Introdução aos Morcegos

Myotis bechsteinii

Myotis bechsteinii
Fotografia original: Gilles San Martin

Artigo co-autorado por Virgínia Duro.

Os morcegos sempre despertaram a imaginação das pessoas nas mais variadas formas, seja por serem os únicos mamíferos com a capacidade de voo, seja por serem activos quase exclusivamente durante a noite, abrigando-se durante o dia em cavidades e grutas escuras, que a maior parte das pessoas tem dificuldade em entrar, fazendo com que pouco saibam sobre estes animais.

Até há bem pouco tempo, estes animais foram alvo de temores e mitos que contribuíram para a sua perseguição ao longo dos tempos, levando a que muitas espécies tenham chegado quase à extinção, ou a que, por ventura, possam mesmo ter-se extinguido antes do início do seu estudo.

No entanto, a mentalidade está a mudar e começa a perceber-se a importância destes animais no equilíbrio dos ecossistemas, devido ao empenho de várias pessoas que tentam fazer passar essa mesma mensagem e é de referir que, segundo os dados do “Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal”, cerca de 80% dos mamíferos autóctones portugueses que se encontram com o estatuto “em perigo”… são morcegos.

Segundo Rainho et al.(1998), podemos afirmar que “os morcegos desempenham um papel vital na dispersão de sementes (frutívoros), na polinização (nectívoros) e na captura de insectos. Estes constituem muitas vezes pragas na agricultura ou são vectores de doenças graves ou mesmo os parasitas domésticos”.

Myotis bechsteinii

Myotis bechsteinii
Fotografia: Gilles San Martin

Os seres humanos não são os únicos a utilizar a visão para se aperceberem daquilo que os rodeia. A maior parte dos animais são muito dependentes da visão; mesmo os animais que caçam à noite usam os seus olhos para se guiarem e para se alimentarem na escuridão.

Mas, os morcegos insectívoros têm mais alguns problemas para resolver: a dimensão reduzida das suas presas, tornando mais difícil a sua localização e obstáculos a contornar em grutas e florestas devido às suas frágeis asas.

Assim sendo tiveram que encontrar uma estratégia para se poderem orientar e caçar durante a noite – a ecolocação, ou mais especificamente “sistema de eco-imagem”.

Como estes animais possuem uma boa audição no espectro dos ultra-sons e a capacidade de produzir vocalização nesse espectro, especializaram-se para poderem utilizar essa vantagem em benefício próprio.

Cada espécie, ou nalguns casos, grupo de espécies, possui um padrão de ultra-sons específico, resultante da especialização alimentar ou evolução anatómica. Para que se detectem essas diferenças e subtilezas utiliza-se um aparelho que permite a captação e posterior gravação, os detectores de ultrasons.

Assim, segundo O’Farrel (1997), os detectores e os aparelhos de gravação de ultra-sons podem ser ferramentas preciosas na medida em que podem ser usadas numa grande variedade de finalidades, incluindo a identificação de espécies.

Nessa medida, com o auxílio de um detector de ultra-sons, seguindo um método apropriado e a ajuda de um investigador experiente na área, propusemo-nos a fazer a identificação dos morcegos que ocorrem no Mosteiro de S. Martinho de Tibães, através da análise acústica dos sons captados e através da inspecção de abrigos, recorrendo à fotografia.

Morcego-de-ferradura (Rhinolophus sp.)

Morcego-de-ferradura (Rhinolophus sp.)
Fotografia: Frederico Oliveira

Myotis sp. (possivelmente morcegolanudo, Myotis emarginatus)

Myotis sp. (possivelmente morcego-lanudo, Myotis emarginatus)
Fotografia: Frederico Oliveira

Morcego-anão (Pipistrellus sp.)

Morcego-anão (Pipistrellus sp.)
Fotografia: Virgínia Duro

Morcego não identificado em voo junto a um rio

Morcego não identificado em voo junto a um rio
Fotografia: Frederico Oliveira

Este artigo foi originalmente publicado na Edição nº 12 da Revista Mundo dos Animais, em Agosto de 2009, com o título “Morcegos”.

Tópicos: Morcegos, Mamíferos, Animais Selvagens, Artigos em Destaque