Ouriço Pigmeu Africano

Ouriço pigmeu africano

Fotografia original: Arttu Ekholm

Classificação científica:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Mammalia
  • Ordem: Erinaceomorpha
  • Família: Erinaceidae
  • Género: Atelerix
  • Espécie: Atelerix albiventris x Atelerix algirus

Desde há aproximadamente 30 anos que se têm criado ouriços com o propósito de os manter como animais de estimação exóticos.

Todos os que têm estes simpáticos animais na sua companhia afirmam que são uns animais de estimação excepcionais, inteligentes e carinhosos com os seus donos. Os Estados Unidos da América são sem dúvida o país onde se encontram os maiores aficionados destes pequenos animais.

Os ouriços são mamíferos pertencentes à ordem dos insectívoros. Os insectívoros são dos mamíferos dotados de placenta mais antigos no planeta e estão distribuídos por todo o globo (excepto na Austrália e Nova Zelândia onde não existiam em liberdade). O seu maior representante é o ouriço-terrestre (Erinaceus europaeus), também chamado simplesmente de ouriço-cacheiro ou porco-espinho.

Os ouriços pigmeus que se comercializam como animais de estimação, podem considerar-se como animais híbridos cruzados de duas espécies: o Atelerix algirus que se encontra no Norte e Centro de África e também numa estreita franja entre o Sul da Península Ibérica e as Ilhas Baleares; e o Atelerix albiventris, também de origem africana.

Um ouriço anão adulto mede entre 10 a 20 centímetros e na natureza não ultrapassam as 200 gramas de peso. Como animais de estimação, o seu peso pode situar-se entre as 250 e as 400 gramas. A sua esperança média de vida é de 6 anos, embora alguns exemplares tenham atingido os 8 anos.

O ouriço pigmeu africano é muito parecido com o ouriço-terrestre, porém mais redondo. É um animal com a parte superior do corpo de forma semiesférica, coberta de abundantes espinhos, curtos, com a ponta arredondada e sem serrilha. Os espinhos formam um escudo que cobre as extremidades posteriores e a cauda.

O focinho e a parte inferior do corpo estão cobertos de um pelo relativamente macio. Têm o crânio largo e pontiagudo. A cor varia entre várias to tonalidades de castanho e cinzento, branco e albino.

Se se sentir ameaçado o ouriço pode enrolar-se, arqueando o lombo e resguardando a cabeça no ventre, transformando-se numa autêntica bola de espinhos. É, de resto, o seu único mecanismo de defesa contra predadores.

Cuidados e manutenção em casa

Ouriço pigmeu africano

Fotografia: Kerry Foster

Na natureza, os ouriços costumam comportar-se como animais solitários e territoriais, que só se juntam em pares na época de reprodução.

São animais nocturnos, que só costumam ficar activos depois das 10h da noite. Deve-se por isso proporcionar-lhes um local calmo e sossegado em casa.

Gaiola

Os ouriços devem ter gaiolas grandes onde possam exercitar-se e não nos podemos esquecer que são trepadores, sendo por isso importante que o alojamento tenha uma tampa. É também importante fornecer-lhes uma caixa onde possam esconder-se durante o dia.

Como substrato pode-se utilizar as aparas de madeira. Para os ninhos poderá usar-se feno.

Ouriço pigmeu africano

Fotografia: Tim Ellis

Quando a temperatura desce abaixo dos 15º C, os ouriços tendem a diminuir a sua actividade e podem até entrar em semi-hibernação. Deve-se por isso utilizar uma gaiola bem calafetada, usando se necessário um cabo ou um tapete de aquecimento para répteis, com o cuidado de protege-los das humidades e não esquecer que no caso do cabo de aquecimento, os ouriços poderão tentar roê-los.

Deve também colocar-se na gaiola uma roda de exercício.

O ouriço deve ter acesso a uma casa de banho. Existem no mercado algumas à venda, que poderão ir do simples caixote pequeno aos cantos. Pode usar-se areia sem pó, por exemplo areia de chinchila. A casa de banho deverá ser colocada num local afastado do comedouro e do ninho.

Alimentação

Uma das principais dificuldades que poderá encontrar ao manter um ouriço é a alimentação. No entanto, existem já no mercado rações próprias para ouriços.

No caso de não se conseguir encontrar ração própria, deve dar-lhes uma ração premium de gato, suplementada com algumas frutas. A fruta doce e muito madura é a preferida.

Como suplemento adicional pode dar-lhe insectos, tais como grilos, zophobas ou tenébrio, assim como minhocas da terra, preferencialmente mortos. Também pode dar-lhes de vez em quando um pinkie (ratinho recém-nascido, sem pelo, utilizado frequentemente na alimentação das cobras).

Criação

Ouriço pigmeu africano

Fotografia: Rachael Moore

As fêmeas de ouriço, apesar de férteis muito cedo, não devem ser cruzadas antes dos 4 a 5 meses de idade, sob pena de lhes poder trazer problemas de desenvolvimento. Também os machos, apesar de não terem esse tipo de problemas, poderão trazer sérios problemas à ninhada.

Os cios duram em média 9 dias, com 7 dias de intervalo, e a gestação de 34 a 37 dias.

As crias nascem de olhos fechados, sem pelo e de orelhas fechadas. Não deve tocar nas crias desde o nascimento até pelo menos os 10 dias de idade, sob pena da mãe as rejeitar ou até as matar: se as mães ouriço acharem que a ninhada está ameaçada, poderão comer as crias.

As crias abrem os olhos por volta das 3 semanas e começam a comer a partir das 4 semanas, devendo ser separados das mães a partir das 8 semanas.

Como já referimos atrás, os ouriços são animais solitários que só se juntam para cruzar. Deve ter-se o cuidado, antes da data prevista para o parto, de retirar o macho para outro local, pois além de não ajudar a criar os filhos, poderá ser mais um motivo para o canibalismo.

Este artigo foi originalmente publicado no antigo Fórum Mundo dos Animais, em Novembro de 2007, com o título “Ouriços Anões Africanos”.

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