Imagens da Semana: 16 – 22 Outubro 2016

A recuperação de um gato atacado com ácido, o primeiro nascimento de órix-de-cimitarra nos últimos 30 anos ou um raro colibri leucístico. Estas e muitas outras histórias nesta edição das imagens da semana.

Gorila-ocidental-das-terras-baixas

Fotografia: Belfast Zoo

Uma gorila-ocidental-das-terras-baixas (Gorilla gorilla gorilla), espécie criticamente ameaçada de extinção, com o seu novo bebé ao colo, no Belfast Zoo, Reino Unido. A bebé, uma menina, foi batizada de Olivia.

Gugas, o pai de Olivia, tem uma história que passa por Portugal. Nascido na natureza, era ainda muito novo quando os seus pais foram mortos por caçadores. O jovem Gugas, agora órfão, foi comprado por um circo português e ficou gravemente doente, tendo sido então abandonado ás portas do Zoo de Lisboa, que por sua vez o enviou para o Stuttgart Zoo para que pudesse ser tratado. Em 1998 chegaria finalmente ao seu “lar” definitivo, o Belfast Zoo, onde foi pai pela primeira vez em 2013.

Uma vez que nasceu em ambiente selvagem, o código genético do pai Gugas é extremamente valioso para o programa de conservação destes gorilas. Olivia é a sua terceira preciosidade.

Cordeiro salvo de hipotermia

Fotografia: Edgar’s Mission

Connor, um cordeirinho que esteve muito perto de morrer poucas horas após o seu nascimento, devido a hipotermia. Salvo pela Edgar’s Mission, uma fantástica organização que resgata e acolhe animais de quinta na Austrália, Connor teve de começar a ser alimentado por tubos e o seu estado era muito incerto. Mas Connor lutou, resistiu e sobreviveu para “contar a história”.

A hipotermia é um dos maiores inimigos dos cordeiros na Austrália. Segundo o jornal “The Australian”, em 2012 estima-se que tenham morrido 15 milhões de cordeiros nas suas primeiras 48 horas de vida, devido à hipotermia. Geralmente são cordeiros que nascem durante a noite (mais frio), sem abrigo apropriado ou comida à disposição.

Voltando ao Connor, veja como este menino triunfou neste e neste vídeos, publicados pela Edgar’s Mission.

Mocho-pigmeu (Glaucidium passerinum)

Fotografia: Mats Andersson / Wildlife Photographer of the Year

Um mocho-pigmeu (Glaucidium passerinum), em posição de repouso, é o protagonista de uma das fotografias vencedoras do Wildlife Photographer of the Year, edição de 2016, do Museu de História Natural de Londres.

O fotógrafo sueco, Mats Anderson, estava a seguir um par de mochos-pigmeus, quando num dia encontrou um deles morto. Utilizando o preto e branco — categoria em que venceu o prémio — Anderson simbolizou nesta fotografia o sentimento de tristeza pela morte do parceiro.

O mocho-pigmeu é o mocho mais pequeno do continente europeu e o seu estado de conservação é, neste momento, pouco preocupante.

Orangotango a escalar 30 metros

Fotografia: Tim Laman / Wildlife Photographer of the Year

Um jovem orangotango-de-borneu (Pongo pygmaeus) faz uma impressionante escalada de 30 metros no Parque Nacional de Gunung Palung, na ilha de Bornéu, Indonésia. Este parque é um dos poucos locais da ilha onde os orangotangos são protegidos.

Para registar este momento, o fotógrafo Tim Laman, grande vencedor do Wildlife Photographer of the Year, necessitou de três dias de preparação, escalada e montagem de câmaras GoPro em posições estratégicas. No final, conseguiu exatamente a fotografia que desde o início tinha imaginado.

O orangotango-de-borneu, tal como o nome indica nativo da ilha de Bornéu, é juntamente com o orangotango-de-sumatra as únicas espécies de grandes primatas (Pongo spp.) nativas do continente asiático. Apesar de existirem mais orangotangos desta espécie (45 mil) do que do parente da ilha de Sumatra (7.500), ambas as espécies se encontram em perigo critico de extinção (ver aqui e aqui).

Chimpanzé fêmea ensinada a fumar no Central Zoo de Pyongyang, Coreia do Norte

Fotografia: Wong Maye-E / AP

Azalea, uma chimpanzé fêmea de 19 anos de idade, a fumar no Central Zoo de Pyongyang, na Coreia do Norte. Por algum motivo que não conseguimos alcançar (ou se calhar conseguimos), este zoológico achou por bem treinar a chimpanzé a fumar e agora ela consome, em média, um maço por dia.

Os visitantes do zoo norte coreano não parecem muito incomodados com o facto e até vêm Azalea como uma nova atração. A chimpanzé foi ensinada inclusive a acender o isqueiro e até a fazer uma “pequena dança” quando o cigarro termina. Pode ver um vídeo no The Guardian. Lamentável, para dizer o mínimo.

Colibri-de-ana leucístico

Fotografia: Brad R. Lewis

Um raríssimo colibri-de-ana (Calypte anna) leucístico. Este colibri, que veio trazer mais brilho aos Jardins Australianos da Universidade da Califórnia desde Maio, tem sido o centro de todas as atenções por parte dos visitantes.

Ao contrário das aves albinas, que não conseguem produzir o pigmento melanina, as aves leucísticas produzem melanina, mas não a conseguem depositar nas suas penas. Além disso, as aves albinas possuem olhos cor-de-rosa ou vermelhos, enquanto que este curioso colibri tem os olhos pretos — bem como o bico e as patas. O que torna este colibri extremamente raro, é que é quase totalmente branco, enquanto outros animais leucísticos apenas o são parcialmente.

O colibri-de-ana é uma espécie de colibri nativa da costa ocidental da América do Norte, e o seu nome é em homenagem da duquesa de Rivoli, Anna Massena (1802 – 1887).

Max Zuckerberg e Beast

Fotografia: Mark Zuckerberg / Facebook

A filha de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, com o cão da família, Beast, da raça puli (um tipo de komondor). Segundo uma publicação de Mark na quarta-feira, a primeira palavra da filha Max foi “cão”. Começa bem!

Cabra bebé e cão São Bernardo

Fotografia: Imatsol / Instagram

Uma cabra bebé de apenas 4 dias, órfã, junto com um dos seus dois protetores, a cachorra Julie. Segundo a dona, a pequena cabra foi-lhe trazida depois da mãe ter morrido e o anterior dono não ter condições de a criar à mão. Na nova casa, conheceu o casal de são bernardos Julie (na foto) e Basiel, com os quais criou uma forte amizade. Pode acompanhar as aventuras deste trio através do Instagram.

Hamster hairless

Fotografia: Diana Gabaldon

Silky, uma hamster hairless (sem pelos no corpo) com cerca de um ano de idade, deixada num abrigo para animais abandonados porque os donos decidiram mudar de casa e… deixar a hamster para trás. Apesar de ser diferente, rapidamente apaixonou todo o staff na Oregon Humane Society em Portland, EUA, e teve até quem lhe fizesse um casaquinho em crochet para não sofrer com o frio.

Os cuidados a ter com um hamster hairless são um pouco diferentes da generalidade dos hamsters: a pele é delicada e, como está “nua”, não retém bem o calor. Para manter o corpo quente, o metabolismo destes hamsters é muito mais acelerado, e por isso necessitam que a alimentação seja rica em proteínas (ração seca para gatos é uma boa fonte). Durante o Inverno e para que não hibernem, devem ser mantidos numa divisão quente, ou então ter a gaiola parcialmente aquecida, por exemplo, com uma placa ou lâmpada de aquecimento utilizada para répteis.

Órix-de-cimitarra bebé

Fotografia: Habib Ali / Sahara Conservation Fund

O primeiro bebé órix-de-cimitarra (Oryx dammah) a nascer na natureza nos últimos trinta anos. A mãe desta pequenina preciosidade era uma das órixes grávida que foi libertada no Chade, pelo que existe a esperança de haver mais bebés num futuro muito próximo, segundo a Sahara Conservation Fund.

O órix-de-cimitarra, também conhecido como órix-branco, ou órix-do-saara, foi declarado extinto na natureza no ano 2000, estando a sobrevivência da espécie dependente de algumas populações criadas em cativeiro. No início da primavera, 25 animais foram libertados no Chade, como parte integrante do programa de reintrodução na natureza, e o nascimento deste bebé é motivo de celebração, não apenas para o Chade, mas para os conservacionistas de todo o mundo.

Rãs-do-titicaca mortas

Fotografia: AFP PHOTO / SERFOR / HO

Uma pequena amostra das dez mil rãs-do-titicaca (Telmatobius culeus) encontradas mortas no seu único habitat no planeta, o Lago Titicaca, nos Andes, na fronteira entre o Peru e a Bolívia. As causas desta catástrofe ainda não foram apuradas, mas os cientistas apontam a poluição como a causa mais provável.

A rã-do-titicaca é uma espécie criticamente ameaçada de extinção, e não abona a seu favor o facto de ser considerada um dos animais mais feios do mundo. A população destas rãs já tinha declinado em cerca de 80% nos últimos anos, pelo que a morte destes dez mil animais poderá ter consequências graves para a sobrevivência da espécie.

Lóris vítimas de tráfico animal

Fotografia: International Animal Rescue

Um grupo de 34 lóris vítimas de tráfico, stressados e aterrorizados, foram apreendidos pelas autoridades na Indonésia antes de serem colocados à venda na Internet. Os lóris seguiram para as instalações da International Animal Rescue (IAR), que têm instalações específicas para estes animais, onde se espera que recuperem do sofrimento.

Esta atividade criminosa começa com caçadores, que capturam os animais na natureza e os colocam em jaulas minúsculas, que os traumatizam. Como se não bastasse, arrancam os dentes aos lóris a sangue frio, utilizando alicates ou corta-unhas, para os tornar mais inofensivos com os futuros donos.

Por vezes as pessoas contribuem inadvertidamente para a popularização destes animais como exóticos de estimação. Falamos há uns tempos de um desses casos, em que um vídeo onde mostrava um lóris a “apreciar” cócegas se tornou viral na Internet pela sua “fofura”. Na verdade, o animal estava a ser torturado.

Gato atacado com ácido

Fotografia: Milo’s Sanctuary / Facebook

O gato Tommy, com a cara desfigurada devido a ter sido atacado com ácido, por alguma criatura a quem não podemos chamar humano. O Tommy era um gato de rua e foi encontrado no Verão por uma mulher que estava a alimentar uma colónia de gatos abandonados. O gato estava num péssimo estado, com parte da cara e um olho queimados.

Levado de urgência ao veterinário, iniciou um período intenso de recuperação, mas o olho afetado acabou por ser perdido. Tommy foi ainda sujeito a uma cirurgia de três horas de reconstrução facial. Se quiser ver mais fotografias do Tommy (atenção a pessoas sensíveis), siga esta ligação.

Cão a descansar após correr maratona canina

Fotografia: Francisco Seco / AP

O cão Charly repousa nos braços do seu dono, depois de ambos terem participado na quinta edição da “Perroton”, uma maratona canina realizada anualmente em Madrid. Este evento, que reuniu cerca de 3.500 cães das mais variadas raças, pretende sensibilizar sobre os maus-tratos aos animais e a importância da adoção responsável.

Tartaruga-aligator bebé

Fotografia: Katie Gregory

Uma tartaruga-aligator (Macrochelys temminckii) bebé, nascida juntamente com outras 29 tartarugas no Tishomingo National Fish Hatchery, em Oklahoma. As trinta tartarugas-aligator vão ficar durante os primeiros três anos ao cuidado do Nashville Zoo, altura em que serão libertadas na natureza, para reforçar os números da população desta espécie.

A tartaruga-aligator tem um aspeto quase pré-histórico, fazendo lembrar alguns dinossauros couraçados de outrora. Robusta e com uma potente mordida, pode pesar 45 quilos, tendo já sido registadas tartarugas-aligator com mais de 100 quilos.

Gado a pastar

Fotografia: Toby Melville / Reuters

E com este belíssimo “beijo”, vindo diretamente de uma pastagem em Cotswolds, Inglaterra, terminamos esta edição das imagens da semana. Até à próxima!

Tópicos: Imagens da Semana, Fotografia Animal