3 Meninos, Insensibilidade Humana e Chuva

Esta história foi escrita por Bárbara Monteiro e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

Num ano chuvoso como este, é difícil não reparar nos animais que sofrem na rua, sem um cobertor onde se aninhar e um coração humano em que possam confiar a sua vida.

Como sabem os corações humanos tendem a piorar consideravelmente, ao ponto de eu própria acreditar que já não ser necessário qualquer transplante para uma gente uma vez que muitas pessoas em vez dum coração têm uma pedra no lugar.

Há muitos anos que estes cães viviam na minha rua, tinham duas pessoas que se intitulavam seus donos, pessoas com tendência para o álcool, um deles um homem bom e outro não. A relação dos dois não era agradável ao ponto do pior bater no bom e o bom se descontrolar de tal forma a matá-lo e agora estar preso (é só pena esta gente que mata os animais, sem dó nem piedade também não estar na prisão, porque bem merecem)

Bem tudo resultou na permanência dos meninos na rua, que no inicio eram 6 e dos quais consegui dar já 3 para adopção e estão em bons e confortáveis lares com amor e carinho em abundância.

Ficaram estes três meninos na rua, completamente indefesos perante tal Inverno que se tem demonstrado tão frio e chuvoso, ainda por cima numa rua em que não eram nada desejados.

Com o acontecimento que fez os donos desaparecerem, quer por morte quer pela ida para a cadeia, eles ficaram sozinhos e abandonados.

Tentei arranjar famílias para eles mas ninguém parecia querer (ainda não querem) e ainda procuro mas a história apesar de ainda não ter um final feliz já não tem um final triste.

Sandokan

Depois uns meninos que andam numa escola perto e me conhecem, disseram que o menino grande, o Rudolfo, estava a deitar sangue do nariz e boca. Obviamente não associei imediatamente ao ataque pelos seres maléficos que habitam o nosso planeta mas sim à leishmaniose. Pois, alem de ter dado positivo para a leishmaniose, o estado da doença não está avançada ao ponto de ter sangue no nariz e boca por isso suspeito vivamente que tenha sido alguém a atacar o menino.

Aumentei o ângulo de busca por uma família para ele e continuei sem encontrar até encontrar uma boa rapariga que foi FAT dele por 5 dias.. Infelizmente não pode ser por mais visto que estes malditos seres maléficos a que damos o nome de Humanos, existem nas nossas vidas e uma maldita velha fez queixa ao senhorio, pois o cão de noite ao ladrar incomodava o netinho que acordava e dormia no minuto seguinte, e fomos obrigados a trazer o nosso Rudolfo, nome dado pela Rita, de novo para a rua, enquanto o Sandokan e o Gémeo esperavam ansiosos e um tanto traumatizados por um bom dono.

Felizmente uma grande amiga minha, a Margarida Neto, tão querida no meio dos amigos dos animais nos indicou uma outra grande amiga dos animais que tem um pequeno refugio na Margem Sul, para os mais necessitados, que nos aceitou os meninos, agora felizes e desejados lá, com amor e carinho e mesmo o Sandokan, com cicatrizes feias de cortes à faca nas pernas, mal levantava a mão ele fugia aterrorizado, agora é mimado e amado e deixa-se tocar pela nossa querida Maria.

Pensam que tiveram um final feliz?

Sim acho que sim, estão próximos disso, tranquilos, amados e longe destas malditas e longas tempestades que agora deixam os animais que estão na rua desesperados e a seguir todos as pessoas que olham para eles com um olhar de compaixão e tristeza por não os poder ajudar por várias razoes, como falta de espaço e dinheiro, e outros, arrogantes e nojentos seres humanos, que olham para eles, com desprezo.

Mas eu digo sinceramente que espero que os filhos os abandonem na rua como eles abandonam os animais na rua, sem dó nem piedade.

Estes três estão no caminho certo para a felicidade, mas continuam longe da meta e por isso precisamos de ajuda para o pagamento do refugio (120€ os três), os medicamentos da leishmaniose e o zyloric para o Rudolfo e o veterinário para os outros dois para confirmar se têm esta maldita doença.

Façam estes pequenos-grandes gestos pelos animais porque vale a pena, porque nos sabe bem e aconchega o coração.


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