2 Irmãozinhos

Esta história foi escrita por Márcia Santos e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

Esta é a história de dois irmãozinhos que encontraram uma casa. E espero que seja apenas uma história de muitas mais que estejam para vir.

Certo dia estava eu e o meu amigo Pedro a andar pela nossa freguesia, quando nos deparamos com dois cãezinhos super pequenos num descampado. Estava uma senhora de volta deles e, quando nos aproximámos para lhes fazer uma festinha, perguntámos à senhora se eram irmãos, pois a cadelinha era preta de pêlo longo e o cãozinho era castanho claro de pêlo curto, como um cãozinho dos anúncios da scotex. Eram diferentes, mas pareciam ter a mesma idade.

A senhora respondeu-nos então: “Não sei. Não são meus, apenas vi-os por aqui”. Assim que nos apercebemos que os cães iam ficar ali sozinhos, sem pensar em mais nada, cada um de nós agarrou num deles e levámo-los para casa, sem saber bem o que ia acontecer a seguir.

Eu vivo num apartamento e nunca pude ter um cão por isso. Não tinha varanda, não tinha meios financeiros para tratar um cão como deve ser tratado. Mas levei-a à mesma, sabendo que o melhor que tinha a fazer era arranjar-lhe um dono. Consegui convencer a minha mãe a ficar com ela até encontrar alguém que pudesse tratar bem da pequena.

E assim foram passando os dias à procura de donos, a perguntar às pessoas, e aos poucos fui procurando cada vez menos. Comecei a habituar-me a que a Tampinha insistisse sempre a subir para o meu colo quando estava a estudar – dei-lhe esse nome porque ela estava sempre a roer uma tampas que havia por aqui – habituei-me a que ela choramingasse para subir para a minha cama a meio da noite e se enroscasse a mim, habituei-me até a limpar o cocó que ela fazia estrategicamente debaixo da minha cama.

E depois um pouco sem querer, chegou o dia em que alguém quis ficar com ela. Combinámos o dia em que vinham cá buscá-la, mas acabaram por vir mais cedo e nem me pude despedir. E apesar de olhar para trás, para esse momento com um pouco de tristeza (da última vez que a tinha visto tinha-lhe ralhado por se portar mal ), olho também com felicidade por saber que lhe dei a oportunidade de ter um lar, uma família, quem olhasse por ela com todo o amor e cuidado que um animal merece.

E apesar de me ter focado bastante na Tampinha nesta história, fiquem sabendo também que o maroto do Mantorras (o cãozinho que o meu amigo levou), também encontrou um dona, que o ama incondicionalmente.

Deixar a Tampinha embora foi a pior coisa para mim mas a melhor para ela e espero que a sua família a trate bem até ao fim da sua vida.


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