Voluntariado com Animais

Voluntariado com animais

Fotografia original: Wikimedia Commons

Há quem considere o voluntariado com animais abandonados menos nobre que qualquer outro voluntariado. A eterna questão suscitada “porque não ajudas crianças?” surge sempre que me refiro ao voluntariado com animais.

O tempo e as várias reflexões que tenho feito sobre a temática e sobre essa tão badalada pergunta permitem-me chegar a várias conclusões.

Primeiro que tudo, não há voluntariado mais nem menos nobre, todas as formas de dádiva e de contribuição acarretam um si uma grande nobreza porque permitem fazer o bem, sem olhar a quem. Sem olhar se esse bem que estou a dar de forma livre e espontânea é para um humano ou para um animal.

Se todos fizessem voluntariado com crianças, quem ajudaria os idosos? Se todos ajudassem os idosos, quem faria voluntariado com as crianças? E se todos apenas fizessem voluntariado com crianças e idosos, quem olharia pelos milhares de animais abandonados todos os anos?

Somos nós que tornamos nobres as causas onde nos envolvemos pela forma como lutamos por elas. Se trabalharmos com respeito, honestidade, vontade e muito amor não há causas no voluntariado menos dignas!

Dizer que um animal é menos digno que uma pessoa para merecer que alguém gaste o seu tempo com ele prova que nós, humanos, andamos muito enganados em relação à natureza. A convivência com animais tem-me ensinado que são seres maravilhosos.

De forma errónea o ser humano assumiu a supremacia de todas as espécies, colocando-se numa espécie de pódio que não lhe pertence, julgando que por ser dotado de racionalidade se poderia superiorizar à natureza, tornando-se um semi-deus sobre todas as espécies e sobre toda a natureza. Por vezes basta um evento natural (um tornado, um terramoto, etc) para recordar e reduzir o ser humano à sua posição na cadeia natural.

Por isso, julgar que o voluntariado com animais é menos digno que com humanos, é continuarmos a considerar que estamos acima das outras espécies e da própria natureza.

Se somos nós os seres racionais, porque fazemos e temos atitudes que me parecem desprovidas de qualquer racionalidade para com os animais e com a natureza? Não somos nós seres humanos que abandonamos, maltratamos, ferimos, magoamos, deixamos morrer à fome tantos milhares de animais por ano?

O animal tem-nos provado a sua incrível capacidade de resistência, de tolerar a dor, as feridas, a fome e até mesmo as mudanças climáticas e naturais. Os animais são uns resistentes, por isso não me podem dizer que merecem menos ou não merecem de todo que alguém se dedique a ajudar de forma voluntária, aqueles que o próprio ser humano mal tratou ou abandonou.

O que é ser voluntário afinal? Acredito que quanto mais damos, mais temos para dar. Este é o verdadeiro lema de um voluntário.

É a capacidade de nos despojarmos do nosso próprio eu em prol dos seres que amamos. È dar e nunca ficar mais pobre, antes pelo contrário, é enriquecer em sorrisos, em felicidade, em bem-estar e dignidade no outro.

Ser voluntário é dar sem esperar nada em troca, esse nada que é tudo, porque a recompensa é tão grande quando vemos que conseguimos dar a outro ser a felicidade, uma vida melhor, um sorriso, um olhar de gratidão eterna e de comunhão, de paz, de amizade sincera sem esperar retorno.

Por isso, o que importa é servir uma causa nobre, seja ela qual for, onde quer que haja alguém a precisar!

Este artigo foi publicado na Edição nº22 da Revista Mundo dos Animais, em Dezembro de 2011, com o título “Voluntariado”.

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