Amizade e Lealdade

Esta história foi escrita por Ana Paula Jesus e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

MarotoNesse dia fui ao veterinário para pagar o que me faltava, quando me foi dado um gato que ninguém queria e que segundo a auxiliar era mesmo para mim que ele deveria ir.

Como tinha já dois em casa tentei resistir, mas depois ao olhar para os seus olhitos e o miar dele fiquei rendida. Adaptou-se bem, embora as duas primeiras semanas fossem complicadas pois tinha medo dos outros, de nós, do barulho e escondia-se debaixo da cama. Devagarinho lá foi percebendo que naquela casinha era bem provável ser feliz. E durante um ano fez-se um gato lindo e mais confiante. Ficou amigo dos outros dois. E andava pela casa tranquilamente e já sem medos.

Um dia ao chegar a casa reparei que a cauda do Maroto estava sempre caída, o que estranhei porque a cauda é um indicador do estado de qualquer animal. Como comia bem deixei passar dois ou três dias e como continuava na mesma, levei-o ao veterinário. Começou aqui a luta pela sua sobrevivência.

Diagnosticaram-lhe problemas hepáticos muito graves. Ficou internado e durante 30 dias de internamento fui todos os dias visitar o Marotinho. Deixou de comer, beber e ficou incontinente. Como garantiram que o tratamento iria resultar, pois era novinho, eu tinha sempre a esperança de o vêr a melhorar, mas saía sempre com o coração apertado. Como era alimentado de 2 em 2 horas não podia ir para casa. Levou transfusão de sangue, fez análises, testes, exames e nada de melhorar.

Num dia em que houve greve da função pública, eu não fui trabalhar e combinei com a veterinária que nesse dia o iria levar para casa, porque talvez ele cheirar os outros e conhecer a casa, fosse bom para ele. Assim fiz e ele conheceu a casa, a cama, o quarto. Dava-lhe de 2 em 2 horas comidinha pela algália, ajudava-o a mudar as toalhitas onde estava deitado e ele sempre a vêr-me com olhos de cansado e sofredor. Quando chegou a hora de o levar novamente, ele apercebeu-se que ia novamente para o hospital…

Quando no outro dia o fui visitar, soube que tinha desmaiado. E dessa quarta-feira até domingo, foi sempre a piorar. E passados exactamente 30 dias partiu nas asas de um anjo.

Por isso eu acho que ele apesar de muito doentinho, tinha saudades de casa, da caminha, do cheiro, das festinhas e mimos, da liberdade. E apesar de eu saber que tudo fizeram para o ajudar, foi também a tristeza que sentia e não o deixava arrebitar. Se eu soubesse que o fim dele estava tão próximo, tinha ficado em casa. Ao menos partia connosco ao pé. Que o meu marotinho esteja onde estiver seja feliz. Eu não te esqueci.


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