocodylus intermedius), igualmente em perigo critico, também são bons exemplos de animais mal amados que podem ser extintos em breve.

Admitidamente, pensar que é possível salvar todos os animais em risco de extinção, é uma utopia. O que não podemos é dar prioridade a umas espécies sobre as outras simplesmente porque são mais bonitas, mais fofinhas e mais populares junto das pessoas.

Uma possível solução que tem sido discutida entre biólogos e conservacionistas, é utilizar um animal icónico — ou seja um dos mais populares — para angariar fundos suficientes de modo a conseguir proteger o habitat e ecossistema que o suporta. E, com isso, proteger as outras espécies menos atraentes que partilham o mesmo habitat.

Eric Dinerstein, investigador da WWF, deu o exemplo dos tigres, um dos animais ameaçados mais populares do mundo. Ao reservar áreas protegidas para os tigres, outras espécies “menos queridas” como os pangolins, ursos-beiçudos ou porcos-pigmeus beneficiariam diretamente dessa proteção.

A proteção do habitat dos pandas também poderia beneficiar animais como a salamandra-gigante-da-china ou o takin.

Se pode resultar? Não sabemos responder. Mas talvez seja a última esperança dos animais menos amados.

Em 2012, um análise feita por Bob Smith, na Universidade de Kent no Reino Unido, permitiu descobrir que das mais de 1.200 espécies de mamíferos ameaçados (segundo a IUCN), apenas 80 espécies são utilizadas pelas organizações conservacionistas para angariar fundos, e quase todas podem ser categorizadas como “grandes e fofas”.

As nossas preferências e gostos pessoais estão mesmo a moldar a nossa atitude de conservação e estão a decidir quem vive e quem morre. Serão estes animais demasiado feios para salvar?

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