Entrevista a Ana Bacalhau, Vocalista dos Deolinda

Ana Bacalhau

Fotografia: PAN

Não faças aos animais aquilo que não gostarias que te fizessem. Afinal de contas, também és animal…
– Ana Bacalhau

É vocalista dos Deolinda e tem uma paixão por animais. Ana Bacalhau foi uma das figuras públicas a dar a cara pelo Partido Pelos Animais e pela Natureza, fundado em 2009. Porque a sociedade precisa de se mobilizar em torno dos direitos dos animais decidiu apoiar este projecto. Em entrevista ao Mundo dos Animais, a artista fala do amor que tem a estes seres vivos, em especial aos gatos que a acompanharam na sua vida.

Mundo dos Animais: Quando surgiu o seu gosto por animais?

Ana Bacalhau: O respeito e amor pelos animais foi-me incutido desde pequena pelos meus pais, principalmente, pela minha mãe, que sempre se preocupou em me mostrar que os animais são nossos companheiros e colegas neste mundo e que os devemos respeitar da mesma forma como respeitamos os seres humanos.

Quantos animais de estimação tem em sua casa? Adoptou algum dos seus animais em alguma associação?

Sempre tive animais em casa. Quando era pequena, tive o gato Bolinhas, depois, veio o Jeremias, que fugiu e nunca mais voltou e o Viriato, que ficou com os meus pais, quando eu saí de casa. Hoje, partilho a minha casa com o Sebastião, um gato com imensa personalidade e que adora colo e mimos. A todos os recolhemos da rua.

Como descreve a sua relação com eles?

Todos os gatos que tive contribuíram para a minha formação enquanto pessoa e lembro-me com muita saudade dos que já partiram. Tive com todos uma relação de grande cumplicidade e respeito.

A nossa sociedade ainda não está sensibilizada e mobilizada na defesa dos direitos dos animais e tende a vê-los como propriedade e não como indivíduos sencientes.
– Ana Bacalhau

É sócia ou tem por hábito ajudar alguma associação de animais em Portugal?

Procuro ajudar, sempre que posso, a União Zoófila.

Como descreve a situação dos animais em Portugal?

A nossa sociedade ainda não está sensibilizada e mobilizada na defesa dos direitos dos animais e tende a vê-los como propriedade e não como indivíduos sencientes. É necessário fazer um trabalho de informação e sensibilização, não só junto da sociedade em geral, como, principalmente, junto das nossas crianças, educando-as nesse sentido. Só assim, poderemos garantir que, no futuro, os animais sejam tratados com o respeito e a dignidade que merecem.

O que a levou a apoiar o Partido Pelos Animais e pela Natureza?

Precisamente, por sentir que a nossa sociedade necessita de se mobilizar e que, havendo um conjunto de cidadãos que procuram exercer junto do poder político e legislativo uma pressão no sentido da defesa dos direitos dos animais e natureza, deveria expressar o meu apoio nesse sentido.

Que apelo deixa aos portugueses em relação aos animais?

Não faças aos animais aquilo que não gostarias que te fizessem. Afinal de contas, também és animal…

O que acha que é preciso mudar em Portugal para uma melhor defesa dos animais?

Devemos mudar, em primeiro lugar, a legislação e, depois, certificar-nos que a mesma é aplicada e cumprida. Depois, temos de fazer um esforço de formação e educação dos mais novos, para acabar com comportamentos e crenças errados.

Esta entrevista foi publicada na Edição nº19 da Revista Mundo dos Animais, em Dezembro de 2010.

Tópicos: Entrevistas, Artigos em Destaque