A Maior Colónia de Morcegos do Mundo

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: Sandy Frost

Imagine vinte milhões de morcegos a cobrir os céus sobre a sua cabeça. Todas as noites. Durante todo o Verão. A maior concentração de mamíferos do mundo.

É o que acontece no Texas, nos arredores de San Antonio, onde se situa uma caverna chamada Bracken Cave.

De Março a Outubro, um número estimado de vinte milhões de morcegos pertences à espécie Tadarida brasiliensis sai todas as noites para procurar insetos. O que para alguns é um espetáculo digno do melhor que a natureza nos oferece, para outros é uma situação mais parecida com um filme de terror, até porque os morcegos não são exatamente os animais mais populares entre a civilização humana.

A contagem não é precisa pois não existe nenhum método infalível de contabilizar os animais que saem da caverna, contudo, dada a dimensão da “nuvem” que formam nos céus e as várias horas que chegam a demorar para sair da caverna, indica que podem ser inclusivamente mais de 20 milhões de morcegos a viver ali.

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: USFWS Headquarters

A caverna é propriedade da Bat Conservation International, que trabalha no sentido de proteger todo o habitat circundante, pelo que o acesso à caverna é muito restrito.

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: USFWS Headquarters

Os morcegos começam a chegar no final de Fevereiro, vindos do México, continuando a chegar durante os meses de Março e Abril. Em Junho, já com a colónia completa, as mamãs morcego começam a dar à luz os seus bebés, um filhote cada.

As mães ficam em poleiros separados dos filhos, mas conseguem encontrá-los diversas vezes por dia para cuidar deles, o que é incrível dado chegarem a existir centenas de bebés por metro quadrado.

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: USFWS Headquarters

Os pequenotes aprendem a voar entre a quarta e a quinta semana e em meados de Julho, juntam-se às suas mães nas saídas noturnas, tornando o grupo muito maior e capaz de ser visto a vários quilómetros de distância.

Os morcegos começam a sair da caverna cerca de uma hora antes do pôr do Sol, “anunciados” por umas centenas de morcegos que começam a guinchar (vocalização típica dos morcegos) perto da entrada. Eles saem em espiral de forma a ganhar altitude e evitar colisões com outros morcegos, dividindo-se depois em grupos mais pequenos.

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: Sandy Frost

A observação da saída dos morcegos deve ser feita da forma mais silenciosa possível. Barulhos de qualquer espécie podem assustar os morcegos e alterar a sua rotina, bem como a rotina dos predadores ocasionais que também aguardam a saída da caverna, como falcões, corujas e serpentes.

Os turistas que queiram observar a saída dos morcegos apenas podem conversar sussurrando, mesmo uma conversa em voz normal pode assustar os animais ao ponto de interromperem a sua saída.

As mães morcego tem um apetite particularmente voraz. Um grupo destas dimensões poderá consumir 250 toneladas de insetos, todas as noites. Escusado será dizer que é difícil alguém se cruzar com um mosquito nas redondezas.

Este dado reafirma a importância de manter este local imaculado: imagine como seria a vida das pessoas no Texas com todas estas toneladas de insetos à sua volta e dentro das suas casas – seguramente mais assustador que ver morcegos no céu, mesmo para quem não gosta deles.

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: deegephotos

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: Sandy Frost

A caverna tem cerca de 185 metros de comprimento e 18 metros de diâmetro. O solo dentro da caverna estende-se por cerca de 30 metros subterrâneos, cobertos de numerosos escaravelhos, que se alimentam do que os morcegos, nas paredes e no tecto, deixam cair. Os gases produzidos por estes insetos tornam o ar irrespirável ao ser humano, que corre risco de vida se entrar sem máscara de oxigénio.

Em Novembro, os morcegos deixam a caverna e regressam ás suas cavernas no México, onde passam todo o Inverno. Estes habitats de morcegos já existiam antes de ter sido descoberta a América.

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: Sandy Frost

A Bracken Cave esteve recentemente ameaçada por um projeto comercial demasiado próximo da caverna, com consequências desconhecidas para a vida dos animais. No entanto o potencial comprador recuou e agora existe um grupo de investidores interessados em adquirir o terreno de forma a protegê-lo definitivamente de qualquer tentativa futura de destruição.

A concentração de tantos animais no mesmo espaço pode representar um perigo para os mesmos no caso de ocorrer algum problema no espaço ou com os próprios animais (por exemplo, uma doença contagiosa). Ocasionalmente, encontram-se morcegos mortos perto da caverna, vítimas de raiva, embora a incidência desta não seja superior nos morcegos do que noutros mamíferos selvagens, não representando assim especial preocupação.

Mais fotos de morcegos em Bracken Cave

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: USFWS Headquarters

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: USFWS Headquarters

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: USFWS Headquarters

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: Sandy Frost

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: Sandy Frost

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: Sandy Frost

Morcegos em Bracken Cave

Fotografia: deegephotos

Em Portugal temos a maior colónia de criação de morcegos conhecida na Europa, no Alto Alentejo (no Parque Natural da Serra de São Mamede, na antiga mina de chumbo da Cova da Moura, bem como outras grutas calcárias) que abriga entre 15 a 20 mil morcegos. A Bulgária tem a maior colónia de hibernação da Europa, com cerca de 60 mil morcegos.

Apesar destas numerosas colónias, muitas espécies de morcegos, incluindo os nossos morcegos cavernícolas, estão ameaçados.

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