Zoo de Copenhaga, Parem de Estragar Tudo

Zoo de Copenhaga abate leões

Fotografia original: JENS DRESLING, POLFOTO / AP

Esta semana, o Zoo de Copenhaga abateu quatro leões saudáveis, dois adultos (16 e 14 anos) e dois juvenis (10 meses). Trata-se do mesmo Zoo que, em Fevereiro, foi alvo de grande contestação com a morte de uma girafa, também saudável, chamada Marius.

Escrevi na altura um artigo chamado «Os leões não são vegetarianos», com referências ao caso.

Deixei claro que, no geral, apoio a missão dos Zoos.

Os seus programas educativos e os seus projetos de conservação, cada vez mais importantes e urgentes.

A oportunidade que dão ás pessoas, em particular aos mais novos, de conhecerem de perto animais fantásticos que de outra forma só veriam em raras fotografias, uma aproximação que os incentiva a querer saber deles, querer protegê-los, entender o seu lugar no planeta.

A oportunidade que dão aos investigadores de estudarem as mais variadas espécies e de, com esse conhecimento, os poderem também ajudar a viver num mundo que nós tornamos muito difícil de habitar.

Tentei passar a ideia de que, com todo o respeito pela girafa, a reação mediática ao caso me pareceu desproporcional. Na natureza os leões caçam, matam e comem girafas. Todos os dias. Como todos os animais carnívoros, matam para comer e nós temos de o aceitar.

No fundo, tentei acrescentar um ponto de vista à discussão que visava pensar no caso de forma um pouco mais racional e um pouco menos emocional, apesar de serem assuntos que, para nós que adoramos animais, se tornarem perturbadores.

Agora, o Zoo de Copenhaga foi longe mais.

O pequeno crédito com que tinham ficado depois do episódio do Marius, uma ferida recente demais para já ter curado, esgotou-se aqui. Todas as razões mais ou menos plausíveis para terem abatido o Marius, deixaram de fazer sentido com o abate destes leões.

E a mensagem que estão a passar para o exterior é tudo aquilo que não precisávamos.

Estão a dizer-nos que os animais são descartáveis, qualquer justificação serve para os mandar abater e que isso é perfeitamente normal.

Estão a dizer-nos que abateram duas crias para que um novo macho possa gerar mais crias. Serão também estas abatidas no futuro? Algumas delas, se este rumo não for alterado, terão certamente o mesmo destino.

Estão a dizer ás crianças que, afinal, os Zoos não são lugares onde os animais estão tão protegidos quanto parecem, mas sim lugares onde os animais que as encantaram hoje, podem levar um tiro amanhã e serem “trocados” por outros. Uma lição de moralidade horrível, para dizer o mínimo, aos jovens cujo futuro dos animais e da natureza estará nas mãos.

Estão, fundamentalmente, a criar uma péssima imagem dos Jardins Zoológicos em geral, a todos aqueles que não têm este tipo de modus operandis e cujo trabalho em prol dos animais é realmente positivo.

Estão a dar razão àqueles que, com todo o direito e legitimidade de opinião, se opõem à existência de Zoos e defendem o seu encerramento.

Pior do que tudo, estão a deixar escapar a oportunidade de fazer algo útil pela conservação dos animais.

O Zoo de Copenhaga aparentemente perdeu a noção de qual deve ser o papel de um Zoo. Estão a estragar tudo.

Tópicos: Animais em Zoos, Opinião, Conservação