Tarântulas de Estimação: Cuidados Básicos

Tarântula rosa chilena (Grammostola rosea)

Tarântula rosa chilena (Grammostola rosea)
Fotografia: Wikimedia Commons

Cuidados básicos das tarântulas

Hoje em dia é cada vez mais comum encontrar tarântulas como animais de estimação, adquirindo-as em lojas de animas ou até mesmo pela Internet. Se nunca tratou de nenhuma tarântula anteriormente ou não possui experiência com estas, deve ter em conta algumas questões antes de adquirir uma, tais como:

1. Qual a espécie da tarântula?

É muito importante saber qual a espécie da tarântula que vamos comprar, uma vez que existem cerca de 850 espécies (terrestres e arborícolas). Assim pode pesquisar mais sobre a espécie em causa, antes de a adquirir, para ser capaz de lhe proporcionar todas as condições necessárias.

2. Onde a colocar?

As tarântulas, no geral, não necessitam de grandes espaço para viver. Podemos utilizar desde pequenos terrários de plástico (faunariuns) a terrários de vidro. Estes últimos na minha opinião são os melhores uma vês que são fáceis de limpar. O vidro não fica amarelo com o passar do tempo, não se risca e é muito mais pesado que os de plástico, dando assim mais estabilidade e segurança. O inconveniente dos terrários de vidro é que estes são mais dispendiosos que os de plástico.

O terrário deve-se localizar num local onde a luz do sol não incida directamente, pois pode interferir na saúde do nosso animal, já que estes são nocturnos.

Os terrários também variam consoante a espécie da tarântula. Se se tratar de uma tarântula arborícola o terrário deve ser alto, com ramos para a tarântula poder subir e fazer a sua teia. Se for uma tarântula terrestre, o terrário deve ser espaçoso, ou seja baixo, para evitar que a tarântula suba e haja uma eventual queda, podendo causar ferimentos no animal.

Nota: Pode ler mais sobre terrários para tarântulas mais em baixo neste artigo.
Tarântula de joelho vermelho mexicana (Brachypelma smithi)

Tarântula de joelho vermelho mexicana (Brachypelma smithi)
Fotografia: Wikimedia Commons

3. Que substrato usar?

É importante que a tarântula tenha um bom solo, ou seja um bom substrato.

Existem vários tipos de substrato a venda, tais como vermiculite, turfa, perlite, fibra de coco, cascas de madeira, entre outros. Qualquer um destes é bastante bom pois conservam bem a humidade.

Para as tarântula arborícolas não é necessário colocar muito substrato, já que estas geralmente se encontram nas partes mais altas do terrário, onde costumam fazer os seus ninhos. Contudo, nas espécies terrestre existe a necessidade de colocar uma grande quantidade de substrato (entre 2 a 15 centímetros), dependendo de a espécie ser apenas terrestre ou se também gosta de cavar as suas próprias tocas.

4. As tarântulas precisam de luz?

As tarântulas devem ser colocadas num local onde apanhem a luz do dia, mas nunca directamente. Não necessitam de qualquer tipo de luz artificial (lâmpadas) uma vês que estas são animais completamente nocturnos.

5. Qual a temperatura adequada?

As tarântulas são animais de sangue frio. Assim sendo, devemos proporcionar-lhes uma temperatura óptima.

Dependendo das espécies, as temperaturas nocturnas podem oscilar entre os 18 e os 24 ºC, enquanto que as diurnas podem encontrar-se entre os 24 e os 33 ºC. Como regra geral, podemos dizer que a temperatura nocturna deve-se manter entre os 20 e os 22 ºC e a diurna entre os 24 e os 27 ºC.

Existem vários sistemas de aquecimento, como os fios de aquecimento, mantas de aquecimento, lâmpadas de aquecimento ou pedras de aquecimento, que pode utilizar para regular a temperatura dentro do terrário.

6. Qual a humidade adequada?

As tarântulas provêm de países de onde a humidade relativa durante a noite é bastante elevada. Assim existe a necessidade de lhe proporcionar um ambiente o mais semelhante possível ao de origem.

Para o conseguir, basta colocar um bebedouro com água e, com um pulverizador, borrifar de forma periódica o substrato do terrário. A humidade necessária varia de espécie para espécie. Adquirir um higrómetro poderá ser uma preciosa ajuda, podendo encontra-lo numa loja de animais.

7. O que comem as tarântulas?

As tarântulas são predadores e como tal, apenas comem alimento vivo.

A dieta da sua tarântula de estimação deve ser variada, alternando entre grilos, baratas, tenébrio, gafanhotos, entre outros. As tarântulas aguentam algum tempo sem comer, mas não sem beber, sendo necessário ter em permanência no terrário um recipiente com água limpa e fresca.

Os terrários

Terrários para tarântulas

Terrários para tarântulas
Fotografia: angellpets.com

Quando se esta a pensar em comprar um terrário para a tarântula, bem como na decoração do mesmo, a primeira coisa que se deve fazer é conhecer as características e necessidades do animal em concreto. O objetivo é criar um habitat o mais parecido possível ao seu habitat na natureza.

Para recriar esse ambiente, o mais aconselhável é utilizar um terrário rectangular de vidro ou de plástico – de preferência o de vidro, pois os de plástico com o decorrer do tempo vão ficando amarelos (envelhecimento do plástico) e riscam-se muito mais facilmente.

O terrário ideal para uma tarântula terrestre, depende tanto da espécie como da idade do exemplar. O mais habitual é utilizar um terrário de 25 x 20 x 20 centímetros. Um terrário um pouco maior, com cerca de 45 x 40 x 30 centímetros, torna-se mais fácil de decorar, mas devido ás suas dimensões pode dificultar a caça à tarântula, e a tarântula não irá utilizar todo esse espaço, podendo vir a percorrê-lo mas não diariamente.

Se se tratar de uma espécie arborícola, o terrário devera ser mais alto que largo, já que fazem os seus “ninhos” nas alturas. Um terrário com 30 x 30 x 45 centímetros será o suficiente para uma espécie adulta.

Todos os terrários devem ter ventilação, isto é muito importante.

Outro dos aspectos também muito importantes quando se esta a montar um terrário é o substrato. Quando queremos escolher o substrato, temos que ter em conta a espécie.

Se for uma tarântula terrestre, o mais indicado é terra comercial – mas é preciso ter muita atenção com este tipo de terra, pois não pode conter qualquer tipo de químicos (eu geralmente compro uns saquinhos em que já vem tudo esterilizado). Caso pretenda uma solução mais económica, como apanhar terra num campo, aconselho a ferver bem essa terra para matar todo o tipo de ácaros que possam existir nela, antes de a colocar à disposição da tarântula.

Uma pequena camada de substrato de dois a três centímetros serão suficientes, mas mais uma vez destaco a grande importância de conhecer bem as características da espécie de tarântula que escolhemos – temos por exemplo uma tarântula bastante conhecida, a Aphonopelma seemanni, que pode precisar de até dez centímetros de substrato, uma vez que cava covas bastante profundas.

Conhecer as características básicas da tarântula ajuda muito na escolha do terrário, do substrato e da decoração.

Relativamente á decoração, isso depende do gosto de cada um, desde que seja o mais parecido com o habitat da nossa espécie. Existem várias coisas à venda para decoração de terrários (desde plantas artificiais a paus e pedras). Pessoalmente recolho tudo da natureza para que seja o mais idêntico possível, mas antes de colocar qualquer coisa que seja perto da tarântula, fervo tudo para evitar parasitas.

Manusear uma tarântula

Tarântula de patas vermelhas mexicana (Brachypelma emilia)

Tarântula de patas vermelhas mexicana (Brachypelma emilia)
Fotografia: thingsbiological.wordpress.com

Quando pensamos em pegar numa tarântula, existem dois aspectos bastante importantes em que temos devemos ter atenção. O primeiro é que o seu abdómen é muito delicado, temos que ter bastante cuidado para não a aleijar. O segundo aspecto é reduzir ao mínimo o perigo de uma possível mordidela.

Assim sendo existem três métodos (os mais seguros) para manusear uma tarântula.

1º Método

Este método consiste em colocar uma pequena caixa transparente (pode-se usar até mesmo um copo grande) sobre a tarântula e depois deslizar com cuidado um pequeno cartão ou plástico por debaixo da caixa. A tarântula colocar-se-à em cima desse cartão ou plástico, uma vez que não tem outra hipótese, podendo assim mover a tarântula com segurança.

Poderia também depois colocar uma tampa com pequenos buracos, para o animal poder respirar. Esta seria a forma mais segura de transportar a sua tarântula.

2º Método

Manusear uma tarântula

Manusear uma tarântula
Fotografias: João Moreira

Se realmente se sente seguro e quer pegar na sua tarântula de estimação, deve colocar a sua mão com a palma virada para cima, em frente à tarântula, e “empurrá-la” suavemente com um dedo da outra mão ou com algo que não a aleije. Este método não é indicado para tarântulas nervosas, pois a tarântula poderia desatar a correr pelo seu braço e numa situação dessas, poderiam acontecer duas coisas:

  • A pessoa que a está a pegar na tarântula poderia assustar-se e deixá-la cair, o que poderia causar a morte ao animal;
  • As patas da tarântula poderiam ficar presas na sua roupa, o que dificultaria muito retirar a tarântula de lá, e ela própria poderia aleijar-se a tentar soltar-se.

Se a tarântula for calma e ficar na sua mão, convêm colocar sempre a mão livre por debaixo da mão onde se encontra a tarântula – assim evita que esta caia se começar a andar.

3º Método

Manusear uma tarântula

Manusear uma tarântula
Fotografias: João Moreira

Este método consiste em levantar a tarântula. Deve segurar entre a segunda e terceira pata suavemente, mas ao mesmo tempo com firmeza, para evitar que caia. As tarântulas não estão habituadas a serem levantadas, assim deve-se levantar a tarântula lentamente. Nunca se deve pegar pelo abdómen das tarântulas, pois é muito frágil.

Uma manipulação eficaz e segura adquire-se com a experiência e conhecimento apropriado.

Com este pequeno capítulo não quero incentivar ninguém a pegar na sua tarântula, sobretudo se não se sentir seguro e confiante para o fazer. Pretendo apenas ensinar como se deve manusear uma tarântula. Uma tarântula nunca deve ser manuseada sem estar familiarizado com estes animais.

A muda da tarântula

Muda de tarântula

Muda de tarântula
Fotografias: João Moreira

O crescimento das tarântulas, até atingirem o estado adulto, dá-se por meio de sucessivas mudas.

O seu corpo é recoberto de uma cutícula mais ou menos espessa e rígida (exoesqueleto), excepto no abdómen e nas membranas articulares das patas.

Quando são muito jovens, fazem-no 4 vezes por ano, passando depois a uma periodicidade anual. A muda também é a oportunidade de fazer crescer novamente membros partidos, como pernas que estejam em falta. A cada etapa de crescimento, o animal perde a sua carapaça e produz outra.

Mudas de tarântula que demonstram as etapas de crescimento

Mudas de tarântula que demonstram as etapas de crescimento
Fotografia: João Moreira

Nas três semanas que precedem a muda, a tarântula torna-se mais calma e deixa de se alimentar. Quando chega o momento, ela tece teia e fica de costas, ficando imóvel durante várias horas, como se estivesse morta. Aos poucos, por intermédio de pulsações lentas, o cefalotórax e o abdómen abrem-se lateralmente. Com sucessivos impulsos um atrás do outro, liberta-se da velha “pele”, movimentando o dorso e deixando aparecer a nova carapaça e as novas patas.

Depois disso, a tarântula fica de costas durante algum tempo, descansando da fadiga da muda (momento em que a tarântula pode não sobreviver devido ao desgaste). O novo tecido que a reveste é bastante frágil e o animal fica particularmente vulnerável, até o momento em que a sua nova pele endureça o suficiente para protegê-la e preservá-la.

Depois de uma muda, o interior da carapaça abandonada e a nova casca do animal ficam molhados. É necessário, então, que a tarântula seque bem.

Para que a muda se faça nas melhores condições, o ambiente deve estar húmido e deve-se retirar todo o alimento vivo que possa interferir com o processo da muda da tarântula.

Aqui fica um video com todo o processo:


O veneno das tarântulas

Devido a muita gente questionar se as tarântulas são venenosas, decidi escrever também um capítulo dedicado a esclarecer um pouco este tema.

Veneno das tarântulas

O principal perigo da picada de tarântula é uma reação alérgica da pessoa
Fotografia: Wikimedia Commons

A tarântula É um animal venenoso. Se decidimos ter uma tarântula em casa, como animal de estimação, a primeira coisa que devemos ter em conta não é a toxidade do seu veneno em relação aos seres humanos, mas sim uma possível reacção alérgica a esse mesmo veneno (tal como acontece, de resto, com as picadas de abelha).

Existe uma pequena “regra” que em geral nos ajuda a perceber o grau de toxidade do veneno de cada tarântula, mas que como toda a regra, tem excepções:

  • Espécies americanas = Tarântulas “inofensivas”;
  • Espécies africanas e asiáticas = Tarântulas “perigosas”.

Quer isto dizer que, se a tarântula é africana ou asiática, deve ter mais preocupações do que com uma tarântula americana. Isto não significa que as espécies americanas sejam totalmente inofensivas. Temos casos como por exemplo Phormictopus cancerides e Ephebopus murinus que são tarântulas que possuem um veneno perigoso em relação a outras do mesmo continente, como as Grammostola spp. ou as Brachypelma spp..

Quando se é mordido por uma tarântula com um veneno de grande toxidade, os efeitos podem durar semanas, provocando vómitos, espasmos musculares, febre, diarreias e um inchaço no local da mordedura. Se tal acontecer, o mais aconselhável é dirigir-se rapidamente ao médico, para evitar maiores problemas.

Nota: Pessoas que sofram de problemas cardíacos e/ou respiratórios devem evitar manusear tarântulas, uma vez que a probabilidade de arritmias e problemas respiratórios agudos é maior.

Como referi em cima, só decidi escrever este breve capítulo devido à “grande discussão” que existe sobre o veneno das tarântulas, mas com a minha experiência pessoal (não é que seja grande, mas já tendo alguma) acabei por me dar conta que, se a uma pessoa gosta verdadeiramente de uma determinada espécie, esquece-se por completo da toxidade do veneno e na realidade, a única coisa com que realmente se preocupa é com o bem estar do animal e das pessoas que o rodeiam.

Envio de tarântulas

Quando é necessário transportar uma tarântula, seja para venda ou para acasalamento, deve-se ter todo o cuidado possível para que o animal chegue em perfeito estado ao seu destino.

Sendo as tarântulas animais provenientes de países de climas tropicais, não é aconselhado enviá-las durante o Inverno, devido ao perigo que as baixas temperaturas representam para a saúde do animal.

Lista de material necessário:

  • Caixa grande o suficiente para caber a caixinha com o animal e o material de embalamento (jornal ou plástico-bolha);
  • Caixa para colocar o animal;
  • Jornal ou outro tipo de material de embalamento (por ex. plástico-bolha);
  • Fita adesiva;
  • Papel higiénico ou papel de cozinha;
  • Esferovite.
Como transportar uma tarântula

Como transportar uma tarântula
Fotografia: João Moreira

Passo 1: Escolher uma caixa grande o suficiente para que a tarântula se sinta confortável, mas que também não “ande aos tombos” dentro da mesma. Em cima deixo alguns exemplos de recipientes.

Como transportar uma tarântula

Como transportar uma tarântula
Fotografia: João Moreira

Passo 2: Forrar a caixa com papel higiénico ou papel de cozinha, de forma a que toda a caixa fique forrada. O papel deve ser um pouco humedecido. Depois, colocar a tarântula dentro da caixa e fechar.

Como transportar uma tarântula

Como transportar uma tarântula
Fotografia: João Moreira

Passo 3: Fechar com fita adesiva a caixa que contem a tarântula, pois durante o transporte a caixa pode-se abrir provocando possíveis ferimentos ao animal. Coloque uma etiqueta com o nome da espécie em causa – assim quem a receber sabe qual a espécie exacta antes de abrir, tomando os cuidados necessários.

Como transportar uma tarântula

Como transportar uma tarântula
Fotografia: João Moreira

Por fim, coloca-se tudo dentro da caixa grande de envio. Deve ir tudo muito bem acondicionado para que a caixa, que contem o animal, não ande a balançar.

Nota: em substituição da esferovite, também se pode utilizar papel de jornal.

*Com colaboração com Conceição André.

Este artigo foi publicado na Revista nº8 do Mundo dos Animais, em Novembro de 2008, com o título “Tarântulas”.

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