Câmaras Ocultas Revelam Mamíferos Raros em Declínio

Jaguar (Panthera onca)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Desde pequenos roedores até enormes elefantes, 52 mil fotografias resultantes do maior levantamento fotográfico de mamíferos em todo o mundo revelaram o estado da vida selvagem: animais fascinantes, mas em perigo. Alguns deles já bastante raros.

Este levantamento fotográfico foi realizado através da instalação de 420 câmaras ocultas nas Américas, África e Ásia, permitindo aos investigadores estudar o declínio populacional dos mamíferos em termos globais. As imagens foram captadas entre 2008 e 2010.

Um aspeto interessante nas fotografias que lhe vamos mostrar de seguida é o esplêndido realismo. Ao contrário das fotografias que normalmente vê em revistas e publicações sobre animais, tecnicamente perfeitas, com cores fantásticas e uma grande produção, aqui vê a versão “crua” e genuína do dia a dia destes animais na vida selvagem.

Chimpanzé (Pan troglodytes)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Um chimpanzé-comum (Pan troglodytes), também conhecido como chimpanzé-robusto, fotografado na floresta de Bwindi, no Uganda. A desflorestação e construção de estradas fragmentou o habitat dos chimpanzés, além de facilitar o acesso de caçadores furtivos aos animais. Estima-se que existam atualmente entre 170 a 300 mil chimpanzés na natureza. Encontra-se em perigo de extinção (IUCN).

Elefante-africano (Loxodonta africana)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Elefante-africano (Loxodonta africana) fotografado nas montanhas de Udzungwa, Tanzânia. O elefante-africano é o maior e mais pesado animal terrestre existente, podendo atingir os quatro metros de altura e pesar mais de cinco toneladas. Encontra-se vulnerável (IUCN).

Queixadas (Tayassu pecari)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Queixadas (Tayassu pecari) fotografados na reserva natural central do Suriname. É um animal nativo da América Central e do Sul, que vive em grupos de entre 20 até 300 indivíduos. As maiores ameaças são a perda de habitat (desflorestação) e também a caça. Como têm os habitats fragmentados e vivem em grupos, os queixadas são vítimas fáceis de caçadores furtivos, que podem caçar vários animais de uma só vez. Encontra-se vulnerável (IUCN).

Jaguar (Panthera onca)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Um jaguar (Panthera onca) fotografado na reserva natural central do Suriname. O jaguar, ou onça-pintada, é uma espécie de grande felino nativa das Américas, onde é o maior felino existente (e o terceiro maior do mundo, apenas atrás do tigre e do leão). O jaguar é fisicamente parecido com o leopardo, embora os dois animais nunca se encontrem em ambiente selvagem: o jaguar está confinado às Américas e o leopardo habita os continentes africano e asiático. Encontra-se quase ameaçado (IUCN).

Tapir-sul-americano (Tapirus terrestris)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Um tapir-sul-americano (Tapirus terrestris), ou anta-brasileira, fotografado na reserva natural central do Suriname. Trata-se do maior mamífero terrestre do Brasil, podendo medir 2,4 metros de comprimento e pesar até 300 quilos. Apesar do tamanho são animais ágeis e rápidos, tanto em terra como na água, onde se demonstram excelentes nadadores. Encontra-se vulnerável (IUCN).

Ocelote (Leopardus pardalis)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Ocelote (Leopardus pardalis) fotografado em Manaus, Brasil. O ocelote, também conhecido como jaguatirica, é um felino selvagem de médio porte e habita desde o sul dos EUA até ao norte da Argentina. Devido ao seu belo padrão, que faz lembrar os jaguares e os leopardos-nebulosos, o ocelote foi vítima de caça furtiva para tráfico de peles. Com a aplicação de medidas de proteção legais, a espécie recuperou e o seu nível de perigo de extinção baixou em 1996. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Quati-de-nariz-branco (Nasua narica)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Quati-de-nariz-branco (Nasua narica) fotografado no Vulcão Barva, Costa Rica. Os quatis são da família dos guaxinins e nativos das Américas. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Búfalo-africano (Syncerus caffer)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Búfalo-africano (Syncerus caffer) fotografado nas montanhas de Udzungwa, Tanzânia. Também conhecido como búfalo-do-cabo, é um animal de grandes dimensões e pode pesar 900 quilos. É nativo da África subsariana, embora esteja geralmente confinado a áreas protegidas. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Paca (Cuniculus paca)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Paca (Cuniculus paca) fotografado em Manaus, Brasil. A paca é um mamífero roedor que pode ser encontrado nos três continentes americanos, com especial incidência na América do Sul, desde a Bacia do Rio Orinoco até o Paraguai. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Leopardo-africano (Panthera pardus)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Leopardo-africano (Panthera pardus pardus) captado nas montanhas de Udzungwa, Tanzânia. O leopardo-africano é uma das nove subespécies reconhecidas de leopardo e habita especialmente a África subsariana. Encontra-se quase ameaçado (IUCN).

Urso-malaio (Helarctos malayanus)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Urso-malaio (Helarctos malayanus) fotografado em Bukit Barisan Selatan, Indonésia. Também conhecido como urso-do-sol ou urso-dos-coqueiros, é a menor espécie de urso existente, não ultrapassando o metro e meio de comprimento. É encontrado apenas no sudeste asiático e a sua população diminuiu cerca de 30% nas últimas três gerações. Encontra-se vulnerável (IUCN).

Tamanduá (Tamandua mexicana)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Tamanduá-do-norte (Tamandua mexicana) fotografado no Vulcão Barva, Costa Rica. Os tamanduás são um género de papa-formigas. O tamanduá-do-norte é encontrado desde o sul do México até ao norte dos Andes, passando por toda a América Central. Pode chegar aos 1,3 metros de comprimento. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Caçador furtivo

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Caçador furtivo apanhado pelas câmaras em Nam Kading, Laos.

Caçador furtivo

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Outro caçador furtivo apanhado durante a noite, na floresta de Bwindi, Uganda. Como as câmaras não fazem ruído nem produzem luz, raramente são detetadas pelos caçadores.

Jaguar (Panthera onca)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Novamente um jaguar (Panthera onca) fotografado no Vulcão Barva, Costa Rica.

Gineta-servalina-de-lowe (Genetta servalina lowei)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Uma gineta-servalina-de-lowe (Genetta servalina lowei) fotografada nas montanhas de Udzungwa, Tanzânia. Foi redescoberta em 2002, uma vez que até então era apenas conhecida por uma pele recolhida em 1932. Pouco se conhece acerca destes carnívoros algo semelhantes aos gatos, mas que pertencem à mesma família das civetas (Civettictis civetta) e binturongs (Arctictis binturong). Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Gorilas-da-montanha (Gorilla beringei beringei)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Gorilas-das-montanhas (Gorilla beringei beringei) fotografados na floresta de Bwindi, Uganda. Com um número estimado inferior a 900 animais em 2015, o gorila-das-montanhas é vítima de diversas ameaças como caça furtiva, perda de habitat, contaminação por doenças e consequências de guerra (como pisar minas terrestres). Encontra-se em perigo critico de extinção (IUCN).

Macacos-rabo-de-porco (Macaca nemestrina)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Macacos-rabo-de-porco (Macaca nemestrina) fotografados em Bukit Barisan Selatan, Indonésia. Ao contrário da maioria dos primatas gostam bastante de água e são também escaladores por excelência. Habita principalmente florestas tropicais a dois mil metros de altura, na parte sul da Península da Malásia, Bornéu, Sumatra e na ilha Bangka. Encontra-se vulnerável (IUCN).

Puma (Puma concolor)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Puma (Puma concolor) fotografado no Vulcão Barva, Costa Rica. Também conhecido como onça-parda ou suçuarana, tem uma ampla distribuição geográfica nos três continentes americanos, desde o Canadá até ao extremo sul do Chile. Apesar da espécie se encontrar estável em termos de conservação, as populações da América do Norte foram bastante reduzidas e uma das subespécies, o puma-oriental, foi declarada extinta em 2011. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Papa-formigas (Myrmecophaga tridactyla)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Um tamanduá-bandeira ou papa-formigas-gigante (Myrmecophaga tridactyla) fotografado em Manaus, Brasil. É a maior entre as quatro espécies de papa-formigas existente, com mais de dois metros de comprimento. As populações destes animais têm vindo a diminuir e é considerado raro em muitos dos locais que habita. Na Argentina é considerado um animal em perigo de extinção e no Brasil, embora globalmente seja vulnerável, em regiões como o Rio Grande do Sul e o Paraná o seu estatuto é de perigo crítico. Encontra-se vulnerável (IUCN).

Tapir-sul-americano (Tapirus terrestris)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Novamente um tapir-sul-americano (Tapirus terrestris) fotografado em Manaus, Brasil.

Muntjac-indiano (Muntiacus muntjak)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Muntjac-indiano (Muntiacus muntjak) fotografado em Nam Kading, Laos. É encontrado em diversas regiões no sul da Ásia, mas ao mesmo tempo um dos mamíferos menos conhecidos do continente. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Macaca assamensis

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Um macaco-de-assam (Macaca assamensis) fotografado em Nam Kading, Laos. Trata-se de um macaco do velho mundo nativo do sul e sudeste da Ásia. Afetado especialmente pela desflorestação e consequente perda de habitat, é legalmente protegido em todos os países em que habita. Encontra-se quase ameaçado (IUCN).

Macacos-rabo-de-porco (Macaca nemestrina)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Novamente um macaco-rabo-de-porco (Macaca nemestrina) fotografado em Bukit Barisan Selatan, Indonésia.

Marmosa murina

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Cuica (Marmosa murina), fotografado na reserva natural central do Suriname. Foi o animal mais pequeno fotografado nesta investigação: não ultrapassa 14,5 centímetros de corpo — mais 13,5 a 21 centímetros de cauda — e pesa à volta de 250 gramas. Encontra-se em estado pouco preocupante (IUCN).

Tapir-de-baird (Tapirus bairdii)

Fotografia: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

Tapir-de-baird (Tapirus bairdii) fotografado no Vulcão Barva, Costa Rica. É o maior dos tapirídeos americanos e também o maior mamífero terrestre da região neotropical, podendo chegar aos 2,5 metros de comprimento. As duas principais ameaças são a caça furtiva e a perda de habitat. A conservação deste tapir é também dificultada pela sua lenta taxa de reprodução: o período de gestação dura cerca de 400 dias, após os quais nasce apenas um bebé. Encontra-se em perigo de extinção (IUCN).

Mapa das áreas protegidas

Imagem: Wildlife Conservation Society / TEAM network / Conservation International

O maior estudo de sempre com animais através de câmaras ocultas foi realizado em áreas protegidas no Brasil, Costa Rica, Indonésia, Laos, Suriname, Tanzânia e Uganda. Foram documentadas 105 espécies de mamíferos.

Nota: Este artigo foi originalmente publicado no Mundo dos Animais em 17 de Agosto de 2011. O estado de conservação de cada espécie encontra-se atualizado através da IUCN à data de 7 de Janeiro de 2016.

Tópicos: Animais em Extinção, Conservação, Fotos de Animais Selvagens, Mamíferos, Animais Selvagens, Fotografia Animal, Artigos em Destaque